Ranking continental reconhece 12 casas brasileiras em oito estados unindo qualidade do café e experiência do consumidor, conquistando o continente e projetando o grão brasileiro no mundo
O Brasil confirmou sua força na cultura do café de especialidade ao colocar 12 cafeterias entre as 100 melhores da América do Sul em 2026, segundo o ranking The South America’s 100 Best Coffee Shops, apresentado durante a The Global Coffee Fair, em Quito, no Equador. A seleção reuniu mais de 4.200 estabelecimentos de todo o continente, avaliados por mais de 300 juízes profissionais e por uma votação popular que superou 280 mil votos. O resultado representa um salto expressivo em relação à edição anterior, quando sete endereços brasileiros integraram a lista, e confirma a maturidade de um movimento que combina qualidade de origem, torrefação própria e novas experiências de consumo.
A melhor colocação brasileira coube à Lucca Cafés Especiais, de Curitiba, que alcançou a 4ª posição geral, consolidando-se como referência continental. O desempenho nacional se distribui por oito estados, com presença em Maceió, Salvador, Belo Horizonte, Goiânia, Porto Alegre, Juiz de Fora, Rio de Janeiro, Sorocaba e São Paulo. Quatro dessas casas são associadas à Associação Brasileira de Cafés Especiais, o que evidencia a articulação entre a cadeia produtiva e o varejo especializado. A diversidade geográfica revela que o café de qualidade deixou de ser fenômeno restrito aos grandes centros e avançou por polos regionais com identidade própria de torra e curadoria.

no país a torra própria e a curadoria de cafés de origem
única, consolidando-se como uma das principais
referências na busca pelos melhores cafés brasileiros
O ranking reflete uma transformação estrutural no mercado sul-americano de cafés especiais, que deixou de ser apenas uma região produtora para se tornar protagonista na forma de torrar, preparar e aproximar a bebida do consumidor. Os critérios de avaliação combinam qualidade do café especial, atuação dos baristas, atendimento, inovação, ambiente, práticas de sustentabilidade e oferta de alimentos, com peso de 70% para o júri técnico e 30% para o voto popular. Esse equilíbrio entre excelência objetiva e percepção do público sinaliza um amadurecimento do setor, em que a experiência na xícara caminha junto com a gestão do negócio e a responsabilidade ambiental.
Para a cafeicultura brasileira, o reconhecimento tem leitura econômica direta. O país já é o maior produtor e exportador mundial de café, e o desempenho exportador segue em expansão, com agosto de 2026 registrando o melhor resultado da história, com 4,155 milhões de sacas embarcadas e receita de US$ 1,331 bilhão. A valorização das cafeterias nacionais amplia a percepção de qualidade do grão brasileiro no exterior e agrega valor à cadeia, conectando o trabalho do produtor ao consumidor final. Quando uma casa de Curitiba ou de Maceió é reconhecida entre as melhores do continente, toda a cadeia produtiva ganha projeção internacional e novas oportunidades de mercado.

em Maceió, iniciada como uma microtorrefação e escola de
café. A marca busca e seleciona grãos excepcionais de diversos
terroirs brasileiros, dominando todas as etapas, da torra à extração
A iniciativa também abre espaço para a inovação no varejo. Após a divulgação do ranking, as cafeterias selecionadas e outros estabelecimentos interessados poderão desenvolver bebidas autorais, com receitas registradas até 11 de outubro e disponíveis nos cardápios entre 12 e 26 do mesmo mês. As três criações mais votadas serão reconhecidas em dezembro, com premiação e divulgação profissional. Essa etapa reforça o papel das cafeterias como laboratórios de criatividade, capazes de traduzir tendências de consumo em produtos que geram valor para o negócio e aproximam o público da cultura do café de qualidade.
O cenário consolida a posição do Brasil como referência global do café, tanto na produção quanto no consumo. A presença de 12 casas nacionais no ranking sul-americano, com destaque para a 4ª colocação de Curitiba, demonstra que o investimento em torrefação própria, curadoria de origem e experiência do cliente se converte em reconhecimento internacional. Para o produtor, o movimento representa a valorização do grão em toda a sua trajetória, da lavoura à xícara. Para o empresário do setor, o resultado aponta um caminho claro: qualidade, sustentabilidade e inovação são os pilares que sustentam a competitividade do café brasileiro no mercado global.

da Bahia, torrados na própria casa, harmonizados com
um cardápio autoral de excelência de Salvador
Colocação das casas brasileiras
4º – Lucca Cafés Especiais, de Curitiba, PR
13º – RDV Roasters, de Maceió, AL
14º – Do Coado ao Espresso, Salvador, BA
17º – Elisa Café e Torrefação, Belo Horizonte, MG
22º – King Experience – Cafeteria e Escola de Café, Goiânia, GO
33º – William & Sons Coffee Co., Porto Alegre, RS
36º – Abuela Café & Torrefação, Porto Alegre, RS
49º – Giotti Cafés Microtorrefação, Juiz de Fora, MG
57º – Royalty Café, Curitiba, PR
62º – Coffee Five, Rio de Janeiro, RJ
76º – Cafeteria 15 Coffee Company, Sorocaba, SP
89º – Cupping Café, São Paulo, SP