Pescadoras brasileiras recebem título de heroínas da FAO em premiação da ONU

A pesca artesanal brasileira conquistou espaço na agenda internacional. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, a FAO, entregou em Roma o título de Heroínas da FAO nos Sistemas Agroalimentares e no Desenvolvimento Rural a duas pescadoras do Brasil. As trabalhadoras integram o grupo de 100 mulheres premiadas em todo o mundo, escolhidas por trajetórias que combinam segurança alimentar, inclusão social, sustentabilidade ambiental, geração de renda e resiliência em comunidades rurais e costeiras.

A homenagem ilumina percursos construídos na prática. Uma das premiadas, Luena Maria Ferreira dos Santos, conhecida como Luena Pataxó, do litoral baiano, cresceu entre redes e mariscos no convívio do povo Pataxó e seguiu no mar mesmo depois de perder o companheiro, garantindo o sustento da família pela pesca artesanal e pela catação de camarões. Sua história revela como a atividade pesqueira articula cultura, alimentação e renda, e como ela assumiu a representação de pescadores, marisqueiros e comunidades tradicionais no palco internacional.

O prêmio 100 Mulheres Heroínas nos Sistemas Agroalimentares e no Desenvolvimento Rural (FAO)
O prêmio 100 Mulheres Heroínas nos Sistemas
Agroalimentares e no Desenvolvimento Rural (FAO)
Com 70 anos, Joana Mousinho é uma das fundadoras da Articulação Nacional das Pescadoras e foi a primeira mulher a presidir uma colônia de pescadores no país
Com 70 anos, Joana Mousinho é uma das fundadoras
da Articulação Nacional das Pescadoras e foi a primeira
mulher a presidir uma colônia de pescadores no país
Luena Pataxó, liderança indígena, presidente da Associação dos Pescadores Indígenas Pataxó (Apip), no distrito de Coroa Vermelha, no município de Santa Cruz Cabrália, no sul da Bahia
Luena Pataxó, liderança indígena, presidente da Associação
dos Pescadores Indígenas Pataxó (Apip)
, no distrito de Coroa
Vermelha, no município de Santa Cruz Cabrália, no sul da Bahia

A outra homenageada, Joana Rodrigues Mousinho, acumula mais de 60 anos de pesca no Canal de Santa Cruz, em Itapissuma, no litoral pernambucano. Foi a primeira mulher a presidir uma colônia de pescadores no país e uma das pioneiras a obter o Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP). Integrante do grupo fundador da Articulação Nacional das Pescadoras, recebeu também o Prêmio Mulheres das Águas, do Ministério da Pesca e Aquicultura, na categoria pesca artesanal em águas marinhas.

Joana Rodrigues Mousinho e Luena Pataxó, trajetórias das pescadoras brasileiras premiadas revelam a força econômica e social da pesca artesanal no país
Joana Rodrigues Mousinho e Luena Pataxó, trajetórias
das pescadoras brasileiras premiadas revelam a força
econômica e social da pesca artesanal no país
Reconhecimento da ONU em Roma premia trajetórias femininas da pesca artesanal e acende o debate sobre formalização e valorização das comunidades costeiras
Reconhecimento da ONU em Roma premia trajetórias
femininas da pesca artesanal e acende o debate sobre
formalização e valorização das comunidades costeiras

Para o setor produtivo, o reconhecimento recoloca a pesca artesanal na pauta institucional. A cadeia, formada por pescadores, marisqueiras e coletores de moluscos, assegura abastecimento alimentar e ocupação ao longo do litoral, mas ainda enfrenta desafios de formalização, acesso ao crédito e organização comercial. As trajetórias premiadas mostram que a participação feminina em colônias, cooperativas e conselhos amplia a representação e orienta políticas públicas mais eficazes para as comunidades pesqueiras.

Aos gestores do agronegócio, o episódio deixa uma leitura de mercado: valorizar pessoas e procedências sustenta reputação e demanda. Origem verificada, rastreabilidade e sustentabilidade social tornam-se vantagens competitivas para o pescado brasileiro. O momento é oportuno para alinhar capacitação, boas práticas de manipulação, canais formais de comercialização e rastreabilidade, preparando a cadeia para consumidores exigentes e protegendo os ecossistemas costeiros que sustentam a atividade.

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