Planta invasora é detectada e acende alerta fitossanitário

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou a primeira ocorrência da planta invasora Amaranthus palmeri, popularmente conhecida como caruru-palmeri ou caruru-gigante, no estado de São Paulo. A detecção ocorreu na região de São José do Rio Preto, marcando a expansão da praga para além dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde já havia registros anteriores.

Considerada uma praga quarentenária de elevado impacto econômico, a presença do caruru-palmeri em território paulista reforça a necessidade de atenção redobrada por parte de produtores, técnicos e órgãos de defesa agropecuária, especialmente em regiões de agricultura intensiva.

Histórico da praga no Brasil e avanço territorial

O Amaranthus palmeri foi identificado pela primeira vez no Brasil em 2015, no estado de Mato Grosso. Desde então, tornou-se motivo de preocupação crescente devido à sua alta capacidade de adaptação, rápido crescimento e, principalmente, à resistência a múltiplos mecanismos de ação de herbicidas.

Atualmente, a espécie está oficialmente registrada em oito municípios de Mato Grosso e dois municípios de Mato Grosso do Sul. A confirmação em São Paulo representa um novo patamar de risco, dada a relevância do estado na produção nacional de grãos.

Amaranthus palmeri (caruru-palmeri ou caruru-gigante) em lavoura de algodão. Planta daninha tem alto potencial destrutivo - Foto: Fernando Adegas/Embrapa Soja
Amaranthus palmeri (caruru-palmeri ou caruru-gigante) em
lavoura de algodão. Planta daninha tem alto potencial
destrutivo – Foto: Fernando Adegas/Embrapa Soja
Cada planta fêmea pode produzir até um milhão de sementes. Em condições de competição, o número costuma ficar entre 100 e 600 mil. As sementes são pequenas (1-2 mm) e leves, facilitando a dispersão pelo vento, água, animais ou equipamentos agrícolas
Cada planta fêmea pode produzir até um milhão de sementes.
Em condições de competição, o número costuma ficar entre 100
e 600 mil. As sementes são pequenas (1-2 mm) e leves, facilitando
a dispersão pelo vento, água, animais ou equipamentos agrícolas

Área interditada e protocolos de contenção

Segundo o Mapa, a propriedade rural onde a planta foi identificada foi imediatamente interditada. Está proibida a retirada de qualquer material vegetal da espécie, bem como restos culturais, resíduos de limpeza e solo provenientes da área contaminada.

A colheita da soja cultivada no talhão afetado somente será autorizada após a eliminação completa das plantas de Amaranthus spp., conforme os protocolos técnicos definidos pela Coordenadoria de Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo.

Paralelamente, equipes técnicas realizam levantamentos de delimitação, com o objetivo de identificar a extensão da infestação e orientar a adoção das medidas de controle e erradicação necessárias.

Por que o caruru-palmeri representa alto risco à agricultura?

O caruru-palmeri é reconhecido internacionalmente como uma das plantas daninhas mais agressivas do sistema agrícola moderno. Entre suas principais características estão:

  • Crescimento extremamente rápido
  • Elevada produção e viabilidade de sementes
  • Competição intensa por água, luz e nutrientes
  • Resistência a diferentes grupos de herbicidas
A resistência a herbicidas torna caruru-palmeri uma das piores invasoras do século XXI. Seu manejo inadequado pode causar perdas de até 90% na produtividade em culturas como a soja
A resistência a herbicidas torna caruru-palmeri uma
das piores invasoras do século XXI. Seu manejo
inadequado pode causar perdas de até 90% na
produtividade em culturas como a soja

Esses fatores tornam o controle complexo, oneroso e dependente de estratégias integradas, especialmente em culturas como soja, milho e algodão, onde as perdas de produtividade podem ser significativas.

A principal via de disseminação da praga ocorre por meio de máquinas e implementos agrícolas contaminados, além da mistura de sementes infestadas durante o plantio, o que reforça a importância de boas práticas de manejo e biossegurança.

Programa Nacional de Prevenção e Controle do Amaranthus palmeri

Como resposta ao avanço da praga, o Mapa instituiu o Programa Nacional de Prevenção e Controle do Amaranthus palmeri por meio da Portaria SDA/MAPA nº 1.119, de 20 de maio de 2024.

A norma estabelece diretrizes fitossanitárias para prevenção, detecção precoce, delimitação e controle da espécie em todo o território nacional, com foco na proteção da sanidade vegetal e na redução dos impactos econômicos ao setor produtivo.

Segundo o ministério, a iniciativa reforça o compromisso do governo federal com a segurança fitossanitária, a sustentabilidade da produção agropecuária e o cumprimento da legislação vigente, elementos essenciais para a competitividade do agronegócio brasileiro.

Atenção e ação são fundamentais

Diante da confirmação da praga em São Paulo, é fundamental que produtores rurais, consultores técnicos e cooperativas redobrem os cuidados com monitoramento de áreas, higienização de máquinas e aquisição de sementes certificadas. A detecção precoce continua sendo a principal aliada para evitar a disseminação do caruru-palmeri e proteger a produtividade das lavouras.

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