Evento aposta em experiência prática, grandes nomes da pesquisa e soluções para a produção de fronteira agrícola em expansão
Entre 1º e 3 de setembro de 2026, Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, será sede do IV Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos (SBSA). Realizado pela primeira vez no nordeste, no auditório da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), à Rua Juscelino Kubitschek, 3270, Jardim Paraíso, o encontro reunirá pesquisadores, produtores, consultores e empresas para discutir alternativas técnicas destinadas à produção agrícola em solos leves, tema cada vez mais relevante para a expansão sustentável da agricultura tropical.
A escolha do oeste baiano para receber o simpósio está diretamente relacionada à transformação do Matopiba em uma das principais fronteiras agrícolas brasileiras. A região reúne áreas extensas de produção de grãos e fibras, mas também impõe desafios associados às características físicas e químicas dos solos. Nesse cenário, compreender o comportamento da água, dos nutrientes e da matéria orgânica tornou-se parte essencial da gestão técnica e econômica das propriedades.
Promovido pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, por meio do Núcleo Regional Nordeste, o evento é realizado pela Embrapa, Comitê de Ciência do Solo do Oeste da Bahia e Fundação Bahia, com apoio da Galvani Fertilizantes e Amasolo. A programação busca aproximar pesquisa científica e tomada de decisão no campo, levando ao produtor conhecimentos capazes de orientar investimentos, manejo e planejamento produtivo.

em solos arenosos com ciência aplicada que busca soluções para
ampliar a produtividade em ambientes de elevada drenagem
Manejo do solo como estratégia de eficiência
A programação combinará palestras, conferências, workshops, mesas-redondas e apresentação de trabalhos científicos. Pesquisadores de instituições como Embrapa, ESALQ/USP, UFLA, UFV, UFRGS, IAC, IF Goiano e The Ohio State University participarão das discussões sobre fertilidade, física e biologia dos solos arenosos, além de tecnologias voltadas ao uso racional de insumos e recursos naturais.
Entre os assuntos previstos estão armazenamento e dinâmica da água, manejo da irrigação, calagem, gessagem, fertilizantes fosfatados, agricultura de precisão, matéria orgânica, bioinsumos e saúde do solo. A agenda também contempla a construção de sistemas produtivos mais resilientes diante das oscilações climáticas, aspecto que ganhou relevância para a gestão rural e exige maior eficiência no uso da água e dos nutrientes.
O encontro terá ainda uma dimensão prática. No WorkSolo, realizado em uma propriedade rural da região, os participantes poderão observar perfis de solos e acompanhar estratégias relacionadas à retenção de água, controle da compactação, fertilidade e evolução dos sistemas produtivos. A iniciativa aproxima o conhecimento acadêmico das condições reais de produção e evidencia que o manejo do solo precisa considerar suas características específicas, e não apenas recomendações genéricas.

construção da qualidade dos solos arenosos
Solos arenosos exigem planejamento de longo prazo
Do ponto de vista agronômico, os solos arenosos apresentam elevada proporção de partículas de areia e, em geral, menor capacidade de retenção de água e nutrientes. A infiltração ocorre rapidamente, assim como a possibilidade de perdas por lixiviação. Por isso, a construção da fertilidade demanda manejo criterioso da adubação, da matéria orgânica e da disponibilidade hídrica, especialmente em sistemas agrícolas de alta produtividade.
A resposta produtiva depende da adoção integrada de práticas capazes de melhorar as condições físicas, químicas e biológicas do perfil. Cobertura permanente do solo, plantas de cobertura, aporte de matéria orgânica, manejo adequado da irrigação e estratégias de fertilização podem contribuir para ampliar a estabilidade do sistema. Mais do que corrigir limitações pontuais, o objetivo é construir um ambiente de produção mais eficiente e previsível ao longo das safras.
Nesse contexto, o IV SBSA chega em um momento estratégico para o agronegócio brasileiro. A expansão agrícola sobre ambientes de solos leves amplia a necessidade de conhecimento especializado, planejamento e uso eficiente dos recursos. Ao reunir ciência, experiência de campo e articulação institucional, o simpósio coloca em debate uma questão central para o futuro do agro: como elevar a produtividade sem comprometer a sustentabilidade econômica e ambiental dos sistemas produtivos.