Manchetes da semana – 31-01 a 06-02-2026

Após Gulfood 2026, setor de proteína projeta US$ 1,4 bi em negócios com exportação

Os exportadores brasileiros de proteínas projetam a geração de US$ 1,4 bilhão em negócios ao longo dos próximos 12 meses a partir dos contatos e negociações realizados durante a Gulfood 2026, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A estimativa foi apresentada em nota pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que organizou ação durante a feira em parceria com a ApexBrasil. Apenas durante os cinco dias de feira, os negócios efetivamente fechados somaram US$ 131,4 milhões, segundo balanço consolidado com empresas participantes. O desempenho reforça o peso da feira como a principal vitrine global do mercado halal e como porta de entrada para destinos estratégicos do Oriente Médio, Ásia e África. Ao todo, 21 agroindústrias brasileiras participaram da ação.

Venda de fazenda de pesquisa em São Paulo é investigada pelo MP

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito para apurar a venda de 350 hectares de uma fazenda de pesquisa localizada em Pindamonhangaba, SP. A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) declarou que a fazenda, denominada Gleba Brasília, que pertencia ao Estado desde 1910, era parte do patrimônio científico da Agência Paulista de Tecnologia de Agronegócios (Apta), ligada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. A transação foi realizada por meio do Fundo de Investimento Imobiliário do Estado de São Paulo, administrado por uma corretora privada. A empresa SFA Agro, que tinha como sócios Paulo Skaf e seu filho, além de outros empresários, à época, pagou R$ 17,1 milhões pela propriedade. Toda essa transação se deu sem nenhuma publicidade, sem que fossem tornados públicos laudos de avaliação do imóvel e eventuais outras propostas recebidas pelo Fundo. Além disso, a comunidade científica teria que ser ouvida, como manda a Constituição do Estado, mas nada disso foi feito. A apuração aberta pela promotoria atendeu a um pedido da deputada estadual Beth Sahão (PT-SP), que preside a Frente Parlamentar em Defesa das Universidades Públicas e dos Institutos de Pesquisa.

Frei Sérgio foi um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e do Partido dos Trabalhadores (PT). Também exerceu mandato como deputado estadual, mas sua principal atuação se deu como líder religioso e militante das causas populares
Frei Sérgio foi um dos fundadores do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
, do Movimento dos
Pequenos Agricultores (MPA)
e do Partido dos Trabalhadores.
Também exerceu mandato como deputado estadual, mas sua
principal atuação se deu como líder religioso e militante das causas populares

Morre frei Sérgio Görgen, liderança do movimento camponês no Brasil

Faleceu na última terça-feira (3), aos 70 anos, frei Sérgio Görgen, liderança histórica do movimento camponês no Brasil. O religioso, escritor e intelectual de causas populares, foi um dos sobreviventes do Massacre da Fazenda Santa Elmira, em 1989, e criador do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Frei Sérgio dedicou sua existência à articulação política e espiritual dos excluídos. Foi peça fundamental na fundação do MPA em 1996, nascido da urgência das secas e da necessidade de voz para o pequeno agricultor. A morte do frei deixa um vazio imenso na luta social brasileira, deixando um legado em defesa da soberania alimentar e da dignidade das pessoas do campo. Frei Sérgio, membro da Ordem dos Franciscanos, deixou obras referenciais como Trincheiras da Resistência Camponesa e A Gente Não Quer Só Comida, em que teorizou e denunciou a exploração dos camponeses. Seu legado segue vivo na resistência e na esperança.

Turquia abre mercado para castanha-do-Brasil

O Brasil poderá exportar castanha-do-Brasil para a Turquia, informaram o Ministério da Agricultura e o Ministério das Relações Exteriores, em nota conjunta. As negociações entre os países foram concluídas e o aval sanitário é válido para a castanha com e sem casca. O Brasil exportou US$ 3,2 bilhões em produtos agropecuários para a Turquia no ano passado, sobretudo produtos do complexo soja, café, fibras e produtos têxteis. Reconhecida internacionalmente por seu valor nutricional, a castanha-do-Brasil é extraída de forma sustentável por comunidades tradicionais. A exportação desse produto para o mercado turco promoverá geração de renda e desenvolvimento regional, contribuindo para a conservação da floresta em pé. No ano, o país acumula dez aberturas de mercado para produtos do agronegócio nacional. Com este anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 535 aberturas de mercado desde o início de 2023.

Brasil e China iniciam parceria para produção de leite de jumenta

Brasil e China avançam em uma parceria tecnológica voltada para a criação de asininos, com foco na produção de leite de jumentas e desenvolvimento da cadeia produtiva. O projeto envolve a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), a Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) e o Departamento de Zootecnia e Tecnologia da Universidade de Agricultura da China, uma das mais antigas instituições agrícolas do país asiático, fundada em 1905. O objetivo da iniciativa é ampliar o ensino, pesquisa e transferência de tecnologias entre os dois países, fortalecendo a criação de asininos tanto para leite quanto para carne. As universidades brasileiras possuem diversos projetos de pesquisa em andamento, incluindo biotecnologias avançadas e métodos de pasteurização do leite asinino que preservam suas propriedades farmacológicas. As iniciativas demonstram o potencial do Brasil para expandir a asininocultura, com oportunidades de crescimento baseadas em tecnologias comprovadas e práticas de manejo eficientes.

Mudas de araucária, baobá e graviola foram plantadas nas embaixadas de Cuba e Venezuela, em Brasília - Foto: Camila Araújo/MST
Mudas de araucária, baobá e graviola foram plantadas
nas embaixadas de Cuba e Venezuela, em Brasília
Foto: Camila Araújo/MST

Ação do MST homenageia Cuba e Venezuela

Plantar árvores é permanecer. Essa é uma forma com que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tem expressado sua solidariedade aos povos do mundo decididos a ser livres. E para marcar um mês da agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, o movimento realizou um ato simbólico de plantio de árvores em diversas partes do país. Em Brasília, a ação ocorreu nas embaixadas da Venezuela e de Cuba. Além do simbolismo, essa é também uma forma de promover o debate com suas bases e promover a solidariedade internacional como um eixo unificador dos trabalhadores ao redor do mundo. Na embaixada de Cuba, os militantes sem terra homenagearam os militares cubanos mortos durante a agressão militar estadunidense na Venezuela, e destacaram a força do povo cubano que, há décadas, resiste a um bloqueio unilateral dos sucessivos governos dos Estados Unidos, intensificado pela política belicista de Donald Trump.

Deputado propõe suspender portaria do capacete no campo

A recente alteração nas regras de fiscalização do trabalho rural voltou ao centro das discussões em Brasília e no agronegócio. O presidente da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, Rodolfo Nogueira (PL-MS), apresentou um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) com o objetivo de sustar os efeitos da Portaria nº 104, de 29 de janeiro de 2026 do Ministério do Trabalho, norma que ficou conhecida entre produtores como a portaria do “capacete no campo”. A iniciativa ocorre em meio a preocupações do setor com o aumento do rigor nas autuações e possíveis impactos sobre a rotina das propriedades, especialmente aquelas que dependem de mão de obra operacional em atividades com máquinas, animais e deslocamentos constantes. A proposta do parlamentar pretende derrubar mudanças introduzidas na NR nº 28, norma responsável por disciplinar os procedimentos de fiscalização e a aplicação de multas trabalhistas. O projeto ainda aguarda despacho e tramitação na Câmara dos Deputados, etapa que deve abrir espaço para novos debates entre representantes do governo, parlamentares e entidades ligadas ao agronegócio. Caso avance, a discussão poderá redefinir a forma como a fiscalização trabalhista é conduzida no campo, um tema sensível para um setor que movimenta bilhões e depende diretamente da previsibilidade regulatória para manter investimentos e competitividade.

Projeto de lei propõe criação do Instituto Nacional do Leite

O Congresso Nacional analisa um projeto que pode redefinir os rumos da cadeia produtiva do leite no Brasil. Trata-se do PL 20/2026, de autoria do deputado Sérgio Souza, que propõe a criação do Instituto Nacional do Leite (INL), uma autarquia vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, com sede em Brasília e atuação em todo o território nacional. A iniciativa surge em um momento de forte pressão econômica sobre os produtores, marcada por custos elevados, preços frequentemente abaixo do necessário para garantir rentabilidade e aumento das importações. Além da criação do instituto, o texto estabelece o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Cadeia do Leite (FNCL), mecanismo que deverá financiar políticas públicas, apoiar a modernização do setor e assegurar sustentabilidade financeira às ações voltadas ao fortalecimento da atividade leiteira. O objetivo central, segundo o autor da proposta, é elevar a competitividade e ampliar as exportações, reorganizando um segmento considerado estratégico para a segurança alimentar do país. Caso seja aprovado, o Instituto Nacional do Leite terá uma ampla gama de atribuições, incluindo regular e apoiar a produção, o processamento e a comercialização de leite e derivados, além de estabelecer políticas de preços mínimos com base em estudos técnicos que considerem custos de produção, inflação e condições de mercado. A proposta também prevê a administração de estoques reguladores, a fiscalização da qualidade sanitária e nutricional dos produtos, o monitoramento das importações com aplicação de medidas contra dumping e o incentivo à abertura de novos mercados para os lácteos brasileiros. Outro eixo estratégico será o estímulo à pesquisa, à inovação tecnológica e à assistência técnica, incorporando práticas sustentáveis que reduzam custos e ampliem a competitividade da cadeia produtiva.

Mais do que volume, a produção de café em 2026 revela uma mudança de patamar, impulsionada por tecnologia, boas práticas agrícolas e maior retorno ao produtor
Mais do que volume, a produção de café em 2026 revela
uma mudança de patamar, impulsionada por tecnologia,
boas práticas agrícolas e maior retorno ao produtor

Safra de café do Brasil deve bater recorde em 2026

A produção de café do Brasil em 2026 deve alcançar 66,2 milhões de sacas de 60 kg, o que representa um crescimento de 17,1% em relação a 2025 e estabelece um novo recorde histórico, segundo o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Além do ciclo de bienalidade positiva, o desempenho da safra no maior produtor e exportador mundial de café será impulsionado pelo aumento da área em produção e pela elevação da produtividade média. A Conab estima que a área cafeeira em produção crescerá 4,1%, totalizando 1,93 milhão de hectares, enquanto a produtividade média nacional deverá atingir 34,2 sacas por hectare, avanço de 12,4% em comparação com a safra anterior. Esse ganho produtivo reflete principalmente as condições climáticas mais favoráveis ao longo do ciclo da cultura, aliadas à maior adoção de tecnologias e boas práticas de manejo nas lavouras, estimuladas pelos preços recordes observados no ano passado. A produção de café arábica, variedade mais sensível à bienalidade, está estimada em 44,09 milhões de sacas, o que representa um expressivo aumento de 23,3% em relação à safra anterior. Já para as variedades canéforas (conilon/robusta), a expectativa é de crescimento de 6,4%, alcançando 22,09 milhões de sacas, um resultado que pode surpreender o mercado, que vinha sinalizando possível retração após o recorde registrado na temporada passada.

Acordo Mercosul–União Europeia precisa de ajustes, defende presidente da CRA do Senado

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia é estratégico para o Brasil, mas não pode avançar sem correções que garantam equilíbrio e segurança ao setor produtivo nacional. A avaliação é do presidente da Comissão de Agricultura do Senado (CRA), senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), que defende um aperfeiçoamento cuidadoso do texto antes de sua aprovação pelo Congresso Nacional. Considerado um dos tratados comerciais mais relevantes já firmados pelo país, o acordo Mercosul–UE amplia o acesso do Brasil a mercados altamente competitivos, criando oportunidades para a exportação de matérias-primas e produtos industrializados, com destaque para o agronegócio brasileiro. No entanto, segundo o senador, há distorções que podem comprometer a competitividade nacional no médio e longo prazo, caso não sejam devidamente ajustadas. Entre os principais pontos de atenção estão as salvaguardas comerciais incluídas por pressão de setores agrícolas europeus. Essas cláusulas permitem a suspensão de benefícios tarifários quando as exportações do Mercosul ultrapassam determinados limites em produtos considerados sensíveis, como carne bovina e carne de aves. De acordo com Zequinha Marinho, os critérios dessas salvaguardas foram excessivamente endurecidos, com redução dos limites de tolerância e dos prazos de investigação, o que confere ao acordo um viés protecionista. Esse cenário gera insegurança jurídica e comercial, afetando diretamente produtores brasileiros que investem, planejam e exportam com base em regras previsíveis. Para o senador, o Congresso Nacional ainda não está pronto para votar o texto. O momento exige debate técnico aprofundado, diálogo com os setores produtivos e análise técnica rigorosa, evitando decisões apressadas que possam comprometer o futuro do agro e da indústria brasileira. Ressalta ainda que não se trata de rejeitar o acordo, mas de corrigir pontos que colocam o Brasil em posição desfavorável frente aos seus parceiros comerciais. O envio do texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia, pode atrasar sua entrada em vigor por até dois anos, reforçando a necessidade de cautela e firmeza na defesa dos interesses nacionais. O acordo representa uma oportunidade histórica, mas só será realmente benéfico se for justo, equilibrado e sustentável para o Brasil. Ajustar distorções agora é fundamental para garantir segurança ao produtor, previsibilidade ao mercado e crescimento econômico de longo prazo. O debate está aberto e a participação do setor produtivo e da sociedade é decisiva para que o Brasil avance sem abrir mão de sua competitividade.

Bahia fortalece a agricultura familiar e qualifica a merenda escolar

O Governo da Bahia deu um passo estratégico para fortalecer a agricultura familiar e qualificar a alimentação escolar ao anunciar a 2ª Chamada Pública Centralizada do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A iniciativa destina R$ 50,2 milhões à compra direta de alimentos produzidos por agricultores e agricultoras familiares dos 27 territórios de Identidade do estado. A medida integra as ações de abastecimento da rede estadual de ensino e reforça o papel das compras públicas como instrumento de desenvolvimento rural, segurança alimentar e inclusão produtiva. O edital é resultado da articulação entre a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), e a Secretaria da Educação (SEC), com divulgação da Seagri. O objetivo central é aproximar a produção local do consumo institucional, garantindo renda para quem produz e alimentação de qualidade para quem consome. Essa estratégia fortalece cadeias produtivas regionais, reduz intermediários e amplia o impacto socioeconômico das políticas públicas nos territórios baianos. Com a nova chamada pública, o estado ampliou de seis para 16 o número de itens adquiridos, elevando significativamente a diversidade nutricional da merenda escolar. Entre os alimentos previstos estão: café, aipim, flocão de milho, farinha de mandioca, feijão, ovos caipiras, leite em pó, cacau, polpas de frutas, iogurte, filé de tilápia, mel, tapioca e carne de cordeiro. A ampliação do cardápio contribui para uma alimentação mais equilibrada, valoriza produtos regionais e respeita hábitos alimentares locais. Ao priorizar a agricultura familiar no fornecimento para a rede pública de ensino, o Governo da Bahia consolida um modelo que combina segurança alimentar, desenvolvimento sustentável e fortalecimento da economia local. A iniciativa também estimula práticas produtivas mais responsáveis e a permanência das famílias no campo.

O crescimento contínuo do Cavalo Crioulo evidencia uma raça que une tradição, desempenho funcional, padronização genética e valorização de mercado - Foto: JG Martini
O crescimento contínuo do Cavalo Crioulo evidencia uma
raça que une tradição, desempenho funcional, padronização
genética e valorização de mercado – Foto: JG Martini

Cavalo Crioulo cresce no Brasil e consolida força genética, esportiva e econômica

O Cavalo Crioulo vive um ciclo consistente de expansão no Brasil, impulsionado pelo aumento de registros, fortalecimento da base genética e crescimento expressivo da participação em provas oficiais. Dados da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) confirmam que 2025 marcou mais um ano de evolução estrutural da raça, refletindo confiança dos criadores, novos investimentos e a entrada em mercados estratégicos. Os Registros Genealógicos (RGs) provisórios apresentaram crescimento de 11,6%, passando de 17,1 mil para 19,1 mil registros. Já os RGs definitivos avançaram 8,5%, totalizando 12,3 mil, indicador direto da consolidação de animais dentro dos padrões oficiais da raça. O mesmo movimento positivo foi observado nos Registros de Propriedade (RPs), que cresceram 14,92%, alcançando 362 registros em 2025. Esse avanço demonstra maior segurança jurídica, valorização patrimonial e profissionalização da cadeia criatória. Outro dado estratégico é a expansão da padreação, que assegura a manutenção das características físicas, morfológicas e genéticas estabelecidas pela ABCCC. O número de animais padreados aumentou 10,29%, saltando de 29,7 mil para 32,7 mil exemplares, reforçando o compromisso dos criadores com a qualidade e a identidade racial. A organização da criação também avançou com o crescimento de 12,27% no número de afixos registrados, que passaram de 489 para 549, fortalecendo a rastreabilidade das linhagens. Paralelamente, as importações de animais cresceram 25,45%, com 69 novos exemplares em 2025, contribuindo para a renovação genética e a ampliação da diversidade do plantel nacional. Nas provas morfológicas, funcionais e esportivas, o desempenho da raça confirmou sua versatilidade e funcionalidade. As principais modalidades apresentaram aumento significativo de participantes: Paleteada: crescimento de 16,46%, chegando a 6,4 mil competidores; Doma de Ouro: alta de 9,53%, com 1,7 mil participantes; Campereada: avanço de 9,41%, alcançando 1,3 mil competidores. Esses números refletem não apenas o fortalecimento técnico da raça, mas também o papel essencial dos núcleos regionais, que atuam como elo entre criadores, usuários e a entidade oficial, promovendo integração, capacitação e difusão do Cavalo Crioulo em todo o país. O crescimento contínuo do Cavalo Crioulo evidencia uma raça que une tradição, desempenho funcional, padronização genética e valorização de mercado, um cenário de oportunidades para criadores e investidores.

Epamig implanta Unidades Demonstrativas de café no Jequitinhonha

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) iniciou a implantação de 25 Unidades Demonstrativas (UDs) de café no Vale do Jequitinhonha, como parte de um projeto estratégico voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva da agropecuária nas mesorregiões dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e no Norte de Minas. Nesta fase inicial, realizada entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, 15 produtores rurais de 11 municípios do médio e baixo Jequitinhonha receberam mudas de 16 cultivares de café arábica e dez materiais de café canéfora, sendo nove clones enxertados e um material seminal. Do total de propriedades selecionadas, dez conduzirão UDs com café arábica e canéfora, enquanto cinco trabalharão exclusivamente com canéfora. A escolha das áreas seguiu critérios técnicos rigorosos, como disponibilidade de sistema de irrigação, facilidade de acesso para visitas técnicas e eventos, além da disposição dos produtores para a realização de dias de campo. Esses fatores são fundamentais para garantir a validação das tecnologias em condições reais de cultivo, bem como a difusão do conhecimento gerado pela pesquisa. As Unidades Demonstrativas funcionarão como vitrines tecnológicas, permitindo avaliar o desempenho de diferentes materiais genéticos nas condições edafoclimáticas da região e apoiar a tomada de decisão dos cafeicultores. A iniciativa reforça o papel da Epamig na promoção de uma cafeicultura mais produtiva, adaptada e sustentável, contribuindo diretamente para o desenvolvimento econômico e social da região.

Exportações de mel recuam em volume, mas avançam em valor em 2025

As exportações brasileiras de mel in natura totalizaram 34.468 toneladas em 2025, representando uma queda de 9,1% em volume em relação a 2024. Ainda assim, o setor apresentou um desempenho financeiro positivo: a receita alcançou US$ 116,47 milhões, crescimento de 15,8% na comparação anual. Esse resultado reflete, sobretudo, a valorização do mel brasileiro no mercado internacional. O preço médio de exportação subiu 27,5%, atingindo US$ 3.379 por tonelada, o que compensou parcialmente a retração nos embarques e reforçou a competitividade do produto nacional. No cenário regional, Minas Gerais destacou-se como principal estado exportador, com 7.722 toneladas e US$ 26,38 milhões em receita, registrando preço médio superior à média nacional. O dado evidencia a importância da qualidade, rastreabilidade e padronização como diferenciais comerciais. Os Estados Unidos permaneceram como principal destino do mel brasileiro, concentrando 84,2% do volume exportado em 2025. O país importou 29.026 toneladas, com receita de US$ 97,78 milhões, mantendo preços elevados mesmo diante das restrições comerciais em vigor. Apesar do avanço na receita, o setor apícola encerra o ano sob um ambiente de incerteza. A manutenção da tarifa sobre o mel brasileiro nos EUA, aliada a desafios logísticos e sanitários, limita o crescimento no curto prazo e reforça a necessidade de diversificação de mercados e estratégias comerciais mais robustas. Diante desse cenário, o futuro das exportações de mel dependerá cada vez mais da abertura de novos destinos, do fortalecimento das negociações internacionais e do posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de mel de alto valor agregado.

Na temporada de geadas na região produtora de citros da Flórida, as temperaturas congelantes criam uma capa de gelo que cobre as laranjeiras - Foto: Matt Stroshane/Getty Images
Na temporada de geadas na região produtora de
citros da Flórida, as temperaturas congelantes criam
uma capa de gelo que cobre as laranjeiras
Foto: Matt Stroshane/Getty Images

Clima frio na Flórida deve prejudicar pomares de laranja

Desde o fim de janeiro e o início de fevereiro, o estado da Flórida, nos Estados Unidos, tem registrado temperaturas extremamente baixas. Esse cenário vem gerando forte preocupação no setor, tendo em vista a já limitada produção cítrica local. A atual onda de frio amplia os riscos ao pomar, sobretudo porque a exposição das árvores a temperaturas abaixo do ponto de congelamento por períodos superiores a quatro horas pode causar danos significativos tanto à estrutura das plantas (células do tronco e galhos) quanto às folhas e aos frutos. Diante desse cenário, citricultores passaram a adotar medidas de proteção, como a irrigação por aspersão, com o objetivo de formar uma camada isolante de gelo, além do uso de aquecedores nas lavouras. Ainda assim, a eficácia dessas estratégias é limitada quando as condições de frio intenso se mantêm por períodos prolongados. Nesta semana, as temperaturas já voltaram a subir na Flórida, e chuvas devem ser registradas nos próximos dias com a chegada de uma frente fria. Nesse contexto, apenas com o passar dos dias que os impactos à produção local poderão ser melhor contabilizados.

Novo painel do Zarc moderniza consulta e reforça gestão de riscos na agricultura

O Painel de Indicação de Riscos do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) foi atualizado para oferecer interface mais moderna, navegação intuitiva e maior desempenho, facilitando a consulta às informações técnicas usadas no planejamento agrícola em todo o Brasil. A nova versão prioriza a experiência do usuário, com organização visual mais clara e respostas mais rápidas, o que agiliza a identificação das janelas de semeadura e dos municípios indicados ao plantio, conforme as portarias oficiais do Zarc publicadas no Diário Oficial da União. Para acessar os resultados, o usuário deve selecionar filtros como Safra, Cultura, Grupo de Cultivar, Tipo de Solo, Clima, Manejo e Unidade da Federação. Após aplicar os filtros, o sistema exibe o mapa com as áreas aptas ao plantio. A análise detalhada do risco por decêndio (períodos de 10 dias) está disponível na opção “Tábua de Risco”.

Balança comercial tem superávit em janeiro

A balança comercial brasileira encerrou janeiro de 2026 com superávit de US$ 4,343 bilhões, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC). O resultado reflete exportações de US$ 25,153 bilhões e importações de US$ 20,81 bilhões, mas representa uma redução significativa em relação ao saldo positivo de US$ 9,633 bilhões registrado em dezembro de 2025. O desempenho ficou abaixo da mediana das expectativas do mercado, que projetava superávit de US$ 4,8 bilhões. As estimativas variavam entre US$ 3,46 bilhões e US$ 6,10 bilhões, indicando um cenário de maior cautela entre os agentes econômicos. Na comparação com janeiro de 2025, as exportações totais recuaram 1,0%. O setor de Agropecuária apresentou crescimento de 2,1%, alcançando US$ 3,872 bilhões, enquanto a Indústria Extrativa registrou queda de 3,4%, somando US$ 7,072 bilhões. Já a Indústria de Transformação teve leve retração de 0,5%, com embarques de US$ 14,082 bilhões. As importações caíram 9,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, movimento que contribuiu para o saldo positivo do mês. As compras externas da Agropecuária recuaram 28,7%, totalizando US$ 439 milhões, enquanto a Indústria Extrativa teve retração de 30,2%, com US$ 770 milhões. A Indústria de Transformação também apresentou queda, de 8,02%, com importações de US$ 19,446 bilhões. O resultado de janeiro sinaliza moderação no comércio exterior brasileiro, influenciada pela desaceleração das exportações e pela forte retração das importações. Para empresas, investidores e analistas, os dados reforçam a importância de acompanhar a composição setorial do comércio exterior e os impactos sobre câmbio, atividade econômica e competitividade industrial.

Ministro Carlos Fávaro recebe a ministra da Agricultura da Federação da Rússia, Oksana Lut - Foto: Percio Campos/Mapa
Ministro Carlos Fávaro recebe a ministra da
Agricultura da Federação da Rússia, Oksana Lut
Foto: Percio Campos/Mapa

Fávaro se reúne com Ministra da Agricultura da Rússia

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, reuniu-se com a ministra da Agricultura da Federação da Rússia, Oksana Lut. O diálogo teve como foco o fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países, marcada pela complementariedade produtiva, pelo expressivo fluxo comercial e pela cooperação técnica contínua no setor agropecuário. Na ocasião, foram discutidos temas relacionados ao comércio de carnes de aves, com ênfase na importância do reconhecimento da regionalização e da compartimentação em eventos sanitários. A medida visa evitar interrupções amplas do comércio em razão de ocorrências localizadas, em consonância com os padrões internacionais. Também foi manifestado interesse em avançar na habilitação de plantas brasileiras para a exportação de pescado ao mercado russo. Fávaro reiterou o compromisso do Brasil em avançar na certificação eletrônica veterinária, destacando o instrumento como fundamental para a modernização dos processos, a redução de riscos logísticos e o aumento da eficiência bilateral. Outro ponto abordado foi o incentivo ao intercâmbio entre estudantes brasileiros e russos, com o objetivo de promover a troca de conhecimento e experiências nas diferentes formas de produção agropecuária.

Dino suspende pagamento de penduricalhos nos Três Poderes

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão do pagamento dos chamados “penduricalhos”, benefícios que são concedidos a servidores públicos e que não cumprem o teto remuneratório constitucional, de R$ 46,3 mil. A suspensão vale para os Três Poderes. Pela decisão, os Três Poderes têm prazo de 60 dias para revisar e suspender pagamento das verbas indenizatórias sem base legal. Na decisão, Flávio Dino afirmou que há um “fenômeno da multiplicação anômala” de verbas indenizatórias incompatíveis com a Constituição. Ele cita o pagamento de “auxílio-peru” e “auxílio-panetone” (benefícios extras de fim de ano) como exemplos de ilegalidade. O ministro ainda enfatizou que, seguramente, tal amplo rol de “indenizações”, gerando supersalários, não possui precedentes no direito brasileiro, tampouco no direito comparado, nem mesmo nos países mais ricos do planeta. A suspensão deve ser cumprida em todo o país e vale para o Judiciário, Executivo e Legislativo federais e estaduais.