Sensores e inteligência artificial ajudam a identificar sinais precoces, melhorar o manejo e elevar o bem-estar na equinocultura
O chip em cavalos no Brasil é amplamente associado à identificação e à rastreabilidade, mas começa a ganhar uma função estratégica: apoiar o monitoramento da saúde e bem estar equino. Soluções que combinam sensores, conectividade e inteligência artificial acompanham indicadores fisiológicos e comportamentais, constroem um histórico do animal e apontam alterações antes que o problema se torne visível. A adoção do monitoramento ainda está no início, porém tende a crescer com a popularização de plataformas conectadas e softwares em nuvem, que reduzem custo e complexidade.
Na rotina de muitos criadores, o microchip segue ligado ao registro oficial, principalmente em raças como o puro-sangue inglês e o quarto de milha. O dispositivo funciona como uma identidade eletrônica, associada a dados de registro e genealogia. No puro-sangue inglês por exempo, o chip é implantado por um inspetor da associação da raça no momento do registro. Nesse formato, o objetivo é controle e rastreabilidade, sem acompanhamento direto de atividade, desempenho ou saúde.
Como sensores e IA ajudam a antecipar problemas de saúde
O avanço acontece quando chips e sensores passam a coletar dados automaticamente e de forma contínua. Entre as informações monitoradas estão nível de atividade, temperatura corporal e padrões de comportamento. A inteligência artificial compara esses registros com o histórico do próprio animal e identifica desvios que podem indicar desconforto, inflamação, dor, estresse ou início de doença.

do cavalo, localizado logo abaixo da crina e
aproximadamente a meio caminho entre a cernelha e a
nuca, no lado esquerdo, e não podem ser removidos facilmente
Esse modelo favorece a detecção precoce de alterações fisiológicas e comportamentais, muitas vezes antes de sinais clínicos claros. Mudanças de marcha, queda de atividade e variações de comportamento podem ser identificadas com maior precisão, permitindo intervenção mais rápida e reduzindo custos ligados a tratamentos tardios.
Além disso, a análise baseada em dados diminui a subjetividade nas avaliações clínicas. Com parâmetros objetivos e comparáveis ao longo do tempo, veterinários e responsáveis pelo manejo ganham apoio para decisões mais seguras, desde ajustes de rotina até encaminhamentos para exames. Apesar das vantagens, o monitoramento por chip e sensores ainda aparece com mais frequência em centros de treinamento e haras com animais de alto valor econômico. É comum que tecnologias novas se concentrem primeiro onde o retorno do investimento é mais evidente.
Com plataformas mais simples, relatórios automatizados e integração em nuvem, soluções de monitoramento começam a chegar a diferentes perfis de criadores. O movimento é impulsionado pela busca por prevenção, eficiência no manejo e bem-estar animal, além da necessidade de detectar problemas mais cedo para reduzir perdas e complicações.
Pesquisas brasileiras e legislação: o que está no radar
O tema também avança em estudos no Brasil. Em 2025, um trabalho publicado na revista científica Lumen et Virtus (LEV), do grupo New Science, avaliou o uso de inteligência artificial no acompanhamento da saúde de cavalos da Polícia Militar do Paraná, indicando viabilidade para gerar alertas e relatórios sobre condições fisiológicas.

vinculada ao cadastro do animal (nome, proprietário,
histórico) em plataformas de monitoramento
Na legislação, ainda não existe uma lei federal que obrigue chip em cavalos para monitoramento de saúde. Há propostas estaduais voltadas à identificação eletrônica e ao trânsito de equinos, como projetos no Rio Grande do Sul e em Sergipe. No âmbito federal, o Ministério da Agricultura e Pecuária discute um sistema integrado de identificação e rastreamento de equídeos, com possíveis padrões nacionais e passaporte equino, voltados principalmente ao controle sanitário e à movimentação.
Procedimento e desafios no campo
A implantação do microchip é feita por médicos-veterinários, geralmente na região do pescoço, sob a pele, em clínicas, associações ou programas oficiais. Para o monitoramento inteligente, desafios como conectividade em áreas rurais, capacitação para interpretar dados e investimento inicial ainda limitam a expansão.
Mesmo assim, a tendência é de crescimento do uso de tecnologias baseadas em dados na equinocultura. Com o tempo, a expectativa é que o chip deixe de ser apenas um recurso de identificação e passe a atuar também como ferramenta de prevenção, ajudando a proteger a saúde do animal, reforçar o bem-estar e melhorar a eficiência do manejo.
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