Ferramenta pública gratuita e desenvolvida em parceria com a UFMG atende norma da União Europeia, garante rastreabilidade e fortalece exportações
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançou a Plataforma Parque Cafeeiro, sistema público e gratuito destinado a toda a cadeia produtiva do café, com o objetivo de certificar a produção brasileira como livre de desmatamento. A ferramenta atende ao Regulamento (UE) 2023/1115, aprovado pelos países da União Europeia, que exige comprovação de que commodities agrícolas, entre elas o café, não sejam originadas de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020.
Desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a plataforma permite que produtores emitam declarações de conformidade ambiental, desde que cumpram os critérios estabelecidos pela legislação europeia. O sistema assegura rastreabilidade geográfica da produção, elemento essencial para manutenção do acesso ao mercado internacional, considerando que o café é produto estratégico para a balança comercial brasileira e base econômica de milhões de famílias. Com chancela do Governo Federal, exportadores e demais agentes passam a dispor de relatórios padronizados para comprovação da regularidade dos lotes perante importadores.

presença de representantes do governo de do setor cafeeiro
A ferramenta representa um avanço institucional relevante ao oferecer segurança jurídica, transparência e redução de custos de compliance ambiental, além de reforçar o posicionamento do país como fornecedor confiável de alimentos sustentáveis.
Integração de bases oficiais e governança de dados
A plataforma opera por meio da integração de diversas bases públicas através de APIs (interfaces de programação de aplicações), garantindo atualização quase em tempo real, consistência das informações e alinhamento às diretrizes de governança digital do governo federal. Essa arquitetura permitiu o mapeamento completo do parque cafeeiro nacional e a vinculação entre imóveis rurais e os critérios de desmatamento zero após 2020.
O monitoramento ambiental utiliza dados atualizados do Projeto PRODES – Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite, incluindo o módulo PRODES Marco Temporal, que consolida medições desde a promulgação da Constituição de 1988 e complementa as análises até 2020.
Além disso, o sistema verifica automaticamente:
- registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR)
- ausência de desmatamento superior a 0,5 hectare após 2020
- inexistência de sobreposição com Terras Indígenas, Territórios Quilombolas e Unidades de Conservação
Com isso, a plataforma diferencia objetivamente áreas regulares de áreas não conformes, protegendo produtores que adotam boas práticas ambientais.
Sensoriamento remoto e inteligência artificial
O mapeamento das lavouras foi realizado entre 2021 e 2025 utilizando imagens de satélites de alta resolução e modelos de inteligência artificial. A metodologia emprega Redes Neurais Convolucionais (CNNs), algoritmos de deep learning especializados em análise de imagens, capazes de identificar:
- lavouras em produção
- áreas em formação
- padrões de manejo
- fenologia da cultura do café
Esse processo garante precisão cartográfica, rastreabilidade contínua e confiabilidade estatística, requisitos cada vez mais exigidos pelo comércio internacional.
Impactos para o mercado
A ferramenta antecipa exigências regulatórias globais e padroniza a comprovação ambiental. Segundo representantes do setor público e exportador, a iniciativa promove:
- redução de custos de certificação
- padronização documental
- mitigação de barreiras comerciais
- valorização da origem brasileira
Na prática, o sistema fortalece a competitividade do país ao permitir que o Brasil produza em escala e comprove sustentabilidade por dados verificáveis, fator determinante para acesso a mercados premium.
A plataforma está em funcionamento e pode ser acessada CLICANDO AQUI.