Manchetes da semana – 29-05 a 05-06-2025

EUA impõem novo tarifaço contra o Brasil

Os Estados Unidos propuseram uma tarifa adicional de 12,5% sobre importações brasileiras, como parte de uma investigação conduzida pelo Escritório Comercial dos EUA (USTR) relacionada ao combate ao comércio de produtos associados ao trabalho forçado. A medida integra um pacote que alcança 60 parceiros comerciais, com alíquotas diferenciadas, e ocorre em meio ao endurecimento das relações comerciais entre os dois países. Apesar do impacto potencial sobre diversos setores, o agronegócio brasileiro foi amplamente preservado, com exceções que abrangem carnes, café, frutas, cereais, sementes, fertilizantes, celulose e outros produtos estratégicos. O documento também destaca preocupações dos EUA com temas como comércio digital, Pix, propriedade intelectual, corrupção, desmatamento ilegal e acesso ao mercado de etanol, reforçando um cenário de crescente pressão regulatória e comercial sobre o Brasil.

Plano Safra deve chegar a R$ 550 bilhões

O governo federal trabalha para lançar, em 1º de julho, um Plano Safra de aproximadamente R$ 550 bilhões, valor cerca de 10% superior ao programa vigente e que poderá estabelecer um novo recorde para o crédito rural brasileiro. Embora o volume de recursos seja relevante, o foco das discussões está na oferta de juros mais acessíveis e na efetiva contratação dos financiamentos pelos produtores rurais. O cenário é marcado pela desaceleração das operações de crédito, aumento do endividamento no campo, perdas climáticas acumuladas e maior rigor das instituições financeiras na análise de risco. Nesse contexto, o desafio deixa de ser apenas a disponibilidade de recursos e passa a ser a capacidade de convertê-los em investimentos produtivos. Entre as novidades previstas, destaca-se a ampliação da linha para modernização de máquinas agrícolas, que poderá passar de R$ 10 bilhões para R$ 14 bilhões, fortalecendo a competitividade e a eficiência operacional do agronegócio brasileiro.

Potencial irrigável brasileiro ainda está longe de ser explorado, mas irrigação avança como resposta aos desafios climáticos no campo
Potencial irrigável brasileiro ainda está longe de ser explorado, mas
irrigação avança como resposta aos desafios climáticos no campo

Com desafios, Brasil desponta como futuro líder global em irrigação agrícola

Com cerca de 11 milhões de hectares irrigados, o Brasil possui potencial para expandir essa área para 55 milhões de hectares, consolidando-se como uma das maiores fronteiras globais para a agricultura irrigada. O avanço é impulsionado pela crescente necessidade de estabilidade produtiva diante das mudanças climáticas, além da demanda mundial por alimentos, que deverá aumentar significativamente até 2050. Apesar das oportunidades, desafios como crédito rural caro, infraestrutura energética limitada, restrições regulatórias para uso e armazenamento de água e insegurança jurídica ainda limitam o crescimento do setor. Especialistas destacam que a irrigação deixou de ser apenas um diferencial tecnológico para se tornar uma ferramenta estratégica de gestão de risco e aumento da produtividade. Com planejamento, investimentos e modernização regulatória, o país poderá acelerar a adoção de sistemas irrigados e fortalecer sua competitividade no agronegócio global.

BNDES libera R$ 150 milhões para agricultores da Paraíba

O BNDES anunciou R$ 150 milhões para o programa Sertão Vivo na Paraíba, iniciativa voltada ao fortalecimento da agricultura familiar, segurança hídrica e adaptação às mudanças climáticas no semiárido. A ação deverá beneficiar mais de 37,6 mil famílias em 157 municípios, combinando crédito para investimentos produtivos e infraestrutura com recursos não reembolsáveis destinados à assistência técnica, capacitação e desenvolvimento comunitário. Em parceria com organismos internacionais, o programa apoiará tecnologias de acesso à água, sistemas agroflorestais, quintais produtivos e recuperação de áreas degradadas da caatinga, contribuindo para aumentar a produtividade, reduzir riscos climáticos e fortalecer a segurança alimentar. Com foco em mulheres, jovens e comunidades tradicionais, a iniciativa reforça estratégias de desenvolvimento rural sustentável e resiliência climática, embora sua efetividade dependa da execução local, da assistência técnica contínua e da implementação das estruturas previstas.

Petrobras mira autossuficiência e avalia dobrar produção de fertilizantes

A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 699/23, que estabelece um programa de estímulo à produção nacional de fertilizantes, prevendo até R$ 10 bilhões em créditos fiscais ao longo de cinco anos para viabilizar a implantação, modernização, expansão e reativação de unidades industriais. A iniciativa reforça a estratégia brasileira de reduzir a dependência das importações, um dos principais desafios para a competitividade do agronegócio. Em paralelo, a Petrobras avalia ampliar a capacidade de suas fábricas de fertilizantes em Sergipe, Bahia, Paraná e da unidade em construção em Mato Grosso do Sul, priorizando a expansão de estruturas já existentes com base na disponibilidade de área e gás natural. Segundo estimativas da estatal, o aumento da produção poderá elevar o atendimento doméstico para 70% a 75% da demanda por fertilizantes nitrogenados, reduzindo a exposição do setor às oscilações internacionais de preços, câmbio e logística. Apesar do potencial estratégico da medida, ainda faltam definições sobre investimentos, cronograma e capacidade adicional das unidades, fatores que serão determinantes para medir seus impactos efetivos sobre a oferta e a competitividade do agro brasileiro.

Novos investimentos ampliam áreas verdes e reduzem ilhas de calor e arborização urbana avança como ferramenta de adaptação às mudanças climáticas
Novos investimentos ampliam áreas verdes e reduzem
ilhas de calor e arborização urbana avança como
ferramenta de adaptação às mudanças climáticas

Governo amplia combate ao calor extremo e acelera investimentos em áreas verdes

O Governo Federal lançou novas iniciativas para fortalecer a adaptação climática dos municípios brasileiros, com destaque para o edital ArborizaCidades e a plataforma GEOCAU, ferramentas voltadas à ampliação da cobertura vegetal urbana e ao enfrentamento dos efeitos do calor extremo. O programa disponibilizará R$ 19 milhões para que municípios entre 20 mil e 750 mil habitantes desenvolvam ou atualizem planos climáticos e projetos de arborização, com investimentos de até R$ 2 milhões por projeto. A ação integra o Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU), que estabelece metas até 2045, incluindo a expansão de 360 mil hectares de áreas verdes urbanas e o plantio estimado de 72 milhões de árvores. Complementando a estratégia, o GEOCAU utiliza inteligência territorial para identificar ilhas de calor, mapear a arborização e orientar políticas públicas mais eficientes. A iniciativa busca reduzir desigualdades ambientais, ampliar a resiliência climática e promover cidades mais sustentáveis, saudáveis e preparadas para os desafios das mudanças climáticas.

Parceria amplia apoio a comunidades tradicionais e fortalece produção sustentável

O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e a Fundação Banco do Brasil firmaram um acordo de cooperação com vigência de cinco anos para fortalecer ações voltadas aos povos e comunidades tradicionais em todos os biomas brasileiros. A iniciativa contempla projetos relacionados à produção de alimentos saudáveis, geração de renda, segurança hídrica, turismo comunitário, preservação da biodiversidade e etnodesenvolvimento, com foco na valorização dos sistemas produtivos locais e no uso sustentável dos recursos naturais. A parceria busca ampliar a inclusão produtiva, fortalecer a agricultura familiar e promover a soberania alimentar em territórios tradicionais, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico regional. Embora o acordo represente um avanço institucional para essas comunidades, ainda não foram divulgados detalhes sobre orçamento, metas, abrangência territorial ou critérios de seleção, fatores que serão decisivos para avaliar o alcance efetivo da política e seus impactos sobre produtores, associações e cadeias produtivas locais.

China reforça apoio ao agro brasileiro em momento crítico para o mercado de fertilizantes

Em um cenário de maior pressão geopolítica e instabilidade no mercado global de insumos, o Brasil recebeu uma sinalização positiva da China para ampliar a oferta de fertilizantes, reforçando uma parceria considerada estratégica para a segurança produtiva do agronegócio. A iniciativa ocorre em meio às preocupações com o abastecimento internacional, intensificadas pelos conflitos no Oriente Médio e pela elevada dependência brasileira de adubos importados. Atualmente, a China responde por 26% das importações nacionais de fertilizantes, consolidando-se como principal fornecedora do insumo. Em 2025, o Brasil consumiu cerca de 49 milhões de toneladas de fertilizantes, mas importou aproximadamente 45 milhões, evidenciando a necessidade de diversificação e fortalecimento da produção doméstica. Nesse contexto, a retomada dos investimentos da Petrobras no segmento complementa a estratégia nacional de segurança de suprimento. Paralelamente, o comércio bilateral alcançou US$ 170,9 bilhões em 2025, registrando o décimo recorde consecutivo e reforçando a relevância econômica da relação entre os dois países.

A novilha angus São Bibiano Elizabeth II FIV8738, arrematada por R$ 153 mil pela Agriangus, de Portugal, abre novas oportunidades para exportação genética da raça - Foto: Gustavo Rafael
A novilha angus São Bibiano Elizabeth II FIV8738, arrematada por
R$ 153 mil pela Agriangus, de Portugal, abre novas oportunidades
para exportação genética da raça – Foto: Gustavo Rafael

Angus brasileiro cruza fronteiras e abre caminho para novo mercado na Europa

A centenária Cabanha São Bibiano, de Uruguaiana (RS), marcou um novo capítulo na internacionalização da pecuária brasileira ao realizar a venda inédita de uma matriz Angus para Portugal. A novilha Elizabeth II FIV8738, arrematada por R$ 153 mil pela empresa portuguesa Agriangus durante o leilão comemorativo dos 100 anos da propriedade, reúne genética de destaque em programas de melhoramento e linhagens reconhecidas internacionalmente. Prenhe do touro Justification e descendente de reprodutores de alto desempenho, a fêmea permanecerá no Brasil para participação em eventos estratégicos (Expointer 2026, em Esteio (RS), e do Congresso Mundial de Angus, no ano que vem) e para a coleta de embriões destinados aos novos proprietários. A negociação evidencia o crescente reconhecimento da genética angus brasileira no mercado global e pode abrir novas oportunidades para exportação de material genético, agregando valor à pecuária nacional e fortalecendo a presença do Brasil em mercados premium de carne bovina.

Inseto vetor do greening é identificado no RS, mas doença segue ausente nos pomares gaúchos

Os resultados mais recentes do monitoramento fitossanitário da citricultura gaúcha indicam que o Rio Grande do Sul permanece livre do HLB (greening), uma das doenças mais severas da cultura dos citros, apesar da confirmação da presença do inseto vetor Diaphorina citri em pomares de 77 municípios. Entre novembro de 2025 e março de 2026, a Secretaria da Agricultura do Estado realizou ampla vigilância, com 374 armadilhas instaladas e 4.326 inspeções em áreas produtoras, confirmando laboratorialmente 88 exemplares do psilídeo transmissor da doença. Embora a bactéria associada ao HLB não tenha sido detectada, a ocorrência do vetor reforça a necessidade de monitoramento contínuo, controle rigoroso do trânsito de mudas e frutas e adoção de medidas preventivas. A manutenção do status fitossanitário estadual é estratégica para a competitividade da cadeia citrícola, exigindo atenção permanente dos produtores e dos órgãos de defesa vegetal.

Expansão global do consumo de ayahuasca coloca espécies amazônicas sob crescente pressão

O avanço da demanda global por ayahuasca, bebida ancestral utilizada há séculos por povos indígenas da Amazônia, tem ampliado preocupações sobre a conservação da biodiversidade e a preservação dos conhecimentos tradicionais associados à floresta. Lideranças indígenas, como o ashaninka Benki Piyãko, alertam para a crescente pressão sobre espécies nativas utilizadas em sua preparação, especialmente o cipó Banisteriopsis caapi e a planta Psychotria viridis, que já apresentam sinais de escassez em algumas regiões. Impulsionada pelo interesse de centros religiosos, turismo terapêutico e pesquisas sobre saúde mental, a expansão do consumo ocorre em um contexto de ausência de políticas estruturadas de manejo, cultivo e rastreabilidade, aumentando os riscos ambientais e culturais. Especialistas destacam que o desafio vai além da bebida em si, envolvendo a proteção de todo um sistema ecológico e sociocultural cuja sustentabilidade será determinante para o futuro das chamadas medicinas da floresta.

Tecnologia e manejo foram decisivos para o sucesso do parto excepcional, reforçando o potencial das matrizes hiperprolíferas
Tecnologia e manejo foram decisivos para o sucesso do parto
excepcional, reforçando o potencial das matrizes hiperprolíferas

Leitoa de primeiro parto gera 33 leitões

Um parto registrado na Granja São Sebastião, em Itaporã (MS), chamou a atenção do setor ao resultar no nascimento de 33 leitões em uma única leitegada, número muito superior à média de aproximadamente 16 animais por gestação observada na suinocultura comercial. Após 116 dias de gestação e cerca de cinco horas de trabalho de parto, nasceram 29 leitões vivos e 04 natimortos. O resultado evidencia os avanços obtidos em genética, nutrição e manejo de matrizes hiperprolíferas, fatores que têm ampliado o potencial produtivo da atividade. Para garantir a sobrevivência dos leitões, a granja adotou protocolos intensivos de manejo, incluindo identificação individual, monitoramento da ingestão de colostro, sistemas adicionais de aquecimento e transferência de parte dos animais para uma “mãe de leite”. O caso reforça a importância da gestão técnica para converter alto potencial reprodutivo em desempenho produtivo e bem-estar animal.

Escassez de sal mineral acende alerta na pecuária de Mato Grosso

A possibilidade de restrições no fornecimento de fosfato bicálcico, insumo essencial para a produção de suplementos minerais destinados à bovinocultura, levou a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) a solicitar medidas emergenciais junto às autoridades. Embora não haja desabastecimento instalado, o setor registra dificuldades crescentes de acesso ao produto, agravadas pela dependência de importações, redução da oferta de enxofre, matéria-prima fundamental para sua fabricação, e instabilidades geopolíticas que afetam as cadeias globais de suprimentos. Relatos indicam cortes significativos em contratos de fornecimento e forte pressão sobre os preços. A situação preocupa especialmente Mato Grosso, detentor do maior rebanho bovino do país, uma vez que a deficiência mineral pode comprometer ganho de peso, fertilidade, imunidade e desempenho produtivo dos animais. O cenário evidencia uma vulnerabilidade estrutural do agronegócio brasileiro e reforça a necessidade de políticas que ampliem a segurança no abastecimento de insumos estratégicos.

China reconhece novo status sanitário do Brasil e amplia perspectivas para exportações de carnes

A China reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, consolidando um importante avanço para a sanidade animal e para a expansão do comércio agropecuário entre os dois países. A decisão amplia as oportunidades para as exportações brasileiras de produtos bovinos e suínos, especialmente itens de maior valor agregado, como carne com osso e miúdos, fortalecendo a competitividade do setor no principal mercado importador global. O reconhecimento resulta das articulações conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e ocorre um ano após a certificação concedida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), refletindo décadas de investimentos em defesa agropecuária. Paralelamente, a assinatura de um memorando bilateral sobre medidas sanitárias e fitossanitárias reforça a cooperação técnica entre Brasil e China, ampliando o diálogo institucional e criando bases mais sólidas para o crescimento sustentável das exportações do agronegócio brasileiro.

Berganês amplia as opções genéticas para a ovinocultura brasileira, reforçando a produção nacional de carne ovina
Berganês amplia as opções genéticas para a ovinocultura
brasileira, reforçando a produção nacional de carne ovina

Homologação da Berganês marca avanço genético estratégico para a ovinocultura nacional

A homologação da raça Berganês pela Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), durante a Caprishow, em Dormentes (PE), representa um importante avanço para a ovinocultura de corte brasileira. Com o reconhecimento oficial, a raça passa a contar com padrão racial definido, livro genealógico próprio e critérios específicos para registro e seleção genética, fortalecendo o desenvolvimento técnico da atividade. Originária do cruzamento entre as raças Bergamácia e Santa Inês, a Berganês, o ovino gigante do nordeste, se destaca por características como alto potencial para produção de carne, fertilidade, prolificidade, rusticidade e capacidade de adaptação a diferentes regiões do país. Além de atender sistemas comerciais de produção, a nova genética também apresenta potencial para programas de cruzamento industrial voltados ao ganho de desempenho produtivo. A homologação consolida a Berganês como a 33ª raça ovina reconhecida pela Arco e amplia as opções genéticas disponíveis para produtores que buscam maior eficiência e competitividade no setor.

Mata Atlântica atinge menor desmatamento da história e impulsiona nova economia verde

A Mata Atlântica consolidou, em 2025, um marco histórico ao registrar o menor índice de desmatamento dos últimos 40 anos, reforçando seu protagonismo na transição para uma economia verde baseada em restauração ambiental, mercado de carbono e produção sustentável. A área desmatada recuou para 8.658 hectares, uma redução de 40% em relação ao início da série histórica, enquanto o bioma concentra atualmente 64% das áreas de restauração monitoradas no Brasil. Reconhecida pela ONU e pela FAO como referência global na Década da Restauração de Ecossistemas, a Mata Atlântica avança na integração entre conservação e geração de renda por meio de sistemas agroflorestais, modelos silvipastoris, silvicultura de espécies nativas e créditos de carbono. O cenário cria novas oportunidades para produtores rurais, investidores e comunidades locais, fortalecendo a bioeconomia, valorizando os ativos naturais brasileiros e ampliando a competitividade de cadeias produtivas alinhadas aos princípios da sustentabilidade.

BNDES bloqueia crédito rural por indícios de desmatamento ilegal

O BNDES rejeitou mais de R$ 1,1 bilhão em pedidos de crédito rural entre fevereiro de 2023 e abril de 2026 devido a indícios de desmatamento ilegal identificados em propriedades rurais monitoradas em parceria com o MapBiomas. No período, foram registrados 5.592 alertas ativos, correspondendo a aproximadamente 1% das 551,7 mil solicitações analisadas. A instituição adota critérios socioambientais mais rigorosos que os exigidos pelo Banco Central, restringindo financiamentos para imóveis com possíveis irregularidades ambientais. Os dados evidenciam a crescente integração da governança ambiental à análise de crédito rural, reforçando a importância da conformidade legal para o acesso a recursos financeiros no agronegócio. Embora o banco ainda não tenha detalhado os impactos por cadeia produtiva ou perfil de produtor, os números indicam que práticas sustentáveis e regularidade ambiental tornam-se fatores cada vez mais estratégicos para a competitividade e a obtenção de financiamento no setor agropecuário.

Conab distribui sementes de juçara que alavancam ação estratégica de restauração florestal e inclusão produtiva no Paraná
Conab distribui sementes de juçara que
alavancam ação estratégica de restauração
florestal e inclusão produtiva no Paraná

Conab fomenta recuperação ambiental no Paraná com distribuição de sementes de palmito juçara

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) distribuiu mais de 32 toneladas de sementes de palmeira juçara (Euterpe edulis) durante a 4ª Jornada da Natureza, no Paraná, em uma iniciativa que integra restauração ambiental, fortalecimento da agricultura familiar e inclusão produtiva. Executado por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Compra com Doação Simultânea, o projeto recebeu investimento de quase R$ 270 mil e envolve 18 agricultores familiares fornecedores. As sementes estão sendo destinadas a assentamentos rurais, terras indígenas e comunidades quilombolas, por meio de semeadura aérea e plantios coletivos. Além de estimular a recuperação de áreas degradadas e a conservação da biodiversidade, a ação fortalece cadeias produtivas sustentáveis ligadas à juçara, espécie nativa de grande relevância ecológica e econômica. O modelo demonstra como políticas públicas podem combinar segurança alimentar, geração de renda e restauração dos ecossistemas em benefício das comunidades rurais.

Conab entrega 900 quilos de alimentos para mostra de mulheres camponesas em Brasília

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) destinou cerca de 900 quilos de alimentos à II Mostra Nacional da Produção e Ciência das Mulheres Camponesas, em Brasília, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A ação, realizada em parceria com os ministérios do Desenvolvimento Social (MDS) e do Desenvolvimento Agrário (MDA), contou com investimento de aproximadamente R$ 13,5 mil e viabilizou o preparo de cerca de 900 refeições para participantes do evento. Os produtos, adquiridos da agricultura familiar, incluem alimentos frescos, orgânicos e itens básicos de consumo, reforçando o papel estratégico do programa na promoção da segurança alimentar, inclusão produtiva e geração de mercado para pequenos produtores. Nos últimos três anos e meio, o PAA acumulou cerca de R$ 2 bilhões em investimentos, com 50% das compras destinadas a mulheres agricultoras, fortalecendo a participação feminina nas cadeias produtivas e ampliando oportunidades de renda e desenvolvimento sustentável no meio rural.

Alimentação escolar conecta campo e cidade por meio das compras públicas

A alimentação escolar brasileira reafirma seu papel estratégico ao integrar segurança alimentar, desenvolvimento rural e fortalecimento da agricultura familiar. Por meio de programas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Pronaf, produtores familiares fornecem alimentos como arroz, feijão, carnes, frutas, hortaliças e legumes para a rede pública de ensino, garantindo refeições mais nutritivas e diversificadas aos estudantes. Além de contribuir para o desenvolvimento físico e cognitivo dos alunos, a política cria um mercado institucional estável para cooperativas, associações e pequenos produtores, ampliando oportunidades de renda e reduzindo a dependência dos canais tradicionais de comercialização. A compra pública de alimentos fortalece cadeias produtivas locais, especialmente de produtos perecíveis, promovendo maior previsibilidade de demanda e incentivando a produção regional. O modelo consolida-se como uma importante ferramenta de abastecimento, inclusão produtiva e desenvolvimento sustentável no meio rural.

Tributação busca fortalecer a competitividade da tilapicultura nacional que comemora a medida voltada ao equilíbrio do mercado de pescado
Tributação busca fortalecer a competitividade da tilapicultura nacional
que comemora a medida voltada ao equilíbrio do mercado de pescado

São Paulo taxa tilápia importada do Vietnã

O Governo de São Paulo oficializou a tributação sobre a entrada de filé de tilápia importado do Vietnã, atendendo a uma demanda histórica da cadeia produtiva e buscando promover maior equilíbrio competitivo no mercado brasileiro de pescado. A medida foi recebida positivamente pelo setor, que argumenta que os produtores nacionais operam sob rígidas exigências ambientais, sanitárias, trabalhistas e tributárias, enfrentando custos significativamente superiores aos dos concorrentes internacionais. Para entidades representativas da piscicultura, a iniciativa não configura protecionismo, mas sim uma ação voltada à isonomia de mercado, valorização da produção nacional e preservação de empregos no campo. A expectativa é que a tributação contribua para recuperar a competitividade da tilapicultura brasileira, estimular novos investimentos e fortalecer uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio. O decreto também pode servir de referência para outras unidades federativas diante do crescimento das importações de pescado asiático.

Brasil vai buscar novos parceiros para dimunuir impactos comerciais

O governo federal intensificou a estratégia de diversificação de parceiros comerciais em resposta às novas medidas tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos, que, segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), podem afetar cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. Em reunião ministerial realizada no Palácio do Planalto, o presidente Lula defendeu o fortalecimento das relações econômicas internacionais e a ampliação do diálogo com outros mercados como forma de reduzir riscos comerciais e ampliar oportunidades para o país. Nesse contexto, o Brasil reforça sua participação em fóruns multilaterais e articulações diplomáticas estratégicas, incluindo o encontro do G7 como país convidado. O cenário evidencia a importância da diversificação de mercados, da estabilidade institucional e do fortalecimento do comércio exterior para preservar a competitividade das cadeias produtivas brasileiras, especialmente do agronegócio, diante das mudanças no ambiente global de negócios.

Rio Grande do Sul celebra Dia do Vinho com boa safra

Celebrado em 7 de junho, o Dia Estadual do Vinho evidencia a relevância da vitivinicultura para a economia do Rio Grande do Sul, líder nacional na produção de uvas, vinhos e espumantes. Sustentada por cerca de 15 mil famílias produtoras e aproximadamente 48 mil hectares cultivados, a atividade combina tradição, inovação e forte presença da agricultura familiar. Em 2025, a safra gaúcha alcançou 957 mil toneladas de uvas, alta de 36% em relação ao ano anterior, gerando um Valor Bruto da Produção de R$ 2,29 bilhões, um dos melhores resultados da última década. Com 92% da produção destinada à industrialização, o setor fortalece cadeias ligadas a vinhos, espumantes, sucos e derivados. Apoiado por iniciativas financiadas pelo Fundovitis e coordenadas pelo Consevitis-RS, o segmento investe em pesquisa, capacitação, tecnologia e promoção comercial, consolidando sua posição estratégica para o desenvolvimento econômico, turístico e sustentável do estado. A expectativa para 2026 é de manutenção dos elevados volumes produtivos, com cerca de 905 mil toneladas da fruta.

Produção nacional de cogumelos avança e reduz dependência das importações, ganhando espaço nas gôndolas brasileiras com o mercado crescente e impulsionado pela busca por alimentos saudáveis
Produção nacional de cogumelos avança e reduz
dependência das importações, ganhando espaço nas
gôndolas brasileiras com o mercado crescente e
impulsionado pela busca por alimentos saudáveis

Produção nacional de cogumelos avança e reduz dependência das importações

A produção de cogumelos comestíveis no Brasil vem registrando crescimento consistente e já se aproxima do volume importado, consolidando-se como um segmento em expansão dentro do agronegócio. Estimativas da Associação Nacional dos Produtores de Cogumelo (ANPC) indicam uma produção superior a 16 mil toneladas anuais, próxima das cerca de 18 mil toneladas importadas pelo país. Impulsionado pela busca por alimentos saudáveis, versáteis e de menor impacto ambiental, o mercado ampliou a oferta de espécies frescas como shimeji e shiitake, hoje facilmente encontradas no varejo. O destaque produtivo é o shimeji branco, favorecido pela maior adaptação às condições climáticas brasileiras e menor custo de produção. Com ciclo produtivo de aproximadamente 90 dias e colheita durante todo o ano, a fungicultura apresenta potencial de rentabilidade, embora enfrente desafios relacionados ao aumento dos custos de insumos. O avanço do setor reforça oportunidades para diversificação produtiva e agregação de valor no campo.

Contaminação em território Munduruku expõe impactos duradouros do garimpo ilegal

Um estudo conduzido pela Fiocruz identificou níveis preocupantes de contaminação por mercúrio entre gestantes e recém-nascidos da Terra Indígena Munduruku, no Médio Tapajós (PA), evidenciando os impactos persistentes do garimpo de ouro sobre a saúde humana e os ecossistemas amazônicos. Os resultados preliminares mostram que 97% das mulheres monitoradas apresentam concentrações acima do limite de segurança estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com média de 9,1 µg/g de cabelo, mais de quatro vezes o nível recomendado. A pesquisa também constatou que cerca de 90% dos recém-nascidos acompanhados já apresentam sinais de contaminação, resultado da transmissão do metal durante a gestação. Especialistas alertam que o mercúrio atua como uma neurotoxina capaz de causar danos irreversíveis ao sistema nervoso, reforçando a necessidade de ampliar ações de vigilância sanitária, proteção ambiental e combate ao garimpo ilegal na Amazônia.

Setor leiteiro busca medidas para conter perdas e preservar competitividade

O Brasil, detentor do segundo maior rebanho leiteiro do mundo e responsável por mais de 4 milhões de empregos ao longo da cadeia produtiva, enfrenta um cenário de forte pressão econômica na atividade. Apesar do aumento de 7,2% na produção de leite em 2025, impulsionado por ganhos de produtividade e investimentos em genética, os produtores convivem com uma queda de 23% nos preços recebidos e um avanço de 26% nos custos de produção, especialmente com ração e energia. Representantes do setor alertam para a redução das margens e defendem medidas que ampliem a competitividade da produção nacional diante do crescimento das importações de lácteos. O cenário reforça os desafios estruturais da pecuária leiteira brasileira, que busca equilibrar eficiência produtiva, sustentabilidade econômica e manutenção dos investimentos realizados nas últimas décadas para elevar a qualidade e o desempenho dos rebanhos.

Artesãs ganham mais apoio para ampliar renda e visibilidade com aprovação de projeto que fortalece o artesanato como ferramenta de inclusão produtiva
Artesãs ganham mais apoio para ampliar renda e
visibilidade com aprovação de projeto que fortalece
o artesanato como ferramenta de inclusão produtiva

Senado aprova projeto que amplia oportunidades para mulheres artesãs em todo o país

O Senado Federal aprovou o Projeto de Lei nº 6.249/2019, que estabelece mecanismos de incentivo e fortalecimento da atuação das mulheres artesãs no Brasil, ampliando oportunidades de geração de renda, qualificação profissional e inclusão produtiva. A proposta prevê diretrizes para políticas públicas voltadas à valorização do artesanato feminino, incluindo assistência técnica, apoio à comercialização, participação em feiras e campanhas de promoção dos produtos artesanais. Além de impulsionar a autonomia econômica das trabalhadoras, a iniciativa reconhece o papel estratégico das artesãs na preservação dos saberes tradicionais e do patrimônio cultural brasileiro. A expectativa é que a medida fortaleça redes produtivas locais, amplie o acesso a mercados e contribua para o desenvolvimento sustentável, especialmente em comunidades rurais e grupos em situação de vulnerabilidade social. O projeto reforça a importância do artesanato como atividade econômica, social e cultural de grande relevância para o país.