Aqui você encontra em notas as últimas e mais importantes notícias semanais do agronegócio nacional e internacional
Diesel dispara em março e acumula alta
O mercado brasileiro de combustíveis registrou, na terceira semana de março de 2026, continuidade no ciclo de elevação dos preços nas distribuidoras, com o diesel assumindo papel central na dinâmica de custos. Dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, baseados em mais de 257 mil notas fiscais eletrônicas, indicam que o movimento deixou de ser pontual para se configurar como pressão estrutural sobre os custos energéticos nacionais. Na primeira semana do mês, o diesel já apresentava alta média próxima de 9%, avançando para mais de 19% na semana seguinte em determinadas variações. No acumulado até 23 de março, o Diesel S10 registra elevação média nacional de cerca de 24,98%, com acréscimo superior a R$ 1,25 por litro, evidenciando uma trajetória consistente de recomposição de preços. Esse cenário reforça o diesel como principal vetor inflacionário no período, dado seu impacto direto sobre o transporte de cargas e, consequentemente, sobre toda a cadeia produtiva, especialmente no agronegócio, ampliando custos logísticos e pressionando margens operacionais.
O mercado de madeira ante as novas tarifas globais
A recente revisão tarifária promovida pelo governo dos Estados Unidos, após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que invalidou a taxação anterior de 40%, reconfigura o ambiente competitivo para as exportações brasileiras de madeira. A redução das tarifas para patamares de até 15% restabelece condições mais equilibradas de preço no mercado internacional, ampliando a competitividade frente a outros fornecedores globais. Apesar do cenário ainda marcado por instabilidade regulatória e incertezas de curto prazo, o movimento sinaliza uma possível retomada das relações comerciais e do fluxo exportador, com impactos diretos na reativação da indústria e potencial recomposição de empregos no setor florestal. Para o agronegócio, a medida reforça a importância de estratégias de adaptação a ambientes regulatórios dinâmicos, mantendo atenção às oscilações políticas e comerciais. Nesse contexto, a consolidação de tarifas reduzidas tende a favorecer a expansão das vendas externas e o fortalecimento da cadeia produtiva da madeira brasileira, desde que haja previsibilidade nas políticas comerciais norte-americanas.

Hofbräu München estreia produção no Brasil
A Hofbräu München, histórica fornecedora da corte bávara e símbolo da Oktoberfest, inicia sua primeira produção fora da Alemanha ao escolher o Brasil como base industrial, impulsionada pelo fato de o país ocupar a terceira posição no consumo global de cerveja. A operação será conduzida pela Bier Wein em parceria com a NewAge Bebidas, instalada em Leme, cuja planta de 20 mil m² possui capacidade anual de 300 mil hectolitros. A produção contará com supervisão direta de mestres cervejeiros alemães, assegurando fidelidade às receitas originais e padrão de qualidade internacional. A nacionalização da produção promove redução da pegada de carbono e dos custos logísticos, ampliando a competitividade e a disponibilidade no mercado interno, com expectativa de queda de até 20% no preço final. Inicialmente, serão produzidas as variedades Weissbier e Lager, mantendo insumos críticos importados, como leveduras e lúpulos, combinados a matérias-primas nacionais. O movimento reforça a atratividade do mercado brasileiro para investimentos industriais e evidencia ganhos de eficiência na cadeia de bebidas.
Brasil abre novos mercados para exportação nessa semana
O governo do Brasil concluiu novas negociações comerciais que ampliam o acesso de produtos agropecuários a mercados estratégicos como El Salvador, Filipinas e Trinidad e Tobago, fortalecendo a inserção internacional do agronegócio. Em El Salvador, a liberação para exportação de carne suína e derivados favorece maior agregação de valor à cadeia produtiva, considerando que, em 2025, o país importou mais de US$ 103 milhões em produtos brasileiros. Nas Filipinas, a autorização para envio de feno seco abre espaço em um mercado de grande escala, com população superior a 112 milhões de habitantes e importações que ultrapassaram US$ 1,8 bilhão em produtos agropecuários brasileiros no último ano. Já em Trinidad e Tobago, a aprovação para exportação de sementes de coco contribui para fortalecimento econômico e recomposição produtiva local, em um mercado que movimentou mais de US$ 61 milhões em compras do Brasil em 2025. Com essas iniciativas, o país atinge 555 aberturas de mercado desde 2023, consolidando uma estratégia de diversificação e expansão comercial.
No meio-oeste catarinense, produtividade do milho aponta para acima de 204 sc/ha
O meio-oeste de Santa Catarina projeta uma safra de milho com elevado desempenho produtivo, conforme levantamento preliminar apresentado durante a 3ª edição do Giro da Safra, realizada em Campos Novos. A produtividade média regional atinge 204,1 sacas por hectare, com destaque para Irani, que lidera com 234 sc/ha, seguido por Joaçaba (220 sc/ha), Concórdia (218 sc/ha), além de Campos Novos (215 sc/ha), Luzerna (214 sc/ha) e Ibicaré (213 sc/ha). A iniciativa, conduzida pela Epagri/Cepa(https://cepa.epagri.sc.gov.br/) em parceria com o Sicoob SC/RS, evidencia que diferenças de produtividade estão diretamente associadas ao manejo agronômico e às condições climáticas, especialmente à regularidade das chuvas. Áreas com melhores resultados adotam práticas técnicas consolidadas, como espaçamento adequado e adubação equilibrada, garantindo maior uniformidade no desenvolvimento das lavouras. Os dados reforçam a importância de informações de campo qualificadas para tomada de decisão estratégica e aumento da eficiência produtiva no agronegócio catarinense.

Comercialização de borracha natural recebe recursos do governo
O governo federal anunciou a destinação de até R$ 22,2 milhões em subvenção econômica para apoiar a comercialização da borracha natural diante do atual cenário de preços deprimidos ao produtor, conforme diretrizes estabelecidas pela Portaria Interministerial MAPA/MF/MPO/MDA nº 39/2026. A operacionalização ocorrerá por meio de leilões públicos conduzidos pela Companhia Nacional de Abastecimento – Conab, utilizando os instrumentos Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), com foco na equalização de preços e garantia de renda. O apoio contempla borracha natural cultivada nas formas de coágulo virgem (53% DRC) e látex de campo (31% DRC), respeitando os preços mínimos vigentes de R$ 4,56/kg e R$ 3,47/kg, respectivamente, para a safra 2025/2026. O Ministério da Agricultura e Pecuária definirá limites de comercialização por produtor, com possibilidade de leilões exclusivos para a agricultura familiar. A medida exclui produção extrativista e áreas específicas da região Norte e de parte de Mato Grosso, mas inclui produtores do Tocantins, com prazo de até 60 dias para execução das operações. A iniciativa reforça mecanismos de sustentação de preços e equilíbrio de mercado, contribuindo para a estabilidade da cadeia produtiva da borracha no Brasil.
Lula discute criação de estatal para explorar terras-raras
O presidente Lula articulou, no âmbito do governo federal, discussões sobre a criação da estatal Terrabrás, voltada à exploração de minerais estratégicos, especialmente terras-raras, insumos críticos para a indústria de eletrônicos e tecnologias avançadas. A proposta em análise prevê um modelo com participação acionária do Estado em empresas do setor e adoção de “golden share” (classe especial de ação que dá ao seu titular, geralmente o Estado, poder de veto sobre decisões estratégicas em empresas privatizadas), garantindo poder de veto em decisões estratégicas e reforçando a soberania nacional sobre recursos minerais. O escopo pode ser ampliado para outros minérios relevantes, como o ferro, ainda em avaliação. Embora o avanço legislativo no Congresso Nacional seja considerado incerto, o debate já influencia a percepção de risco e decisões de investimento no setor mineral brasileiro. Especialistas destacam a necessidade de maior celeridade na definição de diretrizes claras, diante da crescente importância geopolítica das terras-raras e da competição global por esses ativos. Nesse contexto, a iniciativa sinaliza uma tentativa de reposicionar o Brasil na cadeia global de minerais críticos, equilibrando atração de capital privado e controle estratégico estatal.
África do Sul é potencial mercado para móveis brasileiros
De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário – Abimóvel, a África do Sul consolida-se como um mercado estratégico para a indústria brasileira de móveis, impulsionado por mudanças estruturais no padrão de consumo e maior valorização de design, qualidade e sustentabilidade. Em parceria com a ApexBrasil, foi lançado estudo que orienta exportadores a explorar um ambiente mais sofisticado, com foco em valor agregado e diferenciação, em detrimento de volume. Maior economia da África Subsaariana, com PIB de aproximadamente US$ 400 bilhões em 2024, o país ainda depende de importações para cerca de 25% do consumo interno, especialmente em produtos com acabamento superior e atributos sustentáveis. Após retração de 12,4% no volume importado entre 2020 e 2024, o mercado apresenta recuperação consistente, com crescimento de 28% entre 2023 e 2024 e avanço de 19,3% em valor, refletindo recomposição da demanda e preços. O Brasil ocupa a sétima posição entre fornecedores, com 2,1% de participação e trajetória de expansão, indicando oportunidades concretas de consolidação no comércio exterior.

migratórias sob proteção internacional
COP15 amplia a proteção de 40 espécies migratórias em todo o mundo
Realizada em Campo Grande, MS, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15) consolidou avanços relevantes na proteção global de espécies migratórias, rotas ecológicas e habitats críticos, com a inclusão ou reclassificação de 40 espécies nos Apêndices I e II, sendo 16 com ocorrência no Brasil. O resultado reforça o multilateralismo ambiental e posiciona o país como ator estratégico na governança internacional da biodiversidade. Durante a sessão de alto nível, o presidente Lula anunciou medidas de conservação que ampliam áreas protegidas, incluindo o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e a Estação Ecológica do Taiamã, além da criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas, totalizando mais de 148 mil hectares protegidos nos biomas Pantanal e Cerrado. Ao todo, foram aprovadas 69 propostas, incluindo emendas, ações concertadas e resoluções, ampliando instrumentos de cooperação internacional. O desfecho da COP15 fortalece a integração entre produção sustentável e conservação ambiental, tema central para o agronegócio brasileiro em um cenário de crescente exigência por rastreabilidade e responsabilidade socioambiental.
Portaria define regras para produtos do extrativismo sustentável orgânico
Os ministérios Ministério da Agricultura e Pecuária, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e Ministério da Pesca e Aquicultura instituíram, por meio da Portaria Interministerial nº 41/2026, um marco regulatório para produtos oriundos do extrativismo sustentável orgânico, estabelecendo critérios técnicos de identificação, certificação e comercialização no âmbito da sociobiodiversidade. A norma define parâmetros para o manejo de espécies vegetais, animais, fúngicas e aquáticas em ecossistemas naturais ou modificados, assegurando uso responsável dos recursos, conservação da biodiversidade e respeito aos conhecimentos tradicionais. Aplicável a produtos não madeireiros, como frutos, sementes, fibras, cogumelos e resinas, destinados ao mercado orgânico, o regulamento exige a elaboração do Projeto Extrativista Sustentável Orgânico, com detalhamento de práticas de manejo, riscos e mitigação de impactos. A validação caberá a organismos do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica, com análise de critérios como conservação do solo, água e prevenção de contaminações. A medida abrange diferentes territórios, incluindo unidades de conservação e áreas tradicionais, e reforça diretrizes de desenvolvimento socioeconômico local e fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis, com apoio institucional à pesquisa, assistência técnica e organização produtiva.
Mapa prorroga estado de emergência por gripe aviária
A Ministério da Pesca e Aquicultura prorrogou, por meio da Portaria nº 896/2026, o estado de emergência zoossanitária no Brasil por mais 180 dias, em resposta à circulação do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1), mantendo o país em alerta sanitário. A medida preventiva visa assegurar agilidade na contenção e erradicação de focos, além de viabilizar a mobilização de recursos federais e a articulação coordenada com o Ministério da Agricultura e Pecuária, estados, municípios e entidades do setor. Desde o primeiro registro em aves silvestres, em maio de 2023, e o primeiro caso em produção comercial, em maio de 2025, o país contabiliza 188 focos da doença, sendo a maioria em aves silvestres, o que reforça o caráter de vigilância contínua. O cenário exige reforço em biosseguridade, monitoramento epidemiológico e protocolos sanitários, especialmente diante da relevância da avicultura para o agronegócio brasileiro e para o comércio internacional. A prorrogação amplia a capacidade de resposta institucional e contribui para mitigar riscos à produção, à segurança alimentar e às exportações. Acesse mais informações CLICANDO AQUI.

descartados ao mar sem as barbatanas
Ibama proíbe exportação de barbatana do tubarão-azul
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama instituiu nova norma que proíbe a exportação de barbatanas de tubarão-azul (Prionace glauca) separadas do corpo, reforçando o controle sobre o comércio pesqueiro internacional e alinhando o Brasil a compromissos globais, como a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção. Apresentada durante a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias – CMS, a medida estabelece que os animais devem ser desembarcados com barbatanas naturalmente aderidas, combatendo o “finning” (prática ilegal de descartar o corpo do tubarão no mar e manter apenas as barbatanas) e ampliando a rastreabilidade. O regulamento também impõe limite de captura de 20% por cruzeiro, proíbe a retenção de fêmeas e juvenis e veta a pesca direcionada da espécie para exportação. Para autorização das cargas, exige-se licenciamento CITES, comprovação de origem legal e inspeções em recintos aduaneiros específicos, com possibilidade de devolução ou destruição em caso de não conformidade. A iniciativa fortalece o rigor técnico, a fiscalização e a sustentabilidade da cadeia pesqueira, contribuindo para a conservação dos estoques marinhos e para a credibilidade do país no comércio internacional.
Produtores catarinenses de suínos e aves ganham programa de fomento
O programa Coopera Agro SC, do governo de Santa Catarina, disponibilizará até R$ 1 bilhão em financiamentos para produtores de suínos e aves integrados a cooperativas e agroindústrias, consolidando-se como uma das maiores iniciativas estaduais de crédito para proteína animal. Coordenado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária e operacionalizado pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE, o programa oferece taxa fixa de 9% ao ano, com até dois anos de carência e prazo de oito anos para pagamento, visando destravar investimentos estruturais no campo. Os recursos serão direcionados a infraestrutura produtiva, gestão hídrica, modernização tecnológica, automação e sustentabilidade ambiental, além da produção de insumos estratégicos. A iniciativa tem potencial para gerar impacto econômico de até R$ 26 bilhões, criar cerca de 40 mil empregos e beneficiar mais de 120 mil produtores, fortalecendo a competitividade do agronegócio catarinense. Com financiamento híbrido, incluindo recursos públicos, privados e créditos de ICMS, e governança por comitê gestor, o programa também incentiva a expansão das propriedades e a sucessão rural, contribuindo para a permanência de jovens no campo e o desenvolvimento regional sustentável.
Mercosul e Canadá se aproximam de acordo de livre comércio
As negociações entre o Mercosul e o Canadá avançam para a possível assinatura de um acordo de livre comércio ainda em 2026, com rodada decisiva prevista em Brasília. Autoridades indicam progresso consistente, com expectativa de conclusão até setembro ou outubro, consolidando cerca de um ano desde a retomada formal das tratativas. O acordo tem como objetivo estabelecer um marco abrangente de integração comercial, ampliando oportunidades para empresas, trabalhadores e investidores, além de fortalecer cadeias produtivas estratégicas. Para o Canadá, a iniciativa integra a estratégia de diversificação comercial diante de incertezas globais, enquanto para o Mercosul, relevante exportador de carne bovina, soja e minerais, representa maior acesso a mercados desenvolvidos e atração de investimentos, especialmente em mineração e agronegócio. Nesse contexto, o Brasil emerge como parceiro central, reforçando sua posição no comércio internacional. A consolidação do acordo tende a impulsionar a competitividade das exportações e a integração econômica hemisférica, com impactos diretos sobre o fluxo de comércio e capital.

Foto: Victor Maia, professor da Unimontes
Minas se articula para criar polo de produção de cacau
O estado de Minas Gerais intensifica estratégias para ampliar a produção de cacau, atualmente na 10ª posição nacional, com cerca de 580 hectares cultivados, mas com elevado potencial de expansão, especialmente no norte mineiro. Iniciativas conduzidas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig destacam o uso de tecnologias de irrigação e adaptação ao clima semiárido, caracterizado por altas temperaturas e baixa umidade. Entre as inovações, destaca-se o cultivo consorciado com banana em sistema agroflorestal, que promove sombreamento e melhora o microclima, além de experimentos com cacau a pleno sol e proteção solar parcial, visando maior eficiência produtiva. Ensaios estão sendo implantados em campos experimentais como Mocambinho e Gorutuba para avaliação de novas cultivares e sistemas de manejo. A cultura já se consolida como importante vetor de geração de renda e emprego, com impacto direto na economia regional, estimando-se até dois empregos diretos e quatro indiretos por hectare. O avanço da atividade levou à sua inclusão nos levantamentos da Epamig, reforçando seu papel no planejamento de políticas públicas e no fortalecimento do agronegócio mineiro.
Segundo estudo, mudanças no Proagro reduziram acesso a custeio e a proteção de safras
As mudanças regulatórias implementadas no Programa de Garantia da Atividade Agropecuária – PROAGRO desde 2023, em atendimento a determinações do Tribunal de Contas da União, resultaram na exclusão de cerca de 58 mil produtores do acesso ao crédito e à cobertura de risco na safra 2024/25, conforme estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas – FGV-Agro. As alterações, conduzidas pelo Banco Central do Brasil e pelo Conselho Monetário Nacional, introduziram critérios mais rigorosos de enquadramento, limites reduzidos de cobertura e maior custo de adesão, visando conter fraudes, reduzir riscos fiscais e aprimorar a gestão do programa, que funciona como seguro rural público para pequenos e médios produtores. Embora tenham contribuído para a redução de gastos — após pico de R$ 9,4 bilhões em 2023 — e maior eficiência orçamentária, as medidas também evidenciaram lacunas na oferta de instrumentos alternativos, como o seguro rural subvencionado, dificultando a migração de produtores e ampliando a exposição a riscos climáticos e sanitários. O estudo aponta a necessidade de aperfeiçoamento das políticas de gestão de risco agrícola, com integração entre programas e ampliação da cobertura, de modo a equilibrar sustentabilidade fiscal e proteção ao produtor.
Comissão aprova política de incentivo à motorização elétrica agrícola
A Câmara dos Deputados, por meio da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, aprovou o Projeto de Lei nº 2427/20, que institui a Política Nacional de Incentivo à Motorização Elétrica Agrícola, voltada à promoção de tecnologias limpas e fontes energéticas renováveis no campo. A proposta estabelece diretrizes para estimular a adoção de máquinas e equipamentos agrícolas eletrificados, alinhando o setor às agendas de eficiência energética, redução de emissões e inovação tecnológica. A tramitação segue para o Senado Federal, salvo eventual recurso para votação em plenário, sendo necessária aprovação nas duas Casas para sanção. A iniciativa representa avanço estratégico na modernização do agronegócio, com potencial para reduzir custos operacionais de longo prazo, aumentar a sustentabilidade produtiva e fortalecer a competitividade do setor diante de exigências ambientais crescentes nos mercados interno e externo.

posicionando como vetor central da agricultura
sustentável e da inovação no agronegócio brasileiro
Mercado de bioinsumos atinge R$ 6,2 bilhões em vendas
O mercado brasileiro de bioinsumos alcançou R$ 6,2 bilhões em 2025, com crescimento de 15% em relação ao ano anterior, enquanto a área tratada atingiu 194 milhões de hectares, avanço de 28%, evidenciando a consolidação dessas tecnologias no sistema produtivo. O desempenho reflete a expansão do manejo integrado de pragas e da adoção de soluções biológicas, impulsionada por demandas por maior eficiência produtiva e sustentabilidade ambiental. Em um cenário marcado por volatilidade de preços de commodities, custos elevados e desafios estruturais, os bioinsumos se destacam como alternativa estratégica, combinando redução de resistência de pragas, menor impacto ambiental e integração com insumos químicos. O avanço também está associado à profissionalização da indústria, aumento da escala produtiva e intensificação do uso nas lavouras, inclusive com aplicações combinadas. Apesar do crescimento consistente, a adoção ainda ocorre de forma desigual, com maior concentração em regiões de agricultura tecnificada. A tendência, contudo, é de expansão contínua, posicionando os bioinsumos como vetor central da agricultura sustentável e da inovação no agronegócio brasileiro.
Crédito rural se torna mais técnico e seletivo
Apesar de o Plano Safra 2025/26 prever R$ 186,1 bilhões em crédito rural, dados do Sistema de Operações do Crédito Rural (Sicor) do Banco Central do Brasil apontam que, no primeiro semestre, o volume liberado recuou 15,6% frente à safra anterior, evidenciando uma desaceleração na concessão de crédito agrícola. Parte dos recursos ainda não foi integralmente repassada às instituições financeiras, refletindo um processo mais técnico, criterioso e orientado por risco. O acesso ao crédito deixou de ser predominantemente relacional e passou a exigir gestão documental robusta, análise financeira detalhada, histórico produtivo consistente e indicadores de risco controlados, com decisões cada vez mais centralizadas em modelos internos, filtros e comitês de crédito. Esse movimento ocorre em resposta ao aumento da inadimplência no agronegócio, levando bancos a adotarem postura mais conservadora, enquanto produtores demonstram maior cautela diante de juros elevados, margens pressionadas e incerteza econômica. O resultado é um ambiente em que o crédito rural se torna mais seletivo, previsivelmente técnico e dependente da qualidade das informações, exigindo do produtor planejamento estratégico e suporte especializado, em linha com a profissionalização da gestão no campo.
China confirma nova variante de febre aftosa e acende alerta global na pecuária
A sanidade animal global voltou ao foco após a confirmação de novos focos de Febre Aftosa na China, com destaque para a identificação inédita do sorotipo SAT1, ampliando os riscos epidemiológicos e comerciais. Os casos, registrados em Gansu e Xinjiang, envolveram 219 bovinos infectados em um universo de 6.229 animais, levando à adoção de protocolos sanitários rigorosos. Como não há imunidade cruzada entre sorotipos, a introdução de uma nova variante em população suscetível eleva o potencial de disseminação e reforça o alerta internacional. O cenário se agrava com suspeitas de crise sanitária na Rússia, onde medidas como abate em massa e quarentenas indicam possível avanço da doença, ainda não confirmado oficialmente. Em um mercado global altamente integrado, o episódio pode gerar restrições comerciais, volatilidade de preços e redirecionamento de fluxos de exportação. Para o Brasil, principal fornecedor de carne bovina à China, os impactos tendem a se refletir na dinâmica da arroba do “boi-China”, podendo oscilar conforme a demanda externa. O contexto reforça a importância de biossegurança, vigilância sanitária e diversificação de mercados como estratégias para mitigar riscos e ampliar competitividade no agronegócio.

RS inicia diagnóstico da pesca artesanal
A Emater/RS-Ascar iniciou a fase piloto do Diagnóstico Estadual da Pesca Artesanal nos municípios de Pelotas e Rio Grande, com o objetivo de estruturar uma base inédita de dados sobre o setor. A iniciativa busca mapear, com abordagem técnica e amostragem representativa, aspectos socioeconômicos, produtivos e ambientais de aproximadamente 1.100 famílias, cerca de 5% dos registros ativos no RGP, por meio de questionários estruturados aplicados diretamente nas comunidades. O levantamento contempla perfil das famílias, condições de moradia e infraestrutura, práticas de pesca, espécies capturadas, petrechos utilizados, além de processos de beneficiamento, conservação e comercialização do pescado. Também analisa o acesso a políticas públicas, assistência técnica (Ater), organização social e indicadores de qualidade de vida, incluindo saúde, educação e percepção ambiental. Com os resultados, a entidade pretende consolidar um panorama estratégico da pesca artesanal no Rio Grande do Sul, subsidiando políticas públicas mais assertivas e ações extensionistas alinhadas à realidade local, com foco em eficiência produtiva, sustentabilidade e valorização da atividade pesqueira.
Primeiro bezerro da raça Purunã em Goioerê
O boi Purunã, raça de corte desenvolvida pelo IDR-Paraná na Fazenda Modelo em Ponta Grossa, consolida-se como alternativa estratégica para a pecuária de corte brasileira, resultado do cruzamento equilibrado de 25% das raças Caracu, Charolês, Angus e Canchim. A raça apresenta precocidade, elevado marmoreio, rusticidade, docilidade e alta habilidade materna, atributos que favorecem eficiência produtiva e qualidade de carne. Em Campo Mourão, cerca de 70 produtores integram um programa de fomento baseado em transferência de genética qualificada, no qual recebem touros reprodutores e retornam, após três anos, bezerros padronizados, promovendo ganho genético e sustentabilidade econômica. Em Goioerê, o nascimento do primeiro exemplar Purunã marca um avanço relevante modernização da pecuária regional, evidenciando o impacto da assistência técnica, manejo eficiente e adoção de tecnologias. A iniciativa reforça a importância da integração entre produtores e instituições públicas na construção de sistemas produtivos mais competitivos, com foco em desempenho zootécnico, adaptação às condições tropicais e valorização da carne bovina brasileira.
Suzano recebe recursos do BNDES para expansão
A Suzano reforça sua estratégia de liderança global ao obter aprovação de R$ 411,4 milhões em financiamento junto ao BNDES, por meio do programa BNDES Mais Inovação, voltado à modernização industrial, digitalização e sustentabilidade. Do total, R$ 280 milhões serão destinados à aquisição de máquinas e equipamentos com tecnologias avançadas, incluindo soluções baseadas em internet das coisas (IoT) e monitoramento remoto, enquanto R$ 131,4 milhões apoiarão projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), abrangendo desde processos industriais até avanços no manejo e na genética florestal do eucalipto. Os investimentos contemplam unidades em estados estratégicos e visam elevar a eficiência operacional, reduzir custos e ampliar a conectividade industrial, fatores críticos para competitividade global. Com um portfólio de 49 iniciativas de inovação, a companhia fortalece a integração da cadeia produtiva, do campo à indústria, impactando diretamente o agronegócio florestal brasileiro. A estratégia sustenta o posicionamento da Suzano entre os menores custos de produção de celulose do mundo, diferencial relevante diante da volatilidade dos mercados internacionais e da crescente demanda por soluções sustentáveis.

Epagri amplia Campo Experimental de Piscicultura em Itajaí
A ampliação do Campo Experimental de Piscicultura de Itajaí (Cepit), vinculado à Epagri, recebeu investimentos de R$ 3,7 milhões, fortalecendo a infraestrutura para pesquisa aplicada na aquicultura. O projeto incluiu a construção de 26 novos viveiros e reservatórios, totalizando 9.950 m² de área alagada, além da modernização dos sistemas de drenagem, segurança e fornecimento energético, com destaque para a instalação de gerador de 125 kVA, essencial à operação contínua de bombas e aeradores. Paralelamente, a Estação Experimental de Itajaí recebeu R$ 1,25 milhão em equipamentos, ampliando pesquisas em olericultura orgânica, fruticultura e rizicultura, com foco em mecanização e bioinsumos. A nova estrutura do Cepit potencializa estudos em melhoramento genético de tilápia, produção de alevinos em sistemas intensivos e manejo sanitário, elevando a resiliência produtiva frente a eventos climáticos extremos. O investimento reforça a inovação tecnológica na piscicultura brasileira, promovendo ganhos em eficiência produtiva, biossegurança e sustentabilidade, além de consolidar a região como polo estratégico de desenvolvimento aquícola.
Programa Futuro no Campo vai beneficiar mais de 1.000 jovens
A Emater-MG ampliou o Programa Futuro no Campo, que passa a atender 1.012 jovens rurais, dobrando o alcance inicial de 506 participantes, com apoio do Governo de Minas Gerais. A expansão reforça a estratégia de desenvolvimento rural sustentável e sucessão familiar, diante do desafio estrutural de redução da população jovem no campo. Voltado a jovens de 16 a 29 anos vinculados à agricultura familiar, o programa combina capacitação técnica em formato híbrido, apoio financeiro a projetos produtivos e acompanhamento extensionista contínuo, estimulando empreendedorismo rural, geração de renda e melhoria da qualidade de vida. A inclusão de novos beneficiários, oriundos de lista de espera do processo seletivo de 2024, evidencia a alta demanda por iniciativas de formação e retenção de capital humano no meio rural. Com foco no protagonismo juvenil, a iniciativa fortalece a modernização das propriedades familiares e a continuidade das atividades agropecuárias, contribuindo para maior eficiência produtiva e dinamização econômica regional.
Política de cooperação com municípios reduz incêndios na Amazônia
O Programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais na Amazônia, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, já mobilizou R$ 815 milhões em investimentos, resultando em redução significativa das queimadas em 70 municípios prioritários e contribuindo para uma queda de 50% no desmatamento na Amazônia desde 2022. A iniciativa reforça a cooperação federativa e o protagonismo local, demonstrando que é possível integrar conservação ambiental e crescimento do agronegócio, com a abertura de mais de 500 mercados desde 2023. Os recursos viabilizaram a aquisição de mais de 2 mil veículos para fiscalização, a capacitação técnica de 500 profissionais e a remuneração de 4 mil produtores por serviços ambientais, além da ampliação de contratos de regularização fundiária e assistência técnica (Ater) via Anater. Novos aportes de R$ 75 milhões devem alcançar 32 mil imóveis rurais em seis estados da Amazônia Legal, fortalecendo monitoramento, recuperação florestal e produção sustentável. Financiado por instrumentos como o Fundo Amazônia e o programa Floresta+, o projeto consolida uma abordagem integrada de comando, controle e incentivos econômicos, ampliando a eficiência ambiental e a competitividade do agro brasileiro.

Novo ministro da Agricultura e Pecuária é empossado
A cerimônia de transmissão de cargo no Ministério da Agricultura e Pecuária marcou a passagem da gestão de Carlos Fávaro para André de Paula, realizada na sede da Embrapa, em Brasília. Com trajetória consolidada no Legislativo e Executivo, o novo ministro assume com foco na continuidade das políticas públicas, fortalecimento da governança e previsibilidade para o setor agropecuário. Entre as prioridades estratégicas, destacam-se o Plano Safra, a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), o Funcafé e o Seguro Rural, além da ampliação de inovação tecnológica, automação e uso de inteligência artificial no agro. A gestão também reforça o papel da Embrapa como base científica e vetor de competitividade, bem como a defesa agropecuária e o sistema sanitário como ativos estratégicos para acesso a mercados internacionais. A transição ocorre em um contexto de expansão e resiliência do agronegócio brasileiro, impulsionado por ganhos de produtividade, sustentabilidade e diversificação comercial, consolidando o setor como pilar da economia nacional, geração de renda e segurança alimentar global.
Chácaras de até 2 mil m² podem passar a ser propriedades rurais
O avanço do Projeto de Lei nº 918/2025 na Câmara dos Deputados representa um marco para a inclusão produtiva no agro ao propor o reconhecimento de chácaras como propriedades rurais, corrigindo uma distorção histórica que excluía pequenos produtores das políticas públicas. A medida estabelece que áreas de até 2 mil m² com atividade agropecuária comprovada passem a ter enquadramento legal, viabilizando acesso ao crédito rural, incentivos fiscais, assistência técnica e programas de agricultura familiar. Na prática, o projeto amplia a base produtiva formal, reduz a informalidade e fortalece a agricultura periurbana, segmento estratégico para o abastecimento local. Especialistas destacam que a proposta confere segurança jurídica e visibilidade econômica a produtores antes marginalizados, impulsionando produtividade, gestão eficiente e adoção de práticas sustentáveis. Além disso, tende a estimular a geração de renda, a segurança alimentar e a permanência no campo, mitigando o êxodo rural. Já aprovado na Comissão de Agricultura, o texto segue para análise na CCJ e posterior tramitação no Senado, podendo redefinir o alcance das políticas agrícolas no Brasil ao integrar milhares de pequenas unidades produtivas ao sistema oficial.
Começou a colheita do pinhão em Santa Catarina
A abertura da safra de pinhão em Santa Catarina, autorizada pela Lei Estadual nº 15.457, de 17 de janeiro de 2011, marca o início de um ciclo relevante para a economia regional e o extrativismo sustentável, com destaque para a atuação da Epagri. Para 2026, a produção na Serra Catarinense está estimada em 3,7 mil toneladas, queda de 32% frente a 2025, cenário que tende a sustentar ou elevar os preços ao produtor, diante da menor oferta. O pinhão, semente da Araucária (Araucaria angustifolia), representa fonte de renda para cerca de 30% das 34 mil famílias rurais da região, evidenciando sua relevância socioeconômica. O município de Painel concentra aproximadamente 1,2 mil toneladas da produção, consolidando-se como polo do extrativismo e referência estadual na cadeia produtiva. Não por menos, o município é reconhecido como a Capital Catarinense do Pinhão, conforme a Lei Estadual nº 18.638, de 8 de fevereiro de 2023, e pleiteia agora o título de Capital Nacional do Pinhão. A atividade, além de impulsionar a economia local, reforça práticas de uso sustentável de recursos florestais, embora demande atenção à segurança no manejo, devido aos riscos na coleta. O cenário combina valorização de preços, geração de renda e fortalecimento da sociobiodiversidade, posicionando o pinhão como ativo estratégico do agronegócio regional.

Édipo Araújo toma posse como novo ministro da Pesca
A posse de Édipo Araújo no comando do Ministério da Pesca e Aquicultura marca uma inflexão técnica relevante na governança do setor, ao consolidar, pela primeira vez, um engenheiro de pesca à frente da Pasta. Substituindo André de Paula, agora no Ministério da Agricultura, o novo ministro sinaliza continuidade dos programas estruturantes iniciados em 2023 e maior inserção da pesca e aquicultura nas políticas públicas estratégicas do agronegócio brasileiro. Com trajetória acadêmica sólida, formação pela Universidade Federal Rural da Amazônia, mestrado e doutorado pela UFPA, e experiência executiva no Mapa e no próprio MPA, Araújo reforça a centralidade de ciência, inovação e conhecimento aplicado na formulação de políticas setoriais. A nomeação foi bem recebida pela PEIXE BR, que destaca o perfil técnico e a capacidade de articulação do ministro, ao mesmo tempo em que cobra avanços regulatórios imediatos. Entre as prioridades, estão a Análise de Impacto Regulatório (AIR) sobre a atuação da CONABIO, a Análise de Risco de Importação (ARI) da tilápia do Vietnã em conjunto com o Mapa e a prorrogação da Licença de Aquicultor, medidas consideradas críticas para a segurança jurídica e competitividade da piscicultura nacional.
Senado aprova guarda compartilhada de pets
A aprovação do PL 941/2024 pelo Senado introduz um marco regulatório relevante ao prever a guarda compartilhada de animais de estimação em casos de dissolução conjugal, com potencial impacto jurídico e socioeconômico no segmento pet. O texto, em fase de sanção presidencial, mantém a natureza jurídica de propriedade, mas reconhece o vínculo afetivo como elemento central na definição da guarda, alinhando-se a uma evolução normativa já observada no Direito de Família. Na ausência de consenso, caberá ao Judiciário estabelecer compartilhamento equilibrado de convivência e despesas, considerando critérios como bem-estar animal, ambiente adequado, capacidade de cuidado e disponibilidade de tempo. O projeto define que custos ordinários (alimentação e higiene) serão arcados por quem estiver com o pet, enquanto despesas extraordinárias (veterinárias e medicamentos) serão divididas proporcionalmente. A medida veda a guarda compartilhada em casos de violência doméstica ou maus-tratos, prevendo a perda da posse sem indenização e responsabilização por débitos. Também estabelece sanções para descumprimento reiterado ou renúncia imotivada, reforçando a segurança jurídica nas relações envolvendo animais.
Petrobras estuda fazer Brasil autossuficiente em diesel em até 5 anos
A Petrobras, sob a presidência de Magda Chambriard, avalia um reposicionamento estratégico para tornar o Brasil autossuficiente na produção de óleo diesel em até cinco anos, movimento impulsionado pela volatilidade dos preços globais decorrente de tensões geopolíticas, como a guerra no Irã. Atualmente, o país ainda importa cerca de 30% do diesel consumido, insumo crítico para logística, transporte e mecanização agrícola, o que eleva custos operacionais no agronegócio. O novo plano de negócios em revisão, amplia a meta anterior de 80% de atendimento da demanda interna para potencialmente 100% de autossuficiência, apoiado por investimentos em refino e otimização industrial. Entre os principais vetores estão a expansão da Refinaria Abreu e Lima, com capacidade projetada de até 300 mil barris/dia, e o aumento de produção da Refinaria Duque de Caxias, integrada ao Complexo de Energias Boaventura, podendo alcançar 350 mil barris/dia. Adicionalmente, refinarias em São Paulo passam por adequações operacionais para priorizar diesel em detrimento do óleo combustível, reforçando a segurança energética, competitividade logística e previsibilidade de custos no setor produtivo.

Reprodução: Iphan
Justiça anula licença de tirolesa no Pão de Açúcar
A Justiça Federal do Rio de Janeiro anulou a autorização para instalação de tirolesa no Pão de Açúcar, em decisão do juiz Paulo André Espírito Santo Manfredini, da 20ª Vara Federal, no âmbito de ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal contra o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN e a Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar – CCAPA. A sentença aponta )vício insanável por motivação insuficiente e ausência de amplo debate público no licenciamento, determinando a nulidade dos atos administrativos e proibindo a continuidade do projeto entre os morros do Pão de Açúcar e da Urca. Além disso, a concessionária deverá apresentar, em até 60 dias, plano de recuperação ambiental, incluindo retirada de estruturas e resíduos, reforçando a exigência de conformidade ambiental e preservação do patrimônio paisagístico. A decisão também impõe indenização de R$ 30 milhões por danos morais coletivos, a ser destinada ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, sinalizando maior rigor regulatório em intervenções em áreas sensíveis. O caso evidencia a crescente relevância de governança socioambiental, licenciamento transparente e segurança jurídica em projetos de infraestrutura e turismo.
Fake news sobre Reforma Tributária gera insegurança entre produtores
A Reforma Tributária do consumo, instituída pela Emenda Constitucional da Reforma Tributária, tem sido alvo de desinformação recorrente, especialmente no meio rural, gerando insegurança entre produtores e agentes do agronegócio. Embora o novo modelo preveja tributos como CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), diversos pontos ainda dependem de regulamentação, incluindo a definição das alíquotas, inexistindo, até o momento, obrigações operacionais ou penalidades vigentes. A adaptação de sistemas de emissão de notas fiscais reflete apenas uma antecipação tecnológica à transição fiscal, não implicando cobrança imediata. É incorreto afirmar que haverá multas por não destacar CBS e IBS, bem como que empresas do Simples Nacional serão obrigadas a migrar de regime ou que produtores rurais precisarão se formalizar como pessoa jurídica — tais exigências não constam na legislação atual. O cenário exige análise criteriosa de fontes oficiais e assessoria especializada, diante do volume de interpretações sem respaldo jurídico. Para o setor, o momento é de monitoramento regulatório e planejamento tributário estratégico, evitando decisões baseadas em especulação e assegurando conformidade e previsibilidade fiscal na transição.