Avaliações de desempenho confirmam a evolução genética e o eficiência produtiva consistente da raça Santa Gertrudis
A 2ª Prova de Avaliação de Desempenho (PAD) da raça Santa Gertrudis consolidou importantes indicadores de evolução genética e eficiência produtiva do rebanho nacional. Realizada no Centro Tecnológico Humberto de Freitas Tavares, na Central Bela Vista, em Botucatu (SP), a edição reuniu 59 animais oriundos de diferentes criatórios, sendo 35 machos e 24 fêmeas, submetidos a um rigoroso protocolo técnico de mensuração.
O modelo de avaliação incluiu 21 dias de adaptação às instalações e à dieta, seguidos por 56 dias de avaliação efetiva de desempenho, totalizando 77 dias de acompanhamento zootécnico intensivo. Durante esse período, os animais foram monitorados quanto a parâmetros de crescimento, eficiência alimentar e características de carcaça, com o objetivo de mensurar o potencial produtivo da raça sob condições controladas.
A dieta foi formulada para proporcionar ganho médio diário estimado de 1 kg, parâmetro utilizado como referência nutricional para o desempenho esperado. No entanto, os resultados superaram significativamente essa meta. Durante a fase oficial da prova, os machos registraram ganho médio diário de 1,57 kg, enquanto as fêmeas alcançaram média de 1,44 kg/dia, indicando desempenho superior ao planejado. Já no período de adaptação, os machos apresentavam média de 1,55 kg/dia, evidenciando elevado potencial de crescimento desde o início do protocolo. Entre os animais líderes, os ganhos ultrapassaram 2,18 kg/dia, com indivíduos alcançando pesos finais superiores a 530 kg aos 15 meses de idade, um indicador relevante de precocidade e eficiência produtiva.

Indicadores zootécnicos confirmam ganhos em eficiência alimentar e qualidade de carcaça
A comparação entre os resultados obtidos na edição de 2025 e os dados da prova anterior, realizada em 2024, evidenciou avanços expressivos no desempenho da raça. O principal destaque foi o crescimento próximo de 10% no ganho médio diário entre os animais líderes, indicador diretamente associado à precocidade produtiva e à eficiência dos programas de seleção genética.
Além do ganho de peso, observou-se evolução no peso final dos animais e maior uniformidade do grupo avaliado, com concentração mais significativa de indivíduos nas classes superiores de desempenho. Esse comportamento demonstra que o progresso genético não se restringe aos animais de destaque, mas se reflete em todo o conjunto avaliado, sinalizando amadurecimento do programa de seleção da raça.
Os indicadores de eficiência alimentar também confirmaram o elevado desempenho produtivo observado na prova. O consumo médio de matéria seca foi de 8,38 kg/dia para os machos e 8,03 kg/dia para as fêmeas, com conversão alimentar média de 5,45 e 5,61, respectivamente. Esses resultados evidenciam capacidade eficiente de conversão do alimento em ganho de peso, atributo fundamental para sistemas de produção que buscam maior rentabilidade e sustentabilidade.

boa habilidade materna e úberes funcionais
Na avaliação de carcaça por ultrassonografia, os resultados também foram consistentes. Os machos apresentaram média de 83,17 cm² de área de olho de lombo, indicador diretamente relacionado ao rendimento de cortes nobres. Nas fêmeas, o marmoreio médio atingiu 3,28%, acompanhado de espessura de gordura subcutânea média de 4,58 mm nos machos e 5,40 mm nas fêmeas. Os dados apontam avanço consistente na deposição muscular, no acabamento de carcaça e na qualidade da carne, características cada vez mais valorizadas pelo mercado.
PAD consolida ferramenta estratégica para seleção genética da raça
Os resultados obtidos na prova demonstram avanços fenotípicos consistentes nas principais características de interesse econômico, especialmente em desempenho ponderal, eficiência alimentar e qualidade de carcaça. Os machos avaliados superaram de forma significativa a meta nutricional estabelecida, reforçando a evolução genética da raça Santa Gertrudis e seu potencial produtivo em sistemas de pecuária moderna.
Outro ponto relevante foi o avanço observado na deposição muscular e no padrão de carcaça, características fundamentais para atender às exigências da cadeia da carne bovina. Os melhores indivíduos já foram selecionados para avaliação como touros jovens, e parte deles teve sêmen coletado na Central Bela Vista, ampliando a disponibilidade genética para criadores interessados em incorporar essas características aos seus plantéis.

expectativas da 2ª Prova de Eficiência Alimentar,
realizada na Central Bela Vista em Botucatu, SP
Entre os destaques individuais da edição, o animal 1729 DA JATOBÁ registrou o melhor índice geral da prova e liderou o ranking de machos, enquanto a fêmea 4/127 DA BILÍ alcançou índice 129,5, classificação Elite e liderança no ranking feminino. Esses resultados refletem um trabalho contínuo de seleção genética, manejo técnico e utilização de dados objetivos na tomada de decisão dentro dos programas de melhoramento.
Atualmente, a Prova de Avaliação de Desempenho (PAD) consolidou-se como uma ferramenta estratégica para orientar criadores e o mercado, oferecendo parâmetros confiáveis sobre desempenho produtivo e potencial genético dos animais. Os resultados mais recentes indicam que a raça Santa Gertrudis vem apresentando evolução consistente ano após ano, entregando animais mais precoces, produtivos e adaptados às demandas da pecuária contemporânea, especialmente em sistemas que priorizam eficiência alimentar, qualidade de carcaça e rentabilidade da produção de carne.
Santa Gertrudis: genética sintética adaptada à pecuária tropical
A raça Santa Gertrudis tem origem nos Estados Unidos e surgiu a partir de um desafio técnico: desenvolver um bovino de corte capaz de manter alta produtividade mesmo sob condições climáticas adversas. Esse processo teve início em 1910, nas fazendas do King Ranch, no Texas, onde foram conduzidos cruzamentos entre rebanhos de origem zebuína e taurina.

O trabalho de seleção ganhou notoriedade na década seguinte, especialmente com o surgimento do touro fundador Monkey, que se tornou um dos pilares genéticos da raça. Em 1940, o Santa Gertrudis foi oficialmente reconhecido pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, consolidando-se como uma das primeiras raças sintéticas desenvolvidas no hemisfério ocidental.
Geneticamente, a raça resulta do cruzamento entre 3/8 Brahman e 5/8 Shorthorn, combinação que reúne rusticidade, adaptação ao calor e elevado potencial de produção de carne. Sua chegada ao Brasil ocorreu em 1954, com a importação de aproximadamente 200 animais destinados a fazendas do interior paulista, principalmente na região de Presidente Prudente.
Entre suas principais características produtivas destacam-se crescimento acelerado, boa capacidade de deposição muscular, eficiência alimentar e adaptabilidade a sistemas tropicais de produção. As fêmeas apresentam boa habilidade materna e úberes funcionais, enquanto os machos se destacam pela virilidade, fertilidade e desempenho reprodutivo.

A pelagem vermelho-cereja, a pele espessa e bem adaptada ao clima e a estrutura corporal robusta são marcas fenotípicas da raça. O padrão racial é estabelecido pela Associação Brasileira de Santa Gertrudis (ABSG) e reconhecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), garantindo uniformidade genética, adaptabilidade e desempenho produtivo.
Na pecuária nacional, o Santa Gertrudis também se destaca como opção estratégica em programas de cruzamento industrial, permitindo que produtores evoluam gradualmente seus rebanhos comerciais por meio do sistema de puro por cruza, ampliando ganhos de produtividade, rusticidade e qualidade de carcaça ao longo das gerações.