Manchetes da semana – 21 a 27-02-2026

Casos de gripe aviária na Argentina e no Uruguai reforçam alerta no Brasil

O recrudescimento de focos de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) na Argentina e no Uruguai elevou o nível de vigilância sanitária no Brasil, especialmente após a retomada recente das importações de carne de frango pela China, suspensas por seis meses depois do primeiro registro em granja comercial brasileira em maio do ano anterior. Na Argentina, o Senasa confirmou novo caso em plantel comercial no município de Ranchos (província de Buenos Aires), determinando interdição imediata da unidade produtiva e comunicação formal à OMSA, com consequente suspensão das exportações para mercados com acordos sanitários livres da doença; situação semelhante já havia ocorrido em agosto, também com impacto comercial direto. No Uruguai, por outro lado, as detecções ocorreram apenas em aves silvestres, condição que não gera embargo automático, embora tenha motivado decretação de emergência sanitária preventiva. Para o Brasil, o cenário regional reforça a necessidade de biosseguridade rigorosa, monitoramento epidemiológico contínuo e resposta rápida a suspeitas, sobretudo no período de maior risco associado à migração de aves do Hemisfério Norte durante o inverno, quando aumentam as probabilidades de introdução viral. Assim, a influenza aviária permanece o principal desafio sanitário da avicultura brasileira, com impacto direto sobre mercado externo, habilitações sanitárias e previsibilidade das exportações.

Basil inaugura escritório da ApexBrasil na Índia

Durante missão oficial à Índia, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, na inauguração do primeiro escritório da agência em Nova Délhi, o 11º posto internacional, consolidando movimento estratégico de expansão comercial do Brasil no mercado indiano. A abertura reforça o processo de internacionalização do agronegócio brasileiro, que registrou mais de 537 novos mercados habilitados para produtos agropecuários nos últimos três anos, ampliando previsibilidade e segurança para exportadores. Segundo o ministério, a presença permanente no país asiático tende a elevar o fluxo bilateral de comércio e investimentos, além de fortalecer a diplomacia sanitária e a promoção comercial. Na agenda técnica, os governos avançaram em cooperação produtiva envolvendo bioinsumos, mecanização agrícola, inteligência artificial aplicada ao campo e complementaridade entre cadeias produtivas, áreas consideradas essenciais para enfrentar desafios comuns de segurança alimentar e produtividade sustentável entre duas das maiores potências agrícolas globais. A iniciativa posiciona o Brasil para ganho de competitividade, diversificação de mercados e ampliação das exportações agropecuárias em um dos maiores polos consumidores do mundo.

62,2% dos lares costarriquenhos possuem ao menos um cão ou gato, totalizando cerca de 1,78 milhão de animais
62,2% dos lares costarriquenhos possuem ao menos um
cão ou gato, totalizando cerca de 1,78 milhão de animais

Brasil habilita 40 plantas de pet food para exportação à Costa Rica

O Brasil ampliou sua inserção internacional ao habilitar 40 plantas industriais de pet food para exportação à Costa Rica, após aprovação do Serviço Nacional de Saúde Animal (Senasa) no âmbito das novas exigências sanitárias que passaram a requerer habilitação prévia dos estabelecimentos exportadores. A medida fortalece a competitividade da indústria nacional de alimentos para animais de companhia diante de um mercado em expansão: 62,2% dos lares costarriquenhos possuem ao menos um cão ou gato, totalizando cerca de 1,78 milhão de animais, o que consolida o segmento como item essencial no orçamento doméstico. Em termos comerciais, a Costa Rica importou aproximadamente US$ 98 milhões em pet food em 2025, sendo US$ 2,8 milhões provenientes do Brasil, evidenciando espaço relevante para ganho de participação brasileira. As novas regras sanitárias ampliam rastreabilidade, previsibilidade regulatória e transparência no comércio bilateral, mas tornam obrigatória a habilitação específica das plantas exportadoras, exigindo adequação documental e sanitária das empresas interessadas em acessar o mercado.

Governo prepara decreto de salvaguardas no acordo Mercosul-UE

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, informou que o decreto brasileiro de salvaguardas do acordo comercial Mercosul e União Europeia será encaminhado à Casa Civil para análise jurídica prévia à publicação, estabelecendo regras de proteção à produção nacional diante de distorções comerciais. O instrumento prevê mecanismos defensivos para produtos agropecuários caso medidas restritivas europeias sejam aplicadas, cenário possível após o Parlamento Europeu ter aprovado normas mais rígidas para importações agrícolas vinculadas ao tratado, acionáveis quando houver aumento relevante de volumes que gere ou ameace prejuízo aos produtores locais. O setor do agronegócio brasileiro defende reciprocidade, solicitando que o governo também possa reagir a elevação das compras de bens europeus concorrentes. No âmbito dos acordos internacionais, salvaguardas permitem resposta temporária a surtos de importação decorrentes da redução tarifária, podendo incluir imposição de cotas, suspensão da preferência tarifária ou recomposição do imposto anterior ao tratado, mediante comprovação de dano grave à indústria doméstica. O decreto ainda deverá definir prazos, metodologia investigativa e critérios técnicos para aplicação das medidas, reforçando previsibilidade regulatória e segurança econômica nas relações comerciais bilaterais. Nessa mesma semana, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o acordo. O texto do acordo foi aprovado pela representação brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul). A votação teve apoio da bancada ruralista depois de articulação com o Executivo para acelerar a publicação de decreto sobre salvaguardas bilaterais. Com a aprovação, o texto segue para votação no plenário do Senado. O acordo ainda tem que ser ratificado ainda nos Congressos da Argentina, Paraguai e Uruguai.

Brasil firma acordos com Coreia do Sul

O Ministério da Agricultura firmou, em Seul, dois memorandos de entendimento com o governo da Coreia do Sul para ampliar a cooperação bilateral em agricultura, inovação, sanidade e desenvolvimento rural, durante visita oficial do presidente Lula ao país asiático. O primeiro acordo, celebrado entre os ministérios da Agricultura de ambos os países, estabelece expansão do intercâmbio técnico e institucional em ciência, tecnologia, agricultura digital, segurança alimentar e cadeias de abastecimento, incluindo cooperação em medidas sanitárias e fitossanitárias (SPS), com harmonização normativa e troca de informações estratégicas para facilitar o comércio agropecuário. O documento também contempla infraestrutura agrícola, promoção de investimentos, intercâmbio científico e criação do Comitê de Cooperação Agrícola Brasil–Coreia, responsável por monitorar a implementação das ações conjuntas. O segundo memorando envolve o Ministério da Agricultura, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Administração de Desenvolvimento Rural da Coreia, estruturando cooperação técnica para registro, avaliação e gestão de agrotóxicos e bioinsumos, com compartilhamento de dados, intercâmbio de especialistas, capacitação técnica e desenvolvimento de pesquisas conjuntas. A iniciativa reforça a agenda estratégica de inovação regulatória, sustentabilidade e facilitação de comércio agrícola entre Brasil e Coreia do Sul, ampliando oportunidades de investimentos e integração tecnológica no agronegócio.

A megaferrovia tem 1.206 km de extensão, investimento estimado em R$ 14,9 bilhões e está com cerca de 80% das obras concluídas
A megaferrovia tem 1.206 km de extensão,
investimento estimado em R$ 14,9 bilhões e
está com cerca de 80% das obras concluídas

Megaferrovia de 1200 km aguardada a 67 anos tem data para entrega

A Ferrovia Transnordestina, aguardada desde a década de 1950, avança para consolidação como eixo logístico estratégico do Nordeste, com 1.206 km de extensão, investimento estimado em R$ 14,9 bilhões e cerca de 80% das obras concluídas, segundo o Ministério dos Transportes. O corredor ferroviário conecta Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém (CE), atravessando 53 municípios em Piauí, Ceará e Pernambuco, com entrega prevista até 2027 após sucessivos atrasos históricos — iniciado em 1959, retomado em 2006 e acelerado a partir de 2024. O projeto foi concebido para otimizar o escoamento de grãos, fertilizantes, cimento, combustíveis e minérios do interior nordestino, reduzindo custos logísticos e aumentando competitividade agroindustrial. Testes operacionais já foram iniciados, incluindo transporte experimental de quase mil toneladas de sorgo em cerca de 16 horas, etapa essencial para validação operacional. A expectativa é que o novo corredor estimule instalação de terminais logísticos, portos secos e investimentos produtivos ao longo da malha, consolidando a ferrovia como vetor de integração regional, eficiência de frete e expansão do agronegócio exportador no Nordeste.

Trump aumenta tarifa global para 15%

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a elevação imediata das tarifas globais de importação de 10% para 15%, decisão tomada após a Suprema Corte dos EUA rejeitar a legalidade das tarifas adotadas nos meses anteriores, intensificando a tensão comercial internacional. A medida foi justificada pelo governo norte-americano como resposta a supostas práticas desleais de parceiros comerciais ao longo de décadas, mas provocou reação imediata da Comissão Europeia, que cobrou cumprimento do acordo comercial firmado entre Estados Unidos e União Europeia no ano passado e solicitou clareza regulatória sobre as novas medidas. Para o bloco europeu, a iniciativa compromete previsibilidade jurídica, equilíbrio concorrencial e segurança para investimentos transatlânticos, elevando a incerteza no comércio global — cenário que tende a impactar cadeias agroindustriais dependentes de exportações e importações, especialmente em commodities e insumos estratégicos. O episódio reforça a volatilidade da política comercial internacional e amplia riscos de distorções tarifárias com reflexos diretos sobre preços, competitividade e fluxo de comércio do agronegócio mundial.

Brasil e Índia assinam acordo sobre terras raras e minerais críticos

Brasil e Índia firmaram, em Nova Délhi, acordo estratégico sobre minerais críticos e terras raras voltado à construção de cadeias de suprimento resilientes e expansão de investimentos em energias renováveis, considerado pelos governos um avanço relevante na cooperação bilateral. O primeiro-ministro Narendra Modi destacou o fortalecimento da segurança industrial e tecnológica, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou oportunidades conjuntas em tecnologia da informação, inteligência artificial, biotecnologia e inovação produtiva, com foco em desenvolvimento inclusivo. Paralelamente, foi assinado memorando adicional envolvendo comércio, empreendedorismo, defesa e saúde, além de avanços em cooperação agrícola com ênfase em bioinsumos, mecanização e IA aplicada ao campo, buscando complementaridade produtiva entre duas potências agroexportadoras diante dos desafios de segurança alimentar e produtividade sustentável. No comércio agropecuário, o Brasil sinalizou abertura para importação de romã e macadâmia indianas, enquanto negocia autorização para exportar feijão-guandu, ampliar vendas de carne de frango e erva-mate, ampliando a integração comercial Sul-Sul e diversificação de mercados estratégicos para o agronegócio.

O jumento pêga e detalhes da marca a oficial da ABCJPÊGA
O jumento pêga e detalhes da marca a oficial da ABCJPÊGA

Associação alerta sobre falsificação na identificação da raça Pêga

A Associação Brasileira dos Criadores de Jumento Pêga (ABCJPÊGA) emitiu alerta oficial sobre falsificação na identificação genealógica da raça Pêga, denunciando o uso indevido da marca oficial por pessoas não credenciadas, prática que compromete a credibilidade do Serviço de Registro Genealógico (SRG) e pode configurar ilícitos civis e penais. Reconhecida pela rusticidade, resistência e aptidão para produção de muares de alto valor, a raça, originária do Brasil, depende de controle genealógico rigoroso para garantir padrão racial, previsibilidade produtiva e segurança comercial. Por isso, o ferro oficial (trapézio com linhas verticais descendentes e a letra “P”) é de uso exclusivo do SRG, conforme regulamento próprio. A entidade reforça que a identificação válida inclui também microchipagem com número seriado arquivado, assegurando rastreabilidade e autenticidade dos animais. O uso irregular pode enquadrar-se na Lei de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996) e no crime de estelionato (art. 171 do Código Penal), além de gerar consequências diretas ao criador: perda da validade genealógica, impedimento de registro e prejuízos econômicos. Animais marcados por não inspetores permanecem automaticamente proibidos de registro oficial, medida destinada a preservar a integridade genética e comercial da asinocultura especializada.

Implementação do Selo da Pesca Artesanal do Brasil avança

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) avançaram na implementação do Selo da Pesca Artesanal do Brasil – Identificação de Origem, certificação destinada a valorizar produtos da pesca artesanal, ampliar mercados e fortalecer a renda de comunidades tradicionais dentro das políticas públicas de inclusão produtiva e sustentabilidade. A adesão exige que pescadores estejam inscritos no Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) e no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) com licença ativa, enquanto associações e cooperativas devem comprovar maioria dirigente regularizada. O selo assegura ao consumidor rastreabilidade, conformidade sanitária, respeito ao ordenamento pesqueiro e boas práticas ambientais, aumentando confiança e agregação de valor ao pescado. A certificação também facilita acesso a compras institucionais, como PAA e PNAE, além de canais privados e potenciais exportações, criando novas oportunidades comerciais para o setor. Equipes técnicas trabalham na definição de critérios operacionais para garantir implementação eficiente e compatível com a realidade produtiva da pesca artesanal brasileira, consolidando a iniciativa como instrumento de competitividade e conservação dos recursos naturais.

Governo de SP institui plano para erradicação do caruru-gigante

O Governo do Estado de São Paulo instituiu, por meio da Resolução SAA nº 07, de 19 de fevereiro de 2026, o Plano Estadual de Prevenção, Controle e Erradicação do caruru-gigante (Amaranthus palmeri), planta daninha invasora de elevado potencial de disseminação e impacto econômico sobre lavouras comerciais. Coordenada pela Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, a estratégia foi adotada após confirmação de foco, com imediata interdição da área, eliminação do foco e monitoramento ampliado. O plano estabelece protocolos padronizados de vigilância fitossanitária, rastreabilidade, manejo integrado, fiscalização e controle do trânsito de máquinas e implementos agrícolas, além de eliminação obrigatória das plantas e acompanhamento contínuo com apoio da pesquisa, extensão rural, setor produtivo e prefeituras. A medida busca proteger cadeias produtivas agrícolas, reduzir riscos de disseminação e preservar a competitividade do agronegócio paulista, assegurando resposta técnica rápida e coordenação institucional permanente diante de pragas quarentenárias emergentes.

A inseminação artificial é uma estratégia de eficiência produtiva, ganho genético e redução de custo por unidade produzida
A inseminação artificial é uma estratégia
de eficiência produtiva, ganho genético e
redução de custo por unidade produzida

Produção de sêmen bovino avançou 12,4% em 2025

A indústria brasileira de inseminação artificial bovina registrou produção de 23 milhões de doses de sêmen em 2025, avanço de 12,4% sobre 2024, conforme o Index Asbia, divulgado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial em parceria com o Centro de Estudos em Economia Aplicada da Esalq/USP. Do total, 19,2 milhões de doses destinaram-se ao segmento de corte e 3,8 milhões ao leite, este último com crescimento recorde de 20,9%, evidenciando intensificação tecnológica mesmo em cenário adverso de margens. Considerando produção nacional e importações, a oferta total no mercado cresceu 15,5%, impulsionada pela entrada de 7,2 milhões de doses importadas (+26,7%) e por exportações recordes superiores a 1 milhão de doses (598 mil corte e 519 mil leite). O desempenho ocorre apesar da elevação do descarte reprodutivo: dados do Nespro UFRGS da Universidade Federal do Rio Grande do Sul apontam que as fêmeas representaram 45% dos abates em 2025, ante 33,7% em 2021, fator que tende a restringir a produção de bezerros e ampliar a dependência de genética superior. No leite, a adoção da biotecnologia avançou mesmo sob pressão econômica, pois o preço pago ao produtor em Minas Gerais recuou de R$ 2,72 para R$ 2,03 por litro no ano, reforçando a inseminação artificial como estratégia de eficiência produtiva, ganho genético e redução de custo por unidade produzida.

Governo federal revoga decreto que privatizava rios da Amazônia

O governo federal revogou o Decreto nº 12.600/2025, que autorizava a concessão de uso dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins para implantação de hidrovias, após mais de 30 dias de ocupação indígena no terminal da Cargill em Santarém (PA) e articulações de lideranças em Brasília. A medida foi confirmada pela Secretaria-Geral da Presidência e ocorreu diante de questionamentos sobre riscos ambientais, impactos logísticos e ausência de consulta livre, prévia e informada, conforme previsto na Organização Internacional do Trabalho, tratado do qual o Brasil é signatário. O projeto previa estruturar corredores hidroviários estratégicos para o escoamento de grãos do Norte ao Arco Norte exportador, mas a suspensão reforça a centralidade do licenciamento socioambiental e da governança territorial na expansão da infraestrutura logística do agronegócio brasileiro.

Frota de aviões agrícolas cresce no Brasil

A aviação agrícola brasileira encerrou 2025 com 2.866 aeronaves em operação, crescimento anual de 5,2%, segundo a Análise da Frota Aeroagrícola Brasileira elaborada pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola com base em dados da Agência Nacional de Aviação Civil. O número praticamente dobrou desde 2009 (1.498 aeronaves), acumulando expansão de 91%, e marca o terceiro ano consecutivo de avanço relevante após altas de 7,21% em 2024 e 3,82% em 2023, consolidando a retomada dos investimentos após a acomodação observada em 2022 (+0,56%). O crescimento acompanha a ampliação da área cultivada e a crescente demanda por eficiência operacional, precisão na aplicação de insumos e profissionalização das operações aeroagrícolas, reforçando o papel estratégico da tecnologia aérea na produtividade do agronegócio. Regionalmente, a frota permanece concentrada nas principais fronteiras produtivas: Mato Grosso lidera com 803 aeronaves, seguido por Rio Grande do Sul (398), São Paulo (328) e Goiás (320), que juntos somam 64,4% do total, refletindo a geografia da produção agrícola nacional. Entre os dez maiores mercados, apenas o Paraná apresentou retração (-3,4%).

Agora para participar de cavalgadas tradiconalistas oficiais na Região Metropolitana de Porto Alegre será obrigatório o Curso de Formação de Cavaleiros (CFC)
Agora para participar de cavalgadas tradiconalistas
oficiais na Região Metropolitana de Porto Alegre será
obrigatório o Curso de Formação de Cavaleiros (CFC)

Região gaúcha exige curso obrigatório para cavaleiros

A 12ª Região Tradicionalista da Região Metropolitana de Porto Alegre aprovou, durante congresso realizado no CTG Independência Gaúcha, nova regulamentação para participação em cavalgadas oficiais, tornando obrigatório o Curso de Formação de Cavaleiros (CFC) para participantes de eventos supervisionados em Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Nova Santa Rita. A norma estabelece certificação válida por dois anos e registro formal, sendo a apresentação do documento condição para presença e permanência nas atividades organizadas pelo Departamento Regional de Cavalgadas. A formação será estruturada em módulos com conteúdo técnico, segurança em manejo de equinos, boas práticas sanitárias e integração cultural, incluindo palestras e atividades práticas, com o objetivo de padronizar condutas, reduzir riscos operacionais e profissionalizar eventos ligados à tradição campeira, que mantêm interface direta com o meio rural e o turismo cultural. A medida gerou repercussão entre cavaleiros experientes, mas reforça a institucionalização e a governança das atividades equestres, cujo impacto sobre adesão e organização dos eventos deverá ser observado nos próximos ciclos festivos regionais.

Projeto obriga uso de madeira certificada em obras públicas

O Projeto de Lei 6.190/2025 propõe tornar obrigatório o uso exclusivo de madeira de origem legal e certificada em obras financiadas com recursos públicos federais, abrangendo construções, reformas e ampliações habitacionais, comerciais, industriais, rurais e de infraestrutura, atualmente em análise na Câmara dos Deputados. A regra alcança empreendimentos apoiados pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, além de operações contratadas junto à Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, BNDES e bancos regionais, incluindo ainda financiamentos lastreados em FGTS, fundos constitucionais (FNO, FNE e FCO) e demais dotações do Orçamento da União. O texto determina que a comprovação da origem legal da madeira ocorra em todas as fases da obra, da aprovação do projeto à prestação de contas final, contemplando tanto elementos permanentes (estruturas, pisos e forros) quanto usos temporários (fôrmas e escoramentos). Para liberação de parcelas do crédito, as instituições financeiras deverão exigir nota fiscal, Documento de Origem Florestal (DOF) e certificações de manejo florestal e cadeia de custódia, transformando o financiamento público em instrumento de rastreabilidade e combate ao desmatamento ilegal. O descumprimento implicará suspensão imediata de recursos, vencimento antecipado da dívida em caso de fraude, aplicação de multas e impedimento de contratar com o poder público por até cinco anos, reforçando a política de sustentabilidade e compliance ambiental no setor da construção e da cadeia florestal brasileira.

Conab anuncia recursos para comercialização de arroz

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou a liberação de R$ 73,6 milhões para apoiar a comercialização do arroz da safra 2025/26, com objetivo de escoar cerca de 300 mil toneladas e sustentar a renda do produtor diante da queda de preços. Do total, R$ 61,3 milhões serão destinados ao Rio Grande do Sul, principal polo orizícola do país, com previsão de movimentar aproximadamente 250 mil toneladas, além de operações em Santa Catarina, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão, atendendo demanda direta do setor produtivo. Os recursos serão operacionalizados via Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor) e PEP (Prêmio para Escoamento de Produto), instrumentos da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) acionados quando o mercado fica abaixo do piso oficial. Atualmente, no Rio Grande do Sul, o produtor recebe em média R$ 53,27 por saca de 50 kg frente ao mínimo de R$ 63,74. No Pepro, o produtor comercializa ao preço de mercado e recebe prêmio complementar após comprovar o escoamento, enquanto no PEP a empresa adquire pelo preço mínimo e recebe incentivo para retirar o produto da origem ou destiná-lo ao beneficiamento. As operações terão início após portaria interministerial dos Ministérios da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e Fazenda, seguida da publicação dos avisos de leilão pela Conab, configurando medida de intervenção de mercado para estabilização de preços, liquidez da safra e manutenção da atividade orizícola nacional.

Fancy, a éguamais velha do mundo, nasceu em 1988 e é criada por Paige Sigmon Blumer desde junho de 2000
Fancy, a éguamais velha do mundo, nasceu em 1988 e
é criada por Paige Sigmon Blumer desde junho de 2000

Égua é reconhecida no Guinness como a mais velha do mundo

A égua Tracies Lil Kleberg (chamada carinhosamente de “Fancy”) foi reconhecida pelo Guinness World Records como a égua mais velha viva do mundo, atingindo 37 anos, 10 meses e 24 dias, desempenho biológico expressivo considerando que a expectativa média de vida de equinos varia entre 25 e 30 anos. Nascida em 1º de abril de 1988, em Aldie, no estado da Virgínia, EUA, e criada desde 2000 por Paige Sigmon Blumer, o animal superou diferentes intercorrências clínicas ao longo da vida e permanece ativo em manejo extensivo leve, convivendo com outro asinino da propriedade. O registro reforça a importância de nutrição adequada, manejo sanitário contínuo, bem-estar animal e acompanhamento veterinário preventivo como fatores determinantes para a longevidade equina, tema relevante para criadores, haras e medicina veterinária esportiva. Segundo a entidade, o recorde histórico absoluto pertence ao cavalo britânico Old Billy, que viveu até 62 anos, evidenciando o potencial de longevidade da espécie sob condições de manejo excepcionais.

UE colocará em vigor provisoriamente o acordo com o Mercosul

O Parlamento argentino ratificou o acordo de livre comércio Mercosul–União Europeia, firmado após 25 anos de negociações, com aprovação no Senado por 69 votos a 3, consolidando o avanço institucional do tratado e reforçando o movimento já seguido pelo Uruguai. O pacto ainda depende da ratificação completa de Brasil, Paraguai e do bloco europeu. No Brasil, a Câmara dos Deputados já aprovou o texto e aguarda-se a deliberação do Senado. Diante desse cenário, a Comissão Europeia anunciou em Bruxelas a entrada em vigor provisória do acordo, conforme possibilidade prevista após a conclusão do processo legislativo por ao menos um membro do Mercosul, decisão confirmada pela presidente Ursula von der Leyen mesmo diante de resistências internas, especialmente de países com preocupação quanto à competitividade agrícola sul-americana. A expectativa europeia é de adesão breve de Brasil e Paraguai, movimento acompanhado por aceleração no debate parlamentar brasileiro. Para o agronegócio, o tratado tende a ampliar acesso a mercados, previsibilidade regulatória e redução tarifária, com impacto direto sobre cadeias exportadoras de carnes, grãos e produtos agroindustriais, reforçando a integração comercial birregional.

Serra da Mantiqueira deve registrar safra recorde de azeite em 2026

O avanço da colheita de azeitonas na Serra da Mantiqueira, iniciada há cerca de 30 dias, confirma forte desempenho produtivo e perspectiva de safra recorde de azeite em 2026, com volumes iniciais de extração, realizados no Campo Experimental de Maria da Fé, já acima das projeções para pequenos e médios produtores. A região deve superar o recorde de aproximadamente 150 mil litros obtido em 2024, podendo alcançar 300 a 400 mil litros, impulsionada pela excelente florada registrada em 2025, adequada acumulação de horas de frio no inverno e efeito de bienalidade produtiva, típico de culturas perenes como oliveira, café e citros. Em 2025, a produção havia recuado para cerca de 60 mil litros, reforçando o ciclo de alta atual. A cadeia regional, composta por cerca de 100 produtores, 25 agroindústrias e 50 marcas próprias, tem evolução diretamente associada à transferência tecnológica e às recomendações de manejo difundidas pela Epamig, incluindo práticas de condução do pomar e padronização de extração, consolidando a olivicultura mineira como polo emergente de azeites extravirgens brasileiros de alta qualidade.