Aqui você encontra em notas as últimas e mais importantes notícias semanais do agronegócio nacional e internacional
Café de açaí é proibido pela Anvisa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição do chamado “café de açaí”, comercializado como suplemento alimentar que prometia tratar doenças como diabetes e fibromialgia. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) após fiscalização que identificou irregularidades sanitárias no produto. O item utilizava ingrediente não autorizado e apresentava alegações terapêuticas proibidas. O produto ganhou destaque nacional após a decisão da Anvisa, que proibiu a comercialização. A agência tomou essa decisão porque algumas empresas usaram promessas de tratamento e prevenção de doenças sem qualquer comprovação científica. As empresas associaram o consumo da bebida à cura ou controle de enfermidades crônicas. O açaí é amplamente consumido no Brasil como alimento e bebida energética. No entanto, nesse caso, o “café de açaí” surgiu no mercado como um tipo de suplemento com as supostas propriedades medicinais. Os rótulos e materiais de divulgação ultrapassaram os limites legais da publicidade de alimentos. A decisão busca evitar que consumidores abandonem tratamentos prescritos e passem a usar esse tipo de produto como substituto.
Brasil considera abrir negociações entre Mercosul e China
O Brasil está considerando pela primeira vez promover um acordo comercial parcial entre o Mercosul e a China, o que seria uma grande mudança para a maior economia da América Latina. O Brasil há muito tempo veta negociações formais com Pequim para proteger os fabricantes nacionais do aumento das importações chinesas. Mas, como Pequim busca laços comerciais mais profundos e os Estados Unidos impuseram ondas de tarifas, o governo está agora reconsiderando essa postura. Uma declaração conjunta emitida durante a visita do presidente do Uruguai, Yamandu Orsi, a Pequim para se reunir com o presidente da China, Xi Jinping, disse que ambos presidentes esperavam que as negociações de livre comércio entre a China e o Mercosul pudessem começar o mais rápido possível.

maior pneu agrícola já fabricado na América Latina
O maior pneu agrícola da América Latina foi apresentado no Show Rural 2026
Um pneu agrícola com dimensões fora do padrão é uma das atrações do Show Rural Coopavel 2026, em Cascavel, no oeste do Paraná. A Titan Pneus apresentou ao público o maior pneu agrícola já fabricado na América Latina. O modelo Goodyear LSW 1250/35R46 Optitrac 195D se destaca por ser o mais largo e pesado da categoria, desenvolvido especialmente para máquinas de grande porte utilizadas em áreas extensas de produção. Com 1.210 mm de largura, 2.055 mm de altura e peso de 710 kg, o pneu foi projetado para operar em colhedoras e tratores de alta potência, acima de 350 cavalos, geralmente acoplados a plantadeiras com mais de 40 linhas ou a subsoladores de grande profundidade, com múltiplas hastes. De acordo com a fabricante, o uso do novo modelo substitui os tradicionais conjuntos de rodados duplos, comuns nesse tipo de equipamento, sistema, apesar de difundido, pode aumentar o tempo de montagem e desmontagem e gerar dificuldades logísticas, principalmente no transporte por caminhão entre propriedades rurais. O lançamento incorpora a tecnologia Low Sidewall (LSW), que reduz a altura da lateral do pneu e amplia a área de contato com o solo. O conceito contribui para maior aderência, menor patinagem, ganhos de velocidade nas operações de plantio, além de mais conforto ao operador e redução no consumo de combustível.
Abrafrutas com ótimas perspectivas após a Fruit Logistica 2026
Com atuação intensa e estratégica na Fruit Logistica, maior feira global do setor de frutas frescas, a Abrafrutas, por meio do projeto Frutas do Brasil, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações (ApexBrasil), reforçou o protagonismo da fruticultura nacional no comércio internacional. A participação se reflete em números históricos: as exportações brasileiras de frutas alcançaram recorde em 2025, com crescimento de 12% em valor, quase US$ 1,5 bilhão a mais em receitas e alta de 19,6% em volume. Ao longo dos três dias de evento, a Abrafrutas atuou de forma estratégica na articulação institucional, promoção comercial e apoio direto aos produtores e exportadores brasileiros, acompanhando rodadas de negócios, reuniões com compradores internacionais, encontros com autoridades, entidades do setor e parceiros estratégicos. A presença brasileira chamou atenção pela diversidade de frutas, profissionalização do setor e compromisso com sustentabilidade, rastreabilidade e segurança alimentar. A feira tem papel fundamental na abertura de mercados e consolidação de parcerias. Este ano, o evento reuniu mais de 2,5 mil expositores e cerca de 90 mil visitantes, plataforma estratégica para fortalecer a presença global dos produtores brasileiros, estabelecer novas parcerias e ampliar oportunidades de negócios. Segundo a entidade, a expectativa é que os negócios gerados durante a feira resultem em cerca de US$ 600 milhões em oportunidades comerciais.
Sob preção indígena, governo suspende dragagem do Rio Tapajós
O governo federal decidiu suspender o processo de contratação de uma empresa para realizar a dragagem do Rio Tapajós, no Pará. A decisão é uma resposta às mobilizações de povos indígenas, comunidades tradicionais e organizações sociais que atuam na região. Liderados por indígenas, esses grupos mantêm ocupações e atos de protesto em Santarém, no oeste paraense. A principal reivindicação é a revogação do Decreto nº 12.600, de 28 de agosto de 2025, que prevê a concessão da hidrovia do Rio Tapajós à iniciativa privada. O modal aquaviário é considerado importante corredor logístico para escoar produtos do agronegócio, mas enfrenta resistência das comunidades instaladas nas áreas ribeirinhas. Estima-se que cerca de 7 mil indígenas, de 14 etnias diferentes, vivam no Baixo Tapajós. Para o governo, a suspensão das obras de dragagem é um gesto de negociação, mas o empreendimento não têm relação direta com a concessão da hidrovia. Para os manifestantes, as obras de dragagem anunciadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos constituem ação de rotina, feitas igualmente em anos anteriores, e respondem à necessidade de garantir o tráfego fluvial na Hidrovia do Tapajós diante dos períodos de baixa das águas. Ou seja, essas obras não têm relação com os estudos de concessão da hidrovia, previstos no decreto. O governo federal reitera o compromisso assumido durante a COP30 de que todo e qualquer empreendimento vinculado à hidrovia do Rio Tapajós será precedido da realização de consulta livre, prévia e informada.

Paraíba encerra o mais longo conflito agrário do Brasil
Depois de 64 anos de luta, 21 famílias da Paraíba conquistaram o Assentamento Agroextrativista Elizabeth Teixeira, na Fazenda Barra das Antas, entre os municípios de Sapé e Sobrado, Zona da Mata paraibana. A regularização do território foi formalizada pelo Ministério da Agricultura do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. A área é berço das Ligas Camponesas na região. Com 133,4 hectares, a entrega do assentamento é resultado de uma luta que se arrasta há mais de 6 décadas. João Pedro Teixeira era um dos dirigentes das Ligas Camponesas no Sapé. Ele foi assassinado em 1962 e sua esposa, Elizabeth Teixeira, assumiu a liderança do movimento, lutando pela reforma agrária na região. Toda essa trajetória foi registrada no filme Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho, lançado em 1984. O nome do assentamento faz uma homenagem à Elizabeth, que completou 100 anos em 2025. A uma semana de completar 101 anos, ela esteve no evento de formalização das terras e celebrou a conquista. A partir da publicação da portaria pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) será feito o processo de seleção para incluir as famílias como beneficiárias do programa de reforma agrária.
Associação surge para dar voz a quem enfrenta as consequências da contaminação por agrotóxicos
Durante o Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida promoveu, em conjunto com assentados da reforma agrária, uma cartografia nacional das áreas afetadas por agrotóxicos, com o objetivo de mapear rotas de contaminação, incluindo pulverização aérea por aeronaves e drones, aplicação terrestre e práticas denunciadas como “guerra química”, caracterizadas pelo uso intencional de venenos para pressionar comunidades a deixarem seus territórios. Dados do relatório anual da Comissão Pastoral da Terra (CPT) indicam que, apenas em 2024, foram registradas 276 ocorrências desse tipo, atingindo 17.027 famílias, majoritariamente quilombolas, camponesas, assentadas e indígenas, em mais de 3,3 milhões de hectares, o que representa aumento de 763% nos conflitos e de 582% no número de famílias impactadas em relação a 2023. Diante desse cenário, foi criada, em 2025, a Associação Nacional das Vítimas dos Venenos (Anvive), que realizou sua primeira assembleia no Dia Mundial do Câncer, com a missão de oferecer suporte jurídico, técnico, pedagógico e político às populações expostas ou sob risco de contaminação, além de promover formação, produção de materiais informativos e fortalecimento do debate público sobre os impactos dos agrotóxicos e as alternativas baseadas na agroecologia, iniciativa que sinaliza um avanço estratégico na organização das vítimas e na busca por responsabilização, reparação de danos e políticas públicas mais eficazes de proteção socioambiental.
Pó de tabaco vira fertilizante orgânico
A cadeia produtiva do tabaco no Brasil avança na consolidação de práticas alinhadas à economia circular ao transformar 100% do pó de tabaco, resíduo do beneficiamento das folhas, em fertilizante orgânico, reduzindo passivos ambientais e agregando valor ao sistema produtivo. Para a safra 2025/26, a expectativa é de que cerca de 23 mil toneladas do insumo sejam aplicadas nas lavouras, em modelo estruturado pelas empresas associadas ao Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), com produção realizada pela Fundação para Proteção Ambiental de Santa Cruz do Sul (Fupasc) e registro no Ministério da Agricultura e Pecuária, além de certificação da Ecocert para uso na agricultura orgânica. Comercializado como Fertileaf e distribuído aos produtores via Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT), o fertilizante retorna às propriedades rurais como insumo estratégico, promovendo eficiência agronômica, rastreabilidade e ganhos ambientais e econômicos, evidenciando como a inovação tecnológica pode converter resíduos industriais em soluções sustentáveis e competitivas para o campo.

de leite de diversas regiões oficializaram a criação da União
Nacional dos Produtores de Leite para representar e defender os
interesses do setor diante de uma crise que já se arrasta há três anos
Crise do leite mobiliza produtores em manifesto nacional
Produtores lançaram o Manifesto Leite com Dignidade, formalizando a criação da União Nacional dos Produtores de Leite do Brasil, iniciativa que reúne demandas estruturantes para fortalecer a cadeia leiteira, garantir competitividade ao produto nacional e preservar a soberania alimentar. O documento critica importações de lácteos do Mercosul com indícios de dumping e falhas em rastreabilidade e sanidade, manifesta preocupação com os impactos do acordo Mercosul–União Europeia e aponta o agravamento do endividamento, da concentração de mercado e da substituição do leite por produtos análogos, cenário que, segundo o setor, afeta cerca de 1,2 milhão de estabelecimentos, majoritariamente da agricultura familiar, e milhões de empregos diretos. Reconhecido como alimento essencial pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o leite ocupa papel estratégico na segurança alimentar, o que reforça a urgência de medidas como avanço em processos antidumping, políticas de crédito e renegociação de dívidas, criação do Instituto Nacional do Leite, valorização da produção regional e maior transparência estatística em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), convidando produtores, consumidores e lideranças a acompanhar e participar do debate sobre o futuro do setor no Brasil.
Zerada a tarifa de importação para mais de mil produtos
O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou um pacote de medidas que combina redução tarifária e instrumentos de defesa comercial, com a concessão de 1.059 ex-tarifários, sendo 421 para bens de capital e de informática (BK e BIT) e 638 para autopeças, permitindo a importação com alíquota zero na ausência de produção nacional equivalente, além da zeragem do imposto de importação para 20 insumos industriais e agropecuários e dois produtos finais estratégicos aos setores de saúde, energia, eletrodomésticos, automotivo e nutrição animal. Paralelamente, o colegiado instituiu três novos direitos antidumping para neutralizar práticas de preços desleais, abrangendo agulhas hipodérmicas e laminados planos a frio e revestidos originários da China, com vigência de cinco anos no caso dos dispositivos médicos, sinalizando ao mercado uma estratégia de equilíbrio entre estímulo à competitividade, redução de custos produtivos e proteção à indústria nacional, medidas que merecem atenção de empresas importadoras, fabricantes e agentes do agronegócio na avaliação de impactos operacionais e estratégicos.
Justiça paralisa atividades da Vale em complexo de MG
A Justiça de Minas Gerais determinou a paralisação imediata das operações da Vale no Complexo Minerário de Fábrica, em Ouro Preto, após vazamento de 263 mil m³ de água com rejeitos ocorrido em 25 de janeiro, que provocou assoreamento de cursos d’água conectados ao Rio Paraopeba e danos à vegetação, alcançando ainda o Rio Goiabeiras e o Rio Maranhão. A decisão, proferida a pedido do governo estadual e do Ministério Público de Minas Gerais, condiciona a retomada das atividades à comprovação técnica da estabilidade e segurança das estruturas, sob pena de multa diária de R$ 100 mil (limitada a R$ 10 milhões), enquanto o Ministério Público Federal pleiteia o bloqueio superior a R$ 1 bilhão para assegurar a reparação integral dos danos. Segundo as investigações, houve falha no sistema de drenagem e demora na comunicação às autoridades, elementos que agravam a responsabilização ambiental e reacendem o debate sobre governança, gestão de riscos e compliance no setor mineral, um cenário que demanda acompanhamento atento de empresas, gestores públicos e comunidades impactadas.

ultraprocessados e bebidas com alto teor de
açúcar, gorduras e sódio em cantinas escolares
Proibição de alimentos ultraprocessados em cantinas escolares é aprovada em comissão
A Comissão de Transparência e Defesa do Consumidor do Senado (CTFC) aprovou o Projeto de Lei nº 4.501, de 2020, de autoria do Senador Jaques Wagner, com substitutivo da Senadora Mara Gabrilli, que proíbe a comercialização de alimentos ultraprocessados e bebidas com alto teor de açúcar, gorduras e sódio em cantinas e demais estabelecimentos localizados em escolas públicas e privadas de educação infantil e ensino fundamental, em consonância com o Ministério da Saúde e as diretrizes do Guia Alimentar da População Brasileira. A proposta, que ainda será analisada pelas comissões de Educação e de Assuntos Sociais, determina a oferta obrigatória de ao menos uma opção de alimentação saudável e alternativas específicas para estudantes com necessidades alimentares especiais, além de vedar, nas creches que atendem crianças menores de dois anos, qualquer produto com adição de açúcar, incluindo sucos, estabelecendo parâmetros técnicos para a promoção de ambientes alimentares mais adequados no contexto escolar e sinalizando a gestores, mantenedores e fornecedores a necessidade de adaptação antecipada às novas exigências regulatórias.
Parlamento Europeu aprova salvaguardas agrícolas no acordo Mercosul-UE
O Parlamento Europeu aprovou, por ampla maioria, o regulamento interno de salvaguardas agrícolas vinculado ao acordo entre Mercosul e União Europeia, estabelecendo mecanismos que permitem à Comissão Europeia suspender temporariamente preferências tarifárias caso o aumento das importações de produtos sensíveis, como carne bovina, aves, ovos, açúcar e frutas cítricas, cause prejuízos ao setor agrícola europeu. O texto fixa critérios objetivos para abertura de investigação, incluindo elevação média de 5% nas importações ao longo de três anos combinada a preços 5% inferiores aos praticados internamente, além de prever monitoramento contínuo e relatórios semestrais ao Parlamento, integrando tanto o Acordo de Parceria quanto o Acordo Comercial Interino UE-Mercosul, que ainda dependem de ratificação formal e podem ter aplicação provisória. A decisão reforça a necessidade de que exportadores e entidades do agronegócio acompanhem atentamente os parâmetros técnicos e os desdobramentos regulatórios do acordo, avaliando riscos comerciais e estratégias de acesso ao mercado europeu.
Conab eleva previsão da safra 25/26 de soja
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou para 177,98 milhões de toneladas a projeção da safra brasileira de soja 2025/26, novo recorde histórico, com alta de 3,8% sobre o ciclo anterior, sustentada por revisão positiva de produtividade média para 3,675 t/ha, acima da máxima registrada na temporada passada, apesar de leve ajuste de 0,5% na área estimada, agora em 48,43 milhões de hectares. Segundo a estatal, as condições climáticas favoreceram a maior parte das regiões produtoras, compensando atrasos pontuais no norte e nordeste, enquanto as exportações foram revisadas para 112,2 milhões de toneladas, reforçando a posição do Brasil como principal exportador global. Com a colheita já alcançando 17,4% da área na primeira semana de fevereiro e desafios logísticos pontuais em função das chuvas, o cenário indica oferta robusta e impacto relevante nos mercados interno e externo, exigindo atenção estratégica de produtores, tradings e agentes do agronegócio quanto a preços, comercialização e gestão de risco.

Produção de azeite de oliva no Brasil deve superar recorde
O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) projeta que a safra brasileira de azeite de oliva em 2026 será a maior da história, superando os 640 mil litros registrados em 2023, impulsionada por condições climáticas mais favoráveis após dois ciclos marcados por excesso de chuvas e queda de produtividade. Segundo a entidade, a olivicultura nacional, consolidada comercialmente há cerca de duas décadas e hoje composta por aproximadamente 550 produtores distribuídos em cerca de 200 municípios, com destaque para o Rio Grande do Sul, vem fortalecendo investimentos em pesquisa, manejo e adaptação varietal para garantir qualidade e estabilidade produtiva fora do eixo tradicional do Mediterrâneo, com reconhecimento crescente em concursos internacionais e perspectiva de avançar rumo à meta simbólica de 1 milhão de litros de azeite extra virgem. O cenário reforça a importância de planejamento agronômico, inovação tecnológica e posicionamento estratégico de mercado para consolidar o Brasil entre os principais produtores globais do segmento.
Lei que destina recursos para sanidade agropecuária
Foi publicada no Diário Oficial da União a Lei nº 15.347, de 6 de fevereiro de 2026, originada da Medida Provisória nº 1.312, de 1 de setembro de 2025, que abre crédito extraordinário de R$ 83,5 milhões ao Ministério da Agricultura e Pecuária para reforçar as ações de defesa agropecuária em todo o país. O montante, quase o dobro do autorizado em 2025 para o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), será aplicado na prevenção e no enfrentamento de emergências sanitárias, com destaque para a gripe aviária, que motivou a decretação de estado de emergência zoossanitária nacional após registros em aviários comerciais no Rio Grande do Sul e focos em criações de subsistência em estados como Mato Grosso, Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e no Distrito Federal, totalizando dez ocorrências no último ano, além do combate a pragas estratégicas como a mosca-da-carambola, a monilíase do cacaueiro e a vassoura-de-bruxa da mandioca, que impacta diretamente a produção no Amapá. A medida também fortalece pesquisas e ações técnicas conduzidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ampliando a capacidade de resposta a crises fitossanitárias e zoossanitárias, protegendo cadeias produtivas, agricultores familiares e comunidades indígenas. Diante desse cenário, produtores e gestores devem acompanhar as regulamentações complementares e orientar-se junto aos órgãos oficiais para acesso às ações e programas vinculados ao novo crédito, reforçando práticas de biosseguridade e manejo integrado de pragas como estratégia essencial de mitigação de riscos no agronegócio brasileiro.
Butantan inicia vacinação contra a dengue em dose única com mais investimentos
Em cerimônia no Instituto Butantan, foi iniciada a vacinação contra a dengue com o imunizante Butantan-DV, primeira vacina do mundo em dose única com proteção contra os quatro sorotipos do vírus, incorporada à estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesta fase inicial, a aplicação contempla profissionais da atenção primária à saúde, público que representa cerca de 216 mil trabalhadores em todo o país, com posterior ampliação para a população de 12 a 59 anos, reforçando a política nacional de imunização e a capacidade de resposta às arboviroses. Na mesma agenda, o governo federal anunciou investimento de R$ 1,4 bilhão para expansão e modernização do complexo fabril do Instituto, incluindo nova planta para vacina tetravalente contra HPV, ampliação da produção com tecnologia de mRNA para obtenção de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), fábrica para IFA da vacina DTPa e modernização da área de soros, com recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e contrapartida estadual, fortalecendo a autonomia produtiva nacional em imunobiológicos. A iniciativa, destacada pelo presidente Lula como estratégica para inovação e soberania sanitária, sinaliza avanço estrutural na capacidade de pesquisa, desenvolvimento e produção de vacinas no país. Diante desse cenário, gestores e profissionais de saúde devem acompanhar o cronograma oficial de distribuição e orientar a população sobre elegibilidade e adesão à campanha, medida essencial para ampliar a cobertura vacinal e reduzir o impacto epidemiológico da dengue no Brasil.

o centro de Madri contra os cortes na Política Agrícola
Comum (PAC) e no acordo com o Mercosul, chegou em
frente à sede do Ministério da Agricultura – Foto: 20minutos
Protestos na Espanha contra acordo com Mercosul
Cerca de 1.500 agricultores espanhóis, com 348 tratores, ocuparam o centro de Madrid em protesto contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, além das mudanças previstas na Política Agrícola Comum (PAC) a partir de 2028, intensificando a pressão sobre o governo espanhol e as instituições europeias. Convocada pela União de Uniões e pela União Nacional de Associações do Setor Primário Independentes (Unaspi), a mobilização levou quatro colunas de máquinas agrícolas até o Ministério da Agricultura, refletindo a insatisfação do setor primário com o que considera assimetria regulatória, especialmente em exigências ambientais e sanitárias, frente a países como Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. Desde o início do ano, manifestações têm se intensificado, incluindo ato com mais de 25 mil participantes e 15 mil tratores em 29 de janeiro, enquanto o primeiro-ministro Pedro Sánchez defende que o tratado amplia previsibilidade e relações comerciais, mencionando mecanismos compensatórios e cláusula de salvaguarda para importações agrícolas. Assinado em 17 de janeiro, o acordo aguarda definição jurídica após envio ao Tribunal de Justiça da UE.
Primeiro arroz editado para cultivo é registrado pela Índia
A edição genética na agricultura consolida-se como estratégia de alta precisão para aumentar a produtividade sem expansão de área cultivada, fortalecendo a segurança alimentar global, especialmente em países da Ásia e da África onde o arroz é base nutricional. Nesse contexto, a Índia tornou-se o primeiro país a registrar oficialmente uma variedade de arroz editado geneticamente para cultivo comercial, a cultivar Kamala, desenvolvida pelo ICAR-Instituto Indiano de Pesquisa do Arroz a partir da Samba Mahsuri. A nova variedade foi obtida por meio da tecnologia de edição genômica CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats), com modificação direcionada do gene CKX2, regulador da produção de grãos, resultando em aumento médio de até 19% na produtividade, maturação mais precoce e manutenção da qualidade pós-cozimento, conforme artigo preliminar publicado na bioRxiv. Validado por três anos em 18 localidades, o desempenho consistente reforça o potencial do melhoramento genético de precisão como ferramenta para ganho de eficiência agronômica, estabilidade produtiva e sustentabilidade no cultivo de arroz. Diante desse avanço em biotecnologia agrícola e regulação de culturas editadas, os produtores juntamente com pesquisadores e gestores devem agora acompanhar as atualizações normativas e as oportunidades de adoção da tecnologia, avaliando impactos em produtividade, competitividade e segurança alimentar.
Área tratada com agrotóxicos aumentou 6,1% em 2025
A área tratada com agrotóxicos no Brasil deve encerrar o ciclo de 2025 com crescimento de 6,1% em relação a 2024, podendo alcançar 2,6 bilhões de hectares tratados. O levantamento utiliza o indicador de Área Potencial Tratada (PAT), que considera número de aplicações e produtos por tanque, refletindo não apenas a área cultivada, mas também a intensidade tecnológica no manejo fitossanitário. Após um primeiro semestre impactado por seca no sul e retração de preços agrícolas, o segundo semestre registrou maior dinamismo com expansão de área de soja e milho, avanço da safra 25/26 e aplicações dentro do calendário técnico, além de influência direta da pressão de pragas, doenças fúngicas e manejo de resistência de plantas daninhas. O volume total aplicado também deve crescer 6,1%, com predominância de herbicidas (45%), seguidos por fungicidas (23%), inseticidas (23%), tratamentos de sementes (1%) e outros insumos (7%). Por cultura, a soja concentra 55% da área tratada, seguida por milho (18%) e algodão (8%). Regionalmente, Mato Grosso e Rondônia lideram com 32% da área tratada, seguidos pelo Matopiba (18%) e por São Paulo e Minas Gerais (12%), evidenciando a centralidade do Centro-Oeste e do arco de expansão agrícola no consumo de agrotóxicos. Produtores e gestores devem se atentar aos dados e avaliar estratégias de manejo integrado, eficiência de aplicação e gestão de custos, pontos-chave para manter competitividade e sustentabilidade no atual cenário do agronegócio brasileiro.