FAO premia em Roma duas trabalhadoras brasileiras da pesca artesanal entre 100 mulheres reconhecidas por segurança alimentar, sustentabilidade e resiliência
A pesca artesanal brasileira conquistou espaço na agenda internacional. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, a FAO, entregou em Roma o título de Heroínas da FAO nos Sistemas Agroalimentares e no Desenvolvimento Rural a duas pescadoras do Brasil. As trabalhadoras integram o grupo de 100 mulheres premiadas em todo o mundo, escolhidas por trajetórias que combinam segurança alimentar, inclusão social, sustentabilidade ambiental, geração de renda e resiliência em comunidades rurais e costeiras.
A homenagem ilumina percursos construídos na prática. Uma das premiadas, Luena Maria Ferreira dos Santos, conhecida como Luena Pataxó, do litoral baiano, cresceu entre redes e mariscos no convívio do povo Pataxó e seguiu no mar mesmo depois de perder o companheiro, garantindo o sustento da família pela pesca artesanal e pela catação de camarões. Sua história revela como a atividade pesqueira articula cultura, alimentação e renda, e como ela assumiu a representação de pescadores, marisqueiros e comunidades tradicionais no palco internacional.

Agroalimentares e no Desenvolvimento Rural (FAO)

da Articulação Nacional das Pescadoras e foi a primeira
mulher a presidir uma colônia de pescadores no país

dos Pescadores Indígenas Pataxó (Apip), no distrito de Coroa
Vermelha, no município de Santa Cruz Cabrália, no sul da Bahia
A outra homenageada, Joana Rodrigues Mousinho, acumula mais de 60 anos de pesca no Canal de Santa Cruz, em Itapissuma, no litoral pernambucano. Foi a primeira mulher a presidir uma colônia de pescadores no país e uma das pioneiras a obter o Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP). Integrante do grupo fundador da Articulação Nacional das Pescadoras, recebeu também o Prêmio Mulheres das Águas, do Ministério da Pesca e Aquicultura, na categoria pesca artesanal em águas marinhas.

das pescadoras brasileiras premiadas revelam a força
econômica e social da pesca artesanal no país

femininas da pesca artesanal e acende o debate sobre
formalização e valorização das comunidades costeiras
Para o setor produtivo, o reconhecimento recoloca a pesca artesanal na pauta institucional. A cadeia, formada por pescadores, marisqueiras e coletores de moluscos, assegura abastecimento alimentar e ocupação ao longo do litoral, mas ainda enfrenta desafios de formalização, acesso ao crédito e organização comercial. As trajetórias premiadas mostram que a participação feminina em colônias, cooperativas e conselhos amplia a representação e orienta políticas públicas mais eficazes para as comunidades pesqueiras.
A escolha de Joana Mousinho e Luena Pataxó
reflete não apenas suas realizações individuais,
mas também o compromisso do Brasil com o
fortalecimento das mulheres agricultoras e
pescadoras, empreendedoras, lideranças
comunitárias e agentes de transformação
dos sistemas agroalimentares
Aos gestores do agronegócio, o episódio deixa uma leitura de mercado: valorizar pessoas e procedências sustenta reputação e demanda. Origem verificada, rastreabilidade e sustentabilidade social tornam-se vantagens competitivas para o pescado brasileiro. O momento é oportuno para alinhar capacitação, boas práticas de manipulação, canais formais de comercialização e rastreabilidade, preparando a cadeia para consumidores exigentes e protegendo os ecossistemas costeiros que sustentam a atividade.