Mapa cria canal para notificação de novas pragas

O Ministério da Agricultura e Pecuária instituiu um novo mecanismo operacional de comunicação para reforçar o sistema nacional de defesa vegetal. A Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) passou a disponibilizar um canal exclusivo para recebimento de notificações sobre possíveis ocorrências de pragas quarentenárias, exóticas ou emergentes, ampliando a participação do setor produtivo e da sociedade na proteção fitossanitária do país.

A ferramenta, operacionalizada por meio do e-mail institucional (alertapragas@agro.gov.br), será gerenciada por equipe técnica especializada, responsável pela triagem das informações e eventual acionamento das unidades de vigilância agropecuária. A iniciativa integra a estratégia oficial de detecção precoce e resposta rápida, considerada a forma mais eficiente de reduzir impactos econômicos, ambientais e comerciais associados à introdução de organismos nocivos à produção agrícola.

Vigilância colaborativa como ferramenta de gestão de risco

O novo canal amplia o conceito de vigilância passiva colaborativa ao permitir que produtores rurais, consultores técnicos, empresas, instituições de pesquisa e cidadãos comuniquem suspeitas fitossanitárias diretamente ao governo federal.

Após o recebimento, as notificações passam por avaliação técnica e, quando necessário, podem desencadear:

  • inspeções em campo;
  • coleta oficial de amostras;
  • análises laboratoriais;
  • medidas preventivas ou de contenção.

Agente da Defesa Agropecuária em operação de campo junto a uma produtora rural
Agente da Defesa Agropecuária em operação de campo junto a uma produtora rural

A proposta fortalece o modelo moderno de defesa agropecuária baseado em inteligência territorial e informação descentralizada. O acesso direto reduz o tempo entre a observação de sintomas e a atuação oficial, fator determinante para conter surtos biológicos.

Na prática, quanto menor o intervalo entre detecção e intervenção, menor o custo sanitário e econômico para cadeias produtivas e para o comércio internacional agrícola.

A importância estratégica da detecção precoce

Pragas quarentenárias representam alto risco por possuírem potencial de causar perdas produtivas severas, restrições comerciais e desequilíbrios ambientais. Esses organismos podem incluir:

  • insetos
  • ácaros
  • fungos
  • bactérias
  • vírus
  • nematoides
  • plantas daninhas invasoras

Classificam-se em duas categorias principais:

  • ausentes – sem ocorrência oficial no território nacional;
  • presentes sob controle oficial – detectadas apenas em áreas restritas e monitoradas.

O novo sistema busca aumentar a capacidade nacional de reação frente a ameaças que ainda não ocorrem no país ou apresentam comportamento emergente. A experiência internacional demonstra que programas fitossanitários eficazes dependem de redes de alerta distribuídas — não apenas de fiscalização estatal.

Situação atual das emergências sanitárias no país

No âmbito da Defesa Agropecuária, o Brasil mantém atualmente quatro emergências sanitárias reconhecidas:

A mosca da carambola (Bactrocera carambolae) é uma das pragas mais destrutivas da fruticultura, atacando carambola, manga, goiaba, cítricos e outras, causando queda precoce e apodrecimento dos frutos
A mosca da carambola (Bactrocera carambolae) é uma
das pragas mais destrutivas da fruticultura, atacando
carambola, manga, goiaba, cítricos e outras, causando
queda precoce e apodrecimento dos frutos

Fitossanitárias (ocorrência restrita):

  • mosca-da-carambola
  • monilíase
  • vassoura-de-bruxa da mandioca

Zoossanitária:

  • influenza aviária (sem registro em granja comercial desde maio de 2025)

O monitoramento contínuo dessas ocorrências demonstra a relevância de sistemas de alerta antecipado para evitar expansão geográfica e impactos econômicos mais amplos.

Quando comunicar suspeitas

A comunicação deve ocorrer sempre que forem observados:

  • sintomas desconhecidos ou atípicos em plantas;
  • presença de organismos incomuns na região;
  • danos incompatíveis com pragas já conhecidas localmente;
  • sinais de possível introdução biológica recente.

Não é necessária confirmação técnica prévia. O princípio do sistema é preventivo: qualquer suspeita relevante deve ser registrada.

Como realizar a notificação

A mensagem deve conter informações mínimas para análise inicial:

  • descrição detalhada do problema observado;
  • município, local e data da ocorrência;
  • imagens ou vídeos, quando disponíveis;
  • informações adicionais relevantes (cultivar, estágio fenológico, histórico da área);
  • dados de contato do comunicante.

Esses dados permitem direcionar rapidamente equipes de inspeção e definir protocolos laboratoriais adequados.

Impactos econômicos e ambientais da participação do setor produtivo

A colaboração do setor produtivo aumenta significativamente a eficiência do sistema nacional de defesa vegetal. Modelos internacionais demonstram que mais de 70% das detecções iniciais de pragas exóticas ocorrem fora da fiscalização oficial, normalmente por observação de campo.

Produtora rural utilizando a ferramenta através do celular
Produtora rural utilizando a ferramenta através do celular

Assim, a notificação voluntária:

  • reduz custos de erradicação;
  • preserva mercados de exportação;
  • evita barreiras sanitárias;
  • protege biomas agrícolas e naturais;
  • sustenta a competitividade do agronegócio brasileiro.

Ao estruturar um canal direto de comunicação, o governo fortalece a governança sanitária baseada em corresponsabilidade entre Estado e cadeia produtiva, elemento central para países exportadores de alimentos.

A implantação do canal oficial de alerta fitossanitário representa avanço operacional na política de defesa agropecuária brasileira ao integrar produtores e técnicos ao sistema de vigilância. O modelo prioriza detecção precoce, inteligência sanitária e resposta rápida, pilares indispensáveis para reduzir riscos biológicos em um país de dimensão continental e forte inserção no comércio global de alimentos.

A efetividade da iniciativa dependerá da adesão do setor produtivo, cuja participação ativa constitui a principal barreira contra a entrada e disseminação de pragas capazes de comprometer produtividade, sustentabilidade ambiental e acesso a mercados internacionais.

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