Iniciativa integrará instituições de 13 estados para transferir tecnologias de sustentabilidade e produtividade a extensionistas e produtores
A criação de mecanismos estruturados de difusão tecnológica tornou-se um dos principais desafios para a consolidação da aquicultura brasileira em bases competitivas e ambientalmente responsáveis. Nesse contexto, a Embrapa Pesca e Aquicultura anunciou a implantação da Rede de Extensão e Inovação Aquícola (Reaqua), iniciativa concebida para organizar, padronizar e acelerar a transferência de tecnologias ao setor produtivo, tendo como público prioritário os agentes de assistência técnica e extensão rural, responsáveis por atuar como multiplicadores junto aos produtores.
Em sua fase inicial, a rede concentrará esforços na capacitação técnica sistemática de extensionistas, preparando a base operacional para a segunda etapa, quando serão instaladas Unidades Demonstrativas em condições reais de cultivo. O objetivo central é evidenciar, de forma prática, que o aumento da produtividade aquícola pode ocorrer de maneira compatível com critérios de sustentabilidade, com ênfase no pilar ambiental e na eficiência no uso de recursos naturais.
A Reaqua desenvolverá programas de atualização tecnológica direcionados às cadeias do tambaqui, da tilápia e do camarão, por meio de formações híbridas e seminários técnicos nacionais. O modelo prevê a criação de um ambiente permanente de intercâmbio entre extensionistas, pesquisadores da Embrapa, universidades e instituições parceiras, favorecendo a circulação rápida de conhecimento validado e reduzindo lacunas entre pesquisa e aplicação prática.

manejo alimentar de precisão, biosseguridade e sistemas
produtivos ambientalmente equilibrados
Atualmente, a rede reúne instituições de 13 estados brasileiros, incluindo o Itaipu Parquetec, e tem como estratégia ampliar sua capilaridade especialmente no nordeste, região considerada prioritária para expansão da aquicultura. A iniciativa busca encurtar o intervalo entre a validação científica e a adoção em campo, permitindo que inovações em manejo, nutrição e sanidade cheguem mais rapidamente às propriedades.
A implantação das Unidades Demonstrativas deverá permitir a avaliação operacional das tecnologias e sua visualização direta pelos produtores. Entre os benefícios esperados destacam-se otimização do uso de insumos, melhoria da qualidade da água, maior eficiência produtiva e redução de custos de produção. As recomendações técnicas priorizarão práticas sustentáveis, manejo alimentar de precisão, biosseguridade e sistemas produtivos ambientalmente equilibrados.
A primeira atividade oficial da Reaqua está programada para março de 2026, com webinário sobre cultivo multitrófico integrado, sistema que associa diferentes espécies em um mesmo ambiente produtivo para maximizar o aproveitamento de nutrientes e reduzir impactos ambientais, considerado uma das principais tendências tecnológicas da aquicultura moderna.