CAMPO -  A importância dos trabalhadores rurais brasileiros

Seca no Amazonas - Foto: Suamy Beydoun/Reuters

A amazônia está enfrentando uma seca intensa, e a previsão é que a situação se agrave ainda mais. As autoridades locais estão orientando a população a estocar água e comida para lidar com o possível baixo nível de alguns rios da região. Em junho de 2023, apenas uma cidade estava em condição de seca, mas o número saltou para 82 cidades neste mês, em 2024. Os rios estão com níveis muito baixos para navegação, e a situação deve piorar nas próximas semanas.

Segundo meteorologistas, o segundo semestre será desafiador para a região da Bacia Amazônica, com um inverno mais quente do que o normal e chuvas abaixo da média. Áreas como o Acre, Rondônia e o centro-sul do Amazonas já apresentam umidade do solo muito baixa, o que deve piorar devido à escassez de chuvas previstas para os próximos meses. A previsão para os próximos dias indica chuvas mal distribuídas, insuficientes para reverter a situação, com temperaturas máximas atingindo até 35 °C.

Como se encontra a base da Ponte Jornalista Phelippe Daou, mais conhecida como Ponte Rio Negro entre Manaus e Iranduba
Como se encontra a base da Ponte Jornalista Phelippe Daou, mais
conhecida como Ponte Rio Negro entre Manaus e Iranduba

A seca antecipada, somada à baixa precipitação do ano anterior, impede que o sistema hídrico se recupere adequadamente. A expectativa é que as chuvas volumosas só retornem em outubro ou novembro, prolongando a seca pelo segundo ano consecutivo. Além disso, a seca na amazônia está afetando também o centro-oeste, pois os ventos que normalmente trariam umidade da bacia estão transportando ar quente e seco, aumentando o risco de incêndios. Embora a previsão indique a possível influência do fenômeno La Niña, outros fatores, como o aquecimento do Atlântico Norte, continuam a inibir a formação de chuvas na região.

Desde o início da vazante, 23 de junho, quando foi registrado 26,84 m, marcando uma queda de 1 cm, o rio Negro desceu cerca de 6 cm em Manaus, conforme medição do porto da cidade. No início desse mês, o nível do rio estava em 26,79 m. Desde então, o nível do rio vem diminuindo a uma média de 1 cm por dia, com apenas três dias de estabilidade.

O Governo do Amazonas já anunciou que se prepara para a maior seca da história do estado, a qual deve superar a forte estiagem do ano passado, quando a seca dificultou as navegações e atrapalhou o comércio e a logística da região. Por consequência, diversas comunidades ficaram ilhadas e sem acesso a recursos básicos, como água potável e alimentação.

Comunidade do Tumbira durante a seca no Amazonas em 2023 - Foto: Tadeu Rocha/FAS
Comunidade do Tumbira durante a seca no Amazonas em 2023 – Foto: Tadeu Rocha/FAS

As empresas da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletrônicos (Eletros) publicaram uma nota, em junho, de alerta sobre os efeitos da seca para a Zona Franca de Manaus. Conforme a Eletros, formada por diversas empresas que atuam na Zona Franca, a estiagem severa pode paralisar as atividades e causar desemprego, caso o serviço de dragagem não seja efetuado nos rios Solimões, Amazonas e Madeira. O investimento para garantir a navegabilidade dos rios do Amazonas deve chegar a R$ 505 milhões. Conforme o Governo do Amazonas, o Governo Federal assinou editais para a contratação de serviços de dragagem.

O Brasil enfrenta variações climáticas significativas, com seca intensa no norte, chuvas esparsas no sudeste, e temperaturas oscilantes no sul e centro-oeste. As autoridades estão em alerta para os desafios que essas condições climáticas trarão nos próximos meses.

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