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Agrotóxicos podem ser mais tóxicos para abelhas do que se imagina

Abelha melífera com o corpo impregnado de pólen

As abelhas enfrentam uma infinidade de estresses, incluindo patógenos e parasitas, perda de fontes de alimento e habitat adequados, poluição do ar e extremos climáticos. Apesar dessas dificuldades, as abelhas ajudam a polinizar mais de um terço das plantações do mundo, contribuindo com um valor estimado de US$ 235 bilhões a US$ 577 bilhões para a agricultura global.

Estudo recente publicado na revista The Conversation identificou outra pressão importante, mas pouco estudada, sobre as abelhas: os ingredientes “inertes” dos pesticidas.

Mas o que são ingredientes inertes? Eles têm uma variedade de funções, podendo estender a vida útil de um pesticida, reduzir os riscos para as pessoas que aplicam os pesticidas ou ajudar um pesticida a funcionar melhor. Alguns inertes, chamados de adjuvantes, ajudam os pesticidas a aderir às superfícies das plantas, reduzem a deriva (quando a trajetória da gota é desviada durante a aplicação de um defensivo, fazendo com que o produto não atinja o alvo desejado) dos produtos ou ajudam os ingredientes ativos a penetrar melhor na superfície do vegetal.

Fungicida Pristine utilizado no estudo

No entanto, o rótulo “inerte” é um termo coloquial errôneo. Conforme observado pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA, os inertes não são necessariamente inativos ou mesmo não tóxicos. Na verdade, os usuários de pesticidas às vezes sabem muito pouco sobre como os inertes funcionam em uma fórmula de pesticida. Isso se deve, em parte, ao fato de eles serem regulamentados de forma muito diferente dos ingredientes ativos.

Todos os pesticidas contêm ingredientes ativos e inertes. Os ingredientes ativos são projetados para matar ou controlar um inseto, erva daninha ou fungo específico e estão listados nos rótulos dos produtos. Todos os outros ingredientes – emulsificantes, solventes, transportadores, propelentes de aerossol, fragrâncias, corantes e outros – são considerados inertes.

O novo estudo expôs as abelhas a dois tratamentos: os ingredientes ativos isolados do fungicida Pristine, que é usado para controlar doenças fúngicas em amêndoas e outras culturas, e a formulação completa do Pristine, incluindo ingredientes inertes. Os resultados foram bastante surpreendentes: a formulação completa prejudicou a memória das abelhas, enquanto os ingredientes ativos isolados não prejudicaram.

Isso sugere que os ingredientes inertes da fórmula eram, na verdade, o que tornava o Pristine tóxico para as abelhas – seja porque os inertes eram tóxicos por si só ou porque a combinação deles com os ingredientes ativos tornava os ingredientes ativos mais tóxicos. Essas descobertas têm implicações importantes para a regulamentação de pesticidas e a saúde das abelhas.

Para registrar um pesticida para uso externo, as empresas químicas devem fornecer dados confiáveis de avaliação de risco sobre a toxicidade dos ingredientes ativos (os inertes normalmente são negligenciados) para as abelhas baseados em testes rigorosos que auxiliam a determinação do risco potencial que um ingrediente ativo pode representar para as abelhas. Com base nas informações desses diversos testes, os pesticidas são rotulados como não tóxicos, moderadamente tóxicos ou altamente tóxicos.

Abelhas nos quadros de uma colmeia

Um conjunto crescente de evidências sugere que os inertes não são tão inofensivos quanto o nome sugere. Embora alguns inertes possam não ser tóxicos por si só, é difícil prever o que acontecerá quando eles forem combinados com ingredientes ativos. As evidências crescentes sobre a toxicidade dos inertes apontam para a necessidade de mudanças importantes na avaliação do produto para classificação de toxicidade, como o teste de toda a formulação do pesticida, incluindo os ingredientes inertes.

Pesquisadores e ambientalistas vêm defendendo mudanças nessas avaliações há tempos. Frente as preocupações crescentes com o declínio das abelhas e as perdas anuais significativas de colônias dos apicultores, uma abordagem mais preventiva à regulamentação de pesticidas são fortes argumentos para essas mudanças. Com o crescimento da população mundial e o aumento do estresse no fornecimento de alimentos, apoiar a contribuição das abelhas para a agricultura é mais importante do que nunca.

Texto baseado em artigo de Jennie L. Durant, colaboradora de pesquisa em Ecologia Humana, Universidade da Califórnia, Davis.

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