Aqui você encontra em notas as últimas e mais importantes notícias semanais do agronegócio nacional e internacional
Estados americanos confirma influenza aviária altamente patogênica
A influenza aviária altamente patogênica (IAAP) segue pressionando a avicultura comercial nos Estados Unidos em 2026, com novas confirmações do vírus registradas em 24 de fevereiro nos estados da Pensilvânia, Dakota do Sul e Kansas, atingindo diferentes segmentos da cadeia produtiva, como frangos de corte, perus e galinhas poedeiras. Na Pensilvânia, o foco mais recente ocorreu em uma granja comercial de frangos de corte no Condado de Lancaster, com impacto em 157,3 mil aves, elevando para 14 o número de estabelecimentos avícolas comerciais afetados no estado neste ano, dos quais 13 concentram-se no próprio Condado de Lancaster, além de uma granja com 70 mil poedeiras no Condado de Dauphin. Na Dakota do Sul, o vírus foi identificado em um plantel comercial de 50,4 mil perus no Condado de Beadle, configurando o terceiro foco de IAAP em operações comerciais no estado em 2026, todos envolvendo a produção de perus e precedidos por ocorrências registradas no Condado de Charles Mix em 3 e 18 de fevereiro. Já no Kansas, a doença foi confirmada em um lote de 24 mil galinhas poedeiras no Condado de Pottawatomie, representando o segundo foco em granjas comerciais no estado neste ano, após o registro de 380 mil frangas comerciais no mesmo condado em janeiro. O estado também notificou, em 3 de fevereiro, um foco em aves de caça comerciais no Condado de Haskell, com 5,2 mil aves afetadas. O avanço da IAAP reforça o alerta sanitário para a cadeia avícola global, evidenciando a importância de protocolos rigorosos de biosseguridade, monitoramento epidemiológico e resposta rápida para contenção do vírus, fatores críticos para mitigar impactos produtivos, comerciais e sanitários no setor.
Aplicação provisória do acordo Mercosul-UE é criticada por Macron
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia voltou ao centro do debate político e econômico após a sinalização de aplicação provisória do tratado pela Comissão Europeia, medida que gerou forte reação do presidente da França, Emmanuel Macron. Em pronunciamento televisivo e em manifestação na rede social X, o líder francês criticou duramente o avanço do acordo sem consenso pleno, afirmando que “jamais defenderá um tratado que seja leniente com importações e rigoroso com a produção nacional”, reforçando a posição de que a França será intransigente na defesa das salvaguardas destinadas a proteger os agricultores franceses e a segurança alimentar europeia. Macron também questionou a legitimidade da iniciativa da Comissão Europeia de implementar o acordo de forma provisória antes da conclusão dos processos de ratificação em todos os países envolvidos, destacando que o Brasil ainda não finalizou sua aprovação interna, além de apontar que o Parlamento Europeu também não deliberou definitivamente sobre o tema. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, por sua vez, indicou que o bloco europeu pretende avançar na implementação provisória do acordo após a ratificação inicial por Uruguai e Argentina, afirmando que a União Europeia estará pronta para operacionalizar o tratado assim que os parceiros do Mercosul concluírem seus processos. O episódio evidencia as tensões políticas e produtivas que ainda cercam o acordo Mercosul-UE, especialmente em temas sensíveis para o agronegócio europeu e sul-americano, como competitividade agrícola, padrões sanitários, sustentabilidade e acesso a mercados.

híbridos se destacam na produção nacional
Produção de peixes nativos em queda pelo terceiro ano
A produção brasileira de peixes nativos na aquicultura encerrou 2025 com leve retração de 0,63%, totalizando 257.070 toneladas, conforme o Anuário Peixe BR 2026, marcando o terceiro ano consecutivo de queda no segmento, pressionado por gargalos estruturais de mercado, logística e insuficiência de infraestrutura industrial para processamento. A atividade permanece fortemente concentrada nas regiões norte, nordeste e centro-oeste, com destaque para espécies como tambaqui (Colossoma macropomum) e seus híbridos, pilares da piscicultura nacional. Rondônia manteve a liderança do ranking nacional, com 55.200 toneladas, apesar de registrar queda de 2,8%, enquanto o Maranhão apresentou desempenho positivo, com crescimento de 9,5% e produção de 42.700 toneladas, consolidando-se como segundo maior produtor do país. Completam o grupo dos principais estados produtores Mato Grosso (35.800 t; -3,2%), Pará (22.100 t; -1,8%) e Amazonas (13.100 t; +0,8%). Segundo análise da Peixe BR, a recuperação do setor depende de modernização da cadeia produtiva, ampliação da indústria de processamento e desenvolvimento de estratégias de mercado voltadas à agregação de valor, especialmente por meio da oferta de filés e cortes padronizados, produtos com maior aceitação no varejo do Centro-Sul. Paralelamente, o setor aposta em estratégias de valorização da identidade regional e fortalecimento do apelo gastronômico das espécies nativas, além da ampliação do consumo institucional, como a inclusão de pescado nativo em programas de alimentação escolar, medida considerada estratégica para estimular a demanda e fortalecer a aquicultura brasileira. Para baixar o Anuário Peixe BR 2026, CLIQUE AQUI.
São Roque terá novo centro de excelência em tecnologia rural
O interior paulista caminha para se consolidar como um polo estratégico de inovação tecnológica no agronegócio brasileiro com a construção do Centro de Excelência em Tecnologia Rural do Sistema Faesp/Senar, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), atualmente em fase avançada de obras no município de São Roque, com inauguração prevista para 2026. Com infraestrutura de aproximadamente 9 mil m2, o complexo foi projetado para atuar como hub de capacitação e difusão tecnológica voltado à agricultura 4.0, oferecendo 24 cursos especializados e capacidade para qualificar até 5 mil alunos por ano, com foco em Inteligência Artificial (IA), conectividade no campo, Big Data e Internet das Coisas (IoT) aplicados à produção agropecuária. A iniciativa busca reduzir o déficit de capacitação tecnológica no campo e democratizar o acesso a ferramentas digitais de alto desempenho, permitindo que pequenos, médios e grandes produtores ampliem produtividade, eficiência e competitividade nas cadeias agroindustriais. O modelo educacional adotado foi estruturado a partir de diagnóstico das demandas tecnológicas apresentadas por sindicatos rurais, permitindo a criação de programas de formação customizados conforme os diferentes clusters produtivos regionais, com soluções específicas para segmentos como grãos, pecuária e hortifruticultura. A expectativa é que a estrutura impulsione a transformação digital no agronegócio, estimule a geração de empregos qualificados e fortaleça o desenvolvimento socioeconômico das regiões produtoras, posicionando o Brasil de forma ainda mais competitiva no cenário global da agricultura digital e da inovação no campo.
Café da Chapada de Minas conquista Indicação Geográfica
A região da Chapada de Minas, localizada no Vale do Jequitinhonha e composta por 22 municípios, conquistou oficialmente o reconhecimento de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência (IP), conforme registro deferido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) após solicitação protocolada em setembro de 2025. O selo certifica a qualidade e identidade sensorial do café arábica produzido no território, caracterizado por perfil sensorial marcante, com notas de chocolate e caramelo, nuances de frutas vermelhas, corpo intenso e aveludado e finalização equilibrada com retrogosto persistente, atributos associados às condições edafoclimáticas da região, que apresenta altitudes de até 1.200 metros, solos ricos em minerais e clima úmido com temperaturas amenas, situando-se entre as bacias dos rios Doce, Mucuri e Jequitinhonha. A área produtiva reúne cerca de 5.800 cafeicultores distribuídos em aproximadamente 30 mil hectares cultivados, com produção anual estimada em 400 mil sacas de café arábica, gerando cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos. Além de agregar valor ao produto, a certificação fortalece a identidade territorial, a organização produtiva e a competitividade dos cafés da Chapada de Minas nos mercados nacional e internacional, ampliando oportunidades de diferenciação comercial e reconhecimento de origem. Com o novo registro, o Brasil passa a contar com 156 Indicações Geográficas reconhecidas, sendo 124 Indicações de Procedência e 32 Denominações de Origem, enquanto Minas Gerais consolida a Chapada de Minas como a oitava região cafeeira com IG, ao lado de importantes origens como Cerrado Mineiro, Mantiqueira de Minas, Canastra, Matas de Minas, Sudoeste de Minas e Campos das Vertentes, reforçando o protagonismo do estado na produção de cafés especiais e de origem controlada.

rendimento, capacidade de rebrota, boa sanidade e
estabilidade na produção de forragem em plantios na
primeira e na segunda safra – Foto: Latina Seeds
Sorgo gigante com alta produtividade chega ao mercado
A Embrapa Milho e Sorgo, em parceria com a Latina Seeds, desenvolveu o híbrido de sorgo forrageiro gigante BRS 662 (LAS6002F), uma nova cultivar voltada à intensificação da produção de forragem e à diversificação energética na agropecuária brasileira, destacando-se por precocidade, alto rendimento, estabilidade produtiva e elevada capacidade de rebrota. O material apresenta ciclo de até 125 dias e potencial produtivo superior a 80 toneladas de forragem por hectare em um único corte, com rebrota capaz de atingir até 60% da produção inicial, característica que amplia sua eficiência em sistemas intensivos de produção. Recomendado para todos os estados das regiões centro-oeste e sudeste, o híbrido combina alto desempenho agronômico com excelente sanidade, apresentando boa resistência a doenças fúngicas de grande impacto econômico, como antracnose, helmintosporiose e cercosporiose. Com porte elevado entre 4 e 5 metros, grãos de coloração marrom e alta tolerância ao acamamento, o BRS 662 produz forragem de qualidade, rica em celulose e hemicelulose e com baixos teores de lignina, podendo ser utilizada tanto na alimentação animal quanto na produção de biogás e cogeração de energia, com custos competitivos de produção. O lançamento oficial ocorrerá em 11 de março de 2026, durante as comemorações dos 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo, enquanto a primeira produção de sementes para a safra 2026 alcançou 10 mil sacas, já comercializadas no Brasil e também exportadas ao Paraguai, com expectativa de triplicar o volume para atender mais de 30 mil hectares na safra seguinte. O híbrido é comercializado em embalagens de 150 mil sementes, com recomendação de plantio entre 120 mil e 130 mil sementes por hectare, sendo as sementes tratadas industrialmente com inseticida e fungicida, garantindo maior segurança no estabelecimento das lavouras. O cultivo do sorgo vem crescendo nos últimos anos. A produção atual é quase 3,2 vezes maior do que a registrada há cinco safras, e a área destinada à cultura mais que dobrou no mesmo período, com aumento de 2,1 vezes. A expansão reflete o posicionamento estratégico do grão, voltado principalmente à alimentação animal, em razão da sua adaptação a condições de seca, da versatilidade de uso e do custo de produção menor em relação a outras culturas.
Vaca Jersey bate recorde nacional de produção leiteira
A pecuária leiteira brasileira demonstrou elevado nível de avanço genético e produtivo durante a ExpoAgro Cotricampo, realizada em Campo Novo, RS, onde foi registrado um novo recorde nacional de produção de leite na categoria Vaca Jovem (até 36 meses). O destaque do evento foi a vaca Limalha Colonel da Ventana, da raça Jersey, pertencente à Cabanha Ventana, localizada em Boa Vista do Incra, RS, que atingiu 58,72 kg de leite em produção diária, superando com ampla margem o recorde anterior da categoria, de 51,50 kg, consolidando-se como novo marco produtivo da genética Jersey no Brasil. O desempenho é resultado de programas consistentes de melhoramento genético, manejo nutricional e seleção zootécnica, conduzidos pela criadora Carmem Petersen Dias da Costa, evidenciando o potencial produtivo da pecuária leiteira regional. A cabanha também se destacou na categoria Vaca Adulta, com o exemplar Jiboia Moe da Ventana, que registrou 60,54 kg de leite, reforçando o protagonismo do plantel no cenário nacional. Os resultados alcançados durante a Arena Bovinos da ExpoAgro Cotricampo consolidam o evento como importante vitrine de genética bovina de alta performance e indicador da evolução tecnológica da cadeia do leite no Brasil, evidenciando os avanços em produtividade, melhoramento genético e eficiência na pecuária leiteira.
EUA perdem 15 mil fazendas e 1 milhão de hectares com a crise da carne
O setor agropecuário dos Estados Unidos registrou nova retração estrutural em 2025, marcada pela redução no número de propriedades rurais e pelo avanço da concentração fundiária, conforme dados do relatório Farms and Land in Farms 2025 Summary, do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Segundo o levantamento, o país encerrou o ano com 1,865 milhão de fazendas, 15 mil a menos que em 2024, enquanto a área total agrícola caiu para 353,7 milhões de hectares, representando redução anual de 1,02 milhão de hectares. Apesar da diminuição no número de propriedades, o tamanho médio das fazendas aumentou para 190 hectares, sinalizando maior consolidação das terras em unidades produtivas de maior escala. A retração ocorreu em praticamente todas as faixas de faturamento, com exceção das propriedades com vendas anuais superiores a US$ 1 milhão, único grupo que registrou expansão tanto em número quanto em área operada, ampliando sua base territorial em 344 mil hectares. Em 2025, fazendas com faturamento acima de US$ 500 mil passaram a controlar 50,1% de toda a área agrícola do país, evidenciando uma estrutura produtiva cada vez mais concentrada, embora a maioria das propriedades continue sendo de pequeno porte em termos de receita: 48% das fazendas faturaram menos de US$ 10 mil e 78,8% registraram vendas inferiores a US$ 100 mil no ano. A série histórica indica que desde 2018 o número de fazendas nos EUA vem diminuindo continuamente, enquanto o tamanho médio das propriedades cresce, tendência que ocorre em um contexto de pressões econômicas no campo, crise na cadeia da carne bovina, tensões comerciais e aumento do endividamento agrícola. Em 2025, os pedidos de falência no agronegócio norte-americano cresceram 46%, totalizando 315 solicitações, enquanto as projeções do USDA indicam que a dívida agrícola total poderá alcançar o recorde de US$ 624,7 bilhões em 2026, alta de 5,2%, cenário que eleva o nível de preocupação entre produtores e 59% afirmam esperar dificuldades financeiras no curto prazo, reforçando o debate sobre políticas de apoio e sustentabilidade econômica do setor agrícola dos Estados Unidos.

EPAMIG e Senar impulsionam capacitação em piscicultura ornamental
A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em parceria com o Sistema Faemg-Senar Minas, promoverá entre 9 e 13 de março um curso de formação profissional rural em piscicultura ornamental, no Campo Experimental da Epamig em Leopoldina (CELP), iniciativa voltada à capacitação técnica de produtores e ao fortalecimento da cadeia produtiva de peixes ornamentais em Minas Gerais. Com carga horária total de 40 horas, o treinamento abordará aspectos fundamentais da atividade, incluindo regularização legal da piscicultura, sistemas de manejo produtivo, preparo de viveiros, técnicas de povoamento, manejo sanitário e boas práticas de produção, com o objetivo de ampliar a profissionalização do setor, promover sustentabilidade ambiental e elevar a eficiência produtiva e a rentabilidade da piscicultura ornamental como alternativa de geração de renda no meio rural. As atividades serão conduzidas por instrutores do Sistema Faemg-Senar Minas, no próprio campo experimental que abriga o Centro de Referência em Piscicultura Ornamental de Água Doce, unidade dedicada à pesquisa aplicada, manutenção de plantéis e difusão de tecnologias voltadas ao manejo, reprodução e melhoramento genético de espécies ornamentais. Os interessados devem realizar inscrição prévia, por meio do telefone (32) 9999-3937. A iniciativa reforça o papel da pesquisa e da capacitação técnica na modernização da aquicultura e na diversificação econômica da produção rural brasileira.
RS registra gripe aviária em aves silvestres
A confirmação de novos focos de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1) em aves silvestres no Rio Grande do Sul mobilizou as autoridades sanitárias estaduais após a detecção do vírus na Lagoa da Mangueira, localizada na Reserva do Taim, em Santa Vitória do Palmar. De acordo com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), a ocorrência foi registrada exclusivamente em espécimes da fauna silvestre, sem impacto no sistema de produção avícola comercial, o que mantém inalterado o status sanitário do Brasil como país livre de gripe aviária na avicultura comercial. Conforme as diretrizes da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), notificações restritas a aves migratórias ou silvestres não implicam restrições sanitárias ao comércio internacional, garantindo a normalidade nas exportações brasileiras de carne de frango e ovos, além de não representar risco ao consumidor, já que a doença não é transmitida pelo consumo de produtos avícolas devidamente inspecionados. Após a confirmação laboratorial, o Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA) intensificou as ações de monitoramento e biosseguridade na região sul do estado, com prioridade para vigilância em pequenas propriedades de subsistência próximas ao foco, a fim de evitar eventual disseminação do vírus para plantéis domésticos. A operação conta ainda com apoio técnico do ICMBio e inclui ações de educação sanitária e orientação preventiva às comunidades locais, reforçando a importância da vigilância epidemiológica e da biosseguridade para proteger a cadeia produtiva avícola brasileira.
MAPA recomenda suspensão temporária de vacina contra Influenza para emissão de GTA
O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), por meio do Departamento de Saúde Animal (DSA), recomendou oficialmente a suspensão temporária da exigência de vacinação contra a Influenza Equina para emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), conforme estabelecido no Ofício nº 134/2026, medida motivada pelo grave desabastecimento do imunizante no mercado brasileiro. De acordo com o documento, a decisão decorre da interrupção da produção pela empresa Dechra Brasil e de limitações operacionais em outros laboratórios, situação que provocou retirada abrupta de cerca de 70% das doses disponíveis no país, evidenciando a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos de vacinas veterinárias no setor de equideocultura. O cenário já havia sido sinalizado pela Associação Brasileira dos Médicos Veterinários de Equídeos (Abraveq) em janeiro e discutido na 59ª Reunião Ordinária da Câmara Setorial da Equideocultura, reforçando a necessidade de medidas emergenciais para evitar impactos na mobilidade de animais e nas atividades do setor. O MAPA orienta que os serviços veterinários estaduais adotem medidas administrativas locais para suspender a exigência de comprovação vacinal na emissão da GTA, ressaltando, contudo, que a decisão possui caráter transitório e será revogada assim que o governo federal confirmar, por meio de monitoramento de mercado e dados da indústria farmacêutica veterinária, a normalização do abastecimento de vacinas contra Influenza Equina no Brasil.

agroalimentares frente aos desafios climáticos, econômicos
e sociais que impactam a produção e a segurança alimentar
América Latina e Caribe diminuem a fome e insegurança alimentar
Durante a 39ª Conferência Regional para a América Latina e o Caribe, realizada em Brasília, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) destacou avanços consistentes no combate à fome e à pobreza, ao mesmo tempo em que reforçou a urgência de acelerar a transformação dos sistemas agroalimentares frente aos desafios climáticos, econômicos e sociais que impactam a produção e a segurança alimentar global. Na abertura técnica do evento, foram apresentados os resultados do biênio 2024–2025, período marcado pela redução da fome e da insegurança alimentar na região pelo quarto ano consecutivo, embora os ganhos ainda não tenham alcançado de forma homogênea todos os países. Segundo a FAO, mais de 33 milhões de pessoas ainda vivem em situação de fome, enquanto uma em cada quatro enfrenta insegurança alimentar moderada ou grave, e cerca de 182 milhões não têm acesso econômico a uma dieta saudável na América Latina e no Caribe. No campo das políticas estruturantes, a organização concentrou esforços na consolidação de marcos regulatórios, fortalecimento institucional e mobilização de investimentos estratégicos voltados à transformação sustentável dos sistemas agroalimentares, com ações de cooperação técnica em gestão sustentável de solos, uso responsável de insumos agrícolas e promoção da agricultura resiliente ao clima. Entre os programas de destaque, mais de oito mil agricultores foram capacitados pelo Programa Global de Médicos do Solo, presente em 11 países, além de avanços em políticas públicas de nutrição, programas de alimentação escolar e produção de dados estratégicos para a tomada de decisão em segurança alimentar. No eixo ambiental, a FAO apoiou iniciativas voltadas à conservação da biodiversidade, neutralidade da degradação das terras e fortalecimento da ação climática nos sistemas agroalimentares, mobilizando US$ 158,5 milhões em financiamento ambiental e climático no período. Paralelamente, foram estruturados US$ 2,94 bilhões em programas de investimento para melhoria das condições de vida em 15 países, incluindo US$ 1,75 bilhão em financiamentos, além de apoio à captação de US$ 400 milhões em contribuições voluntárias e à mobilização de cerca de US$ 900 milhões em cofinanciamento e coinvestimentos, reforçando o papel estratégico da cooperação internacional na transição para sistemas agroalimentares mais resilientes, inclusivos e sustentáveis.
Organizações denunciam propostas legislativas com ameaças ambientais
A chamada “agenda do Pacote da Destruição”, denominação utilizada por organizações socioambientais para caracterizar um conjunto de proposições legislativas em tramitação no Congresso Nacional, reúne cerca de 50 projetos de lei (PLs) e propostas de emenda à Constituição (PECs) que, segundo análises do Observatório do Clima, representam potenciais mudanças estruturais na legislação socioambiental brasileira. De acordo com o levantamento, o conjunto de propostas vem sendo fragmentado ao longo dos anos em diferentes iniciativas legislativas, mantendo pressão constante sobre normas relacionadas à proteção ambiental, direitos territoriais e política climática. O documento elaborado por 161 organizações da sociedade civil indica que 75% das pautas consideradas críticas registraram alguma movimentação legislativa ao longo de 2025, incluindo proposições de grande impacto regulatório. Entre elas está a PEC 48/2023, conhecida como Marco Temporal, que estabelece que a demarcação de terras indígenas considere apenas áreas ocupadas ou em disputa em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal. A proposta foi aprovada no Senado em dezembro de 2025 e aguarda análise da Câmara dos Deputados. Também integram a agenda os PLs 510/2021 e 2633/2020, que tratam da regularização fundiária em áreas públicas, e o PL 2374/2020, que amplia o prazo para regularização de reserva legal desmatada de 2008 para 2012. Segundo os signatários do documento, o monitoramento dessas proposições busca estimular maior debate público e acompanhamento da tramitação legislativa, diante de avaliações de que determinadas iniciativas podem alterar instrumentos de governança ambiental, regras de licenciamento e políticas de ordenamento territorial, com potenciais implicações climáticas, jurídicas, fundiárias e socioeconômicas.
Café da Serra de Baturité conquista IG
O café produzido na Serra de Baturité, no Ceará, conquistou o registro de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência (IP), reconhecimento que reforça a tradição centenária da cafeicultura de montanha na região e o modelo produtivo baseado em sustentabilidade e cultivo sombreado. Com a nova certificação concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, o Brasil passa a contabilizar 157 Indicações Geográficas nacionais, sendo 125 Indicações de Procedência e 32 Denominações de Origem, e 23 IGs especificamente vinculadas ao café, consolidando o avanço das estratégias de valorização territorial na agroindústria brasileira. O reconhecimento da Serra de Baturité, região localizada no Maciço de Baturité e que abrange municípios como Baturité, Guaramiranga e Pacoti, foi viabilizado com apoio técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e consagra mais de 200 anos de tradição na produção de café arábica cultivado sob sombreamento da mata nativa, prática que integra conservação ambiental, qualidade do produto e identidade territorial. O processo de obtenção da IG exigiu estrutura de governança, estudos técnicos, rastreabilidade produtiva e padronização de práticas agrícolas, elementos essenciais para garantir a autenticidade e a reputação do produto no mercado. Inserida em uma Área de Proteção Ambiental com mais de 32 mil hectares, a região ganhou projeção na cafeicultura ainda no século XIX, quando exportava café para a Europa, e hoje se destaca pelo chamado “café sombreado”, sistema agroflorestal que combina lavoura e vegetação nativa, contribuindo para preservação da biodiversidade, agregação de valor ao produto e fortalecimento da economia regional.

eleita a melhor do Brasil – Foto: Daniel Zimmermann
Cerveja de cajá, caju e cupuaçu é eleita a melhor do Brasil
A cerveja artesanal brasileira com frutas tropicais ganhou destaque no cenário nacional ao conquistar o principal prêmio do 14º Concurso Brasileiro de Cervejas, realizado em Blumenau, em Santa Catarina. O rótulo Patanegra Cacacu Wood, produzido pela Cervejaria Patanegra, sediada em Pinhais, no Paraná, foi consagrado como “Best of Show”, superando centenas de amostras ao combinar ingredientes tropicais brasileiros — cajá, caju e cupuaçu — com técnicas avançadas de maturação em madeira nobre. Inscrita na categoria “Cervejas Ácidas com Madeira Brasileira”, a bebida apresenta perfil sensorial equilibrado entre acidez frutada, frescor e complexidade aromática, resultado de um processo técnico que inclui maturação por dois meses em barris de amburana, madeira nativa de biomas como cerrado e caatinga, conhecida por conferir notas aromáticas quentes e especiadas que valorizam o caráter cítrico das frutas tropicais. Segundo a fabricante, o objetivo foi desenvolver uma cerveja onde a influência da madeira atuasse como elemento de estrutura e não de predominância sensorial, preservando a vivacidade dos ingredientes brasileiros e criando um produto alinhado ao clima tropical e à identidade criativa da cervejaria nacional. A premiação, avaliada por um corpo de jurados com forte presença de especialistas internacionais, reforça o avanço técnico da escola cervejeira brasileira e o potencial de inovação do setor de bebidas artesanais, evidenciando a valorização de insumos tropicais e processos de maturação diferenciados como estratégias de posicionamento no mercado premium e de exportação.
Projeto proíbe nomes de origem animal para produtos vegetais
A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que restringe o uso de denominações tradicionalmente associadas a produtos de origem animal em alimentos de origem vegetal, medida que agora segue para análise do Senado Federal e que pode alterar significativamente regras de rotulagem e classificação de alimentos no mercado brasileiro. O texto estabelece definições técnicas para categorias reguladas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, determinando que “leite” corresponde exclusivamente à secreção mamária de fêmeas de mamíferos obtida por ordenha, enquanto “carne” passa a abranger todos os tecidos comestíveis de animais de açougue, incluindo músculos, gorduras e vísceras, in natura ou processados, provenientes de abate sob inspeção veterinária. A proposta também delimita conceitos como produto lácteo, produto lácteo composto, mistura láctea e produto similar ao lácteo, além de estabelecer a classificação de produtos similares à carne e alimentos de origem vegetal (plant-based). Pelo projeto, produtos vegetais não poderão utilizar denominações reservadas a produtos de origem animal sujeitos à inspeção industrial e sanitária, preservando termos tradicionalmente associados ao setor pecuário e lácteo, como manteiga, leite condensado, requeijão, creme de leite, iogurte, coalhada, cream cheese e doce de leite, bem como expressões ligadas à carne, entre elas bife, steak, hambúrguer, filé, nuggets, presunto, salsicha, linguiça, bacon e torresmo, além de cortes específicos previstos em regulamento. O texto também determina maior rigor na rotulagem e na comunicação ao consumidor, exigindo que fabricantes e estabelecimentos de alimentação informem de forma clara, ostensiva e em língua portuguesa a natureza e a composição nutricional dos produtos, vedando práticas que possam induzir o consumidor ao erro. Adicionalmente, o projeto apresenta definição normativa para mel, caracterizando-o como produto alimentício resultante do processamento do néctar, secreções vegetais ou excreções de insetos coletadas e transformadas por abelhas melíferas, conforme parâmetros que serão estabelecidos em regulamentação específica.
São Paulo intensifica monitoramento na tilapicultura
O Governo do Estado de São Paulo intensificou o monitoramento técnico e sanitário sobre o fluxo internacional de pescado, medida estratégica voltada à proteção da cadeia produtiva da aquicultura e à preservação do status sanitário da tilapicultura paulista, considerada uma das mais estruturadas do país. A iniciativa, conduzida pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, ocorre em um contexto de expansão e consolidação da produção de tilápia no estado, que reúne atualmente 21 frigoríficos responsáveis por cerca de 86% do abate nacional e mais de 12 mil tanques-rede operando em reservatórios, configurando um dos principais polos industriais da piscicultura brasileira. Segundo o órgão, a manutenção de elevados padrões sanitários é um ativo estratégico para garantir segurança alimentar, atrair investimentos e sustentar o crescimento competitivo do setor aquícola, especialmente diante da intensificação do comércio internacional de pescado. O monitoramento considera o cenário epidemiológico global e acompanha análises conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, incluindo processos de Análise de Risco de Importação (ARI) voltados à prevenção de enfermidades exóticas. Entre os principais focos de atenção está a circulação internacional do Tilapia Lake Virus (TiLV), patógeno altamente letal para a tilápia que pode provocar taxas de mortalidade superiores a 90% e rápida disseminação em sistemas intensivos de produção, já registrado em países da Ásia, África e Oriente Médio. Em regiões com alta concentração produtiva e infraestrutura industrial consolidada, como o estado de São Paulo, eventuais surtos poderiam gerar impactos significativos na produção, na indústria de processamento e na estabilidade da cadeia de suprimentos da piscicultura nacional, reforçando a importância de políticas preventivas, vigilância sanitária e integração entre pesquisa, defesa agropecuária e setor produtivo.

em estado crítico após apreensão durante operação ambiental
Morte de 157 bois apreendidos pelo Ibama vira denúncia
Uma denúncia apresentada na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal trouxe ao debate os procedimentos de custódia e manejo de animais apreendidos em operações ambientais, após relatos de produtores rurais sobre a morte de mais de 150 bovinos apreendidos durante ação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no estado do Pará. O caso foi discutido em audiência pública realizada em Brasília e está relacionado a um rebanho confiscado em março de 2025 durante a Operação 8 Segundos, conduzida no município de Uruará em área apontada como reserva ambiental desmatada. Na ocasião, 337 cabeças de gado foram apreendidas pelas autoridades ambientais, mas, após decisões judiciais posteriores, apenas 180 animais foram devolvidos aos proprietários, enquanto 157 morreram durante o período em que permaneceram sob custódia de um depositário responsável pela guarda do rebanho. A mortalidade de quase metade dos animais tornou-se o principal ponto de questionamento por parte de produtores e representantes do setor agropecuário, que pedem esclarecimentos sobre as condições de manejo, alimentação e responsabilidade legal durante a guarda dos animais apreendidos. Representantes do Ibama argumentaram que a legislação prevê que bens apreendidos possam permanecer sob responsabilidade de um depositário, ao qual caberia assegurar a manutenção e os cuidados adequados, sendo eventuais prejuízos decorrentes de negligência atribuídos a esse responsável. Contudo, segundo informações apresentadas no debate, não teria sido formalizado um termo específico de responsabilidade no caso analisado, situação que ampliou a discussão sobre protocolos de custódia, bem-estar animal, segurança jurídica e procedimentos operacionais em apreensões ambientais envolvendo rebanhos bovinos.
Brasil abre novos mercados para exportação
O Brasil concluiu negociações sanitárias que habilitam a exportação de carne bovina e carne de aves para novos mercados internacionais, ampliando a presença do agronegócio nacional em regiões estratégicas do comércio global de proteínas. Com a definição dos requisitos sanitários e fitossanitários entre as autoridades competentes, foi oficialmente aberto o mercado das Ilhas Salomão para carnes bovina e de frango produzidas no Brasil, permitindo que frigoríficos brasileiros habilitados passem a exportar proteína animal ao arquipélago localizado no Pacífico. Paralelamente, o país também concluiu tratativas técnicas com São Vicente e Granadinas, no Caribe, resultando na autorização para exportação de carne bovina, miúdos e produtos derivados de origem animal, ampliando o alcance da cadeia pecuária brasileira em mercados insulares. As aberturas decorrem de processos técnicos de equivalência sanitária e definição de protocolos de inspeção para o comércio internacional de produtos de origem animal, estratégia conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária com foco em diversificação de destinos, expansão das exportações agropecuárias e fortalecimento da competitividade global do setor de proteínas brasileiras. Com esses novos acordos sanitários, o Brasil alcança a marca de 542 aberturas de mercado para produtos agropecuários desde 2023, consolidando uma política de inserção comercial voltada à ampliação de mercados, segurança sanitária e valorização da produção pecuária nacional no comércio internacional.
Incêndio atinge navio com 2,6 mil bois vivos
Um incêndio registrado em uma embarcação cargueira atracada no Porto de São Sebastião, no litoral norte do São Paulo, mobilizou equipes de emergência e trouxe atenção às operações logísticas da exportação de gado vivo no Brasil, segmento relevante da cadeia internacional de proteínas. O incidente ocorreu a bordo do navio North Star 1, que se encontrava em preparação para embarcar aproximadamente 2,6 mil bovinos destinados à exportação para a Turquia, dentro do fluxo global de transporte de animais vivos para abate ou engorda em mercados internacionais. As chamas começaram por volta das 21 horas, possivelmente no terceiro convés da embarcação, área onde estavam armazenados feno e ração utilizados na alimentação do rebanho durante a viagem marítima, materiais de alta inflamabilidade que contribuíram para a rápida propagação do fogo e resultaram na queima de cerca de 30 toneladas de feno. Apesar da gravidade da ocorrência, não houve registro de mortes ou ferimentos entre os animais, e o incêndio foi controlado após atuação coordenada de equipes portuárias e brigadas de combate a incêndio. Entretanto, cinco tripulantes receberam atendimento médico por inalação de fumaça, entre as 28 pessoas presentes a bordo no momento do incidente. Como medida de segurança, a viagem foi imediatamente suspensa para avaliação técnica da embarcação e das condições operacionais, episódio que reacendeu discussões sobre protocolos de segurança, manejo logístico e gestão de risco em operações de transporte marítimo de animais vivos, atividade estratégica para a exportação pecuária brasileira e para a diversificação de mercados da bovinocultura nacional.

Paraquate. O agrotóxico é usado em cultivos como o
de algodão, cana-de-açúcar, milho, café e banana, desde
a década de 1960. No Brasil está proibido desde 2020
Produção mundial de paraquat será encerrada
A crescente expansão de defensivos agrícolas genéricos no mercado global tem levado empresas do setor a revisar portfólios e estratégias industriais, priorizando tecnologias mais recentes e moléculas com maior potencial de inovação e retorno econômico. Nesse contexto, a Syngenta anunciou que encerrará até o final de junho a produção mundial do herbicida à base de paraquat, decisão resultante de uma revisão estratégica de ativos diante da ampliação da concorrência de fabricantes de versões genéricas em diversos países. No Brasil, o ingrediente ativo já não integra o portfólio agrícola desde 2020, quando seu uso foi proibido pela autoridade regulatória. Como parte do processo de descontinuação, a companhia iniciou a interrupção das atividades na unidade industrial de Huddersfield, no Reino Unido, que abriga a única planta global dedicada à produção do paraquat, além do encerramento de uma instalação menor de produção multiprodutos no mesmo complexo. Segundo a empresa, o local passará por avaliação para futuros investimentos voltados ao desenvolvimento e fabricação de soluções agrícolas mais avançadas, alinhadas às novas demandas de sustentabilidade e eficiência agronômica. Desenvolvido há mais de seis décadas pela Imperial Chemical Industries, o paraquat tornou-se amplamente utilizado no controle químico de plantas daninhas em diferentes sistemas produtivos, especialmente por meio do herbicida comercializado sob a marca Gramoxone. Atualmente, porém, o produto permanece ativo em poucos mercados e representa menos de 1% das vendas globais da Syngenta, refletindo a transição do setor para novas tecnologias de proteção de cultivos e gestão de resistência de plantas daninhas.
Acordo Mercosul-UE é aprovado pelo Senado
O Congresso Nacional concluiu a aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, encerrando um processo de negociação que se estendeu por mais de 25 anos e que resultará na formação de uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Após o aval da Câmara dos Deputados na semana anterior, o tratado recebeu aprovação unânime em votação simbólica no Senado Federal e segue agora para promulgação pelo Congresso e posterior processo de ratificação pelo Poder Executivo, etapa necessária para sua implementação. Durante a tramitação, a relatora no Senado, Tereza Cristina, destacou que a abertura comercial representa oportunidade estratégica para ampliar exportações do agronegócio brasileiro, mas ressaltou a importância da adoção de mecanismos de salvaguarda para proteger produtores nacionais diante da ampliação da concorrência internacional. Em resposta às negociações parlamentares, o governo federal publicou decreto com salvaguardas comerciais bilaterais, articuladas com o vice-presidente Geraldo Alckmin, também titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Na prática, esses instrumentos funcionam como mecanismos de defesa comercial, permitindo ao país elevar tarifas, restringir volumes importados ou suspender preferências tarifárias em situações de impacto relevante sobre a produção doméstica, oferecendo período de adaptação para setores produtivos sensíveis, especialmente no agronegócio. A aprovação do tratado marca um avanço estratégico na integração econômica entre América do Sul e Europa, com potencial para expandir fluxos comerciais, ampliar mercados para produtos agropecuários e fortalecer a competitividade internacional do agronegócio brasileiro.