Aqui você encontra em notas as últimas e mais importantes notícias semanais do agronegócio nacional e internacional
EUA abrem nova investigação comercial contra o Brasil
O governo dos Estados Unidos anunciou a abertura de investigações comerciais contra 59 países e a União Europeia, incluindo o Brasil, com foco na apuração de práticas relacionadas à entrada de produtos possivelmente vinculados ao uso de trabalho forçado, prática considerada concorrência desleal e fator de distorção de custos no comércio internacional. A iniciativa, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), está amparada na Seção 301 do Trade Act de 1974, instrumento que permite ao país reagir a políticas externas classificadas como injustificáveis, discriminatórias ou prejudiciais à competitividade americana. Segundo o representante comercial Jamieson Greer, há uma percepção de que falhas regulatórias em mercados estrangeiros têm permitido vantagens artificiais a produtores internacionais, impactando diretamente trabalhadores e empresas dos EUA. O processo inclui consultas diplomáticas com os governos envolvidos e a realização de audiências públicas, indicando possível escalada em medidas comerciais, com reflexos relevantes para cadeias globais, especialmente no agronegócio, onde rastreabilidade, compliance socioambiental e governança de fornecedores ganham centralidade estratégica.
Terras agrícolas abandonadas no cerrado são mapeadas por IA e satélites
Estudo pioneiro conduzido pela Embrapa, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), demonstra o avanço do uso de inteligência artificial aplicada ao sensoriamento remoto para mapear o abandono de áreas agrícolas no cerrado brasileiro, trazendo implicações diretas para o agronegócio e a agenda climática. A pesquisa, realizada em Buritizeiro (MG), identificou mais de 13 mil hectares de terras abandonadas entre 2018 e 2022, cerca de 5% da área agrícola local, com elevada precisão (94,7% de acurácia) a partir de imagens do satélite Sentinel-2 (ESA) combinadas a modelos de deep learning (Rede Neural Totalmente Conectada – FCNN). O levantamento revelou que 87% das áreas abandonadas correspondem a antigos plantios de eucalipto, refletindo desafios produtivos como baixa eficiência de pastagens em períodos secos e aumento dos custos de insumos, fatores críticos para a sustentabilidade econômica regional. A metodologia permitiu classificar com alto nível de detalhamento diferentes usos da terra, incluindo, de forma inédita, áreas abandonadas, consolidando-se como ferramenta estratégica para planejamento territorial, restauração ecológica e políticas de mitigação das mudanças climáticas, com potencial para subsidiar iniciativas de sequestro de carbono e formação de corredores ecológicos. Apesar dos avanços, o estudo destaca limitações técnicas, como a dificuldade de diferenciar pastagens degradadas de vegetação nativa devido à similaridade espectral, reforçando a necessidade de aprimoramento contínuo dos modelos. No conjunto, os resultados evidenciam que tecnologias digitais e inteligência artificial são vetores centrais para a gestão eficiente do uso da terra e a transição para uma agricultura mais sustentável no cerrado.

a importância da integração entre políticas públicas,
inclusão social e desenvolvimento sustentável no campo
Governo cria cadastro geral das comunidades quilombolas
A Fundação Cultural Palmares instituiu, por meio da Portaria FCP nº 85, de 16 de março de 2026, o Cadastro Geral das Comunidades Quilombolas, criando um sistema estruturado para registro, controle administrativo e produção de dados estratégicos sobre territórios tradicionais, com impactos relevantes para a governança fundiária e o planejamento no agronegócio. A norma estabelece procedimentos para a emissão da Certidão de Autodefinição, documento essencial para o reconhecimento formal dessas comunidades, cuja análise terá prazo de até 180 dias, prorrogável uma única vez por igual período, sendo posteriormente encaminhada sem custos e com validade por tempo indeterminado. O reconhecimento oficial como Remanescente de Quilombo será formalizado por portaria publicada no Diário Oficial da União, com base em critérios de autoatribuição étnico-racial, trajetória histórica própria e vínculos territoriais específicos, associados à ancestralidade negra e à resistência histórica. O banco de dados consolidado passa a integrar o patrimônio institucional da Fundação, ampliando a transparência, rastreabilidade territorial e segurança jurídica em áreas sensíveis à regularização fundiária e ao uso da terra, temas estratégicos para o setor agropecuário. A iniciativa também padroniza conceitos e nomenclaturas, como Terras de Preto, Mocambos e Comunidades Negras, reforçando a importância da integração entre políticas públicas, inclusão social e desenvolvimento sustentável no campo.
Inovação em silvicultura de nativas ganha impulso estratégico em evento do BNDES
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento não reembolsável de R$ 25 milhões, via Fundo Tecnológico (Funtec), para impulsionar um projeto estruturante de pesquisa, desenvolvimento e inovação em silvicultura de espécies madeireiras nativas, abrangendo 30 espécies prioritárias dos biomas Amazônia e Mata Atlântica. Coordenada pela FAI-UFSCar, Embrapa e UFSCar, a iniciativa integra universidades, centros de pesquisa e empresas em um modelo colaborativo, com contrapartidas financeiras e não financeiras do setor privado, além de aportes complementares do Bezos Earth Fund, operacionalizados via Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul). Com duração prevista de cinco anos, o projeto constitui a primeira fase do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento em Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN), lançado pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, e atuará em nove frentes estratégicas, incluindo melhoramento genético, manejo florestal, tecnologia da madeira, zoneamento topoclimático e mercados de serviços ambientais. Entre os principais objetivos estão ganho de escala, aumento de produtividade e consolidação de cadeias sustentáveis de madeira tropical, com suporte de novas áreas experimentais como a Rede de Sítios de Longa Duração(Rede SELD) e da sistematização de dados históricos de experimentos iniciados há mais de quatro décadas. A iniciativa posiciona o Brasil para liderar a produção sustentável de madeira nativa, fortalecendo a bioeconomia e ampliando oportunidades no agronegócio florestal de baixo carbono.
Governo lança o Plano Clima
O Governo lançou o Plano Nacional sobre Mudança do Clima (Plano Clima), principal instrumento estratégico para orientar o país no enfrentamento da crise climática até 2035, consolidando diretrizes integradas de mitigação de emissões de gases de efeito estufa e adaptação aos impactos climáticos. Coordenado pela Casa Civil, pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o plano foi կառուցído ao longo de três anos com participação de 25 ministérios e aprovado no âmbito do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), preenchendo uma lacuna de 17 anos desde sua versão anterior, de 2008. Alinhado à Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) e ao Acordo de Paris, o documento estabelece o roteiro para cumprimento da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), com metas de redução de 59% a 67% das emissões líquidas até 2035 (base 2005) e neutralidade climática até 2050, além de incorporar instrumentos financeiros e estratégias transversais que viabilizam sua execução. O plano chegou com R$ 27,5 bilhões reembolsáveis para 2026, o maior orçamento já aprovado pelo Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, e integra oito estratégias de mitigação e 16 de adaptação, estruturando políticas setoriais e temáticas que impactam diretamente o agronegócio, ao reforçar a transição para uma economia de baixo carbono, aumento da resiliência produtiva e gestão sustentável dos recursos naturais. Com validação política e institucional, o Plano Clima posiciona o Brasil como potencial liderança global na agenda ambiental e atua como marco orientador para estados, municípios e setor privado, exigindo coordenação multissetorial para enfrentar riscos climáticos e ampliar a competitividade sustentável do país.

Ovinocultores alertam para a falta de medicamentos para controle de sarna no RS
Em reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Ovinos da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, entidades do setor deliberaram pela elaboração de um documento ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) solicitando ações imediatas diante da escassez de medicamentos específicos para controle de sarna e piolhos em ovinos, problema que compromete a sanidade e a produtividade dos rebanhos. Foi destacado que (NEG)o Brasil depende de importação desses insumos veterinários pois está em falta o medicamento no comércio interno, evidenciando lacunas regulatórias e de mercado. O tema será encaminhado à Câmara Setorial de Caprinos e Ovinos, em Brasília, ampliando o debate em nível nacional. Paralelamente, o encontro avançou na articulação de um grupo de trabalho para estruturar um programa estadual de desenvolvimento da ovinocultura, com foco na retenção de matrizes, aumento da base produtiva e acesso a crédito via bancos públicos. Também foi discutida a subnotificação de rebanhos, fator que limita a qualidade das estatísticas setoriais e o planejamento de políticas públicas. O movimento reforça a necessidade de políticas integradas de sanidade animal, financiamento e organização produtiva, visando elevar a competitividade e a sustentabilidade da cadeia ovina no Brasil.
Arrozeiros gaúchos pressionam por incentivo fiscal
Representantes da cadeia produtiva do arroz no Rio Grande do Sul intensificaram a articulação institucional pela prorrogação do crédito presumido de ICMS, considerado instrumento fiscal estratégico para a competitividade do arroz gaúcho em mercados como São Paulo e Minas Gerais, durante reunião da Frente Parlamentar em Defesa do Arroz na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre. O pleito envolve entidades como Federarroz, Irga, Sindarroz, Farsul e Fiergs, além de parlamentares e membros do governo estadual, e busca a renovação dos incentivos previstos no Decreto Estadual nº 58.296, de 28 de julho de 2025, cuja manutenção é vista como essencial para evitar distorções tributárias e garantir equilíbrio concorrencial interestadual. O mecanismo permite à indústria abater parte do imposto devido, reduzindo custos e sustentando a presença do produto em mercados-chave. O setor destacou ainda o papel socioeconômico da orizicultura na metade sul do estado, que concentra cerca de 4 milhões de hectares aptos ao cultivo irrigado e abriga um dos maiores polos industriais do segmento fora da Ásia, gerando aproximadamente 24 mil empregos diretos. Diante de custos crescentes de produção e queda nos preços, já se observa retração de área plantada, com cerca de 90 mil hectares fora de cultivo, e risco de desestruturação da cadeia, incluindo fechamento de indústrias e perda de empregos, cenário que reforça a necessidade de manutenção do incentivo também sob a ótica social. Lideranças contestam estimativas oficiais de impacto fiscal, defendendo análise ampliada que considere perdas econômicas já em curso. O tema foi encaminhado ao governador Eduardo Leite, com mobilização parlamentar em andamento, evidenciando a relevância de políticas fiscais para sustentação da competitividade, estabilidade produtiva e geração de renda no agronegócio.
Emater-MG reúne técnicos para discutir turismo rural
O 2º Encontro Nacional de Técnicos em Turismo Rural da Extensão Rural Oficial, realizado em Belo Horizonte e promovido pela Emater-MG, reuniu cerca de 80 extensionistas de 13 estados com o objetivo de fortalecer a assistência técnica voltada à diversificação de renda na agricultura familiar por meio do turismo rural. O evento destacou o papel estratégico da extensão rural na estruturação de experiências turísticas em propriedades agrícolas, reforçando que a atividade atua como complemento econômico, sem substituir a produção agropecuária. Entre os principais temas abordados, destacou-se o Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur), do Ministério do Turismo, como ferramenta de formalização, visibilidade e organização da oferta turística rural, ampliando o acesso dos produtores ao mercado. Também ganhou relevância o desafio da formatação de produtos turísticos rurais, etapa essencial para transformar potencial produtivo em experiências estruturadas e atrativas ao visitante, além da importância das instâncias de governança e articulação regional para consolidar o setor. O encontro reforçou o turismo rural como vetor de desenvolvimento sustentável, agregação de valor e inclusão produtiva no agronegócio, ampliando oportunidades para pequenos produtores e fortalecendo economias locais.

Casa Branca coleciona mais um recorde em leilão virtual de genética Nelore
A Casa Branca Agropastoril, referência nacional em melhoramento genético da raça Nelore, registrou forte desempenho em seu primeiro leilão do ano, o Casa Branca Top Class, ao movimentar mais de R$ 21,5 milhões, consolidando a alta valorização da genética bovina de elite no Brasil. O evento comercializou 108 animais entre fêmeas e machos jovens, além de sêmen, com destaque para o leilão de animais, que somou R$ 20,5 milhões, impulsionado principalmente pela demanda por fêmeas de alto valor genético, cuja média geral atingiu R$ 357 mil. A categoria Signature, composta por fêmeas, alcançou média expressiva de R$ 1,3 milhão, enquanto a categoria Opportunity, de bezerras, superou R$ 9,3 milhões em vendas, evidenciando forte competitividade entre criadores. A comercialização de reprodutores e sêmen também apresentou resultados consistentes, com faturamento conjunto superior a R$ 1,8 milhão. O leilão reuniu descendentes de matrizes consagradas como Viatina-19, Isabela, Patrícia, Alessandra e Viatina-3, reforçando o reconhecimento do mercado à qualidade genética, previsibilidade produtiva e potencial de retorno econômico desses animais. O desempenho do evento evidencia a consolidação da genética Nelore como ativo estratégico para ganhos de produtividade, eficiência zootécnica e competitividade da pecuária de corte brasileira.
Senar realizou Encontro Nacional de Coordenadores da Ateg
O Encontro Nacional de Coordenadores da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), realizado na sede do Sistema CNA/Senar, em Brasília, reuniu representantes dos 27 estados em uma imersão estratégica de dois dias, consolidando-se como um marco no aprimoramento da gestão orientada a resultados no agronegócio brasileiro. A programação técnica, composta por painéis especializados, dinâmicas operacionais, apresentação de indicadores e benchmarking entre estados, teve como foco central a otimização dos processos de atendimento aos produtores rurais, com base em evidências e avaliação contínua de desempenho. Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o avanço da ATeG representa a consolidação de um modelo estruturante de assistência técnica integrada, capaz de promover ganhos de produtividade, aumento de renda e melhoria da qualidade de vida no campo, especialmente entre pequenos e médios produtores. A metodologia adotada reforça a inclusão produtiva e a profissionalização da gestão rural, permitindo que esses produtores se integrem de forma competitiva ao mercado agropecuário nacional. O encontro também funcionou como uma plataforma de análise crítica e revisão estratégica, com base em uma ampla radiografia dos atendimentos realizados em todo o país, evidenciando a importância de indicadores de performance, monitoramento contínuo e inovação na extensão rural como pilares para a evolução do programa.
Mapa confirma novas aberturas de mercado para o Brasil
O governo brasileiro concluiu negociações sanitárias e comerciais que viabilizam a exportação de macadâmia e castanha de caju para a Turquia e de carne suína resfriada para Singapura, ampliando de forma estratégica a inserção internacional do agronegócio nacional. A abertura do mercado turco, posicionado entre os principais importadores globais de castanha de caju, fortalece o potencial de expansão das cadeias de frutos secos e oleaginosas, agregando competitividade aos produtores brasileiros. Em 2025, o Brasil já havia exportado mais de US$ 3,2 bilhões em produtos agropecuários para o país, com destaque para soja, algodão e café. No caso de Singapura, a habilitação para carne suína resfriada representa um avanço relevante na pauta exportadora, ao favorecer produtos de maior valor agregado e exigência sanitária, em um mercado que importou mais de US$ 710 milhões em itens agropecuários brasileiros no mesmo período. Com essas novas frentes, o Brasil atinge a marca de 548 aberturas de mercado desde 2023, evidenciando uma estratégia consistente de diversificação de destinos, fortalecimento das exportações e ampliação da competitividade global do agronegócio brasileiro.

autonomia comercial ao produtor e melhor
posicionamento nos mercados interno e externo
Déficit de armazenagem de grãos no Brasil supera 200 milhões de toneladas
O avanço da produção de grãos no Brasil volta a expor, de forma crítica, o déficit estrutural de armazenagem, um dos principais entraves à eficiência do agronegócio. Com a safra estimada em 353 milhões de toneladas em 2026, o país dispõe de capacidade estática para apenas 218 milhões de toneladas, evidenciando um gap logístico de aproximadamente 206 milhões de toneladas, muito aquém do nível recomendado, cerca de 20% acima da produção (424 milhões de toneladas). Esse descompasso compromete diretamente a competitividade do setor, uma vez que a falta de infraestrutura de armazenagem obriga produtores a comercializar no pico da colheita, período de maior oferta e pressão negativa sobre os preços, reduzindo margens e poder de negociação. O problema é agravado pela baixa eficiência operacional dos armazéns, que frequentemente operam com múltiplos produtos, limitando o uso pleno da capacidade instalada. Os impactos se estendem por toda a cadeia, gerando sobrecarga logística, elevação dos custos de frete, filas nos corredores de escoamento e maior pressão sobre rodovias, além de perdas qualitativas e financeiras dentro da porteira. Nesse contexto, a armazenagem deixa de ser uma etapa operacional e passa a se consolidar como uma estratégia central para rentabilidade, gestão de risco e ganho de eficiência no agronegócio brasileiro, sendo fundamental para garantir maior autonomia comercial ao produtor e melhor posicionamento nos mercados interno e externo.
El Niño tem possibilidade de acontecer entre junho e agosto
A mais recente atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirma a transição do fenômeno La Niña para um cenário de neutralidade climática, com forte probabilidade de evolução para El Niño no segundo semestre de 2026, configurando um novo ciclo de impacto relevante para o agronegócio. Segundo o boletim, há 62% de chance de início do El Niño entre junho e agosto, com intensificação progressiva ao longo do ano (72% entre julho-setembro, 80% entre agosto-outubro e 83% entre outubro-dezembro), enquanto o período imediato (março a maio) deverá apresentar 93% de probabilidade de neutralidade climática, reduzindo para 55% entre maio e julho, à medida que o fenômeno ganha força; sob a ótica produtiva, o El Niño tende a provocar um inverno mais úmido e com temperaturas acima da média, além de uma primavera mais chuvosa na região Sul, cenário que eleva riscos operacionais para culturas sensíveis como café e cana-de-açúcar, sobretudo pela dificuldade na colheita entre setembro e novembro devido à maior frequência de chuvas, enquanto, por outro lado, culturas como soja e milho podem se beneficiar de um regime hídrico mais regular no outono, favorecendo o desenvolvimento inicial e o potencial produtivo; nesse contexto, o monitoramento climático e o planejamento agronômico tornam-se estratégicos para mitigação de riscos e maximização de produtividade.
Congresso promulga decreto do acordo Mercosul-UE
O Congresso Nacional promulgou o decreto legislativo que ratifica o acordo provisório de comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), consolidando uma etapa decisiva para a ampliação da integração econômica e comercial entre os blocos. Firmado em janeiro, em Assunção, o pacto prevê a redução tarifária para 91% das importações do Mercosul e 95% das importações da UE, abrangendo um mercado combinado de 718 milhões de consumidores e PIB estimado em US$ 22,4 trilhões, o que reforça seu potencial estratégico para o agronegócio brasileiro. A cerimônia contou com autoridades como o vice-presidente Geraldo Alckmin, além de lideranças do Legislativo e diplomacia, evidenciando o alinhamento institucional em torno do acordo. Com a aprovação já concluída no Legislativo, após tramitação pelo Parlamento do Mercosul (Parlasul), Câmara e Senado, o próximo passo será a internalização via decreto presidencial e posterior notificação à Comissão Europeia, com expectativa de entrada em vigor em até 60 dias, abrindo novas oportunidades para expansão das exportações agropecuárias, ganho de competitividade e diversificação de mercados.

Brasil-Bolívia, realizado em São Paulo
Brasil e Bolívia avançam em acordo regulatório para facilitar comércio
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, anunciou que Brasil e Bolívia estão em fase final de um acordo de harmonização regulatória, com foco em facilitar o comércio bilateral, ampliar investimentos e integrar cadeias produtivas do agronegócio, conforme destacado durante o Encontro Empresarial Brasil-Bolívia, realizado em São Paulo. A iniciativa visa reduzir barreiras técnicas e regulatórias, permitindo maior fluidez na circulação de tecnologias, insumos e produtos agroindustriais, em um contexto considerado estratégico para a intensificação da cooperação regional. Segundo o ministro, a Bolívia desponta como parceiro relevante para expansão de negócios nos segmentos de alimentos, bebidas, máquinas e equipamentos, além de oferecer oportunidades para o fortalecimento da inovação, com ênfase em biotecnologia e desenvolvimento sustentável, pilares essenciais para elevar a competitividade e a resiliência do setor. Nesse cenário, a construção de uma agenda conjunta orientada à integração entre agroindústria e sustentabilidade tende a impulsionar novos investimentos, ampliar o intercâmbio tecnológico e consolidar o crescimento econômico regional.
Parceria levará conectividade e tecnologias digitais a assentamentos rurais
A parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e a Embrapa viabiliza a expansão da infraestrutura de conectividade rural e da digitalização no campo em assentamentos do estado de São Paulo, com a implantação de novos Distritos Agrotecnológicos (DATs) nos municípios de Iperó, Miracatu e Pereira Barreto. A iniciativa replica o modelo do projeto Semear Digital, estruturado para promover inclusão digital e socioprodutiva em pequenas e médias propriedades, por meio da instalação de antenas, ampliação do acesso à internet, capacitação em letramento digital e adoção de soluções tecnológicas aplicadas às cadeias produtivas locais, como aplicativos, plataformas e serviços digitais. Coordenado pela Embrapa Agricultura Digital, o projeto, executado via Termo de Execução Descentralizada (TED), também abre espaço para a integração de instituições de pesquisa e inovação, potencializando o desenvolvimento de tecnologias adaptadas às realidades territoriais, com base em diagnóstico técnico de conectividade e demandas dos Territórios da Cidadania. Além de impulsionar a produtividade e eficiência operacional, a iniciativa contribui para a redução das desigualdades no meio rural, fortalecendo a assistência técnica e extensão rural, a qualificação profissional e a geração de renda, com impacto direto na qualidade de vida e na retenção da juventude no campo.
Nova linha de crédito tem juros de 3% ao ano
O acesso ao crédito rural no Brasil vive um momento de inflexão, marcado por juros elevados, maior rigor na concessão por instituições financeiras e avanço das recuperações judiciais no campo, fatores que, somados à queda recente nos preços das commodities, comprimem margens e exigem gestão financeira mais estratégica dentro da porteira. Nesse contexto, observa-se uma migração crescente para soluções alternativas de financiamento, fora do sistema bancário tradicional, que oferecem maior flexibilidade, menor burocracia e previsibilidade ao produtor, tendência intensificada pela postura mais conservadora do Banco do Brasil, que vem endurecendo critérios de crédito diante do aumento da inadimplência. Como resposta a esse ambiente, estruturas privadas e especializadas, como a ConsulttAgro, ganham relevância ao disponibilizar linhas de crédito rural com taxas a partir de 3% ao ano, prazos de até 20 anos e soluções customizadas, além de alternativas como consórcios para aquisição de máquinas, imóveis e ativos produtivos sem incidência de juros, operando em parceria com múltiplas instituições financeiras e fundos de investimento. Essa abordagem técnica e personalizada permite adequar o crédito às necessidades específicas de custeio, investimento e modernização, transformando um cenário restritivo em oportunidade de reorganização financeira, aumento de eficiência e crescimento sustentável no agronegócio.

Greve dos caminhoneiros preocupa governo
O transporte rodoviário de cargas no Brasil enfrenta um cenário crítico, impulsionado pela elevação expressiva do preço do diesel e pelo descumprimento do piso mínimo do frete, fatores que pressionam a rentabilidade dos caminhoneiros e elevam o risco de paralisações nacionais, com impactos diretos sobre a logística do agronegócio. A recente alta do combustível, influenciada pela valorização do petróleo em meio a tensões geopolíticas, tem ampliado os custos operacionais e reduzido a viabilidade econômica da atividade, enquanto medidas governamentais, como isenções tributárias e subsídios, ainda não se refletem de forma consistente nas bombas, segundo a categoria. Paralelamente, a não observância dos valores mínimos de frete por parte de contratantes intensifica o desequilíbrio do setor, levando transportadores autônomos a operar com margens negativas. Em resposta, o governo federal, sob liderança do presidente Lula, anunciou o reforço da fiscalização e a edição de medida provisória que endurece regras e amplia a proteção aos caminhoneiros, atendendo a uma demanda histórica da categoria. Embora as iniciativas tenham reduzido, no curto prazo, o risco de greve, o segmento permanece em estado de alerta, evidenciando a necessidade de equilíbrio regulatório, previsibilidade de custos e cumprimento das normas para garantir a estabilidade logística e a competitividade do agronegócio brasileiro.
Copom reduz taxa Selic em 0,25 pp
O Comitê de Política Monetária (Copom), vinculado ao Banco Central do Brasil, decidiu por reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano, em decisão unânime que marca o primeiro corte de juros após quase dois anos de política monetária contracionista, período no qual a taxa permaneceu elevada como instrumento de controle inflacionário. Segundo o colegiado, há evidências consistentes de desaceleração da atividade econômica decorrente do nível restritivo dos juros, o que abre espaço para ajustes graduais na calibragem da política monetária, mantendo o foco na convergência da inflação à meta. O cenário, no entanto, permanece condicionado a elevadas incertezas externas, especialmente relacionadas aos conflitos no Oriente Médio e seus potenciais impactos sobre cadeias globais de suprimentos e preços de commodities, fatores com efeito direto sobre a inflação doméstica. Nesse contexto, a decisão sinaliza uma mudança cautelosa de ciclo, com implicações relevantes para o agronegócio, ao reduzir o custo do crédito, estimular investimentos produtivos e melhorar as condições de financiamento no campo, ainda que sob monitoramento contínuo do ambiente macroeconômico e geopolítico.
Trabalho da Emater-MG é aprovado por 94,4% dos produtores rurais
Levantamento de satisfação encomendado pela Emater-MG evidencia alto nível de aprovação dos serviços de assistência técnica e extensão rural em Minas Gerais, com 94,4% dos produtores rurais classificando o atendimento como ótimo ou bom, segundo pesquisa conduzida pelo Instituto Leal-M, que entrevistou presencialmente 2 mil produtores em 180 municípios entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026. Os dados indicam ainda que 92% dos atendidos reconhecem impacto positivo direto na melhoria da qualidade de vida familiar, enquanto 88% afirmam que recomendariam os serviços, reforçando a relevância institucional da entidade; no acesso a políticas públicas, 90,7% avaliaram as oportunidades como positivas, destacando a atuação da empresa na integração entre produtores e programas governamentais. Entre os principais serviços demandados estão o apoio técnico à produção agrícola (18,1%), o acesso ao crédito rural (13,6%), além de capacitações, orientação sobre políticas públicas e apoio à comercialização, evidenciando um portfólio abrangente voltado à produtividade, gestão e inclusão produtiva no campo. Com presença em 820 municípios e atendimento anual a cerca de 350 mil produtores, a Emater-MG consolida-se, ao longo de seus 77 anos, como referência estratégica no desenvolvimento rural sustentável e na difusão de tecnologias no agronegócio brasileiro.

regenerativa, rastreabilidade e controle de origem,
inovação tecnológica, governança e cooperativismo,
turismo de experiência e valorização cultural
Cerrado Mineiro redefine posicionamento e amplia referência na cafeicultura regenerativa global
A Região do Cerrado Mineiro anunciou um reposicionamento estratégico de sua marca territorial, consolidando uma nova fase para a cafeicultura brasileira ao evoluir de uma origem produtora de excelência, reconhecida como a primeira Denominação de Origem de cafés do Brasil, para um ecossistema integrado de inovação, sustentabilidade e desenvolvimento territorial. Desenvolvida em parceria com o Sebrae, a estratégia amplia o escopo da região, que responde por 12,7% da produção nacional e exporta para mais de 30 países, com o objetivo de fortalecer sua inserção global não apenas pela qualidade do café, mas pela capacidade de liderar modelos regenerativos no agronegócio. Orientado pelo propósito de “ressignificar o produzir, o inovar e o viver”, o novo posicionamento integra cafeicultura regenerativa, rastreabilidade e controle de origem, inovação tecnológica, governança e cooperativismo, turismo de experiência e valorização cultural, além de iniciativas voltadas à formação de novas gerações e promoção de bem-estar no campo. Ao se apresentar como uma plataforma colaborativa, a região busca atrair produtores, cooperativas, empresas, investidores e instituições de pesquisa, ampliando o impacto positivo, a competitividade e as oportunidades ao longo de toda a cadeia produtiva, e consolidando-se como referência global em inovação, sustentabilidade e valor agregado na produção de café.
Governo disponibiliza R$ 3 bilhões para estados zerarem ICMS de diesel importado
A União propôs aos estados e ao Distrito Federal a zeragem temporária do ICMS sobre a importação de diesel, como medida emergencial para conter a escalada dos preços dos combustíveis e mitigar impactos logísticos no agronegócio e na economia, oferecendo como contrapartida a compensação de 50% das perdas de arrecadação estadual. A proposta, apresentada pelo Ministério da Fazenda durante reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária, prevê renúncia fiscal estimada em R$ 3 bilhões mensais, sendo R$ 1,5 bilhão absorvido pela União, com vigência até 31 de maio e impacto total potencial de R$ 6 bilhões no período. A iniciativa ocorre em meio à alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, que têm elevado o custo do diesel, combustível do qual o Brasil depende em cerca de 30% de importações, ampliando o risco de descolamento de preços e comprometimento do abastecimento interno. A deliberação final dependerá dos governadores no âmbito do Confaz, após resistência inicial dos estados à redução do imposto sem compensação, evidenciando o desafio de equilibrar política fiscal, estabilidade de preços e segurança energética.
Acordo na governança internacional da pesca avança
O Ministério da Pesca e Aquicultura promoveu, em março, o evento satélite sobre processos de consulta para organismos internacionais de pesca no âmbito do Acordo BBNJ (Biodiversidade Além da Jurisdição Nacional, conhecido como Tratado do Alto Mar), realizado durante o 3º Simpósio BBNJ, iniciativa coordenada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas, que reuniu governos, organismos multilaterais, comunidade científica e sociedade civil para debater os desafios da implementação do tratado. Em vigor desde janeiro de 2026, após atingir 60 ratificações no âmbito da Organização das Nações Unidas, o acordo estabelece diretrizes estratégicas para conservação e uso sustentável da biodiversidade marinha em águas internacionais, abrangendo recursos genéticos marinhos, áreas marinhas protegidas, avaliações de impacto ambiental e mecanismos de capacitação e transferência de tecnologia. Nesse contexto, a efetividade do BBNJ depende da articulação com estruturas consolidadas de governança da pesca em alto-mar, especialmente as organizações regionais de ordenamento pesqueiro (OROPs), além do alinhamento entre políticas públicas nacionais e regimes internacionais, evitando sobreposições regulatórias e fortalecendo a sustentabilidade do setor. A participação ativa das autoridades brasileiras reforça o protagonismo do país na governança oceânica global, evidenciando a importância da cooperação multilateral, da integração institucional e da inovação regulatória para garantir a preservação dos recursos pesqueiros e o desenvolvimento equilibrado da pesca e da aquicultura.

da espécie em estados fora da Amazônia – Foto: MIDR
IBAMA classifica pirarucu como espécie invasora fora da área natural
A decisão do Ibama de classificar o pirarucu (Arapaima gigas) como espécie exótica invasora fora de sua área de ocorrência natural, por meio da Instrução Normativa Ibama nº 7, de 17 de março de 2026, gerou forte reação na piscicultura brasileira, ao introduzir iscos regulatórios, insegurança jurídica e impactos diretos sobre investimentos e planejamento produtivo. A medida surpreendeu o setor por ocorrer paralelamente a discussões ainda em curso na Comissão Nacional da Biodiversidade – Conabio, levantando questionamentos sobre alinhamento institucional e previsibilidade regulatória, especialmente considerando que o pirarucu é amplamente reconhecido como espécie estratégica para a aquicultura nacional, com elevado potencial de expansão, geração de renda e desenvolvimento regional. Entidades como a Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR) alertam para contradições nas políticas públicas e ausência de diálogo setorial, destacando o paradoxo de um ambiente que anteriormente incentivava a produção e agora impõe restrições, criando um precedente sensível para o agronegócio aquícola. Diante desse cenário, o setor defende a revisão da normativa e o fortalecimento da atuação do Ministério da Pesca e Aquicultura, com foco em estabilidade regulatória, segurança jurídica e construção colaborativa de políticas públicas, essenciais para sustentar o crescimento e a competitividade da piscicultura no Brasil.
Governo inicia abate de 5 mil búfalos invasores na Amazônia
O governo federal iniciou uma operação inédita de controle populacional de búfalos invasores em áreas protegidas da Amazônia, com execução coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, visando mitigar impactos ambientais crescentes em reservas de Rondônia. O projeto piloto prevê o abate controlado de cerca de 10% de uma população estimada em 5 mil animais, com ações realizadas em regiões remotas, onde desafios logísticos, áreas alagadas e acesso limitado aumentam a complexidade operacional, embora os primeiros resultados indiquem alta eficiência inicial. Segundo avaliações técnicas, os búfalos, espécie exótica sem predadores naturais no bioma, têm provocado degradação da vegetação nativa, compactação do solo, alteração de ecossistemas alagados e pressão sobre a biodiversidade local, elevando o risco de desequilíbrio ecológico e perda de espécies. Diante do crescimento populacional descontrolado e da ausência de manejo, especialistas apontam a erradicação como medida emergencial para restaurar o equilíbrio ambiental, inserindo a iniciativa no centro de um debate estratégico sobre gestão de espécies invasoras, conservação da biodiversidade e sustentabilidade no uso dos recursos naturais.