Manchetes da semana – 10 a 16-01-2026

Trump tarifa quem negocia com Irã

Trump declarou que qualquer país que faça negócios com o Irã vai pagar tarifa de 25% em todas as transações com os EUA. A decisão tem efeito imediato e não abre espaço para recurso. Isso poderá afetar muito o Brasil. Em 2025, o Brasil teve superávit de US$ 2,8 bilhões com o Irã. Foram US$ 2,9 bilhões em exportações, contra apenas US$ 84,6 milhões em importações. A corrente de comércio ficou perto de US$ 3 bilhões. É pouco no total do comércio exterior brasileiro, mas é extremamente concentrado em grãos. O ponto mais sensível está no milho. O Irã é o principal cliente do milho brasileiro. O Brasil encerra sua temporada de exportação de milho em fevereiro. O grosso dos embarques para o Irã ganha força a partir de setembro. Ainda não há detalhes operacionais de como esse tarifaço vai ser aplicado, mas o mercado já começa a fazer conta. Se o Brasil mantiver esse fluxo com o Irã, entra no radar das tarifas dos EUA. Se reduzir, sobra milho aqui dentro. Dependendo das consequências, o mercado vai ter que reprecificar risco geopolítico junto com fluxo físico.

Acordo UE Mercosul é aprovado

O acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul superou sua etapa política mais decisiva e foi oficialmente aprovado no Conselho da UE, abrindo caminho para a assinatura do tratado entre os dois blocos. A decisão encerra um processo de 25 anos de negociações e representa um marco histórico para o comércio internacional envolvendo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além dos 27 países europeus. A aprovação ocorreu após votação dos embaixadores dos Estados-membros, mesmo com votos contrários de França, Polónia, Áustria, Irlanda e Hungria, além da abstenção da Bélgica. Como não se formou uma minoria de bloqueio que represente 65% da população da União Europeia, o acordo passou no procedimento escrito, garantindo que o texto possa agora ser formalmente assinado. Com essa etapa concluída, o acordo entra em sua fase política mais sensível, a ratificação pelo Parlamento Europeu e, em alguns países, também pelos parlamentos nacionais, o que deve ocorrer ao longo dos próximos meses. Essa segunda votação será decisiva, pois é nela que o acordo poderá ser confirmado ou travado definitivamente. A França já sinalizou que tentará barrar a ratificação, alegando riscos para seus agricultores devido ao aumento de importações de produtos do Mercosul. Mesmo assim, a Comissão Europeia e países como Alemanha e Espanha afirmam que o tratado é estratégico para diversificar mercados, reduzir a dependência da China e fortalecer a posição econômica da europa. Se ratificado, o acordo integrará dois dos maiores blocos econômicos do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Trata-se do maior acordo comercial negociado pelo Mercosul e um dos maiores dentre aqueles pactuados pela União Europeia com parceiros comerciais, abrindo novas oportunidades para exportadores e investidores dos dois lados do Atlântico, podendo gerar um aumento de até US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras para o bloco europeu. A União Europeia já é o segundo maior parceiros comercial do Brasil, atrás apenas da China, com fluxo considerado equilibrado entre exportações e importações. O Mercosul é importante para o abastecimento da europa devido à sazonalidade invertida. Enquanto o hemisfério norte enfrenta invernos rigorosos limitantes para a produção agrícola, o Mercosul, em região tropical e subtropical, produz o ano inteiro, uma complementaridade que cria oportunidades mantendo oferta contínua de alimentos. O acordo também abre espaço para novas frentes de cooperação, especialmente nos setores de combustíveis sustentáveis para aviação, transporte marítimo, mobilidade híbrida e tecnologias industriais, passo decisivo rumo a uma economia mais integrada, sustentável e inovadora. Por outro lado, agricultores franceses vêm realizando protestos e tratoraços para tentar impedir acordo. Segundo eles, o acordo ameaça a agricultura local ao criar concorrência desleal com importações sul-americanas mais baratas.

Extrativista com um punhado de frutos de açaí nas mãos

Açaí é reconhecido como fruta nacional

O açaí passou a ser reconhecido como fruta nacional. É o que determina a Lei 15.330, de 07 de janeiro de 2026, publicada no Diário Oficial da União. A expectativa é que a medida reforce a identidade do açaí como produto brasileiro e evite a biopirataria. A nova norma teve origem em um projeto de lei do Senado: o Projeto de Lei do Senado nº 2, de 2011. Aprovado pelo Senado em 2011, o projeto foi votado pela Câmara dos Deputados(https://www.camara.leg.br/) no final do ano passado. O texto alterou a Lei nº 11.675, de 19 de maio de 2008, que já reconhecia o cupuaçu como fruta nacional. Típico da Amazônia, o açaí é o fruto do açaizeiro (Euterpe oleracea). Sua polpa é usada como alimento e também em cosméticos. As sementes são usadas no artesanato e como meio de energia, substituindo a madeira. Do caule pode se extrair o palmito, enquanto as raízes podem ser utilizadas como vermífugo. A nova lei pode reforçar a identidade do açaí beneficiando os produtores da Amazônia, podendo evitar a biopirataria. Em 2003, uma empresa japonesa chegou a patentear o açaí, mas em 2007 o governo brasileiro conseguiu cancelar esse registro.

Publicação americana inclui queijo brasileiro na lista de melhores do mundo

Produzido em Santa Catarina com características artesanais bem definidas, o queijo Morro Azul, da Queijos Pomerode, ganhou destaque internacional. A iguaria foi incluída pela Culture Magazine, uma das revistas mais importantes dos Estados Unidos, na lista dos melhores queijos do mundo de 2026. E detalhe: é o único brasileiro. Segundo a publicação americana que reuniu outros 64 produtos feitos com leite de vaca, cabra, ovelha e búfala, a seleção foi elaborada com base nos resultados das principais competições do ano passado. Entre elas estão: American Cheese Society Judging & Competition, Good Food Awards, Great Taste Awards, Mundial do Queijo do Brasil, United States Championship Cheese Contest e World Cheese Awards. O Morro Azul é produzido com leite de vaca e envolto em uma cinta de madeira durante a maturação, técnica que garante casca firme, massa cremosa e sabor salgado com notas amanteigadas e lácteas predominantes. Para consumo harmonizado, a marca catarinense recomenda cervejas maltadas ou vinho chablis fresco.

Brasil tem cerca de 30 milhões de animais domésticos abandonados

O mês de dezembro é dedicado à campanha de conscientização Dezembro Verde, para lembrar da importância do cuidado responsável com animais domésticos. A data não é aleatória, pois o período de festas é considerado o de maior incidência de abandonos, além de ser de maior risco para fugas, em razão de maior tempo longe dos humanos de referência e com mais fatores de estresse, como a solta de fogos. A campanha reforça a necessidade de medidas paliativas para o desconforto e a segurança dos animais. A estimativa, estável desde o começo da década, é de 30 milhões de cães, gatos e outras espécies domésticas abandonados. O abandono de animais é considerado crime, conforme a Lei nº 9.605, de 12 de feveriro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais), e que notificações devem ser feitas aos órgãos de segurança pública e de proteção animal e o Disque Denúncia Animal dos estados e municípios. O abandono de animais pode levar a pena de até 1 ano de prisão, o que é agravado se houver indícios de maus tratos ou risco para a saúde do animal.

O tambaqui (Colossoma macropomum)
O tambaqui (Colossoma macropomum)

China ultrapassa o Brasil e se torna a líder mundial na produção de tambaqui

Durante décadas, o tambaqui (Colossoma macropomum) foi considerado um símbolo da fauna aquática brasileira. Nativo da bacia amazônica, o peixe sempre teve papel central na pesca e na piscicultura da região norte, além de presença marcante na alimentação regional. Criado principalmente em viveiros escavados e comercializado em feiras locais, o tambaqui era visto como um produto essencialmente nacional, associado à cultura e à economia amazônica. Esse cenário, no entanto, começou a mudar silenciosamente. O peixe ganhou projeção internacional e passou a integrar cadeias globais de produção aquícola. Atualmente, a China lidera a produção mundial de tambaqui em volume e exportação, superando o Brasil. O país asiático assumiu a dianteira em escala produtiva, apesar de o Brasil seguir como centro de origem e desenvolvimento tecnológico da espécie. A mudança reflete um planejamento industrial agressivo, aliado à capacidade chinesa de produção em larga escala e integração logística eficiente. O tambaqui deixou de ser um peixe regional para se tornar uma commodity aquícola global. A estratégia chinesa inseriu a espécie em um modelo voltado ao abastecimento do mercado interno e à exportação contínua de proteína aquática. A FAO indica que a expansão da aquicultura chinesa ocorre de forma consistente desde os anos 2000, com forte apoio estatal, investimentos em pesquisa aplicada e políticas voltadas à segurança alimentar. Nesse contexto, a incorporação do tambaqui à matriz produtiva chinesa reflete uma estratégia de diversificação de espécies cultivadas, reduzindo riscos produtivos e ampliando a oferta global de proteína de peixe, enquanto reforça a dependência do conhecimento genético e científico originalmente desenvolvido no Brasil.

Patagônia vive pior tragédia ambiental em 20 anos

A Patagônia argentina enfrenta, neste início de 2026, a mais grave tragédia ambiental registrada na região em pelo menos duas décadas. Incêndios florestais de grandes proporções já devastaram mais de 12 mil hectares apenas na região andina da província de Chubut, provocando a evacuação de ao menos 3 mil pessoas, destruindo casas, áreas produtivas e avançando sobre florestas nativas de altíssimo valor ecológico. O desastre ocorre em meio a um forte desmonte do orçamento ambiental promovido pelo governo argentino, que reduziu drasticamente os recursos destinados à prevenção e ao combate a incêndios florestais, segundo dados oficiais e análises divulgadas pela imprensa argentina. De acordo com balanços consolidados por governos provinciais, os focos mais severos concentram-se nos arredores de El Hoyo, Epuyén e Puerto Patriada, na chamada Comarca Andina do Paralelo 42. Autoridades locais classificam o episódio como o mais destrutivo desde o início dos anos 2000, superando incêndios registrados em 2015 e 2021, tanto em área queimada quanto em impacto social e ambiental. A velocidade de propagação do fogo, impulsionada por ventos fortes e condições de seca, agravou a destruição em zonas de interface entre floresta e áreas habitadas, ampliando o número de desalojados e os prejuízos materiais. O presidente Javier Milei e aliados locais, como o governador Ignacio Torres, da província de Chubut, vêm sugerindo publicamente que comunidades mapuche estariam envolvidas em ações criminosas ligadas aos incêndios. A acusação, no entanto, foi rebatida pelo fiscal Álvaro Yañez, que afirmou à imprensa local não haver qualquer indício que relacione os povos originários ao início dos incêndios. Organizações populares e lideranças indígenas denunciam que a ofensiva faz parte de um projeto mais amplo de despojo territorial. O objetivo, segundo denunciam, seria fragilizar a presença dos povos originários em regiões estratégicas, onde avançam interesses ligados à mineração, ao fracking de petróleo e gás, à especulação fundiária e à privatização de recursos naturais como a água. Em meio à destruição ambiental e à repressão, comunidades mapuche têm atuado na linha de frente do combate ao fogo. Além de ajudar a conter as chamas, são também responsáveis por organizar redes de apoio e assistência às famílias atingidas, enquanto enfrentam o racismo, a violência institucional e a estigmatização nos discursos oficiais. Embora incêndios florestais façam parte do histórico ambiental da Patagônia, especialistas alertam que a recorrência e a intensidade dos episódios aumentaram de forma significativa nos últimos anos, em um contexto marcado por mudanças climáticas, estiagens prolongadas e falhas estruturais nas políticas de prevenção.

Petrobras retoma produção de fábricas de fertilizantes

A Petrobras retoma a produção de fertilizantes nitrogenados no nordeste do país. Juntas, as fábricas de fertilizantes (FAFEN) nitrogenados de Sergipe e Bahia vão produzir amônia, ureia e ARLA 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo), com investimentos iniciais de R$ 38 milhões em cada unidade. Só de ureia as unidades têm capacidade para produzir 3,1 mil toneladas por dia, o que corresponde a 12% do mercado nacional. Em Sergipe, no município de Laranjeiras, a unidade que produzia amônia desde 31 de dezembro de 2025, começou a produzir ureia no dia 3 de janeiro. A unidade tem capacidade para produzir 1,8 mil toneladas de ureia por dia, o equivalente a 7% do mercado nacional. A fábrica da Bahia, em Camaçari, concluiu a manutenção em dezembro de 2025 e passa agora pela fase de comissionamento. A expectativa é que a produção de ureia tenha início na unidade no fim de janeiro. A fábrica da Bahia tem capacidade para produzir 1,3 mil toneladas de ureia por dia, o equivalente a 5% do mercado nacional. A operação na Bahia inclui ainda os terminais marítimos de amônia e ureia no Porto de Aratu, em Candeias (BA). A produção de nitrogenados vai ajudar a reduzir a dependência do Brasil por fertilizantes importados. Atualmente, toda a ureia consumida no Brasil é importada. Com a retomada da produção nacional, a Petrobras amplia a oferta do insumo no mercado interno, reduz a dependência externa e fortalece a cadeia produtiva do agronegócio. A retomada da produção das fábricas gera 1.350 empregos diretos e 4.050 empregos indiretos.

Parque Nacional do Iguaçu (PR), um dos mais visitados do Brasil, contará com investimentos de R$ 600 milhões - Foto: Joel Rocha
Parque Nacional do Iguaçu (PR), um dos mais visitados do Brasil,
contará com investimentos de R$ 600 milhões – Foto: Joel Rocha

Parna Iguaçu lança programa com R$ 600 milhões em investimentos

O Parque Nacional do Iguaçu iniciou uma nova etapa de seu planejamento estratégico com o lançamento do Parque 2030, programa que prevê R$ 600 milhões em investimentos até o fim da década. A iniciativa foi apresentada durante a abertura oficial das comemorações pelos 87 anos da unidade de conservação, no Centro de Visitantes, reunindo autoridades, gestores e parceiros institucionais. O plano foi desenvolvido pela Urbia+Cataratas, concessionária responsável pela visitação turística, em conjunto com o ICMBio, e tem como objetivo consolidar o parque como referência global em turismo responsável, inovação e conservação da biodiversidade. Criado em 10 de janeiro de 1939, o Parque Nacional do Iguaçu é reconhecido internacionalmente pela gestão de áreas protegidas e pela preservação da Mata Atlântica. Em 2025, alcançou um novo recorde histórico, com mais de 2,05 milhões de visitantes, crescimento de 8,7% em relação ao ano anterior, superando inclusive os números do período pré-pandemia. A concessionária vem ampliando o portfólio de experiências do parque. Já foram entregues a Ciclovia das Cataratas, o Circuito São João, o Espaço Usina, trilhas revitalizadas e novos roteiros que permitem a visitação ao amanhecer, ao pôr do sol e à noite, além da implantação de dois novos restaurantes. Até 2030, o programa prevê projetos estruturantes, como o Circuito de Aventura, com trilhas suspensas, tirolesas e torres de observação; a revitalização completa da Trilha das Cataratas, com novos mirantes e ampliação da passarela da Garganta do Diabo; e a requalificação do Espaço Porto Canoas, que ganhará novo conceito arquitetônico e áreas para eventos. O plano também contempla a expansão da visitação para outros polos no entorno, levando infraestrutura e oportunidades a municípios como Capanema, São Miguel do Iguaçu e Céu Azul.

Esalq inaugura Centro de Agricultura Tropical Sustentável

A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) inaugurou a sede do Sustainable Tropical Agriculture Center (Stac/USP). A Resolução 8383, criou e designou em 09 de março de 2023, Durval Dourado Neto, professor do Departamento de Produção Vegetal da instituição, como coordenador do Centro. O Stac tem como missão promover a contínua interação entre as unidades da USP e Instituições públicas e privadas no Brasil e no exterior, realizando e coordenando a organização de estudos colaborativos entre áreas complementares, de forma a articular soluções estratégicas e inovadoras capazes de promover a prosperidade do país, a partir da agricultura tropical sustentável. Além disso, o Centro de Agricultura Tropical Sustentável busca desenvolver diagnósticos e prognósticos com foco em segurança alimentar, alimento seguro e no papel do Brasil na produção e no consumo de alimentos no cenário global. Pretende, ainda, propor soluções estratégicas em políticas públicas e projetos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas.

Começa a construção da nova sede da Embrapa Maranhão

Começaram as obras de construção da sede da Embrapa Maranhão em uma área de 23 hectares do campus Maracanã do Instituto Federal do Maranhão (Ifma), em São Luís (MA), doada pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU). A área construída será de 1,1 hectare, somando a área da unidade e do campo experimental, a um custo de R$ 43,9 milhões, vindos de recursos do Novo Plano de Aceleração e Crescimento (PAC). O governo do Maranhão e a bancada federal do estado aportaram, respectivamente, R$ 10 milhões e R$ 5 milhões. A obra deve ser entregue em até 24 meses, considerando que o projeto da foi desenhado para exigir menor complexidade estrutural. O planejamento da nova sede nasceu da busca criteriosa pela área ideal que pudesse abrigar, com adequação e visão de longo prazo, as atividades do centro de pesquisa. As contratações dos projetos de arquitetura e engenharia e, posteriormente, da execução da obra, se apoiaram em experiências recentes e bem-sucedidas de outras unidades da Embrapa, como a Embrapa Alimentos e Territórios, incorporando práticas mais modernas e eficazes de gestão pública. A construção da sede definitiva da Embrapa Maranhão terá laboratórios com capacidade de determinar carbono e gases de efeito estufa, avaliação de alimentos para nutrição animal e humana, planta piloto para desenvolvimento de novos alimentos, microbiologia para suporte à área de alimentos quando para prospecção de biológicos de interesse agrícola, química vegetal, além de uma estrutura inovadora de living lab para cocriação e desenvolvimento de inovações sociais. Para isso, pesquisadores, analistas, técnicos e assistentes das áreas de produção animal e vegetal, além de engenheiros químicos e de alimentos, microbiologistas, especialistas em avaliação de serviços ecossistêmicos, inovação social, dentre outros estão sendo contratados.

Cajueiro BRS 805

Embrapa oferta clone BRS 805 de cajueiro para viveiristas

A Embrapa abriu edital para oferta de material propagativo do novo clone de cajueiro BRS 805. Recomendado para o litoral do estado do Ceará e áreas afins, a cultivar apresentou alta produtividade de castanha e de pedúnculo, resistência a diversas doenças e padrão das castanhas adequado para o mercado internacional. Podem participar do edital viveiristas com inscrição ativa para cajueiro no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem). Serão ofertados vinte lotes compostos por cinquenta garfos de plantas básicas da cultivar, ao valor de R$ 100 cada. Cada viveirista poderá adquirir um lote. Após a distribuição para viveiristas, o material deverá chegar aos produtores no próximo ciclo produtivo. A existência de mais um clone contribui para a diversificação nos pomares, o que é importante para a convivência com pragas e doenças e para a sustentabilidade do negócio a longo prazo. Este é o 14º clone desenvolvido pelo Programa de Melhoramento Genético do Cajueiro da Embrapa Agroindústria Tropical. O BRS 805 foi avaliado sob cultivo de sequeiro no Ceará e entre seus 5º e 7º anos, produziu o dobro de castanha e de pedúnculo quando comparado à cultivar mais adotada pelos produtores, com o registro de 1800 Kg/ha de castanha e uma média anual de 23,8 toneladas/ha de pedúnculo. A castanha é adequada para o mercado internacional e o pedúnculo vermelho, com formato cônico, é recomendado, preferencialmente, para o processamento industrial. A cultivar, de porte baixo-médio, adaptou-se bem ao clima e solo do litoral cearense, sendo adequada para ambientes predominantemente semiáridos. Seu florescimento começa em junho e a produção se estende de setembro a dezembro, em condições normais de estação chuvosa. O espaçamento ideal é de 8 x 8, em sistema quadrado, resultando em 156 plantas por hectare. A cultivar apresentou maior segurança fitossanitária em comparação ao clone testemunha, o que pode se traduzir em menor custo de produção e maior segurança do alimento. Possui maior resistência ao oídio e se mostrou resistente ao mofo-preto, à antracnose e à septoria. O clone é adaptável a áreas mecanizadas, a consórcios com culturas anuais e criação de ovinos. Sua conformidade piramidal de copa pode se adaptar a futuros implementos mecanizados de colheita.

IBGE prevê recorde na safra 2025

O Brasil deverá fechar 2025 com safra recorde de 346,1 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas. O resultado representa um aumento de 18,2% em relação a 2024 (292,7 milhões de toneladas). Os dados são da estimativa calculada em dezembro de 2025 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A previsão é de que em 2026, a produção seja menor, totalizando 339,8 milhões de toneladas, declínio de 1,8% em relação a 2025 ou 6,3 milhões de toneladas. Para a safra 2026, o IBGE informou que está incluindo a canola e o gergelim, produtos que vêm ganhando importância na safra de cereais, leguminosas e oleaginosas nos últimos anos, muito embora ainda tenham seu cultivo limitado a poucas unidades da federação.

Governo quer se associar aos árabes para recuperação de pastos

O Ministério da Agricultura pretende apresentar em fevereiro a fundos soberanos árabes uma proposta de investimento em terras no Brasil para apoiar a conversão de pastagens para áreas agrícolas. Como a propriedade de terras por estrangeiros é limitada no Brasil, a ideia é que os investidores estrangeiros possam entrar como cotistas minoritários de fundos de investimento no agronegócio (Fiagros) e se associar a proprietários brasileiros. O Banco do Brasil deverá desenhar a proposta em conjunto com o MAPA o qual pretende criar uma alternativa para a atração de capital estrangeiro para financiar as ações do programa Caminho Verde Brasil, de recuperação de pastagens degradadas. Nos últimos três anos, o governo tem estudado opções para atrair recursos para o programa, que tem como ambição transformar 40 milhões de hectares degradados — o equivalente, hoje, a metade do total de pastos degradados no país — em áreas de agricultura ou floresta. O desafio é encontrar um grande volume de recursos e a baixo custo, uma vez que a conversão de áreas degradadas é cara, e os recursos oferecidos atualmente com subvenção do Tesouro Nacional são escassos. Os países árabes já demonstraram interesse, vendo o plano como uma forma de garantir segurança alimentar para suas populações.

Maior trufa encontrada no Brasil é comprada por restaurante Tuju - Foto: Rodrigo Leão/Fazenda Pecanera Brasil
Maior trufa encontrada no Brasil é comprada por restaurante
Tuju – Foto: Rodrigo Leão/Fazenda Pecanera Brasil

Restaurante compra trufa encontrada no RS por R$ 10 mil o quilo

A maior trufa encontrada no Brasil saiu do ambiente rural de Encruzilhada do Sul (RS) direto para um dos endereços mais prestigiados da gastronomia brasileira: o Tuju, restaurante paulistano com duas estrelas Michelin e eleito, em 2025, o melhor do país pelo Latin America’s 50 Best Restaurants. A iguaria foi comercializada pela Fazenda Pecanera Brasil a R$ 10 mil o quilo, o que resultou em um valor de R$ 2 mil. A trufa da variedade Sapucay foi descoberta por um funcionário da fazenda na primeira semana de janeiro, quando ainda tinha 213 gramas. Em poucos dias, no entanto, o peso caiu para 200 gramas com a perda natural de umidade. Quando a trufa é colhida, a negociação precisa ocorrer o mais rápido possível, porque o produto perde água com o passar dos dias. O quilo da Sapucay custa, em média, entre R$ 8 mil e R$ 10 mil. Já variedades europeias, ainda mais valorizadas no mercado, como a Trufa Branca de Alba, podem chegar a R$ 100 mil o quilo. Ambas, independentemente do preço e conhecidas pelo aroma intenso e sabor marcante, são utilizadas pela alta gastronomia, principalmente, na finalização de pratos. Antes do registro em Encruzilhada do Sul (RS), o título de maior trufa do Brasil pertencia a Caxias do Sul (RS). Em 2021, uma peça de 134 gramas foi encontrada na cidade pelo cachorro Nero, de 11 meses. E assim como o exemplar descoberto agora, a trufa recordista anteriormente também era da variedade Sapucay, com origem norte-americana e boa adaptação ao clima brasileiro. No Brasil, ela passou a se desenvolver em associação com a nogueira-pecã.

Paraná e Santa Catarina reforçam barreiras para importação de tilápia do Vietnã

Os governos do Paraná e de Santa Catarina adotaram recentemente medidas para restringir a entrada de tilápia importada do Vietnã, reforçando, segundo eles, a proteção à produção aquícola local e à sanidade dos plantéis. As decisões envolvem tanto tributação sobre a importação da espécie vietnamita quanto à manutenção de proibições sanitárias. No Paraná, a publicação da Lei Estadual nº 22.962, de 18 de dezembro de 2025 estabeleceu uma alíquota de 22% sobre operações de importação de tilápia. Como informa a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Sistema FAEP), a medida atende a uma demanda que vem alertando para os impactos da concorrência do produto importado sobre a cadeia produtiva da tilapicultura no estado. Segundo a entidade, o setor vive um momento de expansão e precisa de previsibilidade para continuar investindo. Conforme a Secretaria de Comunicação do Estado de Santa Catarina, as preocupações sanitárias também fundamentam a decisão do estado, que manteve a proibição da comercialização de tilápia oriunda do Vietnã. Em reunião online com o embaixador vietnamita no Brasil, Bui Van Nghi, o governo catarinense apresentou estudos técnicos que sustentam a manutenção da medida, mesmo diante do pedido formal de revogação. A proibição está em vigor no estado desde dezembro de 2025.

Americanos querem investigar o agro brasileiro e sua relação com a China

O agronegócio brasileiro, um dos motores da economia nacional e peça-chave no fornecimento global de alimentos, entrou oficialmente no radar estratégico dos Estados Unidos. O Congresso norte-americano aprovou, dentro do Intelligence Authorization Act para o ano fiscal de 2026, uma determinação direta para que a comunidade de inteligência produza um relatório detalhado sobre investimentos e influência da China no setor agrícola do Brasil. Para isso, foi aprovada uma lei para investigar o agro brasileiro. A exigência está descrita na Seção 6705, intitulada “Assessment and report on investments by the People’s Republic of China in the agriculture sector of Brazil”, e obriga a Diretoria de Inteligência Nacional (DNI) a apresentar um mapeamento aprofundado das conexões, ativos e efeitos da presença chinesa no agronegócio brasileiro. A medida marca um novo patamar de atenção geopolítica sobre o agro do Brasil e levanta um alerta importante: quando um tema entra no escopo formal da inteligência e segurança nacional dos EUA, ele passa a ter potencial de gerar desdobramentos diplomáticos, econômicos e até comerciais. Quem está por trás da medida é o senador republicano Tom Cotton, conhecido por sua linha dura em relação à China. A que ponto chega a arrogância americana!!!

Exportações do agro batem recorde em 2025
Exportações do agro batem recorde em 2025

Num novo recorde, exportações do agro garantem superávit histórico

O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com exportações recordes de US$ 169,2 bilhões, segundo dados divulgados. O valor superou o recorde anterior, registrado em 2023. As importações também atingiram o maior patamar da série histórica, somando US$ 20,1 bilhões, o que resultou em superávit de US$ 149,1 bilhões, alta de 2,8% em relação a 2024. O setor manteve relevância estratégica na economia nacional, representando 49% de todas as exportações brasileiras em 2025, consolidando-se como um dos pilares da balança comercial. A soja foi novamente o carro-chefe das vendas externas, com 108 milhões de toneladas embarcadas, crescimento de 10% frente a 2024. Mesmo com a queda de 7% nos preços médios, o complexo soja (grão, farelo e óleo) gerou US$ 52,9 bilhões em receita. O agronegócio brasileiro encerra 2025 com um desempenho sólido, mas enfrenta o desafio de diversificar mercados e ampliar o valor agregado de suas exportações. A tendência para 2026 é de ajuste nos preços internacionais e disputa crescente entre açúcar e etanol, especialmente com o aumento da produção de milho e a demanda global por biocombustíveis.