Marcha Anual de Resistência do cavalo crioulo recebe inscrições

Já estão abertas as inscrições para a 24ª edição da Marcha Anual de Resistência do Cavalo Crioulo, uma das mais tradicionais e longevas provas funcionais da equinocultura brasileira, criada em 1971 pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC). O processo de inscrição ocorre por meio da Área Restrita do site oficial da entidade, com prazo estabelecido até 17 de abril, permitindo que criadores e proprietários formalizem a participação de seus animais em uma competição que se destaca pelo elevado nível técnico e rigor zootécnico.

A edição de 2026 será realizada entre os dias 13 e 27 de junho, no município de Bagé, tradicional polo da criação da raça, reunindo exemplares oriundos de diferentes regiões do país. O evento reforça sua relevância como vitrine genética e funcional, ao selecionar conjuntos que comprovam capacidade superior de resistência, rusticidade e eficiência produtiva, atributos historicamente associados à raça.

A etapa de admissão dos animais está programada para 14 de maio, das 8:00 às 16:00, na Estância e Cabanha Cinco Salsos, situada no eixo rodoviário entre Bagé e Aceguá (RS). Após essa fase, os animais permanecerão concentrados no mesmo local até o início da prova, garantindo padronização sanitária, controle nutricional e monitoramento pré-competitivo. Os reprodutores serão alocados na Estância Santo Amaro, assegurando manejo específico conforme sua categoria. Nesta edição, a competição presta homenagem a Paulo Gomes Móglia, nome de referência na história da raça crioula e na consolidação de suas provas funcionais.

Uma das mais tradicionais e longevas provas funcionais da equinocultura brasileira, foi criada em 1971 pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC)
Uma das mais tradicionais e longevas provas funcionais
da equinocultura brasileira, foi criada em 1971 pela
Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC)

Prova funcional: resistência, desempenho e critérios técnicos

A Marcha da Resistência se configura como a modalidade mais antiga instituída pela ABCCC, com o objetivo de avaliar, em condições reais de esforço prolongado, o desempenho dos conjuntos cavalo-cavaleiro. O percurso total atinge aproximadamente 750 quilômetros ao longo de 15 dias, com média diária próxima a 50 km, distribuída em diferentes etapas e turnos, sob acompanhamento contínuo de equipe veterinária especializada.

O regulamento estabelece critérios rigorosos de classificação, sendo considerados finalistas apenas os conjuntos que completarem integralmente o trajeto dentro dos tempos máximos estipulados e em conformidade com as normas técnicas da competição. A premiação contempla os quatro melhores colocados de cada categoria, além de distinções específicas que valorizam atributos funcionais e morfológicos, como Selo de Raça, Melhores Aprumos, Melhor Lombo e Melhores Condições de Seguir Marchando, reforçando o caráter multifatorial da avaliação.

Inserida no chamado “tripé seletivo” da raça, ao lado das provas de Freio de Ouro e Morfologia, a Marcha da Resistência desempenha papel estratégico na validação de características essenciais do cavalo crioulo. Trata-se de uma prova que reproduz, de forma controlada e mensurável, as condições históricas de trabalho nas estâncias do sul do Brasil, onde os animais eram submetidos a jornadas contínuas de deslocamento e manejo por períodos prolongados. Nesse contexto, a competição reafirma a importância de parâmetros como adaptabilidade, resistência fisiológica, integridade estrutural e eficiência energética.

A expectativa para 2026 é de ampla participação de criadores e exemplares de destaque
A expectativa para 2026 é de ampla participação
de criadores e exemplares de destaque

Atualizações regulatórias e avanços em bem-estar animal

O ciclo 2026 incorpora atualizações relevantes no regulamento da prova, refletindo a evolução das práticas de bem-estar animal, biossegurança e governança técnica no setor. Entre as principais mudanças, destaca-se a presença contínua do Inspetor Técnico ao longo de toda a competição, medida que fortalece a padronização dos critérios de avaliação e a transparência dos processos decisórios.

Também foram implementados ajustes nos tempos máximos das etapas, visando maior adequação às condições fisiológicas dos animais e às variáveis ambientais, além da obrigatoriedade de ambulância durante todo o evento, ampliando o nível de segurança para competidores e equipes envolvidas. No campo sanitário, novas diretrizes reforçam o controle rigoroso sobre o uso de substâncias, estabelecendo, por exemplo, que apenas animais não medicados até o momento da coleta poderão concorrer ao prêmio de Melhores Condições de Seguir Marchando, o que eleva o padrão ético e técnico da competição.

Os valores de inscrição foram definidos em R$ 1.848,00 para sócios da entidade e R$ 3.696,00 para não sócios, refletindo a estrutura organizacional necessária para a condução de uma prova de longa duração, com elevado nível de exigência logística, sanitária e técnica.

Ao consolidar-se como uma das provas mais exigentes do calendário equestre nacional, a Marcha Anual de Resistência reafirma seu papel como instrumento de seleção funcional e valorização genética do cavalo crioulo. A expectativa para 2026 é de ampla participação de criadores e exemplares de destaque, em um cenário que combina tradição, inovação regulatória e crescentes padrões de qualidade técnica e bem-estar animal, reforçando a relevância da modalidade para o desenvolvimento sustentável da equinocultura brasileira.

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