Manchetes da semana – 21 a 27-03-2026

BNDES fortalece pesca artesanal e agricultura familiar em SP

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, em parceria com a Fundação Banco do Brasil, anunciou investimento de R$ 2,1 milhões no fortalecimento da Rede Terra-Mar, iniciativa estratégica voltada à sustentabilidade no agronegócio, integração produtiva e valorização da sociobiodiversidade. O projeto prioriza a convergência entre pesca artesanal, agricultura familiar e sistemas agroecológicos, com foco na ampliação da escala produtiva, na transição agroecológica e na geração de renda para comunidades tradicionais, incluindo agricultores familiares, assentados, quilombolas e povos indígenas. As ações serão implementadas em Iguape, Cananeia, Itaberá, Guararema e Jarinu (SP), com destaque para a implantação e modernização de agroindústrias de pescado e o fortalecimento da Cooperpesca Artesanal como hub logístico regional. Outro eixo central é a adoção de modelo de economia circular, promovendo o reaproveitamento de resíduos da pesca como insumos para a produção orgânica. O Instituto Linha D’Água atuará no suporte técnico e institucional, consolidando um modelo replicável de produção sustentável, conservação ambiental e inclusão produtiva no campo.

Termo para construção de corredor rodoviário entre Brasil e Bolívia é assinado

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participou da formalização de um termo de intenção para a implantação de um corredor rodoviário transfronteiriço Brasil–Bolívia, iniciativa estratégica para o agronegócio e a logística de exportação. O projeto prevê a construção e pavimentação de aproximadamente 148 km, conectando a rodovia MT-199, em Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), à Rodovia 10, em San Ignacio de Velasco, no departamento de Santa Cruz. A articulação envolve o Ministério da Agricultura e Pecuária, entidades do setor produtivo mato-grossense — FAMATO, FIEMT e FECOMÉRCIO-MT — além do governo de Santa Cruz, representado por Luis Fernando Camacho. A iniciativa reforça o papel dos corredores de integração sul-americana na ampliação da competitividade logística, viabilizando o acesso da Bolívia aos portos do Arco Norte e potencializando o escoamento da produção agropecuária brasileira. O projeto consolida uma agenda de integração produtiva, redução de custos logísticos e expansão do comércio bilateral, com impacto direto na eficiência das cadeias agroindustriais.

BR-163 bloqueada pelo MST em proteto, em Campo Grande, MS - Foto: Juliano Almeida
BR-163 bloqueada pelo MST em proteto, em Campo Grande, MS
Foto: Juliano Almeida

MST fecha a BR-163 em protesto

A mobilização liderada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra resultou na interdição da BR-163, em Campo Grande (MS), impactando diretamente um dos principais corredores logísticos do agronegócio no Centro-Oeste. O bloqueio, concentrado entre os quilômetros 463 e 466, interrompeu o fluxo de cargas e veículos com uso de barricadas, gerando retenções de até 3 km e afetando o escoamento da produção agropecuária. A ação reivindica a liberação de R$ 2 bilhões para reforma agrária, além de investimentos em infraestrutura rural, habitação, saneamento e fortalecimento de cooperativas agrícolas, com ênfase no protagonismo feminino. Segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, cerca de 19 mil famílias aguardam acesso à terra no estado. O episódio evidencia a interdependência entre políticas públicas agrárias e eficiência logística, destacando os impactos econômicos de paralisações em eixos estratégicos de transporte e a urgência de soluções estruturais para o desenvolvimento sustentável no campo.

Importação de fertilizantes coloca o Brasil em alerta

O mercado brasileiro de fertilizantes atravessa um momento crítico de elevada volatilidade, evidenciando sua condição de “calcanhar de Aquiles” do agronegócio nacional. Com cerca de 85% da demanda dependente de importações, o país é diretamente impactado pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio e pelo protecionismo da China, fatores que pressionam preços e comprometem a previsibilidade do abastecimento. Em 2025, o Brasil importou aproximadamente 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes, reforçando a dependência estrutural externa e a exposição a riscos logísticos, agravados pelo fechamento de rotas estratégicas globais. A recente alta da ureia e a incerteza nas cadeias de suprimento ampliam os custos de produção e exigem do produtor rural uma postura mais estratégica, com antecipação de compras e gestão eficiente de insumos. Nesse contexto, o planejamento deixou de ser uma vantagem competitiva para se tornar condição essencial de sustentabilidade econômica, especialmente em um cenário em que decisões internacionais impactam diretamente a rentabilidade no campo. A conjuntura reforça a necessidade de políticas de incentivo à produção nacional de fertilizantes e maior resiliência logística.

Acordo histórico Mercosul-UE começa a valer em maio

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia avançará para aplicação provisória a partir de 1º de maio de 2026, marco relevante para a integração econômica e comercial entre os blocos. Confirmada pela Comissão Europeia, a medida permitirá a entrada em vigor dos principais dispositivos, com destaque para a redução de tarifas, ampliação de acesso a mercados e facilitação de comércio internacional. Brasil, Argentina e Uruguai já concluíram a ratificação, enquanto o Paraguai está em fase final, viabilizando a participação imediata na etapa inicial do tratado. Para o agronegócio brasileiro, os impactos tendem a ser significativos, com ganhos de competitividade e expansão das exportações em cadeias estratégicas como carne bovina, soja, açúcar e etanol, produtos de alta demanda no mercado europeu. O ministro Carlos Fávaro destacou o acordo como um marco histórico capaz de redefinir fluxos comerciais e impulsionar a economia nacional, mesmo diante de desafios regulatórios e divergências internas na Europa. O avanço reforça o papel do Brasil como fornecedor global de alimentos e energia renovável.

A escassez do diesel tem levado prefeituras a adotar gestão emergencial de combustível
A escassez do diesel tem levado prefeituras a adotar
gestão emergencial de combustível

Falta de diesel atinge municípios no RS

O desabastecimento de diesel no Rio Grande do Sul já impacta ao menos 166 municípios, cerca de um terço do estado, conforme boletim da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul, acendendo alerta para a continuidade dos serviços públicos e da logística regional. A escassez tem levado prefeituras a adotar gestão emergencial de combustível, priorizando saúde, transporte de pacientes e atividades essenciais, enquanto obras públicas e operações com maquinário pesado são suspensas. Embora Porto Alegre não esteja entre as cidades afetadas, o cenário evidencia riscos crescentes para cadeias dependentes de transporte rodoviário, incluindo o escoamento da produção agropecuária. A persistência das restrições pode ampliar impactos operacionais, elevar custos logísticos e comprometer a eficiência dos serviços municipais, exigindo planejamento logístico, diversificação de abastecimento e medidas de contingência. O episódio reforça a vulnerabilidade da matriz de transporte baseada em combustíveis fósseis e a necessidade de estratégias estruturais para segurança energética e resiliência no agronegócio e na gestão pública.

Safra de pinhão deve ser menor em SC(H3)

A Serra Catarinense, marcada por extensas florestas de araucária, segue como principal polo de produção de pinhão no Brasil, com 5,4 mil toneladas colhidas em 2025 nos 18 municípios da região, movimentando mais de R$ 32 milhões. Para 2026, a projeção indica queda de 32% na produção, estimada em cerca de 3,7 mil toneladas, reflexo de fatores climáticos e ciclos naturais da cultura. Apesar da retração na oferta, a tendência é de valorização dos preços, podendo igualar ou superar a média de R$ 6,44/kg registrada em 2025, sustentada pela dinâmica de mercado. O produto possui elevada relevância socioeconômica, compondo a renda de aproximadamente 30% das 34 mil famílias rurais da região, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Diante do cenário, a Epagri intensifica o suporte técnico, orientando práticas para maximização da qualidade, segurança na colheita e eficiência comercial, mitigando impactos da menor safra. O contexto reforça a importância do extrativismo sustentável e da gestão de mercado para a manutenção da renda no meio rural.

Brasil assume presidência da COP15

Sob o lema “Conectando a natureza para sustentar a vida”, teve início a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias, realizada em Campo Grande, reunindo cerca de 2 mil participantes e marcando a primeira presidência brasileira no evento, o que reforça o protagonismo do país na governança socioambiental global. Com destaque para o Pantanal como cenário estratégico, a conferência discute mais de 100 temas críticos, incluindo perda de habitats, caça ilegal, poluição e impactos da mineração, além da inclusão de 42 novas espécies nos anexos da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres. O governo brasileiro propõe, entre outras medidas, a proteção do pintado (Pseudoplatystoma corruscans), espécie relevante para cadeias ecológicas e produtivas. Paralelamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a criação e ampliação de unidades de conservação que somam mais de 145 mil hectares protegidos, fortalecendo a agenda de conservação ambiental e uso sustentável dos recursos naturais. O evento também amplia o diálogo com comunidades tradicionais, reforçando a integração entre biodiversidade, produção sustentável e desenvolvimento do agronegócio.

O pirarucu (Arapaima gigas)
O pirarucu (Arapaima gigas)

Entenda a classificação do pirarucu como espécie invasora

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis publicou instrução normativa que classifica o pirarucu (Arapaima gigas) como espécie exótica invasora fora da Amazônia, estabelecendo diretrizes para manejo e controle populacional em diversas bacias hidrográficas brasileiras. A medida reconhece o elevado potencial de impacto do peixe, predador de topo, generalista e altamente adaptável, sobre a ictiofauna nativa em regiões como São Francisco, Paraná, Paraguai, Uruguai e faixas do Atlântico. Nesses locais, passa a ser permitida a pesca, captura e abate sem limite de cota ou tamanho, durante todo o ano, com proibição de devolução ao ambiente e obrigatoriedade de destinação adequada. A norma também autoriza empresas e pescadores a solicitarem licenças específicas para ações de controle, porém restringe a comercialização dos produtos ao estado de origem, sob pena de apreensão. A decisão gera impactos diretos na piscicultura e na gestão ambiental, exigindo adequação regulatória, rastreabilidade e planejamento produtivo por parte do setor aquícola, além de reforçar a necessidade de equilíbrio entre produção e conservação da biodiversidade.

Após reunião com governo, caminhoneiros confirmam que não farão greve

Representantes da categoria de caminhoneiros confirmaram, após reunião no Palácio do Planalto, que não haverá paralisação nacional, sinalizando estabilidade para a logística do agronegócio e do transporte de cargas. O encontro reuniu o ministro Guilherme Boulos, o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres, Guilherme Theo Rodrigues da Rocha Sampaio, e o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro. A decisão ocorreu após alinhamento com sindicatos e federações, priorizando a implementação de medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que reforça o piso mínimo de frete e amplia a proteção regulatória da categoria. A pauta é considerada estratégica diante da pressão dos custos operacionais, especialmente combustíveis e manutenção, que impactam diretamente a remuneração do setor. O avanço regulatório contribui para reduzir incertezas no transporte rodoviário, garantir maior previsibilidade de receitas aos transportadores e assegurar a continuidade do escoamento da produção agropecuária, elemento crítico para a competitividade logística nacional.

Brasil produz 155% mais grãos que Argentina

A competitividade agrícola entre Brasil e Argentina evidencia uma ampliação estrutural da liderança brasileira na produção de grãos nas últimas décadas. Se nos anos 1990 o Brasil produzia 53% mais, atualmente essa diferença alcança cerca de 155%, resultado de um conjunto de fatores como maior estabilidade macroeconômica, ausência de impostos sobre exportações e amplo acesso ao crédito rural. A análise, que considera soja, milho e trigo, mostra que, embora a diferença tenha recuado para 45% nos anos 2000, impulsionada por avanços tecnológicos e adoção do plantio direto em ambos os países, voltou a crescer com a retomada das retenciones argentinas e a manutenção de políticas de incentivo no Brasil, como o Plano Safra. Na década de 2010, a vantagem brasileira chegou a 82% e, nas primeiras safras dos anos 2020, atingiu o pico de 155%. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, a projeção para 2025/26 indica leve redução para 147%, ainda refletindo a superioridade produtiva e competitiva do agronegócio brasileiro.

Pescador artesanal reparando sua rede de pesca
Pescador artesanal reparando sua rede de pesca

Sexto lote do seguro-defeso foi colocado à disposição do pescador

O pagamento do sexto lote do Seguro-Defeso (Seguro Desemprego do Pescador Artesanal) contempla 110.904 pescadores, com liberação de R$ 179,7 milhões, consolidando uma política essencial para a segurança de renda durante o período de defeso. Considerando os cinco lotes anteriores, o programa já beneficiou 269.372 trabalhadores, totalizando R$ 616,3 milhões, evidenciando sua relevância para a economia pesqueira e comunidades tradicionais. O benefício, equivalente a um salário mínimo (R$ 1.621), é pago durante a paralisação obrigatória da pesca para preservação dos ciclos reprodutivos das espécies, podendo durar até cinco meses conforme o calendário regional. A operacionalização envolve o Ministério da Pesca e Aquicultura e o Instituto Nacional do Seguro Social, garantindo conformidade cadastral e regularidade dos beneficiários. A maior parte dos pagamentos refere-se ao período entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, quando há maior restrição à atividade. O programa reforça o equilíbrio entre conservação ambiental e sustentabilidade econômica, assegurando renda aos pescadores e contribuindo para a gestão responsável dos recursos pesqueiros no Brasil.

Bancos terão de fazer monitoramento contínuo de fazendas

A Conselho Monetário Nacional instituiu a Resolução nº 5.267, de 28 de novembro de 2025, promovendo uma mudança estrutural no modelo de fiscalização do crédito rural no Brasil, ao exigir monitoramento contínuo da aplicação dos recursos pelas instituições financeiras. A norma, que atualiza o Manual de Crédito Rural, determina que bancos, cooperativas e agentes autorizados adotem procedimentos próprios, consistentes e auditáveis, sob supervisão do Banco Central do Brasil. Um dos avanços centrais é a incorporação do sensoriamento remoto como ferramenta oficial de fiscalização, permitindo o uso de imagens de satélite, sensores ópticos e radar para validar a execução das atividades financiadas. A obrigatoriedade aplica-se a operações de custeio e investimento com áreas superiores a 300 hectares, contratadas a partir de março de 2026, abrangendo desde a análise prévia da aptidão da área e conformidade ambiental até o acompanhamento de plantio, colheita e uso efetivo do solo ao longo do ciclo produtivo. A medida amplia a transparência, rastreabilidade e controle de riscos no financiamento agrícola, fortalecendo a governança do crédito rural e alinhando o setor às exigências de sustentabilidade e compliance ambiental.

Senado aprova avanço de novo marco legal para o trabalho rural

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado aprovou o relatório do PL 4.812/2025, que institui um novo marco legal do trabalho rural no Brasil, substituindo a legislação vigente desde 1973 e consolidando normas em um único instrumento regulatório. O texto, com 221 artigos, moderniza regras sobre contratos, jornada, saúde, segurança e negociação coletiva, além de criar a Política Nacional de Qualificação, Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade no Trabalho Rural, voltada à capacitação da mão de obra e à adoção de tecnologias no campo. O parecer promoveu ajustes para aumentar a aplicabilidade prática, retirando dispositivos de difícil execução, como exigências administrativas complexas e regras de teletrabalho pouco aderentes à realidade rural, além de revisar pontos como indenizações em contratos de safra. A proposta também incorpora instrumentos de gestão de riscos, prevenção de acidentes e combate ao assédio, e regulamenta modalidades como trabalho temporário, intermitente e por safra. O projeto segue para análise da Comissão de Assuntos Sociais do Senado e, se aprovado, poderá avançar à Câmara, representando um avanço na modernização das relações de trabalho no agronegócio.

Ciclo da febre oropouche

Vírus Oropouche já infectou mais de 5 milhões de pessoas no Brasil

O surto recente do vírus Oropouche evidenciou a subnotificação e a real magnitude da doença na América Latina, com mais de 30 mil casos registrados no Brasil em 2023 e expansão para todo o território nacional, deixando de se restringir à Amazônia. A Organização Mundial da Saúde alertou para a urgência no desenvolvimento de estratégias de prevenção e controle, enquanto estudos indicam que o vírus pode ter infectado 9,4 milhões de pessoas desde 1960, sendo cerca de 5,5 milhões no Brasil. Transmitido pelo mosquito Culicoides paraensis, o chamado maruim, o vírus apresenta incidência até 11 vezes maior em áreas rurais, favorecido por ambientes úmidos, matéria orgânica e altas temperaturas, o que amplia riscos para regiões agrícolas. Embora geralmente cause sintomas semelhantes à dengue, há potencial de evolução para complicações neurológicas, microcefalia e abortos, elevando sua relevância em saúde pública. O cenário reforça a necessidade de vigilância epidemiológica integrada, com uso de monitoramento sorológico, dados ambientais e ferramentas genômicas, além da descentralização de testes e sistemas de alerta precoce, essenciais para mitigar impactos sanitários e produtivos no meio rural.

Arroz terá subvenção de até R$ 70 milhões

O governo federal instituiu a Portaria Interministerial MAPA/MF/MPO/MDA nº 38, de 5 de março de 2026, que define as diretrizes de subvenção ao arroz em casca da safra 2025/2026, no âmbito da Política de Garantia de Preços Mínimos, com recursos de até R$ 70 milhões. A operacionalização ocorrerá por meio dos instrumentos Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural) e PEP (Prêmio para o Escoamento de Produto), executados via leilões públicos pela Companhia Nacional de Abastecimento, com o objetivo de garantir remuneração mínima ao produtor e estabilidade de renda no campo. Os preços mínimos foram fixados em R$ 63,74/saca (50 kg) para Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e R$ 80,00/saca (60 kg) para demais regiões. O Pepro atende diretamente produtores e cooperativas, complementando o valor de venda até o mínimo estabelecido, enquanto o PEP envolve compradores, como indústrias e tradings, que assumem o compromisso de pagar esse valor ao produtor. A medida reforça o papel da PGPM na regulação de mercado, equilíbrio da oferta e segurança alimentar, contribuindo para a competitividade e previsibilidade do setor orizícola brasileiro.

Cinturão antigreening é lançado em Uberlândia

Lançado durante a Feira do Agronegócio Mineiro – Femec, em Uberlândia, o projeto Cinturão Antigreening desponta como uma das principais iniciativas estratégicas da citricultura brasileira para o controle do greening (HLB). A proposta visa estruturar um ecossistema regional de proteção fitossanitária, abrangendo municípios do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas, com foco na contenção do psilídeo (vetor da doença) e na prevenção da disseminação da praga. O modelo já foi iniciado em Araxá e Sacramento, onde legislações locais estabelecem medidas de controle, e prevê a expansão por meio da padronização de normas municipais voltadas à proteção dos pomares. A iniciativa fortalece a sanidade vegetal, a segurança produtiva e a sustentabilidade da cadeia citrícola, reduzindo riscos fitossanitários e ampliando a competitividade regional. Ao integrar políticas públicas, produtores e entidades setoriais, o projeto consolida um modelo de gestão territorial de pragas, essencial para a manutenção da produtividade e da qualidade dos citros no Brasil.

A praga no meio da lavoura. A planta exótica apresenta alta resistência a herbicidas e vem se espalhando pelo Brasil - Foto: Adapar
A praga no meio da lavoura. A planta exótica
apresenta alta resistência a herbicidas e vem
se espalhando pelo Brasil – Foto: Adapar

Foco de caruru-gigante é identificado em Santa Catarina

A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) confirmou a ocorrência de Amaranthus palmeri (caruru-gigante ou caruru-palmeri) em propriedade rural de Campo Erê, acendendo alerta para a sanidade vegetal no agronegócio. Considerada uma das plantas daninhas mais agressivas, a espécie apresenta alto potencial de dispersão, crescimento acelerado (até 3 cm/dia) e elevada produção de sementes (até 1 milhão por planta), além de resistência a herbicidas como glifosato e inibidores de ALS, o que dificulta o manejo em culturas como soja e milho. A confirmação foi realizada por laboratório credenciado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, com base em análises morfológicas e moleculares (PCR). Em resposta, foram adotadas medidas fitossanitárias imediatas, incluindo interdição da área, erradicação das plantas e monitoramento em propriedades vizinhas, conforme o Programa Nacional de Prevenção e Controle da praga. O caso reforça a importância da detecção precoce, manejo integrado de plantas daninhas e vigilância fitossanitária contínua, fundamentais para evitar perdas produtivas e preservar a competitividade agrícola.

Governo anuncia pacote de medidas para agricultura familiar

Durante a 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário – CNDRSS, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um conjunto de medidas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar e do desenvolvimento rural sustentável, com destaque para a destinação de R$ 150 milhões em inovação no campo. O pacote inclui a regulamentação do Programa Garantia Safra, agora com foco em adaptação climática, e a criação do Programa Nacional de Regularização Fundiária – Terras do Brasil, visando ampliar a segurança jurídica e o acesso à terra. Também foram assinados decretos de reforma agrária e reconhecimento de territórios quilombolas, incluindo a titulação do território de Alcântara (MA), reforçando a inclusão produtiva e a valorização de comunidades tradicionais. Em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos – Finep, foram lançadas chamadas públicas para soluções tecnológicas sustentáveis no meio rural. As medidas consolidam uma agenda estratégica voltada à inovação, resiliência climática e fortalecimento da agricultura familiar, com impactos diretos na segurança alimentar e no desenvolvimento socioeconômico do campo.

*SUS oferece teste inovador para detectar dengue

O Ministério da Saúde incorporou o Teste Rápido de Dengue NS1 à tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde, ampliando o diagnóstico precoce da dengue na rede pública. Disponível em unidades básicas, ambulatórios e hospitais, o exame pode ser solicitado por diferentes profissionais de saúde e detecta a proteína NS1 nos primeiros dias de infecção, superando limitações da sorologia tradicional, que apresenta positividade tardia. Baseado em imunocromatografia, o teste utiliza amostra capilar (punção digital) e fornece resultado em minutos, sem necessidade de preparo, garantindo agilidade clínica e tomada de decisão antecipada. A tecnologia contribui para a identificação de sinais de gravidade, como alterações hematológicas, reduzindo o risco de evolução para formas severas, incluindo a dengue hemorrágica, além de fortalecer a vigilância epidemiológica e o controle de surtos. Oferecido gratuitamente pelo SUS, o procedimento amplia o acesso universal ao diagnóstico, enquanto, na rede privada, apresenta custo médio de R$ 40. A medida reforça a capacidade de resposta do sistema de saúde diante do avanço da doença no país.

A solução integra dados públicos e privados, oferecendo uma visão abrangente da cadeia produtiva do trigo
A solução integra dados públicos e privados, oferecendo
uma visão abrangente da cadeia produtiva do trigo

Plataforma digital permitirá perseguir autossuficiência em trigo

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa lançou a plataforma digital Trigo no Brasil, ferramenta estratégica voltada à autossuficiência na produção nacional de trigo e ao fortalecimento da inteligência de mercado no setor. A solução integra dados públicos e privados, oferecendo uma visão abrangente da cadeia produtiva, com mapas, indicadores e análises que cobrem produção, importação, processamento e exportação. Entre os diferenciais, destaca-se a estimativa inédita dos sistemas de cultivo (irrigado e sequeiro) no Brasil Central, região em expansão na triticultura, além de cenários prospectivos para aumento da produção. Em um contexto de volatilidade global de preços e custos, influenciado por tensões geopolíticas, a plataforma surge como instrumento para tomada de decisão baseada em dados, aumento de produtividade e redução de riscos. Paralelamente, iniciativas com cereais de inverno e uso do trigo para geração de energia ampliam o potencial de diversificação e inovação no setor. A ferramenta reforça o papel da pesquisa aplicada e da transformação digital no agronegócio, impulsionando a competitividade e a sustentabilidade da cadeia tritícola brasileira.

Brasil abre novos mercados para exportação

O Brasil concluiu negociações sanitárias e comerciais que autorizam a exportação de gado vivo e material genético para Ruanda, ampliando a inserção do agronegócio brasileiro no mercado africano. As aberturas contemplam bovinos e búfalos vivos para reprodução, animais para engorda e abate, além de embriões e sêmen bovino e bubalino, fortalecendo cadeias de melhoramento genético e pecuária internacional. A iniciativa sinaliza expansão estratégica das exportações agropecuárias, diante do potencial de crescimento econômico e demográfico da África, e abre oportunidades para serviços técnicos especializados. Em 2025, o Brasil já havia exportado mais de US$ 392 milhões em gado vivo e genética bovina para o continente, evidenciando a relevância desse mercado. Com o novo acordo, o país atinge 552 aberturas de mercado desde 2023, consolidando sua posição como fornecedor global de genética e proteína animal. A medida reforça a diversificação de destinos, aumento da competitividade e valorização da pecuária brasileira no comércio internacional.

São Paulo estabelece medidas de proteção a tilapicultura contra risco de vírus letal

O goverdno paulista publicou resolução que estabelece medidas rigorosas de defesa sanitária na cadeia da tilápia, com foco na prevenção do Tilapia Lake Virus (TiLV), uma das principais ameaças globais à aquicultura. A norma define protocolos obrigatórios para ingresso, trânsito, comercialização e processamento de tilápia e derivados oriundos de países com ocorrência da doença, reforçando o controle preventivo diante de incertezas regulatórias federais. Entre as exigências estão rastreabilidade completa dos lotes, segregação por origem, manutenção de registros por no mínimo 12 meses e fiscalização contínua, aplicáveis a produtos destinados ao consumo, ração e processamento industrial. A execução caberá à Defesa Agropecuária estadual, com apoio de vigilâncias municipais e órgãos como o Procon-SP, permitindo inspeções, apreensões, interdições e aplicação de sanções administrativas. A medida busca preservar o status sanitário da aquicultura paulista, garantir a biossegurança produtiva e sustentar o crescimento da cadeia aquícola com segurança, competitividade e conformidade regulatória.

Espécie é concentrada nas florestas urbanas da cidade de Manaus - Foto: Leandro Ferreira Amaral
Espécie é concentrada nas florestas urbanas da
cidade de Manaus – Foto: Leandro Ferreira Amaral

Zoo de SP recebe novos filhotes de primata ameaçado

O Zoológico de São Paulo registrou o nascimento inédito de filhotes de sauim-de-coleira (Saguinus bicolor), espécie criticamente ameaçada, marcando um avanço relevante nos programas de conservação da biodiversidade brasileira. Resultado de manejo técnico rigoroso e integração ao programa coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o nascimento reforça estratégias de preservação genética e reprodução assistida em cativeiro. Os filhotes apresentam bom estado de saúde e seguem sob cuidados parentais característicos da espécie, com revezamento entre macho e fêmea no transporte dos filhotes, evidenciando padrões comportamentais essenciais ao desenvolvimento. Endêmico da região de Manaus, o sauim-de-coleira enfrenta alto risco de extinção devido à fragmentação de habitat e à pressão urbana, sendo classificado como “Criticamente Ameaçado” em listas internacionais. Nesse contexto, a reprodução bem-sucedida fora de sua área natural contribui para a segurança genética e continuidade da espécie, além de fortalecer ações integradas entre instituições de pesquisa e conservação. A iniciativa evidencia o papel estratégico de zoológicos modernos como centros de ciência aplicada, educação ambiental e conservação ex situ, com impactos diretos na proteção de espécies e no equilíbrio dos ecossistemas.

Projeto dá início à expansão do cultivo de palma forrageira no semiárido

A expansão do cultivo de palma forrageira no semiárido brasileiro avança como estratégia estruturante de resiliência produtiva e segurança alimentar animal, com apoio da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – Sudene e do Instituto Nacional do Semiárido – INSA, no âmbito da Rede Palma e do Programa Inova Palma. Os primeiros plantios ocorreram em municípios do Rio Grande do Norte e Ceará, com implantação de 18 unidades de multiplicação (0,75 ha cada) e uso da variedade Orelha de Elefante Mexicana (Opuntia stricta), resistente à cochonilha-do-carmim. A iniciativa já contabiliza o plantio de 165 mil raquetes-semente, com meta de distribuir até 18 milhões de mudas, promovendo a expansão contínua da cultura entre produtores locais. Com investimento de R$ 2,6 milhões, o projeto inclui capacitação técnica, difusão de tecnologias e modelo de reposição de mudas, garantindo sustentabilidade operacional. A palma forrageira destaca-se pela alta resistência à seca e capacidade de retenção hídrica, sendo fundamental para a alimentação de rebanhos em períodos de estiagem. A ação reforça políticas de convivência com o semiárido, aumento da produtividade pecuária e geração de renda rural, consolidando a cultura como ativo estratégico para o agronegócio regional.

Brasil bate recorde de produção e exportação de celulose em 2025

Segundo o Boletim Mosaico da Indústria Brasileira de Árvores, o setor de árvores cultivadas apresentou desempenho robusto em 2025, com produção de celulose atingindo 29,4 milhões de toneladas (+6,9%) e exportações de 20,7 milhões de toneladas (+11,6%), refletindo expansão de capacidade industrial e novos investimentos. A produção de papel manteve-se em 11,3 milhões de toneladas, com crescimento de 4,8% nas exportações e 2% nas vendas internas, enquanto o segmento de painéis registrou leve alta doméstica (+1,3%) e retração externa (-4,2%). Em valor, as exportações do setor somaram US$ 14,9 bilhões, com recuo de 4,8% influenciado por pressões nos preços internacionais, sem perda de competitividade. O setor respondeu por 4,3% da balança comercial brasileira e 8,8% das exportações do agronegócio, consolidando-se como quinto principal item da pauta exportadora do agro. A China permaneceu como principal destino, com crescimento de 5%, seguida por Europa, América do Norte e América Latina. O desempenho evidencia a resiliência e relevância estratégica da base florestal plantada, mesmo diante de cenário global adverso e protecionista.

Cajueiro BRS 805

Embrapa inicia distribuição contínua de mudas do clone BRS 805 de cajueiro

A Embrapa anunciou a implementação de um novo modelo de fornecimento em fluxo contínuo para o clone de cajueiro BRS 805, permitindo que viveiristas com registro ativo no Renasem realizem solicitações sem restrição de prazos fixos, ampliando a previsibilidade operacional e o acesso ao material genético. Serão ofertados 20 lotes com 50 garfos cada, ao custo de R$ 100 por lote, limitado a uma unidade por viveirista. Desenvolvido para o litoral do Ceará e regiões similares, o BRS 805 apresentou elevado desempenho produtivo em cultivo de sequeiro, com 1.800 kg/ha de castanha e 23,8 t/ha de pedúnculo entre o 5º e o 7º ano, superando cultivares tradicionais. O clone destaca-se por porte baixo a médio, adaptação ao semiárido, resistência fitossanitária (oídio, antracnose, mofo-preto e septoriose) e compatibilidade com mecanização, fatores que contribuem para a redução de custos e maior sustentabilidade do sistema produtivo. Como o 14º material do programa de melhoramento da Embrapa, reforça a diversificação de pomares e mitigação de riscos.

Brasil adota rota alternativa para contornar Estreito de Ormuz

O Ministério da Agricultura e Pecuária viabilizou uma rota logística alternativa via Turquia para assegurar a continuidade das exportações do agronegócio brasileiro ao Oriente Médio e à Ásia Central, diante das restrições no Estreito de Ormuz causadas pela instabilidade geopolítica. O novo arranjo posiciona a infraestrutura portuária turca como hub estratégico de escoamento, permitindo que cargas brasileiras transitem ou sejam armazenadas temporariamente sem a necessidade de atravessar o Golfo Pérsico, elevando a resiliência logística e a previsibilidade das operações. Embora já utilizada anteriormente, a rota ganha protagonismo com o bloqueio parcial de uma das principais vias marítimas globais, oferecendo flexibilidade operacional aos exportadores. Como contrapartida, a Turquia passou a exigir protocolos sanitários mais rigorosos, especialmente para produtos de origem animal. Para mitigar riscos, foi acordada a adoção de um Certificado Veterinário Sanitário específico, garantindo conformidade regulatória, continuidade do fluxo comercial e redução de interrupções nas exportações. A iniciativa reforça a segurança logística e a competitividade internacional do agro brasileiro em um cenário de elevada volatilidade.

BNDES incentiva silvicultura de espécies nativas

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia e a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura firmaram parceria estratégica para expandir a silvicultura de espécies nativas, com aporte de R$ 24,9 milhões no Programa de Pesquisa e Desenvolvimento em Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN). Com atuação na Mata Atlântica e na Amazônia, o programa prevê cinco anos de pesquisa em 14 sítios e 30 espécies, sob coordenação da Universidade Federal de São Carlos e da Embrapa, com gestão da Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico. A iniciativa reforça a transição para uma agenda de implementação com escala produtiva, inovação científica e manejo sustentável, ampliando a participação brasileira no mercado global de madeira tropical. O modelo integra recuperação de áreas degradadas, diversificação florestal e geração de renda, contemplando espécies como cumaru, castanha-do-pará e ipê, com aplicações da agricultura familiar a projetos industriais. O investimento também fortalece indicadores do banco, que já mobilizou R$ 7 bilhões, gerou 70 mil empregos e projeta o plantio de mais de 280 milhões de árvores, consolidando a silvicultura nativa como vetor de sustentabilidade e competitividade no agronegócio brasileiro.

Coffea eugenioides - Fotos: MTPak Coffee, SICC e Coffee Magazine
Coffea eugenioides – Fotos: MTPak Coffee, SICC e Coffee Magazine

Mercado mundial de luxo do café tem Brasil na vanguarda

A cafeicultura brasileira reforça seu protagonismo global ao avançar no cultivo comercial da rara espécie Coffea eugenioides, liderado por Luiz Paulo Dias Pereira Filho, referência reconhecida pela Brazil Specialty Coffee Association e pela Alliance for Coffee Excellence. Considerada o “Romanée-Conti dos cafés”, a variedade apresenta baixíssima produtividade (cerca de 2 sacas/ha), porém elevado valor agregado, com preço médio de R$ 90 mil por saca, impulsionado por sua raridade, perfil sensorial diferenciado (baixa cafeína, alta doçura e notas cítricas) e demanda internacional crescente. Após uma década de experimentação, o cultivo já alcança escala comercial inicial (5 ha e produção estimada de 10 sacas/ano), com vendas consolidadas para mercados premium como Ásia e Oriente Médio. Estudos do Instituto Agronômico de Campinas indicam que a espécie possui base genética associada à qualidade do Coffea arabica, especialmente na expressão de genes ligados à produção de açúcares. O movimento posiciona o Brasil na vanguarda do mercado de cafés ultraprêmio, com potencial de liderança global em nichos de alto valor, inovação genética e diferenciação sensorial.