Aqui você encontra em notas as últimas e mais importantes notícias semanais do agronegócio nacional e internacional
Governo anunciou pacote com subsídios para conter alta dos combustíveis
Após semanas de negociação, o governo federal anunciou um pacote emergencial para mitigar os impactos da alta dos combustíveis, decorrente da guerra no Oriente Médio, com foco em estabilidade de preços, garantia de abastecimento e redução de custos logísticos no agronegócio. O conjunto, composto por medida provisória, projeto de lei e decretos, estabelece subvenção de R$ 1,20/litro para o diesel importado (com adesão majoritária dos estados e impacto estimado de até R$ 4 bilhões) e subsídio adicional de R$ 0,80/litro ao diesel nacional, com custo mensal próximo de R$ 3 bilhões, condicionados ao repasse integral ao consumidor. Inclui ainda isenção de tributos federais sobre biodiesel e querosene de aviação, além de subsídio de R$ 850/tonelada ao GLP importado, visando reduzir o preço do gás de cozinha, especialmente para a baixa renda. O pacote contempla também até R$ 9 bilhões em crédito ao setor aéreo via BNDES, com diferimento de tarifas e desoneração de PIS/Cofins. As medidas serão compensadas pela elevação das receitas de royalties do petróleo, reforçando o equilíbrio fiscal no curto prazo e aliviando pressões inflacionárias na cadeia produtiva agroindustrial.
Projeto obriga informação sobre agrotóxico em rótulo de alimentos
O Projeto de Lei 6427/25, em análise na Câmara dos Deputados, propõe ampliar a transparência na rotulagem de alimentos industrializados e in natura, ao exigir informações claras, ostensivas e de fácil visualização sobre a presença de resíduos de agrotóxicos. A medida altera o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) e determina que os rótulos indiquem expressamente a conformidade com os limites máximos de resíduos (LMRs) definidos por autoridades sanitárias, além de incluir alertas sobre potenciais riscos à saúde humana. Em um cenário em que o Brasil figura entre os maiores consumidores globais de pesticidas, a proposta reforça que os limites regulatórios mitigam, mas não eliminam riscos, ampliando a necessidade de informação qualificada ao consumidor. A iniciativa também aborda a assimetria de acesso à informação, especialmente entre populações de baixa renda e grupos vulneráveis, mais expostos a riscos alimentares. Para o agronegócio, o projeto pode implicar ajustes na rastreabilidade, controle de qualidade e comunicação de risco, ao mesmo tempo em que fortalece a governança sanitária e a confiança do mercado.

da temperatura da água do mar, fenômeno que
se intensificou durante o último verão
Produtores de ostras tem perdas de até 90% em SC devido ao calor
A maricultura catarinense, responsável por quase toda a produção nacional de ostras, enfrenta uma crise histórica com perdas de até 90% da safra, iniciada em dezembro e intensificada ao longo do verão, já com reflexos sobre abastecimento e formação de preços. O principal vetor é o aquecimento anômalo da água do mar, com temperaturas atingindo 34°C, acima da média de 28°C, configurando um evento climático sistêmico em todo o litoral do estado. A espécie predominante, a ostra do Pacífico ou ostra japonesa (Magallana gigas antes classificada como Crassostrea gigas), adaptada a águas frias, apresenta baixa tolerância térmica, resultando em mortalidade extrema, queda de oxigenação e maior suscetibilidade a patógenos. Diferentemente das perdas naturais (até 50%), o atual patamar evidencia ruptura do padrão produtivo, com produtores sem estoque e recorrendo à comercialização antecipada de exemplares menores, estratégia limitada diante da recomposição lenta da oferta. O repasse integral dos prejuízos ao consumidor é inviável, sob risco de retração da demanda. Como resposta emergencial, o governo estadual disponibilizou linha de crédito de até R$ 50 mil por aquicultor, sem juros, permitindo custeio e manutenção da atividade. O episódio reforça a exposição da aquicultura às mudanças climáticas e a urgência de gestão de risco e adaptação produtiva no agronegócio.
Minas lança projeto de combate à violência contra a mulher no campo
No nordeste de Minas Gerais, o projeto Mulher Livre de Violência consolida-se como referência nacional no enfrentamento à violência contra a mulher no meio rural, ao integrar segurança pública, assistência social e inclusão produtiva em regiões historicamente marcadas pelo isolamento. Implementado na comunidade do Cedro, em Teófilo Otoni, o modelo atua desde 2016 com abordagem estruturada que combina informação qualificada, prevenção e emancipação econômica, enfrentando a subnotificação de casos típica de áreas remotas. Reconhecido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública como prática inovadora, o programa promove educação jurídica sobre a Lei Maria da Penha, formação de redes comunitárias de proteção e identificação precoce de ciclos de abuso. Seu diferencial técnico está na aplicação da técnica Arpillera (arte têxtil de bordado artesanal chilena, criada como forma de denúncia social e resistência política durante a ditadura militar entre 1973-1990), que transforma fardas descartadas da Polícia Militar de Minas Gerais em produtos de alto valor agregado, gerando renda e autonomia financeira, fator decisivo para romper vínculos abusivos. A iniciativa é reforçada pelo acesso ao canal Ligue 180, ampliando a resposta institucional. O modelo evidencia que desenvolvimento social e sustentabilidade no agronegócio passam pela inclusão e proteção das mulheres rurais, sendo estratégico replicar essa metodologia no interior de outras regiões do país como política pública de alto impacto socioeconômico.
Desperdício de alimentos pode gerar prejuízo global de US$ 540 bilhões
O desperdício de alimentos permanece como um dos principais gargalos financeiros da cadeia global de abastecimento, com prejuízos projetados em US$ 540 bilhões até 2026, segundo a Data Agro, refletindo perdas crescentes nas etapas de produção, armazenagem, transporte e comercialização. No Brasil, o impacto é crítico: cerca de 32% do faturamento anual da cadeia de suprimentos é comprometido por ineficiências operacionais, sobretudo pela baixa rastreabilidade, falhas no controle de estoque e dependência de processos manuais. O transporte de perecíveis concentra riscos adicionais, com monitoramento insuficiente durante o deslocamento, ampliando perdas, especialmente em carnes e hortifrutigranjeiros, segmentos de alta complexidade logística. Fatores macroeconômicos, como inflação e mudanças no padrão de consumo, com maior demanda por porções menores, elevam a volatilidade da demanda e o risco de descarte. Diante desse cenário, a agenda do agronegócio prioriza digitalização, automação, inteligência logística e sistemas de rastreabilidade, com foco na eficiência operacional e redução de perdas. Sem avanços estruturais, o custo do desperdício pode atingir patamares trilionários até o fim da década, reforçando a necessidade de investimentos em pós-colheita e armazenamento como vetores estratégicos para competitividade e sustentabilidade.

com 25,5 milhões de toneladas de celulose produzidas
e US$ 15,7 bilhões em exportações de produtos
florestais, incluindo celulose, papel e painéis de madeira
Minas Gerais lidera produção de eucalipto
O setor florestal brasileiro mantém trajetória consistente de crescimento e consolida sua liderança no mercado internacional, com cerca de 10,5 milhões de hectares de florestas plantadas voltadas à produção industrial e restauração, além de mais de 7 milhões de hectares de florestas nativas conservadas. O desempenho produtivo reforça essa competitividade, com 25,5 milhões de toneladas de celulose produzidas e US$ 15,7 bilhões em exportações de produtos florestais, incluindo celulose, papel e painéis de madeira. No cenário global, o Brasil se destaca como maior exportador de celulose do mundo e segundo maior produtor, impulsionado por alta produtividade, condições climáticas favoráveis e avanço tecnológico. No recorte regional, Minas Gerais lidera a produção nacional de eucalipto, com cerca de 2,2 milhões de hectares cultivados (27% da área total), sustentado por tradição produtiva e investimentos contínuos. Com a crescente demanda global por produtos renováveis e de baixo carbono, o setor tende a ampliar sua relevância estratégica, combinando eficiência produtiva, conservação ambiental e inovação, o que posiciona o Brasil como referência global em bioeconomia e silvicultura sustentável.
Brasil se consolida como líder global em bioinsumos
O Brasil consolida-se entre os três maiores mercados globais de bioinsumos, movimentando mais de R$ 7 bilhões na safra 2024/2025 e respondendo por 15% a 18% do mercado mundial, além de cerca de 50% da América Latina, ao lado de Estados Unidos e China. O avanço reflete a expansão acelerada da indústria nacional, com crescimento superior a 50% no número de empresas entre 2022 e 2025, impulsionado pela entrada de novos players e diversificação de portfólio. Em um mercado global estimado em US$ 15 bilhões em 2025, com projeção de crescimento anual de 10% até 2030, o segmento de biocontrole lidera (mais de 50%), seguido por bioestimulantes (28%) e inoculantes (17%). No Brasil, a adoção é intensiva em culturas estratégicas como soja, milho, cana-de-açúcar, algodão, café e citros, que concentram 96% do uso, com destaque para bionematicidas (31%), bioinseticidas e biofungicidas. O crescimento é sustentado pela busca por soluções sustentáveis, eficiência no uso de insumos e resiliência climática, apoiado por avanços regulatórios e tecnológicos. Apesar do dinamismo, o setor enfrenta o desafio de captura de valor, exigindo validação agronômica, geração de dados e suporte técnico ao produtor, consolidando os bioinsumos como eixo estratégico da agricultura de baixo carbono.
MDA quer impulsionar políticas para mulheres do campo
Com mandato definido até o fim do ano no Ministério do Desenvolvimento Agrário, a gestão da ministra Fernanda Machiaveli imprime ritmo acelerado às entregas, priorizando reforma agrária, regularização fundiária e inclusão produtiva. No contexto do “abril vermelho”, estão previstos leilões de áreas para assentamentos em Parauapebas (PA), além da titulação de pequenos produtores e assentados, medida estratégica para ampliar segurança jurídica e acesso a crédito. A agenda contempla ainda o lançamento do Programa Nacional de Transferência de Embriões, voltado à melhoria genética da pecuária leiteira, e ações estruturantes para fortalecimento do protagonismo feminino no campo, alinhadas ao Ano Internacional da Mulher Rural (FAO/2026). Entre as iniciativas, destacam-se projetos de organização produtiva, geração de renda e infraestrutura social, como lavanderias coletivas em assentamentos. Paralelamente, o ministério aposta na mecanização, tecnificação e expansão da irrigação em pequenas propriedades, com foco em ganho de produtividade, redução da penosidade do trabalho e fixação das famílias no campo. O conjunto de medidas reforça a integração entre políticas agrárias, desenvolvimento social e eficiência produtiva, ampliando a competitividade da agricultura familiar.

Vaca cearense é a grande campeã nacional da raça Sindi
A vaca Lantai, da raça Sindi, conquistou o título de grande campeã nacional, consolidando-se como ativo genético estratégico para a pecuária brasileira, especialmente em sistemas produtivos do semiárido. Pertencente ao Haras Dona Rosa (HDR), do pecuarista Vicente Sampaio, em Pindoretama, CE, o animal simboliza o avanço do melhoramento genético adaptado a condições adversas, eixo central para a eficiência produtiva no nordeste. De origem asiática (Paquistão), a raça destaca-se por alta eficiência alimentar, resistência sanitária, tolerância ao calor, elevada fertilidade e longevidade produtiva, atributos que reduzem custos operacionais e ampliam a rentabilidade, sobretudo para a pecuária leiteira familiar. Além disso, apresenta boa produção leiteira com qualidade, mesmo em ambientes de baixa disponibilidade de insumos. A rusticidade do Sindi viabiliza sistemas com menor dependência de ração, medicamentos e infraestrutura, favorecendo sua expansão em estados como Ceará, Bahia, Piauí e Maranhão. A campeã Lantai já impulsiona a comercialização de material genético, acelerando a difusão de características superiores e fortalecendo a competitividade regional. O desempenho evidencia o papel do melhoramento genético tropicalizado como vetor de produtividade, sustentabilidade e inclusão econômica no agronegócio.
Aftosa na China pode ampliar a exportação de carne bovina do Brasil
A confirmação de casos de febre aftosa na China introduz uma variável crítica no mercado global de proteína, com potencial de reconfigurar fluxos comerciais e preços da carne bovina brasileira em 2026. Em um contexto de exportações recordes no primeiro bimestre e boi gordo em máximas históricas, o setor monitora a possibilidade de flexibilização das cotas chinesas, hoje limitadas a 1,106 milhão de toneladas sem tarifa adicional de 55%. O ritmo acelerado dos embarques pode levar o Brasil a atingir esse teto ainda no primeiro semestre, criando um gargalo tarifário no período de maior demanda chinesa (2º semestre). Paralelamente, o surto sanitário tende a ampliar o déficit estrutural de oferta de carne na China, já estimado em cerca de 4 milhões de toneladas, o que pode pressionar Pequim a rever sua política protecionista por razões de segurança alimentar. Caso haja redução ou suspensão da sobretaxa, o impacto seria direto na sustentação de preços elevados no mercado pecuário brasileiro. O cenário combina otimismo e cautela, com influência adicional da alta de preços nos Estados Unidos, reforçando a centralidade das exportações na rentabilidade do setor.
Governo investe em regularização fundiária na Amazônia
O governo federal, em parceria com a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), formalizou contratos de aproximadamente R$ 132 milhões para implementar ações de regularização fundiária e assistência técnica voltadas a mais de 7 mil famílias na Amazônia Legal, com foco no controle do desmatamento e fortalecimento da agricultura familiar. Inserida no Programa União com Municípios, a iniciativa é coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em articulação com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Incra e 14 entidades executoras, estruturando uma abordagem integrada de governança territorial e desenvolvimento sustentável. O projeto prioriza pequenas propriedades de até quatro módulos fiscais, localizadas em assentamentos ou glebas públicas federais ainda não destinadas, promovendo segurança jurídica, acesso a políticas públicas e aumento da produtividade. A primeira fase abrange 48 áreas críticas de desmatamento nos estados do Amazonas, Acre, Pará, Mato Grosso, Rondônia e Roraima, com meta de regularizar 2,3 milhões de hectares. A estratégia combina assistência técnica qualificada, ordenamento fundiário e monitoramento ambiental, posicionando-se como vetor para redução de passivos ambientais e inclusão produtiva no agronegócio amazônico.

reune em Brasília povos indígenas de diversas regiões
do país em um grande espaço de articulação, resistência
e fortalecimento das lutas pelos direitos indígenas
Em Brasília, indígenas cobram diálogo com Lula
O Acampamento Terra Livre (ATL) 2026, principal mobilização indígena do país, ocorre em um contexto de intensificação dos conflitos territoriais e reconfiguração política do movimento indígena, reunindo cerca de 7 mil participantes de mais de 300 povos em Brasília. Em sua 22ª edição, o evento evidencia a crescente pressão sobre os territórios, associada à expansão do agronegócio, grandes obras de infraestrutura, mineração e exploração de petróleo, fatores que ampliam tensões fundiárias e ambientais. Com o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, a mobilização reforça a centralidade da demarcação de terras indígenas, além de pautar a exclusão de atividades extrativas em áreas protegidas e o fortalecimento de políticas públicas. A agenda inclui articulação institucional com o governo federal, com expectativa de repactuação de compromissos e avanços na política indigenista. O ATL também reafirma o protagonismo histórico dos povos originários na defesa territorial e ambiental, destacando seu papel estratégico na preservação de biomas e na sustentabilidade do uso da terra, tema sensível para o agronegócio diante das demandas por governança socioambiental e segurança jurídica.
Brasil abre novos mercados para exportação
O governo brasileiro concluiu negociações estratégicas que ampliam o acesso a novos mercados internacionais para produtos agropecuários, fortalecendo a diversificação das exportações e a competitividade do agronegócio. No Peru, foi autorizada a entrada de sementes de pimenta da espécie Capsicum baccatum, incluindo variedades como dedo-de-moça e cambuci, em um mercado que já movimentou mais de US$ 729 milhões em importações do Brasil em 2025. Nas Filipinas, a abertura para DDG de milho (dry distillers grains), coproduto do etanol amplamente utilizado na nutrição animal, amplia oportunidades para a cadeia do milho, em um cenário de expansão do etanol de milho no país, considerando que o mercado filipino importou US$ 1,8 bilhão em produtos agropecuários brasileiros no último ano. Já a Etiópia oficializou a habilitação para 17 categorias de produtos, incluindo carnes, pescado e material genético animal, em um mercado potencial de 180 milhões de consumidores. As novas aberturas reforçam a estratégia de inserção internacional do agro brasileiro, ampliando o acesso a mercados emergentes e consolidando o país como fornecedor global de alimentos, insumos e genética animal.
MST ocupa área usada para trabalho escravo e monocultura no Tocantins
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou a fazenda Prata, em Darcinópolis (TO), área de cerca de 4 mil hectares, vinculada a empresas incluídas na “lista suja” do trabalho análogo à escravidão, em ação que integra a Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária. A ocupação, realizada por 70 famílias, ocorre após histórico de infrações trabalhistas graves, incluindo identificação de 102 trabalhadores em condições degradantes pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), com registros de ausência de EPIs, água imprópria para consumo e vínculos laborais irregulares. Além das violações sociais, a área apresenta degradação ambiental associada à monocultura de eucalipto e produção de carvão vegetal, comprometendo a qualidade do solo e a sustentabilidade produtiva. O movimento propõe a recuperação de áreas degradadas, com implantação de sistemas produtivos sustentáveis e quintais agroecológicos, visando segurança alimentar, geração de renda e recomposição ambiental. A ação também se ancora em questionamentos sobre a regularidade fundiária e uso de terras públicas, reforçando o debate sobre função social da propriedade, compliance socioambiental e governança no agronegócio.

biossegurança, bem-estar animal e controle sanitário
Primeiro clone suíno da América Latina nasce em Piracicaba
O nascimento do primeiro clone suíno da América Latina, registrado em 24 de março na unidade do Instituto de Zootecnia em Piracicaba, SP, representa um marco científico para a biotecnologia aplicada ao agronegócio e à saúde. O projeto, conduzido pela Universidade de São Paulo – USP com apoio da Apta, integra pesquisas voltadas ao xenotransplante (transplante de órgãos, tecidos ou células de uma espécie animal para um receptor humano), com potencial para ampliar a oferta de órgãos e tecidos para humanos. A produção ocorreu em ambiente com alto rigor de biossegurança, bem-estar animal e controle sanitário, com protocolos avançados de manejo reprodutivo, sincronização de cio e implantação embrionária, desenvolvidos por equipe multidisciplinar em zootecnia, medicina veterinária e biotecnologia. O Instituto de Zootecnia foi responsável pela estrutura técnica e pelo acompanhamento integral dos animais, garantindo padronização produtiva e precisão científica. A próxima fase prevê o monitoramento dos clones até a maturidade sexual, com geração de dados estratégicos para aplicações futuras. O avanço reforça o papel da pesquisa agropecuária como vetor de inovação, integração com a saúde e desenvolvimento tecnológico, posicionando o Brasil na fronteira da biotecnologia animal de alta complexidade.
Mapa institui Sistema Nacional de Certificação Fitossanitária de Origem
O Ministério da Agricultura e Pecuária instituiu, por meio da Portaria SDA/MAPA nº 1.578, de 2 de abril de 2026, o Sistema Nacional de Certificação Fitossanitária de Origem (Sinfito), consolidando e modernizando as regras de certificação e trânsito de vegetais no Brasil. A medida estabelece um arcabouço mais integrado, ágil e transparente, com foco no fortalecimento da sanidade vegetal, rastreabilidade e segurança da produção agrícola. Entre os avanços, destaca-se a simplificação das exigências para o transporte, que passa a considerar prioritariamente a origem fitossanitária do produto, eliminando comparações entre unidades federativas e reduzindo a burocracia. O sistema também incentiva a digitalização dos processos, ampliando a eficiência operacional e o controle por parte de produtores, responsáveis técnicos e órgãos de fiscalização. Estruturado em etapas que abrangem desde o cadastro das propriedades até a certificação e o trânsito, o Sinfito resulta de um processo colaborativo com estados e setor produtivo, incorporando boas práticas regulatórias. A iniciativa posiciona-se como instrumento estratégico para elevar a competitividade do agronegócio brasileiro, reduzir riscos fitossanitários e alinhar o país às exigências de mercados internacionais.
Câmara derruba mudanças do Senado na MP do Seguro-Defeso
O Senado Federal aprovou a Medida Provisória 1.323/2025, que atualiza as regras do seguro-defeso, benefício destinado a pescadores artesanais durante o período de restrição da pesca, com o objetivo de aperfeiçoar o controle, reduzir fraudes e garantir sustentabilidade fiscal. A proposta estabelece que, em 2026, a despesa da União com o programa não poderá ultrapassar R$ 7,9 bilhões, além de prever novas exigências cadastrais e de identificação dos beneficiários, reforçando a governança do sistema. Entre os dispositivos mantidos na versão final, destacam-se a possibilidade de quitação de parcelas pendentes em 2026, desde que atendidos os critérios legais, o pagamento em até 60 dias após regularização cadastral e a garantia do benefício retroativo para solicitações feitas dentro do prazo. Alterações propostas pelo Senado, como comprovação mínima de contribuição ao INSS e limite de renda, foram rejeitadas pela Câmara, prevalecendo o texto original. A medida segue para sanção presidencial e reforça a importância do equilíbrio entre proteção social, segurança jurídica e eficiência na gestão de políticas públicas no setor pesqueiro.

produção de vinhos tintos estruturados
Serra do Sudeste se destaca na produção de vinhos tintos premium
A vindima 2026 na Serra do Sudeste (RS), com destaque para Encruzilhada do Sul, estendeu-se até o fim de março e início de abril, consolidando a região como terroir estratégico para vinhos tintos de alta qualidade no Brasil. Diferentemente da Serra Gaúcha, o clima mais ameno e a elevada amplitude térmica retardaram a maturação, favorecendo acúmulo de açúcares, concentração de polifenóis e equilíbrio entre álcool e acidez, atributos essenciais para vinhos de guarda. Variedades como Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, Malbec e Cabernet Franc apresentaram maturação lenta e homogênea, resultado de noites frias, estabilidade climática e estiagem controlada, que reduziram o vigor vegetativo e proporcionaram bagas menores e mais concentradas. Chuvas iniciais garantiram brotação uniforme, enquanto o clima estável na floração assegurou cachos de alta sanidade, mesmo com eventos pontuais de granizo mitigados por sistemas de proteção. O desempenho reforça a competitividade da Serra do Sudeste frente a outras regiões vitivinícolas, com vantagens como maior previsibilidade climática e regularidade produtiva. Esse conjunto posiciona Encruzilhada do Sul como polo emergente na produção de vinhos tintos estruturados, elegantes e com potencial de envelhecimento, ampliando a relevância da vitivinicultura brasileira no cenário premium.
Acordo Mercosul-UE entrará em vigor impondo novas exigências ESG
Entra em vigor em 1º de maio de 2026 o Acordo de Parceria Estratégica Mercosul–União Europeia, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com redução tarifária e liberalização de até 91% dos produtos europeus e 95% dos itens do Mercosul. Para o agronegócio brasileiro, o tratado amplia oportunidades de acesso, mas impõe elevação significativa das exigências regulatórias e socioambientais, tornando o compliance ESG um requisito obrigatório para exportação. Entre as principais demandas estão a rastreabilidade integral das cadeias produtivas, descarbonização e due diligence (diligência prévia) ambiental, alinhadas a normas como EUDR, CSDDD e CBAM, que podem restringir a entrada de produtos fora dos padrões. Esse novo ambiente amplia a complexidade operacional e jurídica, elevando o risco de disputas comerciais e arbitragem internacional. Ao mesmo tempo, incentiva ganhos de eficiência e posicionamento competitivo para empresas que adotarem governança, transparência e sustentabilidade como pilares estratégicos. A implementação do acordo marca uma mudança estrutural no comércio exterior agropecuário, exigindo rápida adaptação tecnológica e institucional para garantir acesso contínuo ao mercado europeu e competitividade global.
Safra da noz-pecã mostra recuperação após dois ciclos de quebra
A safra brasileira de noz-pecã em 2026 deve atingir aproximadamente 8 mil toneladas, superando estimativas iniciais e consolidando a recuperação produtiva após ciclos impactados por adversidades climáticas. O desempenho é atribuído à regularidade das chuvas, condições climáticas favoráveis e evolução no manejo dos pomares, fatores que também elevaram a qualidade dos frutos. Segundo o Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), o potencial de crescimento já era observado desde a floração, entre outubro e novembro, indicando maior uniformidade produtiva. Apesar do avanço, o principal desafio do setor permanece na elevação da produtividade, com meta de alcançar até 2 toneladas/ha, o dobro da média atual. Esse salto depende da adoção de tecnologias, novos cultivares e aprimoramento das práticas agronômicas, com suporte de pesquisa e assistência técnica. O cenário da safra e as perspectivas do segmento serão debatidos na Abertura Oficial da Colheita da Noz-Pecã, em Nova Pádua (RS), evento estratégico para integração entre produtores, técnicos e agentes da cadeia. O avanço reforça o potencial da pecanicultura como atividade de alto valor agregado no agronegócio brasileiro.

nacional, com mais de 6 mil hectares cultivados
Olivicultura gaúcha recupera produção
A safra de oliva 2025/2026 no Rio Grande do Sul avança com elevado padrão de qualidade e produtividade, marcando a recuperação da olivicultura gaúcha após duas safras adversas. Segundo a Emater/RS-Ascar, o desempenho é resultado da combinação de horas de frio adequadas no inverno, chuvas regulares na primavera e boa distribuição hídrica no verão, fatores determinantes para floração, frutificação e desenvolvimento das oliveiras. Eventuais déficits hídricos no fim do ciclo causaram apenas leve atraso na colheita, sem impacto relevante na produção. As cultivares Koroneiki e Arbequina lideram em rendimento, reforçando o avanço técnico do setor. A colheita, que pode se estender até meados de abril, ainda definirá o volume final em litros de azeite de oliva, mas o cenário indica uma das melhores safras da história recente. O otimismo se reflete na 14ª Abertura Oficial da Colheita da Oliva, em Triunfo (RS), com foco em inovação e mercado. O estado responde por cerca de 75% da produção nacional, com mais de 6 mil hectares cultivados, consolidando-se como polo estratégico da olivicultura brasileira.
Clima adverso atinge as principais áreas produtoras de milho
As principais regiões produtoras de milho de segunda safra (safrinha) no Brasil enfrentam um cenário de restrição hídrica relevante, resultado da combinação de chuvas abaixo da média (0 a 30 mm nos últimos 10 dias) e temperaturas elevadas, especialmente em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná, responsáveis por cerca de 86% da produção nacional. As anomalias negativas de precipitação, entre 30% e 80%, têm reduzido a umidade do solo, elevando o risco de estresse hídrico, sobretudo em fases críticas como o enchimento de grãos, com potencial impacto direto na produtividade. Regiões como o oeste do Paraná, leste de Mato Grosso e áreas de Goiás já apresentam condições mais severas, agravadas pelo aumento da evapotranspiração, que intensifica a perda de água no solo e compromete o vigor das plantas. A persistência desse padrão climático pode resultar em queda no potencial produtivo e revisões nas estimativas de safra, caso não haja recuperação das chuvas no curto prazo. Apesar de divergências nos modelos meteorológicos, a tendência indica continuidade do déficit hídrico, reforçando a necessidade de monitoramento climático e manejo estratégico para mitigar perdas.
CNA e Ministério da Pesca discutem lista de espécies exóticas invasoras
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) articulou, junto ao Ministério da Pesca e Aquicultura, avanços no ambiente regulatório da aquicultura, com foco na segurança jurídica e previsibilidade para o setor. Em reunião com a Secretaria Nacional de Aquicultura, a entidade defendeu a aprovação do Projeto de Lei 5.900/2025, que estabelece a obrigatoriedade de manifestação técnica prévia de órgãos federais competentes para atos administrativos que impactem a produção agropecuária e aquícola. A proposta visa evitar a classificação indevida de espécies de relevância econômica como invasoras, medida que pode gerar restrições produtivas, aumento de custos regulatórios e barreiras comerciais. A CNA também destacou a necessidade de revisão da Resolução Conama nº 413, de 26 de julho de 2009, propondo um modelo de licenciamento ambiental mais moderno, simplificado e alinhado à realidade produtiva, nos moldes da Lei Geral do Licenciamento Ambiental. O conjunto de iniciativas busca reduzir assimetria regulatória, burocracia excessiva e insegurança institucional, fortalecendo a competitividade da aquicultura brasileira e ampliando seu potencial de crescimento sustentável.

transparência e melhoria contínua, além de agregar
valor e ampliar acesso a mercados mais exigentes
Selo de qualidade fortalece produção e agrega valor à erva-mate
Símbolo da cultura do Sul e com relevância crescente no mercado nacional, a erva-mate avança em qualificação e padronização produtiva por meio da Certificação da Qualidade do Processo de Produção da Erva-Mate, iniciativa pioneira da Emater/RS-Ascar que abrange toda a cadeia produtiva, do campo à indústria. O sistema é estruturado em um manual com cerca de 150 requisitos técnicos, incluindo rastreabilidade, controle sanitário, gestão ambiental, segurança do trabalho e boas práticas industriais, todos alinhados à legislação vigente. A certificação exige auditorias periódicas, análises físico-químicas e microbiológicas, com verificação de contaminantes, resíduos e qualidade final do produto, garantindo segurança alimentar e conformidade regulatória. O selo, com validade de cinco anos e manutenção anual obrigatória, funciona como ferramenta de governança, transparência e melhoria contínua, além de agregar valor e ampliar acesso a mercados mais exigentes. Apesar de consolidado há mais de duas décadas, o programa ainda enfrenta desafios de adesão, mantendo caráter voluntário. Atualmente, o Rio Grande do Sul concentra empresas certificadas e em processo de adequação, reforçando sua posição como referência na produção qualificada de erva-mate no Brasil.
Cubanos avaliam abertura de mercado para frutas brasileiras
Uma missão técnica de Cuba realiza auditoria no Brasil para avaliar a abertura do mercado cubano à importação de frutas brasileiras, com foco na conformidade fitossanitária e rastreabilidade da produção. A inspeção é conduzida pela Organização Nacional de Proteção Fitossanitária (ONPF) de Cuba, que analisa protocolos aplicados à citricultura, especialmente na produção de lima ácida tahiti e laranja em São Paulo, incluindo controle sanitário, monitoramento de pragas e sistemas de rastreabilidade. As visitas técnicas contemplam unidades produtivas e centros de consolidação em Santa Adélia e Matão (SP), além de áreas no Vale do São Francisco (BA/PE) e em Vacaria (RS), abrangendo também cadeias de uva e maçã. O processo reforça a credibilidade do sistema fitossanitário brasileiro e pode ampliar o acesso a um novo mercado internacional, fortalecendo a diversificação das exportações e a competitividade da fruticultura nacional. A iniciativa evidencia o papel estratégico da sanidade vegetal, certificação e conformidade regulatória como pilares para expansão do agronegócio no comércio global.