Aqui você encontra em notas as últimas e mais importantes notícias semanais do agronegócio nacional e internacional
São Gabriel inaugura Centro de Referência em Artesanato Lãs do RS
O município de São Gabriel (RS) inaugurou, na comunidade de Faxinal, distrito de Catuçaba, o primeiro Centro de Referência em Artesanato Lãs do RS – Museu da Lã da região, estrutura criada para valorizar a cadeia produtiva da lã, preservar saberes tradicionais do artesanato rural e ampliar oportunidades de geração de renda para famílias vinculadas à ovinocultura. Integrado à Rede Centro de Referência em Artesanato Lãs do RS, o espaço atua como núcleo de promoção cultural, qualificação produtiva e desenvolvimento territorial, reunindo iniciativas voltadas à agregação de valor à lã, fortalecimento da identidade cultural do campo e estímulo ao turismo de base comunitária. A Emater/RS-Ascar tem papel técnico na articulação do projeto, apoiando artesãs e produtores na organização da produção, resgate de técnicas tradicionais e capacitação para inserção em mercados de artesanato e economia criativa, contribuindo também para a consolidação da Rota da Lã em São Gabriel, iniciativa que conecta cultura, turismo rural e desenvolvimento sustentável. Durante a inauguração foi realizado o curso “Rota da Lã – Mediadores para o Patrimônio da Lã”, voltado à capacitação de artesãos, comerciantes, profissionais da hotelaria e agentes culturais, com conteúdos sobre mediação cultural, acessibilidade, inclusão e gestão do patrimônio ligado à lã, fortalecendo o novo centro como polo regional de conhecimento, articulação produtiva e receptivo turístico. A Rota da Lã é desenvolvida pela Pangea Cultural, em parceria com Apatur, Ecoarte e Emater/RS-Ascar, com financiamento do Sistema Pró-Cultura do Governo do Rio Grande do Sul, por meio da Lei Complementar nº 195/2022 (Lei Paulo Gustavo).
Acordo entre Brasil, China e MST viabiliza fábrica de tratores em Maricá
A instalação de uma fábrica de tratores voltados à agricultura familiar no Brasil foi confirmada após a assinatura de acordos em Pequim entre a empresa chinesa Sinomach, a brasileira OZ Earth, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Prefeitura de Maricá (RJ), consolidando um projeto industrial com investimento estimado em R$ 200 milhões e previsão de geração de até 500 empregos indiretos. A unidade será implantada no distrito de Ponta Negra, em Maricá, com capacidade produtiva projetada para até 5 mil tratores por ano, focados em modelos de 25 e 50 cavalos de potência, desenvolvidos especificamente para operações de pequena escala e sistemas produtivos da agricultura familiar. Os equipamentos deverão atender prioritariamente cooperativas, associações de produtores e assentamentos da reforma agrária, com possibilidade de aquisição por meio de instrumentos de política agrícola, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e programas de compras públicas voltados à mecanização rural. A iniciativa busca reduzir o déficit histórico de acesso a máquinas agrícolas entre pequenos produtores, ampliando o nível de mecanização, eficiência produtiva e competitividade da agricultura familiar brasileira. Para viabilizar o empreendimento, foram firmados três contratos institucionais que estruturam os aspectos jurídicos, comerciais e operacionais da parceria, estabelecendo as bases para implantação da nova planta industrial e para a integração tecnológica entre os parceiros envolvidos.

um farol ativo localizado em uma faixa de areia
conhecida como Praia do Cassino
Governo cria duas unidades de conservação federais no RS
O Decreto nº 12.868, de 6 de março de 2026, assinado pelo presidente Lula, instituiu duas novas Unidades de Conservação federais no litoral sul do Rio Grande do Sul: o Parque Nacional Marinho do Albardão e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão, localizadas no município de Santa Vitória do Palmar, em iniciativa conduzida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A medida estabelece um amplo corredor de proteção ambiental no Atlântico Sul, com 1.618.488 hectares considerando o parque, sua zona de amortecimento e a APA, consolidando uma das áreas mais relevantes para a conservação da biodiversidade marinha e costeira no Brasil. A região abriga ecossistemas estratégicos para alimentação, reprodução e desenvolvimento de diversas espécies ameaçadas, incluindo a toninha (Pontoporia blainvillei), considerada o golfinho mais ameaçado do Atlântico Sul Ocidental, além de tartarugas marinhas, tubarões, raias, aves migratórias e outros mamíferos marinhos que utilizam a área em diferentes fases de seus ciclos de vida. A criação das unidades reforça as políticas nacionais de proteção da biodiversidade, adaptação às mudanças climáticas e conservação de habitats marinhos, ao mesmo tempo em que amplia a gestão sustentável de recursos naturais e a proteção de processos ecológicos essenciais no bioma costeiro do sul do país.
Brasil conquista novos mercados para exportação
O governo brasileiro concluiu novas negociações sanitárias e comerciais que ampliam o acesso de produtos do agronegócio nacional aos mercados da Nova Zelândia e da Turquia, fortalecendo a estratégia de diversificação das exportações agropecuárias. A Nova Zelândia autorizou a importação de carne suína termoprocessada e bile ovina provenientes do Brasil, medida que amplia a presença brasileira em um mercado de alto poder aquisitivo e com elevados padrões sanitários, considerando que, em 2025, as exportações agropecuárias brasileiras para o país somaram cerca de US$ 107 milhões. Já a Turquia aprovou a entrada de mel e produtos apícolas brasileiros, abrindo novas oportunidades comerciais para a cadeia produtiva da apicultura nacional, em um mercado que já possui forte relacionamento comercial com o Brasil e que importou mais de US$ 3,2 bilhões em produtos agropecuários brasileiros em 2025, com destaque para soja em grãos, algodão e café. Com essas autorizações, o agronegócio brasileiro alcança 544 novas aberturas de mercado internacional desde o início de 2023, consolidando a estratégia de expansão comercial baseada em acordos sanitários, diversificação de destinos e fortalecimento da competitividade global da produção agropecuária brasileira.
Argentina confirma novo foco de gripe aviária
O Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa) confirmou um novo foco de gripe aviária em granja comercial no município de Bolívar, na província de Buenos Aires, reforçando o alerta sanitário para a cadeia avícola do país. Este é o segundo caso registrado em menos de um mês em unidades comerciais, após a detecção do vírus em uma granja localizada em Ranchos, também na província de Buenos Aires, no final de fevereiro. De acordo com o órgão sanitário, a identificação do foco levou à ativação imediata do plano nacional de contingência para influenza aviária, com a implementação de medidas rigorosas de biossegurança, isolamento sanitário e vigilância epidemiológica. Entre as ações adotadas estão o estabelecimento de um perímetro de contenção de 3 quilômetros ao redor da granja afetada e uma zona de vigilância ampliada de 7 quilômetros, dentro das quais equipes técnicas realizam monitoramento sanitário, rastreamento epidemiológico, restrição de movimentação de aves e inspeção em unidades produtivas da região. O objetivo das medidas é conter a disseminação do vírus, identificar possíveis novos casos e preservar a sanidade da produção avícola, setor estratégico para o abastecimento interno e para as exportações agroalimentares da Argentina.

Mineração na Serra do Curral (MG) é suspensa
A Justiça Federal suspendeu atividades de mineração na Serra do Curral, em Belo Horizonte (MG), após ação do Ministério Público Federal (MPF), restabelecendo também os limites originais de proteção ambiental do Pico Belo Horizonte, área considerada patrimônio cultural, histórico e ambiental da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A decisão determinou a paralisação de 57 projetos minerários vinculados às empresas Gute Sicht, Fleurs Global Mineração, Empabra e Taquaril Mineração S/A (Tamisa), além de restituir o perímetro de tombamento da área para cerca de 42 hectares, revertendo redução anterior que havia limitado a proteção a apenas 9 hectares. A liminar também aplicou multa de R$ 4 milhões à Agência Nacional de Mineração (ANM) por descumprimento de decisões judiciais anteriores relacionadas à proteção da serra. De acordo com a decisão, a suspensão das atividades busca preservar a integridade de um dos principais marcos naturais e paisagísticos de Belo Horizonte, além de proteger áreas estratégicas para o abastecimento hídrico da região metropolitana, diante do avanço recente da exploração mineral no local. A sentença ainda declarou ilegal uma portaria do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) que havia reduzido o perímetro protegido, considerada pela Justiça como um “destombamento irregular”. Reconhecida como símbolo ambiental, cultural e político da capital mineira, a Serra do Curral exerce papel relevante na proteção de mananciais, na manutenção da paisagem urbana e na preservação de patrimônio natural, fatores que reforçam sua importância estratégica para o planejamento territorial e ambiental da região.
Índia ganha protagonismo como mercado emergente para as exportações do agro brasileiro
Uma das maiores missões econômicas da atual gestão brasileira esteve em Nova Délhi em fevereiro, com o objetivo de fortalecer relações comerciais com a Índia e ampliar oportunidades para o agronegócio e a tecnologia brasileiros em um dos mercados mais dinâmicos do mundo. Com 1,44 bilhão de habitantes e uma classe média urbana superior a 350 milhões de pessoas, a Índia consolida-se como mercado estratégico em rápida expansão para alimentos, proteínas e commodities agrícolas, impulsionado pelo crescimento econômico e pelo aumento do poder de compra da população. Desde 2022, o país registra expansão média de cerca de 7% ao ano no poder aquisitivo da classe média, fator que vem elevando a demanda por proteínas animais, grãos e alimentos de maior valor agregado. Nesse cenário, o agronegócio brasileiro identifica uma oportunidade relevante de diversificação de mercados, especialmente para reduzir a dependência comercial em relação à China, que atualmente concentra aproximadamente 40% das exportações do agro brasileiro. Atualmente, as vendas brasileiras para a Índia são lideradas por óleo de soja, açúcar e algodão, mas o potencial de ampliação inclui produtos com maior valor agregado, como proteínas animais, café e frutas tropicais. Em 2025, as exportações brasileiras de carne de frango para o mercado indiano cresceram 21%, atingindo US$ 85 milhões, enquanto o café brasileiro alcançou US$ 38 milhões em vendas, e frutas como manga e melão passaram a ganhar espaço entre consumidores urbanos e jovens, sinalizando uma tendência de expansão da presença do Brasil no mercado alimentar indiano.
Câncer de pele cresce 1.500% em 10 anos
O câncer de pele registra crescimento expressivo no Brasil, refletindo mudanças demográficas, comportamentais e de diagnóstico ao longo das últimas décadas. Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) indicam que os casos diagnosticados aumentaram cerca de 1.500% em dez anos, passando de pouco mais de 4 mil registros em 2014 para mais de 72 mil em 2024, consolidando a doença como responsável por aproximadamente 30% de todos os tumores malignos identificados no país. Especialistas apontam que o aumento está relacionado, sobretudo, à exposição solar intensa e prolongada em décadas anteriores, período em que o uso de protetor solar e práticas de fotoproteção ainda não eram amplamente difundidos, além do fato de que a pele possui memória biológica e os efeitos da radiação ultravioleta podem levar décadas para se manifestar clinicamente. Outro fator determinante é o envelhecimento da população brasileira, já que o avanço da idade aumenta a probabilidade de surgimento de lesões decorrentes da exposição acumulada ao sol. As regiões sul e sudeste concentram maior número de diagnósticos, o que se explica tanto pela predominância de populações de pele clara, mais sensíveis à radiação solar, quanto pelo maior acesso a serviços médicos e exames dermatológicos, favorecendo a detecção precoce. Embora seja o tipo de câncer mais comum no Brasil, quando diagnosticado precocemente apresenta elevadas taxas de cura e tratamentos relativamente simples, com mínima formação de cicatrizes; contudo, o atraso na identificação pode levar à progressão da doença e a complicações mais graves. Diante desse cenário, especialistas reforçam a necessidade de fortalecimento das políticas públicas de prevenção, com educação sobre proteção solar nas escolas, ampliação do acesso rápido a consultas dermatológicas e campanhas permanentes de conscientização ao longo de todo o ano.

Governo federal zera impostos do diesel
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério da Fazenda e ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) a redução imediata e temporária da carga tributária incidente sobre o óleo diesel, medida considerada estratégica para mitigar os impactos do aumento recente dos preços internacionais do petróleo e seus derivados sobre os custos da economia brasileira, especialmente no setor agropecuário. Em ofício encaminhado às autoridades econômicas, a entidade destacou a incidência dos tributos federais PIS, Pasep e Cofins, que representam cerca de 10,5% do preço do diesel comercializado, além da carga tributária estadual, cujo principal componente é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), responsável por elevar em média 38,4% o valor final do combustível ao consumidor. O governo federal anunciou um pacote emergencial de estímulo ao mercado de combustíveis com impacto direto sobre a cadeia logística do agronegócio. Ontem (12/03), o presidente Lula assinou decreto (Decreto nº 12.875, de 12 de março de 2026) que zera as alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre a importação e comercialização de diesel, além de editar medida provisória (Medida Provisória nº 1.340, de 12 de março de 2026) que institui subvenção econômica ao diesel destinada a produtores e importadores do combustível. De acordo com o governo, a iniciativa busca mitigar os efeitos da escalada internacional do petróleo provocada pela guerra no Irã, cenário que vem pressionando o mercado global de energia e levando países a liberar estoques estratégicos de petróleo. As medidas têm caráter temporário e vigência até 31 de dezembro, com potencial de reduzir o preço do diesel em R$ 0,64 por litro, sendo R$ 0,32 decorrentes da desoneração tributária na refinaria e outros R$ 0,32 provenientes do mecanismo de subvenção. Segundo o presidente, o objetivo é evitar que o aumento dos combustíveis pressione os custos do transporte rodoviário e, consequentemente, os preços dos alimentos, com reflexos diretos na cadeia de abastecimento de itens essenciais, como feijão, hortaliças e demais produtos da cesta básica, fortemente dependentes da logística rodoviária, eixo estratégico para a competitividade do agronegócio brasileiro.
Em Goiás, Justiça reconhece proteção de pequena propriedade rural acima do limite legal
O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) reconheceu a impenhorabilidade de pequena propriedade rural explorada pela família, mesmo quando a área ultrapassa o limite de quatro módulos fiscais previsto na Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, reforçando interpretação jurídica alinhada à função social da terra no direito agrário brasileiro. A decisão suspendeu a penhora de um imóvel de 118,58 hectares localizado em Córrego do Ouro (GO), entendendo que, embora a área supere os 104 hectares correspondentes a quatro módulos fiscais no município, ficou comprovada a exploração familiar contínua e efetiva, elemento qualitativo central para caracterização da pequena propriedade rural. O caso teve origem em execução de título extrajudicial contra produtor rural, cuja decisão de primeira instância havia mantido a penhora com base em interpretação estritamente quantitativa da legislação. Ao analisar o recurso, o relator reconheceu a probabilidade de êxito da tese da defesa, destacando que o imóvel constitui principal fonte de renda e subsistência da família, motivo pelo qual determinou que eventual constrição recaia apenas sobre a área excedente de 14,58 hectares, preservando os 104 hectares essenciais à atividade familiar. Ao conceder efeito suspensivo, o magistrado ressaltou que a manutenção da penhora integral poderia gerar dano grave e de difícil reparação, reafirmando entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de que a proteção jurídica da pequena propriedade rural não se limita a critérios aritméticos, devendo considerar a função social da propriedade, a dignidade da família rural e a efetiva exploração produtiva da terra, princípio estruturante do direito agrário brasileiro e da segurança jurídica no agronegócio.
Brasil já registra 140 casos de mpox neste ano
O Ministério da Saúde informou que o Brasil registrou 140 casos confirmados de Mpox em 2026, sem mortes associadas à doença, além de 539 casos suspeitos e 9 classificados como prováveis desde o início do ano, indicando monitoramento epidemiológico contínuo e controle relativo do avanço do vírus no país. A evolução mensal aponta 68 registros entre confirmados e prováveis em janeiro, 70 em fevereiro e 11 confirmações em março até o momento, mantendo o padrão de circulação moderada observado após a introdução do vírus no território nacional em 2022. Em termos regionais, São Paulo concentra 93 diagnósticos, seguido por Rio de Janeiro (18) e Rondônia (11). O perfil epidemiológico permanece consistente com os anos anteriores, com 93% dos casos registrados em homens, média etária de 33 anos e predominância (69%) entre homens que fazem sexo com homens, segundo as autoridades sanitárias. A mpox, doença viral do mesmo gênero da varíola humana, é transmitida principalmente por contato direto com lesões, fluidos corporais, objetos contaminados ou animais silvestres infectados, podendo também ocorrer disseminação por gotículas respiratórias em situações de contato próximo. O acompanhamento dos casos reforça a importância de vigilância epidemiológica, diagnóstico precoce e estratégias de prevenção, especialmente em ambientes de maior exposição e mobilidade populacional.

reduz o tempo de transporte e preserva a qualidade
dos alimentos – Foto: Fermac
Brasil exporta hortifrútis frescos em voo direto para a Ilha do Sal
Uma operação logística inédita ampliou a presença do hortifrúti brasileiro no mercado internacional, com o envio direto de frutas, legumes, verduras e ervas aromáticas do Brasil para a Ilha do Sal, no arquipélago de Cabo Verde, importante polo turístico próximo à costa noroeste da África. O embarque foi realizado por voo cargueiro fretado a partir do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), após inspeção da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A operação piloto transportou cerca de 5 toneladas de produtos agrícolas, incluindo itens altamente perecíveis como alface, tomate e pimentão, com o objetivo de avaliar a viabilidade de estabelecer uma nova rota logística direta para exportação de hortifrútis brasileiros. Até então, os alimentos destinados a Cabo Verde dependiam de escalas em aeroportos europeus seguidas de transporte marítimo, o que ampliava o tempo de trânsito e impactava a qualidade dos produtos. Com o transporte aéreo direto do campo ao destino final, a iniciativa busca aumentar o tempo de prateleira, melhorar a conservação e elevar o padrão de apresentação dos alimentos, agregando valor à cadeia exportadora brasileira e atendendo especialmente hotéis e resorts do setor turístico da ilha, um dos principais mercados consumidores locais. A experiência também reforça o potencial do agronegócio brasileiro na ampliação de rotas logísticas internacionais para alimentos frescos, fortalecendo a competitividade do país no comércio global de hortifrútis.
Operação apreendeu madeira serrada e aplicou milhões em multas
A Operação Maravalha, conduzida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em conjunto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), intensificou o combate à exploração e comercialização ilegal de madeira na Amazônia, resultando na apreensão de 7.168 m³ de madeira serrada e 5.600 toras no estado do Pará. A fiscalização alcançou 70 madeireiras nos municípios de Senador José Porfírio, Trairão e Anapu, onde foram identificadas irregularidades generalizadas, incluindo operações clandestinas, ausência de documentação e falta de comprovação da origem da madeira. A ação também resultou na apreensão de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades ilegais, como quatro pás carregadeiras, um caminhão bitrem, um rebocador e uma balsa, além da identificação de 11 pátios irregulares de armazenamento e da demolição de quatro serrarias clandestinas. A análise técnica revelou ainda indícios de uso fraudulento de créditos florestais, com aproximadamente 20 mil m³ bloqueados, dos quais 13 mil m³ já haviam sido transferidos para empresas sediadas em Trairão, colocando ao menos 16 empresas sob investigação. Segundo os órgãos ambientais, há suspeita de atuação de organização criminosa voltada à extração ilegal de madeira, inclusive em áreas protegidas, seguida do “esquentamento” da produção por meio de créditos virtuais, o que exige rastreamento detalhado da cadeia produtiva florestal para responsabilização dos envolvidos. Parte do material apreendido foi destinada a órgãos públicos, como o Exército Brasileiro, a Polícia Rodoviária Federal e o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará, além das prefeituras de Anapu e Piçarra, enquanto o restante foi inutilizado para impedir retorno ao mercado ilegal. As empresas fiscalizadas permanecerão interditadas até a regularização das pendências ambientais, sendo que a regularização não cancela multas aplicadas e produtos florestais sem origem legal comprovada não são restituídos, conforme estabelece a legislação ambiental brasileira.
Operação mira na corrupção e fraude em registros de gado
A Operação “Boi Fantasma”, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná, deflagrou mandados de busca e apreensão nos municípios de Jaguariaíva e Ibaiti, no Paraná, com o objetivo de desarticular um esquema de corrupção e fraude documental envolvendo o sistema oficial de defesa sanitária animal. As investigações tiveram início em julho de 2024 após a Agência de Defesa Sanitária do Paraná (Adapar) identificar inconsistências cadastrais em registros pecuários e encaminhar relatório ao Ministério Público. Segundo os investigadores, o esquema consistia na criação de rebanhos fictícios por meio do registro fraudulento de bovinos e da emissão irregular de Guias de Trânsito Animal (GTA), conferindo aparência de legalidade a “animais de papel” utilizados como ativos financeiros para obtenção de ganhos ilícitos. O suposto modus operandi envolvia uma servidora da Prefeitura de Jaguariaíva cedida à Adapar e uma empresa de leilões, que teriam promovido cadastros fictícios de animais, emissão imediata de GTAs e inserção de dados de produtores fora da área de competência da unidade sanitária, burlando controles oficiais. Durante as diligências, foram identificados indícios de pagamento de vantagens indevidas à servidora para viabilizar o esquema, e um dos investigados acabou preso em flagrante por posse irregular de armas e munições. A investigação avança agora para rastrear pecuaristas potencialmente beneficiados pelo “esquentamento” de gado inexistente, reforçando o debate sobre integridade dos sistemas de rastreabilidade e controle sanitário da pecuária brasileira, tema estratégico para a credibilidade do agronegócio nos mercados interno e internacional.