Praga compromete produtividade e qualidade dos frutos e o monitoramento nas áreas de cultivo do mamoeiro é importante para que seu manejo seja realizado corretamente
A produção de mamão exige atenção constante ao manejo fitossanitário, especialmente durante períodos de temperaturas elevadas e baixa umidade. Entre as principais ameaças à cultura está o ácaro-rajado (Tetranychus urticae), uma das pragas mais agressivas do mamoeiro (Carica papaya), capaz de reduzir significativamente a produtividade e comprometer a qualidade comercial dos frutos. Sua ocorrência é registrada durante todo o ano, com maior intensidade em condições climáticas favoráveis ao seu desenvolvimento e multiplicação.
Os adultos apresentam coloração verde-amarelada, com duas manchas escuras características nas laterais do corpo. O ciclo biológico é curto, com duração média de aproximadamente 13 dias, favorecendo o rápido crescimento populacional. As fêmeas podem depositar entre 50 e 60 ovos ao longo da vida, o que torna a infestação altamente dinâmica. Essa elevada capacidade reprodutiva reforça a necessidade de monitoramento frequente e intervenção precoce nas áreas de cultivo.
Os danos são provocados durante a alimentação da praga, que se concentra principalmente na face inferior das folhas mais velhas. O ataque provoca destruição celular, surgimento de manchas amareladas, necrose, perfurações e intensa desfolha. Como consequência, ocorre a exposição dos frutos à radiação solar direta, favorecendo queimaduras, perda de qualidade e redução do valor comercial. Em situações severas, os prejuízos podem comprometer significativamente o desempenho econômico da lavoura.


técnico eficiente e o controle integrado e genética avançada
fortalecem a produção de mamão – Foto: G. San Martin
Manejo integrado é a principal estratégia de controle
Uma característica marcante do ácaro-rajado é a produção de finas teias sob as folhas, utilizadas como abrigo e proteção da colônia. Em determinadas condições ambientais, a praga pode entrar em um processo fisiológico conhecido como diapausa, mecanismo que reduz sua atividade metabólica e aumenta sua capacidade de sobrevivência. Esse comportamento dificulta o controle e reforça a importância de ações preventivas e monitoramento contínuo da população da praga.
O manejo eficiente começa pela eliminação de plantas daninhas que servem como hospedeiras alternativas. A inspeção periódica da face inferior das folhas também é fundamental, pois as infestações geralmente surgem em reboleiras antes de se espalharem por toda a área cultivada. A identificação precoce permite intervenções localizadas e mais eficazes, reduzindo custos e minimizando perdas. O uso de produtos inadequados ou a demora na tomada de decisão favorecem a dispersão dos ácaros e dificultam o controle.
Outra recomendação importante é a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP), utilizando exclusivamente acaricidas registrados para a cultura do mamão e sempre sob orientação técnica. Produtos à base de enxofre e calda sulfocálcica podem atuar como repelentes, enquanto o uso indiscriminado de piretroides e organofosforados deve ser evitado por comprometer os inimigos naturais da praga. Além disso, excessos de nitrogênio na adubação favorecem o desenvolvimento populacional do ácaro, exigindo equilíbrio nutricional da lavoura.

espaço na produção sustentável de mamão

em folhas do mamoeiro – Foto: Nilton Fritzons Sanches

mamoeiro: aspecto da visada usando uma lupa de 10
aumentos – Foto: Nilton Fritzons Sanches
Controle biológico e variedades tolerantes ganham espaço
Entre as alternativas sustentáveis, o controle biológico vem apresentando resultados promissores. A utilização de ácaros predadores da família Phytoseiidae e fungos entomopatogênicos contribui para a redução das populações de ácaro-rajado sem causar desequilíbrios ambientais. Para garantir eficiência, os agentes biológicos devem ser transportados e liberados sob condições adequadas, preferencialmente nos períodos mais amenos do dia, reduzindo o estresse durante a implantação.

que dificultam o estabelecimento da praga
Além das estratégias de manejo, a escolha de materiais genéticos mais tolerantes tem se mostrado uma ferramenta importante. O mamão Sabrosa destaca-se por apresentar maior massa foliar e folhas mais espessas, características que dificultam o estabelecimento da praga. Embora o monitoramento continue sendo necessário, a variedade oferece maior tolerância ao ácaro-rajado e melhor estabilidade produtiva, facilitando o manejo em comparação com materiais convencionais.
Outro diferencial do Sabrosa é seu elevado potencial produtivo, aliado à tolerância a doenças foliares como pinta-preta e mancha-de-corynespora. A variedade também apresenta porte mais baixo, permitindo colheita a pé por mais tempo, reduzindo custos operacionais. Soma-se a isso a alta uniformidade dos frutos, precocidade produtiva e excelente qualidade de polpa. Essas características tornam o mamão Sabrosa uma alternativa estratégica para produtores que buscam produtividade, qualidade e maior eficiência no manejo fitossanitário.