CAMPO -  A importância dos trabalhadores rurais brasileiros

Queimada na floresta amazônica - Foto: Bruno Kelly/Reuters

Dados da plataforma Monitor do Fogo do MapBiomas indicam que o Brasil perdeu 17,3 milhões de hectares para queimadas entre janeiro e dezembro de 2023. O país registrou alta de 6% em comparação com o ano anterior, quando 16,3 milhões de hectares foram destruídos pelas chamas.

A área afetada no ano passado foi de aproximadamente 2% do território brasileiro. O índice de hectares perdidos em 2023 supera o tamanho de estados como o Ceará e o Acre. Em comparação, é como se em, um único ano, toda a extensão do Uruguai fosse destruída por chamas.

O pico nas queimadas se deu entre setembro e outubro do ano passado, quando 4 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo a cada mês. Apenas em dezembro foram 1,6 milhão de hectares queimados no país, maior extensão destruída no mês desde 2019.

Área afetada por queimada - Foto: Bruno Kelly/Reuters
Área afetada por queimada – Foto: Bruno Kelly/Reuters

A Amazônia foi o bioma mais afetado pelo fogo em dezembro, com 1,3 milhão de hectares queimados, um aumento de 463% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Segundo os técnicos, o El Niño desempenhou um papel crucial no aumento dos incêndios no bioma. O fenômeno climático elevou as temperaturas e deixou a região mais seca, criando condições favoráveis à propagação das queimadas. Se não fosse a redução de mais de 50% no desmatamento (dado divulgado pelo Inpe na primeira semana de janeiro), diminuindo uma das principais fontes de ignição, certamente a área destruída seria bem maior.

O Pará foi o estado mais afetado pelo fogo no último mês do ano — foram 658,4 mil hectares consumidos pelas chamas. Isso representa um aumento de 572% na área queimada ante dezembro anterior.

O estado, que enfrenta desafios ambientais como as altas taxas de queimadas e fraudes no registro de terras, será a sede da COP30 em 2025, na capital Belém, palco de encontro de líderes mundiais para discussões sobre meio ambiente e estratégias globais de combate aos efeitos do aquecimento global. O governador Helder Barbalho afirmou que o evento mundial representa uma oportunidade de transformação para a história do estado, que nas últimas décadas representou o maior obstáculo para a imagem sustentável do Brasil.

Queimada na amazônia - Foto: Christian Braga/Greenpeace
Queimada na amazônia – Foto: Christian Braga/Greenpeace

Em relação ao pantanal, detentor de uma das maiores extensões alagadas contínuas do planeta, o bioma ocupa a segunda colocação entre os territórios mais afetados pelas queimadas no último mês do ano, seguido do Cerrado. A área afetada pelo fogo em 2023 equivale ao triplo do que foi registrado em 2022. As queimadas no pantanal batem recorde histórico para novembro e expõem as mesmas falhas que levaram à tragédia de 2020.

O fogo, que invadiu áreas do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro (MS) e do Parque Estadual Encontro das Águas (MT), foi potencializado pela estiagem no final do ano, principalmente no mês de novembro, que concentrou 60% de toda a área queimada no bioma Pantanal.

Para os técnicos, apesar da grande força do El Niño que atingiu o país em 2023 — que trouxe uma predominância de um clima seco e quente no Centro-Oeste e de secas na Amazônia, tornando o bioma um ambiente mais propício ao fogo —, o aumento da área queimada poderia ter sido muito maior sem a retomada das políticas de comando e controle que voltaram a ser implementadas pelo governo atual.

Queimada de grande porte às margens da rodovia BR-230 no município de Apuí, no Amazonas - Foto: Bruno Kelly/Amazonia Real
Queimada de grande porte às margens da rodovia BR-230 no município de Apuí, no Amazonas
Foto: Bruno Kelly/Amazonia Real
Queimada em área de pastagem (terreno desmatado da selva amazônica) - Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
Queimada em área de pastagem (terreno desmatado da selva amazônica) – Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Sem a retomada dessas políticas de combate ao fogo, o aumento não seria de 6% — seria muito maior. Isso serve de alerta para se planejar para os anos seguintes, demonstrando que as políticas de comando e controle de combate às queimadas precisam ser fortalecidas. No último ano, os tipos de solo mais afetados pelo fogo foram as pastagens (28%), vegetação nativa e formação campestre (19%), e formação savânica (18%).

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