Aqui você encontra em notas as últimas e mais importantes notícias semanais do agronegócio nacional e internacional
Lucro social da Embrapa é recorde em 2025
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa registrou em 2025 um lucro social de R$ 124,76 crescimento de 17% sobre 2024, evidenciando elevada eficiência na conversão de recursos públicos em valor econômico e social: cada R$ 1 investido retorna R$ 27 à sociedade. Sustentada por orçamento anual superior a R$ 4 bilhões via Lei Orçamentária Anual (LOA), a instituição demonstra que investimentos contínuos em ciência, pesquisa e inovação são determinantes para a soberania alimentar e o desenvolvimento nacional. O resultado decorre da avaliação de impacto de 166 soluções tecnológicas (R$ 118,62 bi), além de cultivares e indicadores sociais, incluindo a geração de 132 mil empregos. Os dados reforçam a necessidade de recomposição e ampliação orçamentária, garantindo a manutenção de ganhos estruturais no agronegócio brasileiro.
Chácaras ganham enquadramento rural e ampliam acesso a benefícios
O Congresso Nacional avança na correção de uma distorção histórica ao impulsionar o Projeto de Lei nº 918/2025, que reconhece chácaras como propriedades rurais, ampliando o acesso de pequenos produtores a crédito rural, incentivos fiscais e políticas públicas. A proposta estabelece que áreas de até 2 mil m², com atividade agropecuária comprovada, passem a ter enquadramento legal, integrando produtores antes “invisíveis” ao sistema oficial. A medida fortalece a agricultura familiar, amplia a produtividade e incentiva práticas sustentáveis, com impacto direto na segurança alimentar e no desenvolvimento das economias locais, especialmente em regiões periurbanas. Já aprovada na Comissão de Agricultura, a matéria segue para a CCJ e posterior análise do Senado, dependendo ainda de regulamentação federal para implementação.

estratégico da pecuária ovina com a fêmea Grande
Campeã DCM BPB COOKA VILLA 1171
Com genética de elite, dorper bate recorde no Brasil
A ExpoLondrina 2026 marcou um avanço estratégico na ovinocultura brasileira com a venda recorde da Dorper DCM BPB COOKA VILLA 1171 por R$ 183 mil, consolidando o valor da genética de alto desempenho no país. Desenvolvida pela parceria entre Fazenda Boechat e Cordeiro Medalha, com curadoria da Manacá Assessoria, a matriz representa três gerações de seleção baseada em consistência produtiva, padrão racial e performance. Campeã em pista, sua valorização reflete a validação comercial de uma genética superior, reforçando o Brasil como referência global em Dorper. A comercialização estratégica da fêmea evidencia maturidade do setor ao priorizar difusão genética, produtividade e sustentabilidade, impulsionando competitividade, inovação e qualidade na cadeia da proteína ovina.
Devido à inflação, argentinos passam a comer carne de burro e lhama
A escalada dos preços da carne bovina na Argentina, com inflação anualizada de até 55,1% em março, tem impulsionado a diversificação do consumo de proteínas, com destaque para carnes alternativas como burro e lhama. Em regiões como Trelew, cortes de carne de burro são comercializados por cerca de 7.500 pesos/kg, posicionando-se como opção mais acessível frente ao boi, cujo preço ultrapassa 12.500 pesos/kg na Patagônia. Segundo o Instituto de Promoção da Carne Bovina – IPCVA, os preços bovinos avançaram 10,6% em março e acumulam alta de 68,6% em 12 meses, pressionando o consumo. Nesse contexto, proteínas com alto valor nutricional e menor custo ganham espaço, refletindo uma adaptação do mercado e do consumidor diante de um cenário inflacionário persistente.
Governo anuncia R$ 450 milhões para fortalecer a produção de leite da agricultura familiar
O Governo Federal anunciou R$ 450 milhões em crédito rural subsidiado para o Pronaf Mais Leite, fortalecendo a cadeia leiteira por meio de melhoramento genético e aumento de produtividade. Estruturada no Programa Nacional de Transferência de Embriões da Agricultura Familiar, a iniciativa amplia o acesso a tecnologias avançadas, antes restritas a grandes produtores, beneficiando a agricultura familiar, responsável por mais de 50% da produção nacional de leite. Os recursos contemplam embriões, manejo, nutrição e infraestrutura, com apoio técnico da Anater, que destinará R$ 28,5 milhões em Ater para mais de 4 mil famílias. Com atuação das cooperativas e foco em inclusão produtiva, o programa reforça a soberania alimentar, geração de renda e eficiência produtiva, promovendo desenvolvimento regional sustentável.

e a eficiência produtiva no campo
Fertilizantes mais caros desafiam planejamento
A escalada global dos fertilizantes, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, intensificou a pressão sobre os custos do agro brasileiro, altamente dependente de importações. No mercado doméstico, a ureia acumula alta de 63%, o nitrato de amônio cerca de 60% e o sulfato de amônio 30%, deteriorando significativamente as relações de troca, sobretudo no milho, que exige cerca de 60 sacas por tonelada de ureia, um dos piores níveis recentes. O cenário também afeta a soja, com fosfatados em patamares pouco atrativos. Diante da volatilidade, produtores adotam postura cautelosa, mas o calendário agrícola limita adiamentos. A decisão passa por absorver custos mais elevados ou ajustar o pacote tecnológico, com potenciais impactos na produtividade. O desfecho do conflito será determinante para a dinâmica de preços, demanda e rentabilidade no agronegócio brasileiro.
Governo paulista lança pacote recorde em crédito rural, seguro e incentivos
O Governo do Estado de São Paulo anunciou um pacote de R$ 400 milhões em crédito rural, seguro e incentivos sustentáveis, elevando o Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP) a R$ 1,2 bilhão na atual gestão e consolidando o maior ciclo de financiamento ao agro paulista. A modernização da Lei nº 7.964/1992 fortalece a segurança jurídica e amplia a capacidade operacional do fundo. O ciclo 2026/27 reorganiza linhas estratégicas com juros até 20% abaixo do mercado, abrangendo irrigação, energias renováveis, agricultura de precisão, conectividade rural e ILPF, além de sanidade vegetal, bem-estar animal e aquicultura. Destacam-se R$ 100 milhões para seguro rural, R$ 40 milhões para mecanização (Pró-Trator) e linhas de inclusão como Mulher Agro Paulista, agroecologia e agricultura quilombola. Com foco em produtividade, mitigação de riscos e sustentabilidade, o FEAP se consolida como plataforma integrada de política agrícola, ampliando competitividade e resiliência no campo.
Agro de Santa Catarina bate recorde
O agronegócio de Santa Catarina registrou desempenho histórico em 2025, com o Valor da Produção Agropecuária (VPA) atingindo R$ 74,9 bilhões, avanço de 15,1%, impulsionado por alta de 6,3% nos preços e 9,5% no volume produzido. Culturas e cadeias como milho, maçã, tabaco, soja, bovinos e suínos lideraram o crescimento, favorecidas por condições climáticas positivas e demanda consistente. No comércio exterior, o agro respondeu por mais de 65% das exportações estaduais, somando US$ 7,9 bilhões (+5,8%), reforçando sua relevância econômica. Apesar do impacto do aumento tarifário dos Estados Unidos, que afetou segmentos como madeira e papel, o setor manteve resiliência e competitividade. O desempenho evidencia a força estrutural do agro catarinense, sustentado por produtividade, diversificação e inserção internacional.

das tartarugas-cabeçudas – Foto: Stefan Kolumban
Presença inédita de espécie de tartaruga mostra resiliência da Baía de Guanabara
O reaparecimento recorrente da tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) na Baía de Guanabara tem despertado interesse científico ao indicar possíveis mudanças no comportamento da espécie ameaçada. Monitoramentos conduzidos pelo Projeto Aruanã, em parceria com pescadores artesanais, registram desde 2024 maior frequência de indivíduos na área interna da baía, incluindo ocorrências inéditas em currais de pesca. A principal hipótese é a disponibilidade alimentar, sugerindo adaptação a ambientes estuarinos, apesar do hábito predominantemente oceânico da espécie. Estudos com telemetria via satélite devem aprofundar a análise de rotas, permanência e uso de habitat. Embora o fenômeno não confirme melhora ambiental, evidencia a resiliência ecológica da região, ainda sujeita a riscos como poluição, colisões e captura acidental. A cooperação entre ciência e pesca tem sido decisiva para a geração de dados e conservação.
Período de piracema no Mato Grosso é mantido e reforça proteção dos estoques pesqueiros
O período de Piracema em Mato Grosso será mantido entre 1º de outubro de 2026 e 31 de janeiro de 2027, conforme decisão do Conselho Estadual de Pesca (Cepesca), com base em evidências científicas sobre o pico reprodutivo dos peixes, que atinge até 80% nesse intervalo. Durante o período, apenas a pesca de subsistência artesanal, sem fins comerciais, será permitida nas bacias do Paraguai, Amazonas e Araguaia-Tocantins. O monitoramento técnico, conduzido pela Universidade Federal de Mato Grosso, consolida mais de 10 anos de estudos contínuos e integra dados desde 2004, garantindo segurança científica à política pesqueira. A medida reforça a preservação dos estoques pesqueiros, sustentabilidade e equilíbrio dos ecossistemas aquáticos, essenciais para a manutenção da atividade no longo prazo.
Novo corredor logístico fortalecerá comércio do Brasil com mercados africanos
A DP World lançou o corredor logístico Brazil Africa Link, conectando o Porto de Santos a mercados estratégicos da África, como Angola, Moçambique e África do Sul, ampliando oportunidades para exportações brasileiras de proteínas, commodities agrícolas e bens de consumo. Estruturado no modelo “end-to-end” e “one stop shop”, o serviço integra transporte marítimo, terminais, armazéns e frota própria, garantindo maior eficiência, previsibilidade e redução de custos logísticos. Em paralelo, a companhia acelera investimentos superiores a R$ 3,6 bilhões, elevando a capacidade do terminal para 2,1 milhões de TEUs (Unidade Equivalente a 20 Pés, medida para volume de contêineres) até 2028 e ampliando infraestrutura para grãos e fertilizantes em parceria com a Rumo. A iniciativa fortalece a inserção do Brasil em mercados emergentes africanos, consolidando ganhos de competitividade no comércio exterior.

para Em Perigo. Com a mudança, a espécie deve ter medidas
de proteção e manejo intensificadas para reduzir a pressão
da sobrepesca e da captura de indivíduos jovens
Lista de peixes e invertebrados aquáticos ameaçados de extinção é atualizada
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima – MMA atualizou a Lista Nacional de Espécies Aquáticas Ameaçadas, incluindo 100 novas espécies e retirando outras 100, mantendo 490 espécies nas categorias Vulnerável, Em Perigo e Criticamente em Perigo, conforme critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza – IUCN. A revisão, iniciada em 2024, avaliou fatores como tamanho populacional, distribuição geográfica, qualidade do habitat e pressão pesqueira, abrangendo peixes, tubarões, arraias e invertebrados. A medida redefine o enquadramento legal e estabelece restrições à captura, transporte e comercialização, além de orientar planos de recuperação. Espécies como o pargo (Lutjanus purpureus) tiveram status agravado, exigindo manejo mais rigoroso. A atualização fortalece a gestão pesqueira, conservação da biodiversidade e sustentabilidade dos recursos aquáticos, com impacto direto sobre políticas públicas e cadeias produtivas.
Dívida rural passa de R$ 100 bilhões
A Frente Parlamentar da Agropecuária – FPA articula, no Senado, uma solução estruturada para a renegociação de dívidas rurais, estimadas em mais de R$ 100 bilhões, com base no Projeto de Lei nº 5.122/2023. A proposta prevê uso de fundos constitucionais e do Fundo Social do Pré-Sal, com linha de crédito de até R$ 30 bilhões e juros entre 3,5% e 7,5%, inferiores à alternativa em discussão no governo, que pode alcançar R$ 80 bilhões, porém com custos mais elevados. O objetivo é restabelecer a capacidade de financiamento do produtor, ampliando acesso ao crédito e viabilizando prazos de até 20 anos, com mecanismos como fundo garantidor. A medida busca corrigir limitações de programas anteriores e garantir maior alcance regional, sendo estratégica para a sustentabilidade financeira do agro e continuidade do Plano Safra.
Técnicos realizam estudo para reativação da Hidrovia do Rio São Francisco
Estudos técnicos avançam em Sobradinho para estruturar a modelagem econômica da Hidrovia do Rio São Francisco, iniciativa estratégica para o escoamento de cargas e integração logística nacional. Coordenado pela Companhia de Docas do Estado da Bahia – Codeba, o projeto prevê um corredor navegável de 1.371 km, abrangendo 505 municípios em cinco estados, com potencial inicial de 5 milhões de toneladas/ano. A implantação inclui trechos interligados a ferrovias e portos, além de 17 terminais públicos (IP4) para cargas e passageiros. Após mais de 14 anos de paralisação, a retomada reforça o papel do São Francisco como vetor de competitividade logística, redução de custos e desenvolvimento regional, ampliando a eficiência do transporte multimodal no agronegócio.

consumo e padrões éticos na produção animal brasileira
Câmara aprova projeto que proíbe venda e produção de foie gras
A Câmara dos Deputados aprovou, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC), o Projeto de Lei nº 90/2020, que proíbe a produção e comercialização de alimentos obtidos por alimentação forçada, como o foie gras, e segue para sanção presidencial. Caso confirmado, o Brasil será o primeiro país da América Latina a adotar uma restrição federal abrangente, alinhando a produção agropecuária a critérios de bem-estar animal e sustentabilidade. O foie gras é produzido a partir da técnica de gavage (grandes quantidades de alimento são introduzidas por meio de tubos inseridos em suas gargantas), associada a impactos severos à saúde das aves. No país, a produção é limitada e de alto valor agregado, com preço próximo de R$ 2 mil/kg. A medida reforça a crescente integração entre exigências de mercado, ética produtiva e reputação internacional, sinalizando mudanças estruturais na cadeia de alimentos premium.
Banco Central reduz Selic
O Banco Central do Brasil reduziu a Taxa Selic para 14,5% ao ano, em decisão unânime do Comitê de Política Monetária – Copom, sinalizando continuidade do ciclo de flexibilização monetária após período prolongado em patamar elevado. O movimento ocorre em um contexto de inflação ainda pressionada e elevada incerteza global, especialmente pelos impactos do conflito no Oriente Médio sobre preços de combustíveis e alimentos. O principal índice inflacionário, o IPCA, acumula 4,37% em 12 meses, próximo ao teto da meta de 4,5%, enquanto projeções de mercado apontam 4,86% no ano. A redução dos juros tende a estimular crédito, consumo e investimento, com reflexos diretos no agronegócio, mas exige cautela diante dos riscos inflacionários. O cenário reforça a complexidade da política monetária em equilibrar crescimento econômico e controle de preços.
Governo lança linha de crédito de R$ 10 bilhões
O Governo Federal lançou, durante a Agrishow, uma nova linha de R$ 10 bilhões em crédito agrícola voltada à modernização do maquinário e à tecnificação do agronegócio, com taxas de juros de um dígito. Operada pela Finep e financiada com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FNDCT, a iniciativa integra o programa MOVE Brasil e permitirá às cooperativas acesso direto para aquisição de tratores, colheitadeiras, pulverizadores e soluções de agricultura digital. A medida busca ampliar produtividade, eficiência operacional e sustentabilidade, reduzindo custos e atendendo às exigências de mercados internacionais. Com rápida disponibilização prevista, o crédito reforça a estratégia de estímulo ao investimento produtivo e inovação no campo.

ao assinar o decreto do acordo entre União Europeia
e Mercosul, abrindo nova era para exportações brasileiras
Foto: Ricardo Stuckert
Lula promulga o acordo Mercosul-UE
O presidente Lula promulgou o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, com vigência provisória a partir de 1º de maio, encerrando mais de 25 anos de negociações. A iniciativa amplia o acesso a mercados e pode elevar as exportações brasileiras em até US$ 7 bilhões, segundo a ApexBrasil. O agronegócio desponta como principal beneficiado, com ganhos de competitividade em carnes, açúcar e etanol, enquanto setores industriais tendem a enfrentar maior concorrência europeia. Paralelamente, o governo avança em acordos com Singapura, Associação Europeia de Livre Comércio – EFTA e Canadá, além de discutir a ampliação do bloco. O acordo reforça a integração comercial, diversificação de mercados e inserção global do Brasil, consolidando uma agenda estratégica para crescimento econômico e expansão do agronegócio.
Acordos internacionais fortalecem exportações e diversificação com novos mercados
O agronegócio brasileiro amplia sua presença internacional com a abertura inédita do mercado do Azerbaijão para exportação de uvas brasileiras, resultado de negociações sanitárias e comerciais que fortalecem a diversificação de destinos e competitividade do setor vitícola. A medida ocorre em momento estratégico, aliviando a pressão da oferta no primeiro semestre e criando novas oportunidades de escoamento. Paralelamente, o Brasil avançou no acesso ao Chile para exportação de grãos secos de destilaria (DDG/DDGS), insumo relevante para nutrição animal, ampliando o valor agregado da cadeia do etanol de milho. Em 2025, o intercâmbio com o Azerbaijão somou US$ 24 milhões, enquanto o Chile já movimenta mais de US$ 2,2 bilhões em produtos agropecuários brasileiros. Com 601 aberturas de mercado desde 2023, o país consolida sua estratégia de expansão comercial, inovação e fortalecimento das exportações do agro.