Variedade classificada como convencional pode elevar a qualidade da madeira e reduzir uso de insumos químicos e energia na indústria de celulose
A biotecnologia florestal brasileira alcançou um novo marco regulatório. A FuturaGene, divisão de biotecnologia da Suzano, obteve aprovação formal da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para uma variedade de eucalipto geneticamente editado.
A autoridade reguladora confirmou que a tecnologia atende aos critérios de isenção da Resolução Normativa CTNBio nº 16, de 15 de janeiro de 2018 (RN 16), ou seja, não será tratada como organismo geneticamente modificado (OGM).
Na prática, isso significa que a variedade é
considerada equivalente a uma planta
obtida por melhoramento convencional

de genes de outras espécies, ocorrendo apenas edição
dirigida no DNA existente e o resultado pode ocorrer
naturalmente por mutações espontâneas
O que muda: edição genética de precisão
A nova variedade foi desenvolvida por meio do sistema CRISPR-Cas9, uma Técnica Inovadora de Melhoramento de Precisão (TIMP).
Diferentemente da transgenia tradicional:
- não há inserção de genes de outras espécies
- ocorre apenas edição dirigida no DNA existente
- o resultado pode ocorrer naturalmente por mutações espontâneas
Portanto, a planta não recebe material genético externo,
apenas tem genes ajustados com precisão molecular
Essa distinção é central para a classificação regulatória e para a adoção tecnológica no setor florestal.
Benefício industrial direto: melhor lignina, menos processamento
A edição foi projetada para alterar a composição da lignina, componente estrutural da madeira diretamente ligado ao consumo de químicos e energia na produção de celulose.

árvores cujo processamento é feito, principalmente,
para produzir papéis e fibras de tecidos

de papel e produtos à base de papel
O novo eucalipto geneticamente modificado,
aprovado pela Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança do Brasil (CTNBio), visa reduzir
o uso de produtos químicos e o consumo de
energia no processamento industrial
Impactos esperados
- melhor qualidade da fibra
- menor uso de reagentes químicos
- redução do consumo energético industrial
- maior eficiência no cozimento da madeira
Ou seja: a sustentabilidade começa na genética da árvore, não apenas na fábrica.
Próxima etapa: validação em campo
Após a aprovação regulatória, a empresa seguirá para testes de campo controlados em diferentes regiões do Brasil.
Esses ensaios avaliarão:
- estabilidade genética
- desempenho agronômico
- adaptação ambiental
- segurança biossanitária
Todos conduzidos conforme protocolos de biossegurança exigidos pela legislação brasileira.

de eucalipto como matéria-prima. A celulose
extraída dos cavacos é a base para a fabricação
de papel, papelão e outros produtos derivados
Histórico de inovação em biotecnologia florestal
A FuturaGene já acumulava 11 aprovações da CTNBio para eucaliptos geneticamente modificados, incluindo características como:
- aumento de produtividade
- tolerância a herbicidas
- resistência a insetos
Esta nova aprovação representa um avanço: é a primeira vez que um eucalipto editado e não transgênico recebe enquadramento regulatório como convencional.
Impacto para a sustentabilidade da cadeia da madeira
O desenvolvimento amplia o conjunto de ferramentas tecnológicas disponíveis ao setor florestal para enfrentar desafios estruturais:
- crescimento da demanda global por celulose
- mudanças climáticas
- escassez de recursos naturais
- necessidade de descarbonização industrial
A edição genética passa a atuar como tecnologia
complementar ao melhoramento clássico e aos transgênicos
Concluindo, aprovação cria um precedente regulatório relevante: reconhece oficialmente a edição genética de precisão como uma nova categoria tecnológica dentro da produção florestal sustentável. Mais do que uma inovação pontual, trata-se de um passo na transição para uma bioeconomia baseada em eficiência molecular, onde a performance industrial começa no DNA da planta.