Manchetes da semana – 03 a 09-10-2026

Caquis da Espanha trazem praga quarentenária e acionam defesa agropecuária em Guarulhos

A defesa agropecuária brasileira voltou a mostrar funcionalidade operacional com a interceptação da praga quarentenária ausente Liposcelis decolor, um inseto, em uma carga de 360 quilos de caquis frescos vindos da Espanha, no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A identificação, confirmada por laboratório credenciado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, ocorreu após o desembarque do voo em 19 de setembro, e a espécie, um psocídeo associado a materiais de acondicionamento e restos vegetais, foi classificada como quarentenária ausente pela Portaria SDA/Mapa nº 1.679, de 31 de agosto de 2026. O risco não se limita à fruta em si. A introdução do inseto poderia atingir etapas de pós-colheita, armazenagem de grãos, indústria de alimentos e até acervos e coleções, com agravante técnico relevante: espécies do gênero Liposcelis toleram baixa umidade e resistem a inseticidas convencionais, o que elevaria os custos de controle no campo. Como medida emergencial, o Mapa determinou a fumigação da carga com brometo de metila, seguida de devolução ou destruição do lote. O episódio evidencia a relevância da vigilância sanitária em portos e aeroportos para proteger a competitividade da agricultura nacional.

“Dois anos é inaceitável”: indústria da carne pressiona UE e ameaça reciprocidade comercial

A retomada das exportações de proteína animal à União Europeia transformou-se no tema central da agenda comercial da pecuária brasileira. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, Roberto Perosa, classificou como “inaceitável” a espera de dois anos para que a carne bovina volte ao bloco, período exigido pela UE para avaliar os controles sanitários após o ciclo completo de vida dos animais. Em manifestação durante o Global Agribusiness Fórum, o dirigente defendeu medidas de reciprocidade comercial caso a exigência seja mantida, citando a suspensão de compras de azeite europeu e queijos franceses. A pressão ocorre em meio à mobilização do ministro da Agricultura, André de Paula, por um cronograma mais curto e ao reconhecimento europeu do protocolo brasileiro já em aplicação. No setor avícola, o presidente da ABPA, Ricardo Santin, relatou que auditores do bloco confirmaram o cumprimento das regras de uso de antimicrobianos, restando apenas a decisão formal dos europeus. A europa responde por menos de 7% das exportações de frango, o que permitiu realocar volumes sem prejuízo relevante. O desfecho definirá o ritmo de diversificação das vendas brasileiras e o alcance das barreiras não tarifárias no comércio global de carnes.

Tilápia soma 533,7 mil toneladas e responde por 68,2% da piscicultura nacional que movimenta R$ 8,5 bilhões ao ano
Tilápia soma 533,7 mil toneladas e responde por 68,2% da
piscicultura nacional que movimenta R$ 8,5 bilhões ao ano

Tilápia responde por 68,2% da piscicultura brasileira e Paraná mantém hegemonia produtiva

A piscicultura brasileira segue concentrada em uma espécie, e os números de 2025 confirmam o movimento. Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE, a produção de tilápia alcançou 533,7 mil toneladas, volume que representa 68,2% de todo o pescado cultivado no país, estimado em cerca de 783 mil toneladas, com avanço de 5,4% sobre 2024. O setor como um todo movimentou R$ 8,5 bilhões, sinalizando maturidade comercial crescente da atividade. O Paraná manteve a liderança isolada com 209,3 mil toneladas, equivalente a 39,2% do total nacional, seguido por São Paulo (68,5 mil), Minas Gerais (62,3 mil), Santa Catarina (43,1 mil) e Pernambuco (30 mil). O desempenho reflete anos de investimento em genética, nutrição e industrialização da cadeia, que consolidaram estruturas de beneficiamento e logística nas regiões sul e sudeste. Para os próximos ciclos, o desafio do setor estará em ampliar o consumo interno per capita e abrir novos mercados externos, reduzindo a dependência de poucos polos e atribuindo maior valor agregado ao produto.

Doença que atinge cervos aparece em vacas leiteiras e acende alerta sanitário nos EUA

A pecuária leiteira americana registrou uma ocorrência que chama a atenção das autoridades sanitárias. O Departamento de Agricultura de Wisconsin confirmou, em 29 de setembro, a presença da doença hemorrágica epizoótica (EHD) em bovinos não lactantes no condado de Waukesha, primeiro caso da enfermidade em gado no estado desde 2013. O episódio ocorre em meio a um surto expressivo entre cervos, com cerca de 1,8 mil relatos de animais mortos ou doentes, concentrados em Washington, Waukesha, Ozaukee e Dodge. Transmitida por insetos do gênero Culicoides, conhecidos como mosquitos-pólvora, a EHD não tem transmissão direta entre espécies nem risco conhecido para humanos, consumo de carne ou leite. A manifestação clínica em bovinos é considerada incomum, mas a circulação simultânea do vírus em fauna silvestre e rebanho doméstico evidencia a necessidade de vigilância integrada e controle de vetores. Sem tratamento específico, a recomendação oficial inclui acompanhamento veterinário, nutrição adequada e redução de superlotação. Com a chegada das geadas, a expectativa é de queda na atividade dos vetores, mas o episódio reforça o valor do monitoramento de doenças vetoriais para a sanidade pecuária global.

Cientistas brasileiros descrevem parasita que invade o cérebro de cavalos Crioulos

A pesquisa veterinária brasileira soma um avanço relevante com a primeira caracterização filogenética do nematoide Halicephalobus gingivalis no país, publicada em setembro na revista Veterinary Research Communications. O estudo, conduzido com participação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, descreve dois cavalos da raça Crioula, um em Capivari do Sul e outro em Garibaldi, que desenvolveram sinais neurológicos rapidamente progressivos, como apatia, ataxia e pressão da cabeça contra superfícies, e tiveram de ser submetidos à eutanásia. A análise molecular da região 28S rRNA confirmou 100% de identidade genética com isolados dos Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão e Itália. Trata-se de um nematoide de vida livre, presente em matéria orgânica em decomposição, cujo ciclo de infecção ainda não está totalmente esclarecido, embora a localização das larvas próximas aos vasos sanguíneos sugira via de entrada ambiental. A capacidade do agente de infectar humanos, com relatos raros de meningoencefalite, amplia a relevância do achado para a saúde única. Para médicos-veterinários e criadores, o trabalho amplia o diagnóstico diferencial de enfermidades neurológicas em equinos e reforça a importância da vigilância sanitária em criatórios.

Produção de uvas alcança 2,16 milhões de toneladas e R$ 8,73 bilhões, Brasil supera 3 litros por habitante pela primeira vez e mercado vitivinícola movimenta R$ 21,1 bilhões, mantendo alta em 2026
Produção de uvas alcança 2,16 milhões de toneladas
e R$ 8,73 bilhões, Brasil supera 3 litros por habitante
pela primeira vez e mercado vitivinícola movimenta
R$ 21,1 bilhões, mantendo alta em 2026

Brasil supera 3 litros de vinho por habitante e mercado chega a R$ 21,1 bilhões

O vinho ganhou escala definitiva no mercado brasileiro. O consumo anual ultrapassou 3 litros por habitante pela primeira vez e o setor movimentou cerca de R$ 21,1 bilhões em 2025. A dinâmica se mantém em 2026: no primeiro semestre, foram comercializadas 23,27 milhões de caixas de vinhos e espumantes, alta de 2% em volume e de 9% em valor, com vendas ao redor de R$ 9,8 bilhões. Os tintos seguem dominantes, com 74% dos vinhos tranquilos, mas os brancos avançam para 20% e os rosés ocupam 6%, indicando diversificação das ocasiões de consumo. No campo, a resposta da oferta acompanha a demanda: o Ministério da Agricultura registra 965 vinícolas em 327 municípios, com o Rio Grande do Sul concentrando 600 estabelecimentos, e produção declarada superior a 300 milhões de litros. O IBGE aponta 2,16 milhões de toneladas de uvas, avaliadas em R$ 8,73 bilhões. Os espumantes nacionais seguem superando os importados, embora o Brasil ainda importe cerca de 165 milhões de litros por ano, proporção que revela potencial de substituição para a vitivinicultura nacional e oportunidades de agregação de valor na cadeia produtiva.

Fazendas atingidas pelo fogo no pantanal terão aceiros, brigadas e estrutura permanente

A prevenção a incêndios florestais no pantanal ganhou contornos permanentes. As fazendas Pé de Ferro e Guanabara, em Corumbá, atingidas pelo fogo em 2024, firmaram Termos de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul que impõem estrutura contínua de prevenção e combate. Entre as obrigações, estão a implantação de aceiros de até 30 metros, com manutenção anual entre janeiro e maio, formação permanente de brigada conforme normas do Corpo de Bombeiros, aquisição de equipamentos como abafadores, bombas, rádios e EPIs, além da disponibilidade de fonte ou reserva de água em pontos estratégicos das propriedades. O prazo para o cumprimento das principais medidas é de 120 dias. A decisão se alinha à estratégia municipal de defesa, que mantém plano operacional de prevenção e, em janeiro, formou a primeira brigada comunitária oficial da Prefeitura no Assentamento Taquaral. O movimento representa mudança de abordagem: em vez de resposta sazonal ao fogo, o bioma passa a exigir investimento permanente em infraestrutura de prevenção, compartilhando responsabilidade entre poder público e iniciativa privada para proteger áreas de vegetação nativa e atividade pecuária.

Crédito fundiário quase dobra no Sul e vira porta de entrada para jovens agricultores

O crédito fundiário consolidou-se como ferramenta estratégica para a sucessão rural no sul do país. Segundo dados do setor, o número de contratos praticamente dobrou entre 2024 e 2025, de 191 para 383 operações, enquanto o volume liberado saltou de R$ 32,2 milhões para R$ 89,8 milhões, alta de cerca de 179%. O Rio Grande do Sul liderou em contratos, com 193, seguido pelo Paraná (124) e Santa Catarina (66). A modalidade, com juros abaixo do mercado, atrai jovens como Diego Samuel de Souza, de 21 anos, que aguarda liberação para adquirir a área da família em Cantagalo, PR e permanecer no campo. A demanda, porém, supera a capacidade de contratação: somente no Paraná, cerca de 500 propostas aguardam na fila, com meta das entidades de alcançar mil famílias beneficiadas. Empecilhos persistem, como a burocracia documental e o preço médio da terra, que no Paraná chegou a R$ 265,6 mil por operação. Especialistas defendem que o financiamento da propriedade seja articulado a crédito de custeio, assistência técnica e agroindústria familiar, para que o acesso à terra se converta em permanência produtiva e renda.

Portaria 105/2026 determina erradicação de plantas e controle do inseto e cadeia produtiva é convocada para ação conjunta contra a doença
Portaria 105/2026 determina erradicação de plantas
e controle do inseto e cadeia produtiva é convocada
para ação conjunta contra a doença

Greening chega a 164 municípios do Paraná e mobiliza a cadeia citrícola

A citricultura paranaense enfrenta um momento decisivo. Dados da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná indicam que 164 municípios já registraram a presença do greening, doença causada pela bactéria Candidatus Liberibacter e transmitida pelo psilídeo dos citros (Diaphorina citri). Diante da disseminação, o Sistema FAEP reforça que a sanidade dos pomares depende do compromisso de todos os elos da cadeia, do produtor comercial ao quintal urbano, passando por viveiros e lojas de mudas. A Portaria Adapar nº 105, de 10 de março de 2026 estabelece obrigações de monitoramento, controle do vetor e erradicação de plantas infectadas, enquanto a fiscalização verifica tanto a presença de sintomas quanto a eficiência do manejo. O alerta técnico é claro: uma propriedade bem manejada permanece exposta ao inseto vindo de áreas vizinhas, o que torna a coordenação regional indispensável. Especialistas citam plantios abandonados e a presença da murta como fontes de reinfestação. O combate ao greening, portanto, deixa de ser questão individual e se converte em estratégia territorial coletiva, decisiva para proteger uma das cadeias mais sensíveis da fruticultura nacional.

Sobretaxa da China pressiona carne bovina e Brasil acelera abertura de mercados

A sobretaxa de 55% aplicada pela China sobre a carne bovina brasileira que excede a cota de 1,106 milhão de toneladas, em vigor desde 1º de outubro e somada à tarifa padrão de 12%, elevou para 67% o custo de acesso ao principal mercado comprador do país, que em 2025 absorveu US$ 8,84 bilhões em carnes brasileiras. Para o Sistema FAEP, a saída estrutural está na diversificação de compradores, já que o mecanismo integra salvaguardas do governo chinês para proteger sua indústria doméstica. A reação comercial, na prática, já ganha corpo em outras frentes. O Mapa viabilizou a exportação de 600 bovinos de genética leiteira, sendo 590 Girolando e 10 Gir, para Botsuana, país que produz apenas 10% do leite que consome, com possibilidade de instalação de laboratório de fertilização in vitro e transferência de tecnologia. Na pecuária de insumos, os Emirados Árabes Unidos ampliaram o mercado para rações brasileiras, segmento que cresceu 144,92% entre 2024 e 2025, alcançando 627 toneladas, com potencial de expansão para o hub regional do Golfo. Juntos, os movimentos desenham uma nova arquitetura comercial para o agro brasileiro, menos dependente de um único destino e mais apoiada em tecnologia, genética e produtos de valor agregado.

Carne, café e soja terão que comprovar origem a partir de dezembro para esporta à UE

A partir de 30 de dezembro, operadores que colocarem carne bovina, café e soja no mercado europeu deverão comprovar a origem dos produtos, em conformidade com o regulamento antidesmatamento da União Europeia. A exigência alcança as etapas anteriores ao fornecimento, incluindo a identificação dos estabelecimentos onde os bovinos foram mantidos, e admite o Cadastro Ambiental Rural como elemento da comprovação, desde que acompanhado de dados e evidências verificáveis sobre área, produção e conformidade. A orientação técnica é enfática: divergências entre coordenadas, documentos e registros de fornecedores podem barrar a análise, e a maioria dos micro e pequenos operadores ganhou prazo até 30 de junho de 2027, embora quem abastece compradores sujeitos à regra precise se adequar à cadeia como um todo desde dezembro. Quando os dados obrigatórios não podem ser obtidos, o produto não pode ser colocado no mercado europeu, e a documentação da diligência deve ser conservada por cinco anos. O novo marco representa, portanto, um salto de exigência em rastreabilidade e governança fundiária, convertendo conformidade ambiental em condição comercial.

Nordeste concentra 99,7% da carcinicultura nacional, com Ceará liderando a produção de camarão com 53,3% do total
Nordeste concentra 99,7% da carcinicultura nacional, com
Ceará liderando a produção de camarão com 53,3% do total

Camarão brasileiro bate recorde com 172,4 mil toneladas e valor de R$ 3,6 bilhões

A carcinicultura brasileira atingiu o maior volume da série histórica do IBGE em 2025, com 172,4 mil toneladas de camarão produzidas, avanço de 18,2% sobre o ano anterior. O valor da produção de Penaeus vannamei somou R$ 3,6 bilhões, alta de 19,4%, confirmando a recuperação sustentada do setor iniciada em 2017, após a crise do vírus da mancha branca. A concentração regional permanece intensa: o nordeste responde por 99,7% do total, com o Ceará na liderança nacional, respondendo por 53,3% da produção, seguido por estados como Rio Grande do Norte e Paraíba, que cresceu 126,9% e saltou de 8,9 mil para 20,1 mil toneladas. O município paraibano de Marcação registrou alta de 1.103%, passando de 180 para cerca de 2,2 mil toneladas, enquanto o número de municípios produtores na região expandiu de 169 para 192. Os números evidenciam a interiorização da atividade e a incorporação de tecnologia em viveiros, o que amplia a base produtiva e sugere espaço para expansão de mercados internos e externos do crustáceo.

Foco de gripe aviária em aves de subsistência coloca 70 propriedades sob vistoria no RS

O serviço veterinário gaúcho respondeu com agilidade a um novo foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves de subsistência no município de Selbach, região do Alto Jacuí. Confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas no dia 5, o caso levou a Secretaria da Agricultura do RS a vistoriar 70 propriedades no raio de 3 quilômetros e uma granja comercial no raio de 10 quilômetros, sem alojamento de aves. Segundo o Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal, nenhuma suspeita foi registrada nas vistorias, o que permitiu declarar o foco encerrado. Atribui-se a capacidade de resposta em menos de 24 horas à experiência acumulada desde o primeiro foco no estado, em 2023, na Reserva do Taim. O episódio não altera a condição do Rio Grande do Sul como livre da doença na avicultura comercial, conforme as normas brasileiras e da OMSA, mas reforça o alerta para a notificação imediata de mortalidade súbita em aves. O consumo de carne e ovos permanece seguro, e as equipes locais seguem em monitoramento preventivo.

Cerca elétrica e monitoramento reduzem em 83% perdas de bezerros para onças

A convivência entre pecuária extensiva e fauna nativa exige manejo, e os resultados comprovam a eficiência da abordagem. Ataques de onças-pintadas (Panthera onca) a bezerros representam perda econômica relevante em propriedades próximas a vegetação nativa, onde o rebanho se sobrepõe a áreas de deslocamento e abrigo do maior felino das Américas. Em uma experiência conduzida em Poconé, no Mato Grosso, a adoção de sistema de proteção elétrica para bezerros durante a noite reduziu em 83% as perdas atribuídas a ataques. Estratégias como cercas elétricas, monitoramento do rebanho, proteção das áreas de maternidade e realocação dos animais diminuem as oportunidades de predação sem ampliar o conflito com a fauna. Quando perdas ainda ocorrem, programas de compensação por animais predados ajudam a diluir o impacto financeiro e a manter o produtor engajado na conservação. O equilíbrio entre produção e biodiversidade depende, portanto, de um conjunto de ferramentas de gestão que reduz custos, protege o patrimônio pecuário e preserva o papel ecológico da espécie, cada vez mais estratégico em biomas como o pantanal e o cerrado.

Setor florestal gera mais de 700 mil empregos diretos no país com 10,4 milhões de hectares de eucalipto e pinus e o reconhecimento internacional abre portas para cooperação técnica global
Setor florestal gera mais de 700 mil empregos diretos
no país com 10,4 milhões de hectares de eucalipto
e pinus e o reconhecimento internacional abre
portas para cooperação técnica global

FAO designa Embrapa Florestas como centro de referência mundial em florestas plantadas

A pesquisa florestal brasileira angariou projeção internacional com a designação da Embrapa Florestas como Centro de Referência da FAO para florestas plantadas. O reconhecimento, coordenado pelo pesquisador Luiz Marcelo Brum Rossi, respalda a participação da instituição em projetos de cooperação voltados a produtividade florestal, mitigação climática e uso eficiente da terra. O contexto global ajuda a dimensionar a relevância: as florestas plantadas ocupam cerca de 304 milhões de hectares no mundo, dos quais 157 milhões em plantações intensivas, conforme dados da FAO. No Brasil, são aproximadamente 10,4 milhões de hectares de florestas plantadas, com eucalipto e pinus como principais espécies, além de araucária, teca, paricá e seringueira. O setor gera mais de 700 mil empregos diretos e mantém mais de 7 milhões de hectares de áreas naturais conservadas, segundo a Ibá. Para a diretoria de Inovação Social da Embrapa, o título reconhece a excelência técnica da instituição e amplia parcerias nas agendas de cooperação nacional e internacional, posicionando o Brasil como referência no equilíbrio entre produção florestal e serviços ambientais.

Bancos cobram entrada de até 15% em renegociação rural sem respaldo da MP

A renegociação de dívidas rurais prevista na Medida Provisória 1.376, de 15 de julho de 2026 esbarra em uma prática que tem acendido alerta nos escritórios de advocacia: a exigência de pagamento de entrada de até 15% do valor da dívida para formalizar o enquadramento na linha especial. Segundo o advogado Pedro Henrique Oliveira Santos, da Comissão de Direito do Agronegócio da OAB Goiás, a cobrança não tem respaldo legal na MP e, na prática, inviabiliza a operação para produtores sem liquidez imediata, comprometendo o custeio da safra seguinte. O enquadramento prevê limite de até R$ 4 milhões na condição geral, podendo alcançar R$ 8 milhões mediante comprovação de perdas de pelo menos 40% da renda bruta esperada em três ou mais safras entre 2019 e 2025, em razão de eventos climáticos extremos. Enquanto a MP fixa juros de 12% ao ano na condição geral e 11% na condição excepcional, renegociações fora da regra podem saltar para 18% ao ano, tornando o débito insustentável. O agro respondeu por 25,2% do PIB brasileiro em 2025, segundo Cepea/CNA, e a lógica do crédito rural exige que o produtor seja o beneficiário da operação, não a instituição financeira.

Sondagem coloca MG no centro da corrida por terras raras

A exploração de minerais estratégicos no Brasil ganhou novo capítulo com o anúncio da australiana Power Minerals de mineralização de terras raras de alto teor em um intervalo de 119 metros de sondagem no Morro do Ferro, em Minas Gerais, com teor médio de 4,94% de óxidos de terras raras, indicativo comparável a depósitos de classe mundial. Os limites da mineralização ainda precisam ser definidos, mas o resultado reforça o potencial geológico do estado, que concentra os principais projetos da cadeia no país, como Caldeira, da Meteoric, e Colossus, da Viridis, ambos com licenciamento ambiental aprovado. O avanço ocorre em um contexto de corrida global por terras raras, essenciais para ímãs permanentes de veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de alta tecnologia, com reservas brasileiras mapeadas por mais de uma dezena de estados e forte concentração nos complexos alcalinos de Araxá, Tapira e Poços de Caldas. A estruturação da cadeia local, da extração ao processamento, é vista como condição para o país participar do refino dos minerais da transição energética e reduzir a dependência dos centros asiáticos de beneficiamento.

Mariangela Hungria, vencedora do World Food Prize, é egressa da Esalq desde 1979 e lançou 25 tecnologias em microbiana do solo
Mariangela Hungria, vencedora do World Food Prize, é egressa da
Esalq desde 1979 e lançou 25 tecnologias em microbiana do solo

Campeã do World Food Prize, Mariangela Hungria recebe Medalha Luiz de Queiroz

A ciência agrícola brasileira ganha novo reconhecimento de peso. A pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa Soja e vencedora do World Food Prize de 2025, recebeu a Medalha Luiz de Queiroz, concedida pela Esalq/USP durante a 69ª Semana Luiz de Queiroz, em Piracicaba. A honraria, criada em 1977, distingue personalidades por relevantes serviços ao desenvolvimento da agricultura. Egressa da instituição, onde se formou em 1979 e concluiu mestrado em Solos e Nutrição de Plantas, a pesquisadora dedicou décadas à microbiologia do solo e à biotecnologia, lançando 25 tecnologias, entre elas estirpes de rizóbios para o feijoeiro, Azospirillum para milho, trigo e braquiárias e a coinoculação com rizóbios e Azospirillum em soja, prática que reduz a dependência de nitrogênio mineral. Autora de mais de 500 artigos, ela lidera o INCT MicroAgro e integra listas internacionais de cientistas mais influentes. A premiação reafirma a relevância estratégica da fixação biológica de nitrogênio para a competitividade e a sustentabilidade da agricultura tropical.

Bancada do agro renova 200 parlamentares no Congresso

O primeiro turno das eleições de 2026 consolidou a força institucional da pauta agropecuária no Congresso. A Frente Parlamentar da Agropecuária terá 200 membros reeleitos ou eleitos, dos quais 176 na Câmara, onde a bancada reúne 299 integrantes, e seis no Senado, que soma 48 parlamentares da frente, além de 17 em meio de mandato. O trânsito entre as Casas também foi expressivo: 18 deputados migraram para o Senado, e integrantes da FPA foram eleitos governadores em Minas Gerais, Paraná, Rondônia e Rio Grande do Sul, com duas disputas adiadas para o segundo turno. Para o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, o resultado indica uma bancada ainda mais atuante, sobretudo no Senado. A agenda para a próxima legislatura já está desenhada: o endividamento recorde do setor e o acesso ao crédito serão temas de negociação com o novo governo, assim como a transformação do Plano Safra em instrumento plurianual, com previsibilidade orçamentária e menor dependência do ciclo político. A renovação ocorre em um momento em que crédito, clima e inserção internacional definem o ambiente de negócios do agro brasileiro.

Epagri convoca toda a cadeia das macroalgas para desenhar o futuro do setor

O cultivo de macroalgas em Santa Catarina deixou o caráter experimental para ocupar posição estratégica na aquicultura estadual, e a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri), por meio do Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca (Cedap), estrutura agora o Plano Estratégico para o Desenvolvimento Sustentável da Algicultura Catarinense 2027-2037. A elaboração do documento é coletiva, reunindo produtores, pesquisadores, empresas e gestores públicos em dois workshops presenciais marcados para outubro, hoje em Itajaí (dia 9) e Florianópolis (dia 23), ocasião em que a cadeia debaterá o diagnóstico do setor, as metas da próxima década e as ações para aprimorar o cultivo. O movimento responde a uma expansão notável: o estado passou de apenas quatro algicultores comerciais em 2022 para 52 produtores registrados entre 2024 e 2025, com cultivo distribuído por nove municípios e concentrado nas águas de Florianópolis e Palhoça. A base produtiva é a Kappaphycus alvarezii, macroalga vermelha de origem filipina, principal fonte mundial de carragenana e matéria-prima versátil, com biomassa destinada a bioinsumos agrícolas, cosméticos e alimentação animal. Os gargalos que o plano pretende resolver são igualmente explícitos: comercialização da safra, fornecimento constante de mudas, organização associativa e regularização das áreas marinhas aparecem entre os pontos levantados pelos pesquisadores.

Selo Nacional da Aquariofilia reconhece operação regular na criação de organismos ornamentais, com certificação voluntária do MPA que vale dois anos e não cobra taxa de emissão
Selo Nacional da Aquariofilia reconhece operação regular na
criação de organismos ornamentais, com certificação voluntária
do MPA que vale dois anos e não cobra taxa de emissão

Ministério da Pesca cria certificação oficial para aquariofilia

O mercado brasileiro de peixes ornamentais, que já registrou exportações anuais superiores a US$ 10 milhões e figura entre as frentes de maior valor agregado da piscicultura, ganhou agora um instrumento oficial de reconhecimento: o Selo Nacional da Aquariofilia, criado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) por meio da Portaria MPA nº 753, de 5 de outubro de 2026, publicada em edição extra do Diário Oficial da União e com regras vigentes sete dias após a divulgação. A certificação distingue quem atua de forma regular nos planos legal, sanitário, ambiental e fiscal, um passo relevante para dar previsibilidade a um comércio marcado historicamente por informalidade e por diferenças de regras entre os estados. A adesão é voluntária e gratuita: o MPA emite o selo sem custo ao interessado, que arca apenas com a documentação e o cumprimento das exigências. Cada certificado tem validade de dois anos, recebe número de série com o ano de emissão e autoriza o uso da marca em rótulos, embalagens e materiais de divulgação, em versão colorida ou monocromática. Podem solicitar empresas da cadeia produtiva de ornamentais, pescadores profissionais e aquicultores ornamentais, desde que os organismos sejam oriundos da pesca artesanal ou da aquicultura exercida dentro da lei. A medida nacional ecoa movimento iniciado em setembro de 2025 por Minas Gerais, que criou, por meio do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), certificação específica para peixes ornamentais, sinalizando a formalização crescente de um setor estratégico para a aquicultura brasileira.

Paraná chega a 45 mil propriedades rurais gerando a própria energia

O Paraná consolidou posição de referência em segurança energética no campo ao somar 45.276 propriedades rurais com geração própria de energia, resultado direto do Renova Paraná, programa lançado em agosto de 2021 para apoiar a geração distribuída a partir de fontes renováveis, com protagonismo da solar e do biogás. Desse universo, 10.620 produtores receberam subvenção estadual sobre os juros dos financiamentos, com aporte de R$ 310 milhões e apoio médio de R$ 29 mil por projeto, volume que sustentou a instalação de 1,2 GW de potência em todo o estado. A estimativa do IDR-Paraná indica economia anual de R$ 1,47 bilhão às famílias beneficiárias, cerca de R$ 28,2 mil por propriedade, número expressivo para atividades intensivas como avicultura, suinocultura, piscicultura, produção de leite e irrigação. Para enfrentar o segundo desafio, a qualidade do fornecimento, o governo opera o Trifásico Se Liga Aí, Paraná!, lançado em 2026, que devolve até cinco pontos percentuais dos juros de financiamentos para conexão e adequação da rede trifásica, benefício já acionado por 108 produtores, com meta de 12,5 mil novas unidades rurais até 2031 e R$ 275 milhões em subvenções previstas. A estabilidade da tensão é decisiva para equipamentos e motores de agroindústrias, secagem de fumo e torra de café, que sofrem com oscilações, em movimento que acompanha o avanço nacional da geração distribuída, já presente em mais de 4 milhões de sistemas no Brasil.