Manchetes da semana – 14 a 20-02-2026

Erradicação da peste suína clássica nas regiões norte e nordeste na mira

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil participou de reunião técnica com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, articulada pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos e pela Associação das Empresas de Genética de Suínos, para alinhar estratégias nacionais de erradicação da Peste Suína Clássica (PSC) e ampliar a competitividade sanitária da suinocultura brasileira; atualmente o país opera em duas áreas sanitárias distintas — Zona Livre (Centro-Oeste, Sudeste, Sul e partes do Norte e Nordeste) e Zona Não Livre — onde permanecem cerca de 6 milhões de animais em aproximadamente 310 mil propriedades, situação que gera restrições ao trânsito e à comercialização de suínos, afetando logística, investimentos e acesso a mercados, mesmo após o último foco controlado em 2025 no município de Porto (PI). Segundo o setor produtivo, as limitações regionais acabam repercutindo em toda a cadeia, motivo pelo qual o ministério detalhou ações estruturantes e a divisão da área de risco em subzonas para intensificação da vigilância, biosseguridade e rastreabilidade, medidas consideradas essenciais para alcançar status sanitário homogêneo, ampliação de mercados internacionais e valorização da proteína suína brasileira.

Brasil abre novas oportunidades no Equador

Após negociação sanitária bilateral, o governo brasileiro obteve autorização do Equador para exportação de farinha de vísceras de aves e farinha de sangue bovino, ampliando a inserção internacional da indústria de insumos para alimentação animal e agregando valor econômico às cadeias de proteína animal por meio do aproveitamento de subprodutos. A medida fortalece o comércio agropecuário, que somou mais de US$ 346 milhões em 2025 em embarques ao mercado equatoriano, com destaque para papel, cereais e café, e contribui para a estratégia nacional de expansão comercial, que já acumula 537 aberturas de mercado desde 2023, consolidando a competitividade sanitária e industrial do Brasil no fornecimento global de ingredientes para nutrição animal.

A nova variedade BRS Pérola
A nova variedade BRS Pérola

Embrapa lança nova cultivar de uva branca sem sementes

A Embrapa apresenta ao mercado vitivinícola da Região Sul a BRS Pérola, nova cultivar de uva branca sem sementes de mesa desenvolvida para combinar alta produtividade, menor demanda de mão de obra e manejo simplificado, ampliando a competitividade da fruticultura regional. Ensaios conduzidos na Serra Gaúcha e em Santa Catarina, em parceria com a Epagri, apontam potencial produtivo de até 30 t/ha em cultivo protegido (cobertura plástica) e produtividade média de 25 a 30 t/ha com poda mista, sustentada por boa fertilidade de gemas em varas médias e por cachos soltos (baixa compacidade), que reduzem o raleio e o custo operacional. A nova variedade passa a integrar o portfólio de uvas finas para consumo in natura ao lado de BRS Vitória, BRS Isis e BRS Melodia, atendendo à crescente demanda por uvas de mesa premium sem sementes e criando alternativa à tradicional Itália, especialmente em sistemas de venda direta, turismo rural e “colha e pague”, segmentos em expansão que elevam a rentabilidade do produtor. O lançamento ocorreu em Alto Feliz (RS) e na Festa da Uva, em Caxias do Sul, reforçando a estratégia de inovação varietal voltada à diversificação produtiva e agregação de valor na viticultura do Sul.

As conversas com Índia e Coreia do Sul sinalizam oportunidades concretas para exportações

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, integra a missão oficial liderada pelo presidente Lula à Índia e à Coreia do Sul com o objetivo de ampliar mercados, fortalecer relações comerciais e atrair investimentos para o agronegócio brasileiro. Em Nova Deli, na quarta visita presidencial ao país, em retribuição à presença do premiê Narendra Modi na cúpula do BRICS de 2025, as negociações abrangem economia, energia, turismo e especialmente cooperação agrícola e segurança alimentar, alinhadas aos cinco eixos estratégicos da próxima década: defesa, segurança alimentar e nutricional, transição energética e clima, transformação digital e parcerias industriais. Também avançam tratativas para ampliação do acordo Mercosul–Índia, cooperação digital e extensão de vistos de negócios de 5 para 10 anos, medidas consideradas relevantes para exportadores brasileiros. A agenda inclui o Fórum Empresarial Brasil–Índia, com mais de 300 empresas discutindo minerais estratégicos, inovação e agricultura familiar. Na sequência, a comitiva segue para Seul a convite do presidente Lee Jae Myung, onde será implementado o Plano de Ação Trienal 2026–2029, elevando a relação bilateral a parceria estratégica e estimulando investimentos sul-coreanos em tecnologia, agronegócio e indústria cosmética. O Fórum Empresarial Brasil–Coreia reunirá cerca de 230 empresas com foco em inteligência artificial, cadeias agroindustriais e economia criativa.

Programa para jovens da pesca artesanal tem ampliação de bolsas

O Ministério da Pesca e Aquicultura lançou chamada pública nacional do Programa Jovem Cientista da Pesca Artesanal, ampliando em mais de 700 bolsas de Iniciação Científica Júnior para estudantes do ensino médio pertencentes a famílias com Registro Geral da Atividade Pesqueira ativo, em parceria com o CNPq. O edital indica que as inscrições podem ser feitas até 17 de março de 2026, contando com investimento de R$ 2,5 milhões e prevendo bolsas mensais de R$ 300 por 12 meses, com início em maio de 2026, visando estimular formação científica, permanência escolar e qualificação produtiva nas comunidades pesqueiras, além de fortalecer cadeias tradicionais ligadas ao setor aquícola. Integrada ao 1º Plano Nacional da Pesca Artesanal, a iniciativa expande para todo o país um modelo antes regional, priorizando escolas em territórios costeiros e ribeirinhos e exigindo que instituições de ensino e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação – ICTs cadastradas no CNPq comprovem atuação em pesquisa ou extensão na área e indiquem escolas parceiras. A medida busca gerar inovação, sucessão profissional e desenvolvimento sustentável no setor pesqueiro brasileiro.

O Brasil mantém 66,3% do território com vegetação protegida
O Brasil mantém 66,3% do território com vegetação protegida

Brasil preserva mais área que EUA e UE

Comparações internacionais sobre uso da terra e preservação ambiental devem considerar diferenças estruturais entre sistemas produtivos, conforme dados da Embrapa, USDA e Agência Ambiental Europeia. O Brasil, com 851 milhões de hectares, mantém 66,3% do território com vegetação protegida, além de exigir 20% a 80% de reserva legal nas propriedades rurais, enquanto as lavouras ocupam apenas 7,8% da área total e o uso agropecuário soma 30,2%, sustentado por intensificação produtiva com até três ciclos agrícolas anuais na mesma área. Nos Estados Unidos, a agropecuária abrange 74,3% do território, incluindo 29% de pastagens, 27,9% de florestas exploradas e 17,4% de lavouras, restando 19,9% de vegetação nativa. Na União Europeia, 64,7% da área é agropecuária, com 25% de lavouras e 23% de florestas plantadas, enquanto apenas 19,8% corresponde a vegetação nativa e 1,2% a florestas intocadas. O comparativo indica que o modelo tropical brasileiro combina alta conservação com produtividade intensiva, evidenciando que análises isoladas podem distorcer a avaliação global sobre sustentabilidade e expansão agrícola.

BNDES aprova recursos para renegociações de dívidas rurais

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 7,5 bilhões em renegociação de dívidas rurais por meio do programa BNDES Liquidação de Dívidas Rurais, iniciativa criada pela Medida Provisória nº 1.314, de 5 de setembro de 2025 com recursos do Tesouro e voltada a produtores e cooperativas impactados por eventos climáticos adversos. A linha, aberta em 16 de outubro de 2025 e encerrada em 10 de fevereiro, contratou 27.796 operações em 754 municípios de 22 estados, com tíquete médio de R$ 270 mil, permitindo reorganização financeira, liquidação de passivos e retomada produtiva no campo. Do total, R$ 4,8 bilhões foram destinados a agricultores familiares e médios produtores enquadrados no Pronaf e Pronamp (25.041 contratos), reforçando capitalização e capacidade operacional das propriedades. A medida contribuiu para restabelecimento da produção agropecuária e redução do custo da cesta básica no segundo semestre de 2025, com reflexos positivos sobre inflação e abastecimento alimentar.

Futuro da economia brasileira está ameaçado pelo endividamento recorde

Análises econômicas indicam que o Brasil se aproxima novamente de níveis historicamente elevados de endividamento das famílias, com mais de 73 milhões de consumidores negativados (cerca de 44% da população adulta), cenário agravado por taxas de juros entre as mais altas do mundo, que elevam o custo do crédito e ampliam a inadimplência. O ambiente afeta diretamente empresas e cadeias produtivas, inclusive o agro, onde custos operacionais elevados, preços internacionais pressionados e financiamento caro comprimem margens e aumentam o risco financeiro. A combinação entre dívida privada crescente e dívida pública elevada em relação ao PIB mantém expectativas deterioradas, sustenta juros altos e encarece o crédito, reduzindo consumo, investimento e renda, o que retroalimenta o ciclo de desaceleração econômica. Nesse contexto, especialistas apontam que equilíbrio fiscal, previsibilidade macroeconômica e redução estrutural do custo de capital são determinantes para recuperar confiança, estimular produção e permitir crescimento sustentável de longo prazo.

Policiais e manifestantes entraram em confronto em Buenos Aires em frente ao Congresso da Argentina em protesto contra a aprovação ao projeto de reforma trabalhista no país - Foto: Martin Cossarini/Reuters
Policiais e manifestantes entraram em confronto
em Buenos Aires em frente ao Congresso da
Argentina em protesto contra a aprovação ao
projeto de reforma trabalhista no país
Foto: Martin Cossarini/Reuters

Greve paralisa embarques agrícolas da Argentina

Uma greve de 48 horas dos sindicatos marítimos argentinos paralisou completamente as exportações de grãos e derivados, afetando atracação de navios, serviços portuários e transporte de práticos, sobretudo no complexo de Rosário, um dos maiores polos agroexportadores do mundo, em protesto contra a reforma de Javier Milei aprovada pelo congresso (135 votos a 115), que flexibiliza contratações, reduz indenizações e amplia jornadas; a paralisação coincidiu parcialmente com mobilização nacional da CGT e contou também com adesão do Sindicato das Indústrias de Oleaginosas (SOEA) de San Lorenzo, região que concentra a maior parte do processamento de soja do país. O episódio impacta diretamente o comércio global, já que a Argentina é líder mundial na exportação de óleo e farelo de soja, elevando riscos logísticos, volatilidade de preços e oportunidades pontuais para concorrentes, especialmente o Brasil, no abastecimento internacional.

Exportações do agronegócio brasileiro atingem US$ 10,8 bilhões em janeiro

O agronegócio brasileiro exportou US$ 10,8 bilhões em janeiro de 2026, retração de 2,2% frente ao mesmo mês de 2025, porém com crescimento de 7% no volume embarcado, indicando maior presença internacional mesmo sob pressão de preços. Segundo o Mapa, o resultado é o terceiro maior da série histórica para janeiro e respondeu por 42,8% das exportações totais do país, enquanto as importações somaram US$ 1,7 bilhão (-11,2%), gerando superávit de US$ 9,2 bilhões praticamente estável. A demanda foi liderada por China (US$ 2,1 bilhões), União Europeia (US$ 1,7 bilhão) e Estados Unidos (US$ 705 milhões), com avanço de 5,7% nas compras da Associação das Nações do Sudeste Asiático – ASEAN. Por setor, destacaram-se carnes (US$ 2,58 bilhões, +24%), complexo soja (US$ 1,66 bilhão, +49,4%), cereais (+11,3%), enquanto produtos florestais (-8,8%), café (-24,7%) e sucroenergético (-31,8%) recuaram. A carne bovina in natura liderou individualmente com US$ 1,3 bilhão exportado para 116 países, incluindo aumento de 93% nas compras pelos EUA, reforçando a competitividade do Brasil e o avanço da diversificação de mercados e produtos agropecuários.

Show Rural bate recorde de público e movimenta R$ 7,5 bilhões

A 38ª edição do Show Rural Coopavel registrou 430,3 mil visitantes em cinco dias, novo recorde histórico e superior aos mais de 407 mil de 2025, além de movimentar R$ 7,5 bilhões em negócios, superando os R$ 7,05 bilhões da edição anterior. Considerado um dos três maiores eventos de tecnologia agro do mundo, o encontro consolidou-se como vitrine de inovação, pesquisa e desenvolvimento aplicados ao agronegócio, impulsionando a busca dos produtores por maior produtividade, redução de custos e sustentabilidade. A feira reuniu caravanas de todo o Brasil e mais de 20 delegações internacionais, além de recorde de estudantes de escolas técnicas, reforçando o papel estratégico do evento na difusão de conhecimento e adoção de tecnologias no campo.

Rebanho se hidrata às margens de um curso d’água em área de preservação permanente, o que é permitido pelo Código Florestal Brasileiro apenas como dessedentação de baixo impacto
Rebanho se hidrata às margens de um curso d’água
em área de preservação permanente, o que é
permitido pelo Código Florestal Brasileiro apenas
como dessedentação de baixo impacto

Acesso do gado ao rio pode virar crime ambiental

O acesso do gado a rios dentro da propriedade rural é permitido pelo Código Florestal Brasileiro (Art. 9º) apenas como dessedentação de baixo impacto, porém a prática pode resultar em multa mínima de R$ 5.000 por hectare, embargo e responsabilização criminal quando o uso caracteriza exploração pecuária em Área de Preservação Permanente (APP). Isso ocorre quando grande número de animais acessa diariamente a margem sem controle, provocando compactação do solo, erosão, assoreamento e destruição da mata ciliar, situação enquadrada no Decreto nº 6.514, de 22 de julho de 2008 e na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998). A fiscalização tem sido ampliada por monitoramento remoto via satélite e cruzamento de dados ambientais, elevando o risco de autuação mesmo sem vistoria presencial. Especialistas recomendam cercamento da APP com corredor controlado ou instalação de bebedouros abastecidos por captação regularizada, medidas que reduzem passivo ambiental e ainda melhoram sanidade animal, qualidade da água e conservação do solo, reforçando que a regularização preventiva tornou-se estratégia essencial de gestão de risco na pecuária moderna.

Crise da carne nos EUA fecha fábrica da Cargill

A pecuária bovina dos Estados Unidos enfrenta em 2026 uma crise estrutural de oferta marcada por rebanho no menor nível em 75 anos, seca prolongada, custos de alimentação elevados e margens negativas na indústria frigorífica, resultando em fechamento de plantas e aumento das importações de carne bovina. O caso mais simbólico é o encerramento da unidade da Cargill em Wisconsin, com eliminação de 221 empregos e paralisação até maio, enquanto parte da produção será redistribuída para outras operações na América do Norte, movimento alinhado ao ajuste operacional diante da escassez de matéria-prima. Dados do USDA indicam que desde 2019 o rebanho de corte caiu 13%, para 27,9 milhões de cabeças, e o total de bovinos atingiu o menor patamar desde 1952, reflexo da redução de pastagens e liquidação de animais por produtores para preservação de caixa, encurtando o ciclo pecuário e reduzindo retenção de fêmeas. Como a recomposição produtiva leva de dois a três anos, a oferta segue restrita, mesmo com leve aumento esperado no peso médio de carcaça e no abate em 2026, após produção de 11,8 milhões t em 2025 (-4%), quando o país perdeu a liderança global para o Brasil. O fechamento não é isolado, pois unidades também foram desativadas por JBS e Tyson Foods, evidenciando reconfiguração industrial diante da escassez de gado e pressionando a dependência externa, com crescimento relevante das importações neste ano. Assim, o mercado global de proteína animal tende a maior competitividade e volatilidade, abrindo espaço para exportadores como Brasil e Argentina e mantendo viés estrutural de preços firmes no mercado pecuário norte-americano.

Wagyu ganha escala no Brasil, inaugurando novo ciclo da pecuária de carne premium

A pecuária bovina premium no Brasil avança de forma consistente, impulsionada pela demanda por experiência gastronômica e qualidade superior, com destaque para o Wagyu, grupo de quatro raças japonesas reconhecidas pelo elevado marmoreio, cujo abate no país passou de 1.749 para 2.272 animais entre 2024 e 2025 (crescimento próximo de 30%, segundo o Programa Carne Wagyu Certificada), indicando ganho de escala mesmo em um ambiente tradicionalmente orientado à produção de volume; ainda assim, a Associação Brasileira dos Criadores de Wagyu aponta entraves estruturais e necessidade de profissionalização da cadeia, especialmente em genética, rastreabilidade, nutrição e bem-estar animal. O movimento acompanha o cenário internacional, onde a oferta limitada sustenta valor agregado elevado: o mercado global movimentou US$ 13,9 bilhões em 2025 e pode atingir US$ 20,92 bilhões até 2030 (CAGR – taxa média de crescimento anual de 8,54%), apoiado nas características do produto, alto marmoreio, maciez e suculência, que no Brasil podem levar cortes como picanha acima de R$ 2.300/kg, além do potencial nutricional associado ao teor de ácido linoleico conjugado (CLA). A mudança central, porém, está no consumidor, que passou a diferenciar origem, raça e sistema produtivo, pressionando o criador a investir em tecnologia e eficiência para reduzir ciclo produtivo e padronizar qualidade, consolidando uma nova fase da bovinocultura orientada por valor e não apenas por volume.

Força Nacional atuará onde pressões de desmatamento ilegal, garimpo e atividades clandestinas impactam diretamente a economia regional e o agronegócio sustentável - Foto: Mário Vilela/Funai
Força Nacional atuará onde pressões de desmatamento
ilegal, garimpo e atividades clandestinas impactam
diretamente a economia regional e o agronegócio sustentável
Foto: Mário Vilela/Funai

Cidades amazonenses terão a Força Nacional contra crime organizado

As cidades de Coari e Barcelos, no Amazonas, receberão por pelo menos 90 dias efetivo da Força Nacional de Segurança Pública para reforço operacional no combate ao narcotráfico e aos crimes ambientais na Amazônia Legal, conforme decisão publicada no Diário Oficial da União pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. A atuação integra o Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Plano Amas), estratégia federal voltada à redução de ilícitos ambientais em regiões de difícil acesso logístico, majoritariamente fluvial, situadas às margens dos rios Solimões e Negro. O contingente e a data de chegada serão definidos pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, conforme planejamento operacional, e a medida busca ampliar a presença do Estado em áreas sensíveis para cadeias produtivas ligadas ao território, onde pressões de desmatamento ilegal, garimpo e atividades clandestinas impactam diretamente a economia regional e o agronegócio sustentável.

Minas estuda proibir trânsito de tilápia vietnamita

A aquicultura mineira articula medidas regulatórias para conter a entrada de tilápia importada do Vietnã diante de riscos sanitários e concorrenciais, após a Associação dos Aquicultores e Empresas Especializadas do Estado de Minas Gerais (Peixe MG) solicitar ao governo estadual providências contra a possível introdução do Tilapia Lake Virus (TiLV) e a assimetria tributária frente ao produto nacional. Como resposta, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) estuda portaria para proibir o trânsito do pescado no estado e revisar a carga tributária, enquanto outras unidades da federação adotam medidas semelhantes, como Santa Catarina que vetou comercialização e o Paraná que elevou o ICMS em 22,5%. O setor argumenta que cada quilo de filé produzido em Minas gera cerca de R$ 4,40 em arrecadação direta antes da venda, ao contrário do importado, que não internaliza custos fiscais, trabalhistas e ambientais equivalentes, criando concorrência desleal e risco à biosseguridade aquícola. Nesse contexto, a iniciativa integra uma estratégia de defesa produtiva para preservar a cadeia local, garantir rastreabilidade sanitária e manter a competitividade da piscicultura regional.

Agronegócio não precisa ter receio de quarto mandato do presidente Lula

Em fase de saída do Ministério da Agricultura para retorno ao Senado, o ministro Carlos Fávaro avalia que houve reaproximação entre o agronegócio e o governo federal ao longo dos últimos três anos, destacando que políticas públicas voltadas ao setor reduziram incertezas institucionais e reconstruíram diálogo com produtores e entidades representativas. Segundo ele, a agenda incluiu expansão dos Planos Safra, abertura de mercados internacionais, incentivo aos biocombustíveis e financiamento para armazenagem, medidas que, em sua visão, reforçam previsibilidade econômica e competitividade da agropecuária brasileira, além de afastar receios de insegurança regulatória em eventual continuidade administrativa. Fávaro afirma que o setor não deve temer um novo governo Lula e que a estratégia tem sido baseada em estabilidade, crédito rural e ampliação comercial externa, defendendo que o trabalho conjunto consolidou ambiente mais pragmático e menos polarizado entre governo e cadeia produtiva.

Com 67,8 milhões de animais, o país é líder mundial em cães por habitante
Com 67,8 milhões de animais, o país é líder
mundial em cães por habitante

População de cães dispara no Brasil

O Brasil abriga 67,8 milhões de cães, maior densidade canina do mundo e segunda maior população absoluta, reflexo de mudanças socioculturais que transformaram o animal de companhia em parte central da estrutura familiar urbana. Em pouco mais de uma década, o número cresceu cerca de 30%, impulsionado por urbanização superior a 85% e novos padrões de consumo, criando um mercado pet altamente resiliente que já movimenta aproximadamente R$ 80 bilhões anuais, posicionando o país entre os líderes globais em despesas com pets mesmo com menor participação relativa no PIB. O avanço sustenta uma cadeia produtiva ampla — nutrição animal premium, serviços veterinários especializados, hospedagem e terapias — responsável por mais de um milhão de empregos diretos e crescente investimento em tecnologia e saúde animal, consolidando o setor como vetor econômico anticíclico. Contudo, o crescimento acelerado também amplia desafios estruturais, como abandono e baixa cobertura de programas de esterilização, exigindo integração entre políticas públicas, bem-estar animal e sustentabilidade urbana para evitar impactos sanitários e garantir estabilidade do mercado.

Peru ultrapassa Argentina como principal parceiro do Brasil na América do Sul

O avanço do Peru no comércio regional representa uma relevante mudança estrutural na dinâmica econômica sul-americana, após o país ultrapassar a Argentina nas exportações ao Brasil em 2025, resultado de planejamento econômico contínuo, abertura comercial e investimentos em infraestrutura logística. Sustentado por acordos internacionais, especialmente com os Estados Unidos e a Aliança do Pacífico, o país consolidou-se como grande fornecedor de commodities estratégicas, com destaque para cobre e ouro, cuja demanda cresce com a expansão das energias renováveis e da indústria de veículos elétricos, ao mesmo tempo em que diversificou sua pauta com produtos agrícolas de maior valor agregado, como mirtilo e abacate, ampliando sua inserção nas cadeias globais. Em contraste, a Argentina ainda enfrenta ajustes estruturais, enquanto a economia peruana, apesar de menos industrializada que a brasileira, abre espaço para o Brasil ampliar exportações de bens manufaturados, como automóveis, eletrodomésticos e tecnologia sobretudo se houver acordos bilaterais diretos fora do Mercosul, capazes de garantir previsibilidade e estabilidade institucional nas trocas comerciais de longo prazo, evidenciando que o crescimento peruano não é conjuntural, mas resultado de estratégia econômica estruturada e integração internacional progressiva.

SC anuncia R$ 137,8 milhões para o Terra Boa 2026

O Governo de Santa Catarina anunciou investimento de R$ 137,8 milhões no Programa Terra Boa 2026, aumento de 18% em relação a 2025, ampliando o alcance da principal política pública estadual de apoio à agricultura familiar, com expectativa de beneficiar mais de 69 mil produtores rurais. Criado em 1983 e executado pela Fecoagro em parceria com a Secretaria de Agricultura e Pecuária e a Epagri, o programa busca elevar produtividade, diversificar culturas e aumentar renda no campo por meio do acesso subsidiado a insumos estratégicos, incluindo a distribuição de 415 mil toneladas de calcário, 175 mil sacas de sementes de milho de alto valor genético e 77 mil sacas no novo Projeto Sementes de Arroz, além de kits forrageiras, solo saudável, apicultura e 15 mil abelhas rainhas selecionadas para melhoramento genético dos enxames. A iniciativa também apoia até 6 mil hectares de cereais de inverno e sorgo para ração animal, reforçando a integração lavoura-pecuária e a segurança alimentar regional, com adesão realizada via escritórios municipais da Epagri, consolidando o Terra Boa como instrumento estruturante de modernização produtiva, sustentabilidade e competitividade do agro catarinense.

O quilo da barbatana de tubarão chega a US$ 3 mil no mercado ilegal - Foto: Inema
O quilo da barbatana de tubarão chega a US$ 3 mil
no mercado ilegal – Foto: Inema

Fiscalização apreende 1,5 tonelada de barbatanas de tubarão

Em operação conjunta com a Polícia Federal e o Inema, o Ibama apreendeu 1,5 tonelada de barbatanas de tubarão em unidade clandestina de beneficiamento localizada na zona rural de Rodelas (BA), material de alto valor no tráfico internacional para fins alimentícios e medicinais, incluindo espécies ameaçadas de extinção. O local, utilizado para secagem, preparo e armazenamento ilegal, foi embargado e resultou na condução de sete envolvidos à Delegacia da Polícia Federal em Juazeiro, autuados por crimes contra a fauna, receptação qualificada e corrupção de menores, evidenciando atuação organizada na cadeia ilegal de produtos marinhos. Segundo os agentes, as barbatanas eram obtidas pelo método finning — remoção das nadadeiras com descarte do animal ainda vivo — prática proibida e de forte impacto ambiental, cuja repressão é prevista na legislação brasileira que criminaliza captura dirigida, armazenamento e comercialização sem autorização, reforçando o papel da fiscalização na proteção da biodiversidade e na sustentabilidade das cadeias produtivas pesqueiras.

Produtora perdeu 48 vacas leiteiras em 36 horas

Uma propriedade leiteira de Novo Xingu (RS) registrou a morte de 48 vacas em lactação em menos de 36 horas, provocada por intoxicação por nitrato e nitrito na pastagem, fenômeno associado à baixa fotossíntese das plantas após período sem luminosidade, que favoreceu a formação de compostos tóxicos ingeridos pelos animais. O episódio interrompeu integralmente a produção de cerca de 1.200 litros de leite/dia e gerou prejuízo estimado em R$ 600 mil, evidenciando o elevado risco zootécnico ligado ao manejo de forragens sob condições climáticas adversas. Com mobilização comunitária, incluindo financiamento coletivo e doação de animais, a família iniciou a recomposição do plantel, recebendo novilhas e vacas em produção e retomando parcialmente a atividade com 19 vacas em lactação e reposição prevista por novas parições, caso que reforça a importância de monitoramento nutricional das pastagens, manejo preventivo contra intoxicação por nitratos e gestão de risco na pecuária leiteira para sustentabilidade econômica das propriedades rurais.

Contra privatização de hidrovias, indígenas ocupam balsa no rio Tapajós

A mobilização indígena em Santarém (PA) intensificou a pressão sobre a logística de exportação agrícola ao avançar para o leito do rio Tapajós, onde cerca de 400 manifestantes interceptaram barcaças de grãos próximas ao terminal da Cargill, ocupado desde 22 de janeiro, em protesto contra o Decreto nº 12.600, de 28 de agosto de 2025 que incluiu as hidrovias Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND). As comunidades alegam ausência de consulta prévia, livre e informada prevista na Convenção 169 da OIT, enquanto o governo havia lançado edital de dragagem de manutenção de 250 km do rio, estimado em R$ 74,8 milhões, posteriormente suspenso após as manifestações, embora o decreto permaneça vigente. O bloqueio fluvial e terrestre afeta diretamente o escoamento de commodities agrícolas da região norte, corredor estratégico para exportação de soja e milho, evidenciando riscos logísticos, jurídicos e reputacionais para a cadeia do agronegócio, especialmente para operadores portuários e tradings, reforçando a necessidade de segurança regulatória, governança socioambiental e previsibilidade em projetos de infraestrutura hidroviária.