Inscrições abertas para o Prêmio Mulheres do Agro

O avanço da participação feminina no agronegócio brasileiro consolida-se como um vetor estratégico para a modernização produtiva e o fortalecimento de práticas sustentáveis. Levantamento da consultoria Quiddity indica que mais de 80% dos entrevistados reconhecem a contribuição das mulheres para o setor, especialmente pela capacidade de introduzir inovação, pensamento crítico e novas abordagens de gestão. Ainda assim, o estudo evidencia uma lacuna relevante no campo da autopercepção: embora 93% reconheçam a influência feminina no agro, cerca de 40% das mulheres líderes ainda não se identificam plenamente como ocupantes naturais dessas posições, refletindo desafios culturais persistentes.

Mesmo diante dessas barreiras, os números revelam um cenário de expansão consistente. Atualmente, aproximadamente 947 mil propriedades rurais no Brasil são comandadas por mulheres, reforçando sua crescente presença nas decisões estratégicas da produção agropecuária. Dados do Censo Agropecuário do IBGE apontam que a participação feminina como gestoras de propriedades evoluiu de 13% em 2006 para 19% em 2017, podendo alcançar 34,75% quando consideradas as gestões compartilhadas, o que representa mais de 1,7 milhão de mulheres à frente da atividade rural.

No campo científico, o protagonismo também é expressivo. As mulheres ocupam 52% dos cargos em instituições de pesquisa ligadas à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, segundo a APTA, evidenciando sua relevância no avanço tecnológico e na geração de conhecimento aplicado ao agronegócio.

Investir em treinamentos e capacitação técnica para mulheres no campo pode aumentar sua eficiência e produtividade
Investir em treinamentos e capacitação
técnica para mulheres no campo pode
aumentar sua eficiência e produtividade

Reconhecimento institucional e estímulo à equidade

Nesse contexto de transformação, iniciativas de reconhecimento têm papel central na consolidação da liderança feminina. O Prêmio Mulheres do Agro, fruto da parceria entre a Bayer e a Associação Brasileira do Agronegócio, destaca-se como uma das principais plataformas de valorização do protagonismo feminino no setor. Desde 2018, a premiação promove visibilidade a trajetórias que combinam eficiência produtiva, sustentabilidade e impacto social, reforçando boas práticas alinhadas aos princípios de governança e responsabilidade socioambiental.

A 9ª edição do prêmio abre inscrições entre 1º de abril e 7 de junho, contemplando as categorias “Produtora Rural” e “Ciência e Pesquisa”. Podem participar mulheres que estejam à frente da gestão de propriedades ou vinculadas a instituições de pesquisa, desde que comprovem atuação consistente nos pilares ESG. As candidaturas passam por avaliação de uma banca independente, composta por especialistas de diferentes instituições, que analisam critérios técnicos, inovação e impacto das iniciativas.

Além de reconhecer resultados, a iniciativa atua como instrumento de transformação cultural ao estimular a autoconfiança e o senso de pertencimento feminino no campo, elementos essenciais para a sucessão familiar e a continuidade dos negócios rurais sob liderança feminina.

A presença feminina no agro promove a diversidade e inovação, apresentando soluções mais criativas e eficientes para os desafios agropecuários
A presença feminina no agro promove a diversidade
e inovação, apresentando soluções mais criativas
e eficientes para os desafios agropecuários

Desafios persistentes e consolidação de uma agenda inclusiva

Apesar dos avanços, o ambiente ainda apresenta entraves estruturais. Pesquisa da ABAG aponta que 45% das mulheres no agronegócio já enfrentaram algum tipo de preconceito de gênero, evidenciando a necessidade de evolução nas relações profissionais. Adicionalmente, mesmo apresentando maior nível educacional, com 9% das mulheres possuindo ensino superior completo, frente a 3% dos homens, ainda há desigualdade na remuneração, com rendimentos médios cerca de 18% inferiores.

A continuidade e expansão do Prêmio Mulheres do Agro reforçam o compromisso com a superação dessas disparidades. Ao longo de suas edições, a iniciativa consolidou-se como um catalisador de mudanças, ampliando sua relevância e alcance. Em 2026, a premiação integra as celebrações dos 130 anos da Bayer no Brasil, com evento previsto para o segundo semestre em São Paulo, simbolizando o fortalecimento de uma agenda corporativa voltada à diversidade, inclusão e inovação.

Ao final do processo, dez mulheres serão reconhecidas, sendo nove produtoras rurais e uma pesquisadora, em um movimento que reafirma que o protagonismo feminino deixou de ser complementar para se tornar estratégico no desenvolvimento do agronegócio. O reconhecimento institucional, aliado ao crescimento do engajamento feminino, sinaliza que a construção de um setor mais sustentável, competitivo e inclusivo passa, necessariamente, pela valorização da liderança das mulheres no campo.

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