Integração entre cultura, ciência e agronegócio, evento no Parque do Ibirapuera destaca o papel das abelhas na biodiversidade e promove atividades para todas as idades, com foco em conservação e conhecimento
Recém-reformado, o Pavilhão Japonês, situado no Parque do Ibirapuera, volta a ocupar posição de destaque no calendário cultural e técnico ao sediar a quinta edição do Hachimitsu Matsuri, entre os dias 30 de abril e 3 de maio. O evento, realizado em parceria com o Coleção Abelhas, amplia sua dimensão ao integrar conteúdo técnico, experiências culturais e difusão científica, consolidando-se como uma plataforma relevante para discussão sobre polinizadores e sua importância econômica.
O termo japonês “hachimitsu”, que significa mel, combinado com “matsuri”, festival, traduz com precisão a proposta do encontro: uma imersão no universo apícola e meliponícola. Ao longo de quatro dias, o festival reúne expositores especializados, pesquisadores, produtores e público urbano, criando um ambiente propício para troca de conhecimento e estímulo ao consumo consciente de produtos derivados das abelhas. A expansão da programação em 2026 reflete o crescimento do interesse por temas ligados à biodiversidade e à segurança alimentar.
Além das atividades tradicionais, como bazar temático, palestras e workshops, o evento incorpora novas frentes, como intervenções artísticas, exposições audiovisuais e experiências interativas. A diversificação do conteúdo amplia o alcance do festival, aproximando públicos distintos e fortalecendo a comunicação sobre a relevância ecológica e econômica das abelhas. Iniciativas como flash tattoo e live painting contribuem para um diálogo contemporâneo, conectando ciência, arte e engajamento ambiental.

papel essencial na polinização agrícola brasileira

de espécies brasileiras é destaque no evento
Cadeia produtiva do mel e valorização de nichos especializados
O Hachimitsu Matsuri também se destaca como vitrine para a cadeia produtiva do mel e seus derivados, reunindo marcas e produtores que atuam em diferentes segmentos, desde alimentos até cosméticos naturais. Entre os participantes estão iniciativas como Abelha Nativa e Vendrasco Própolis, que evidenciam o potencial de agregação de valor por meio de inovação, rastreabilidade e diferenciação de origem.
No campo gastronômico, o festival reforça o papel do mel como ingrediente versátil e de alto valor agregado. Estabelecimentos como Na Na Ya Patisserie e Mori Chazeria apresentam cardápios exclusivos, explorando o uso do mel em confeitaria e bebidas especiais. Essa integração entre gastronomia e produção apícola amplia o mercado consumidor, promovendo novos canais de comercialização e incentivando práticas sustentáveis.
A presença de pequenos produtores e marcas autorais reforça a tendência de valorização de nichos premium, especialmente no segmento de méis de origem específica. Produtos provenientes de abelhas nativas sem ferrão, por exemplo, atingem preços superiores, devido à sua complexidade sensorial e baixa escala produtiva. Esse movimento acompanha uma demanda crescente por alimentos diferenciados e com apelo socioambiental.



Biodiversidade, polinização e impacto no agronegócio
O Brasil abriga mais de 300 espécies de abelhas nativas, muitas delas pertencentes a grupos como Meliponini e Euglossini, fundamentais para a manutenção dos ecossistemas e da produtividade agrícola. Diferentemente das abelhas africanizadas, essas espécies apresentam comportamento mais dócil e produzem mel em menor quantidade, porém com elevado valor agregado. A conservação dessas populações é estratégica para o agronegócio, especialmente em culturas dependentes de polinização.
Estudos indicam que cerca de 70% dos alimentos consumidos globalmente dependem, direta ou indiretamente, da polinização realizada por insetos, com destaque para as abelhas. Esse dado reforça a necessidade de políticas e práticas que promovam a proteção desses agentes naturais. O festival atua como um canal de disseminação desse conhecimento, aproximando ciência e sociedade e estimulando práticas como a criação racional de abelhas nativas e o plantio de espécies atrativas.
A programação técnica inclui debates sobre temas ainda pouco explorados, como diversidade de méis brasileiros, monitoramento de abelhas na natureza e implantação de jardins agroflorestais. Essas abordagens ampliam a compreensão sobre o papel das abelhas na sustentabilidade produtiva e na resiliência dos sistemas agrícolas, contribuindo para uma agenda mais integrada entre conservação ambiental e eficiência econômica.

Patrimônio cultural e intercâmbio Brasil–Japão
Construído em 1954 como parte das comemorações do IV Centenário de São Paulo, o Pavilhão Japonês representa um marco do intercâmbio cultural entre Brasil e Japão. Erguido com técnicas tradicionais em madeira, o espaço foi doado pelo governo japonês em parceria com a comunidade nipo-brasileira, consolidando-se como símbolo de integração e cooperação. Sua recente restauração estrutural reforça a relevância histórica e funcional do local, que voltou a receber visitantes em 2026.
A gestão do pavilhão é realizada pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Bunkyo, instituição responsável por iniciativas culturais e sociais voltadas à preservação da herança japonesa no Brasil. A entidade também administra o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, referência na documentação da trajetória dos imigrantes japoneses no país. A escolha do local para o festival reforça a conexão entre tradição, natureza e conhecimento.
Nesse contexto, o Hachimitsu Matsuri transcende o caráter de evento temático e se posiciona como um espaço de convergência entre cultura, ciência e economia. Ao promover o diálogo entre diferentes setores, o festival contribui para a construção de uma agenda mais ampla de valorização da biodiversidade e inovação no agronegócio, destacando o papel estratégico das abelhas no futuro da produção de alimentos.
O Pavilhão Japonês fica no Parque do Ibirapuera, portão 10, próximo ao Planetário. O Festival ocorrerá na quinta-feira das 10:00 às 17:00, com entrada gratuita e sexta, sábado e domingo no mesmo horário com entrada inteira a R$ 15,00 e meia a R$ 7,00.