Ocorrência foi registrada em pomar doméstico, as plantas com sintomas estão sendo erradicadas e a fiscalização amplia vigilância sobre pomares comerciais e trânsito de mudas
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou os primeiros casos de greening (Huanglongbing – HLB) no Rio Grande do Sul, marcando um novo desafio fitossanitário para a citricultura estadual. A ocorrência foi identificada em um pomar doméstico no município de Palmitinho, na região do Médio Alto Uruguai, próximo à divisa com Santa Catarina. A confirmação laboratorial mobilizou imediatamente equipes de fiscalização e defesa vegetal, que iniciaram ações de monitoramento e contenção para evitar a disseminação da doença para outras áreas produtoras.
As medidas adotadas seguem as diretrizes do Programa Nacional de Controle e Prevenção do Greening, instituído pela Portaria SDA/Mapa nº 1.326, de 4 de julho de 2025 do Mapa. Na propriedade afetada, que possui cerca de 20 mudas cítricas, está sendo realizada a erradicação das plantas contaminadas e o controle rigoroso do psilídeo Diaphorina citri, inseto responsável pela transmissão da bactéria associada à doença. A principal hipótese investigada pelos órgãos de defesa sanitária é a introdução do patógeno por meio de mudas irregulares e sem certificação fitossanitária, consideradas um dos principais vetores de dispersão do problema.
Além da atuação direta no foco identificado, as autoridades ampliaram a vigilância em toda a região, com atenção especial aos pomares comerciais e ao trânsito de material propagativo. O Rio Grande do Sul mantém há anos um programa permanente de monitoramento do HLB, mas a proximidade com estados e regiões onde a doença já estava presente elevava o risco de introdução. A identificação do foco em uma área sem grande concentração de produção comercial favorece as estratégias de contenção, embora reforce a necessidade de intensificação das ações de defesa vegetal.

inspeções em campo fortalecem a defesa sanitária vegetal
O Departamento de Defesa Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDV/Seapi) e da Superintendência Federal de Agricultura do RS (SFA-RS/Mapa) destacam que o uso de mudas certificadas e rastreáveis continua sendo uma das principais ferramentas para prevenir novos focos da doença. Embora o greening não represente qualquer risco à saúde humana, seus impactos econômicos são expressivos. A enfermidade compromete a qualidade dos frutos, reduz a produtividade dos pomares e afeta diretamente a rentabilidade da atividade citrícola, gerando prejuízos significativos para produtores e para a cadeia produtiva.
Os investimentos em monitoramento demonstram o esforço preventivo realizado no estado. Entre novembro de 2025 e março de 2026, foram instaladas e acompanhadas 374 armadilhas em pomares distribuídos por 77 municípios gaúchos, totalizando 4.326 leituras. Paralelamente, a Secretaria da Agricultura promove capacitações técnicas, distribuição de materiais educativos e disponibilização de armadilhas adesivas para ampliar a capacidade de detecção do psilídeo vetor do greening.
Considerada a doença mais destrutiva da citricultura mundial, o greening afeta todas as espécies de citros e ainda não possui tratamento eficaz para plantas infectadas. Entre os principais sintomas estão o amarelecimento irregular das folhas, frutos deformados, menores e de sabor comprometido, além da redução progressiva da produtividade e da morte das plantas. Diante desse cenário, o fortalecimento da vigilância fitossanitária, aliado ao uso de material propagativo certificado, será fundamental para proteger a competitividade e a sustentabilidade da citricultura gaúcha.