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Adesão à tecnologia com cooperativismo

Produtor conectado no milharal

Atualmente, as cooperativas, associações e sindicatos são o ponto de acesso à tecnologia digital agrícola para 31% dos produtores rurais brasileiros

O cooperativismo é um importante movimento que nos últimos anos tem se consolidado, principalmente no agronegócio nacional. Segundo informações do AnuárioCoop 2022 – Dados do Cooperativismo Brasileiro, o total de pessoas associadas às sociedades cooperativas chegou a 18,8 milhões. O número é 10% superior ao de 2020. Especialistas veem esse tipo de organização como a alternativa mais rápida e segura no acesso das pequenas e médias propriedades rurais às tecnologias.

Esse sistema de organização gera oportunidades para todos na cadeia produtiva. É um caminho que mostra que é possível unir o desenvolvimento econômico e social, produtividade e sustentabilidade, o individual e o coletivo. Dessa forma o cooperativismo vem crescendo muito no Brasil e hoje mais de 50% da produção nacional passa por algum cooperado.

A agropecuária brasileira representa uma atividade que, ao longo dos anos, vem tendo elevada participação da tecnologia para promover o aumento da produtividade e consequentemente trazer maior geração de renda ao trabalhador. Entretanto, as principais tecnologias agrícolas possuem alto custo, tornando-as praticamente inviáveis para pequenas e médias propriedades rurais, representantes da grande maioria das propriedades agrícolas brasileiras.

A realidade do setor não é uniforme. Se, por um lado, as grandes propriedades rurais conseguiram introduzir inovação e novas tecnologias no campo, de outro, temos um exército de produtores rurais que ainda estão – em sua maioria – à margem desse processo.

Apesar de terem uma participação muito pontual na pauta de exportações brasileiras, os pequenos produtores rurais têm uma importância fundamental para a segurança alimentar da nossa população. De acordo com o Censo Agropecuário de 2017, existem cerca de 5 milhões de pequenas propriedades rurais no país, o que representa 77% dos empreendimentos voltados ao agronegócio. Esses agricultores se destacam principalmente pela produção de feijão, arroz, trigo, milho, mandioca, pela pecuária leiteira, criação de suínos e aves; além de dominar segmentos como a produção de hortifruti (frutas, legumes e verduras).

A importância estratégica desses pequenos produtores e sua representatividade numérica, entretanto, não asseguram a esses empresários o devido acesso às políticas públicas que permitam o incremento da sua produtividade e competitividade. Distante, na maioria das vezes, do crédito, de seguros rurais e, consequentemente, das tecnologias inovadoras que levaram o país a um papel de protagonista na produção de alimentos para o mundo, as pequenas e médias propriedades precisam lutar cotidianamente contra as dificuldades naturais, a falta de infraestrutura e de apoio.

Nesse contexto, uma pesquisa realizada pelo Sebrae, em 2020, identificou que 67% dos pequenos produtores acreditam na necessidade cada vez maior do uso de tecnologias para o planejamento das atividades no campo. Na contramão desse cenário, entretanto, eles apontam a existência de sérios obstáculos, principalmente no acesso à internet. Ao mesmo tempo, esses agricultores também demonstram um grau elevado de insegurança no uso de novas tecnologias (40% dos entrevistados), resultado – entre outros fatores – da ausência de capacitação para esse novo momento.

Trator de pequeno porte com cabine climatizada e tecnologia embarcada em operação na lavoura

O primeiro passo para mudança dessa realidade que desafia o futuro do país na produção de alimentos começa por uma mudança cultural. Entendemos que os pequenos e médios produtores precisas enxergar a si mesmos como empresários e a suas propriedades como negócio. Isso significa, entre outras coisas, incorporar a lógica da gestão qualificada e do planejamento – própria de qualquer empreendedor dos centros urbanos. O mercado consumidor do Brasil está em transformação e o produtor rural precisa estar atento para acompanhar mudanças e antecipar as tendências. Tem-se registrado uma crescente procura por itens com origem certificada, alimentos orgânicos, além de produtos social e ambientalmente sustentáveis. O consumidor está cada vez mais atento a tudo que diz respeito aos alimentos que consome e exige do mercado essa informação.

Importância e as vantagens de usar tecnologia no campo

A aplicação de tecnologia no campo é um divisor de águas na agricultura. A tecnologia mudou a forma como o produtor gerencia todos os processos do plantio. Ou seja, os métodos tradicionais, que eram, em muitos casos, onerosos e, por vezes, demorados, cederam espaço para o uso de inovações que trazem eficiência, melhor manejo da lavoura, redução dos custos e resultam em uma maior produtividade para o setor e, claro, bem estar social e geração de renda.

Hoje, por exemplo, um produtor consegue monitorar remotamente sua lavoura de diversas formas, através do uso de imagens de satélites, que permitem visualizações diretamente do computador, tablet, ou mesmo de um celular, podendo fazer isto a qualquer hora e de qualquer lugar do mundo.

A utilização de tecnologias inovadoras traz diversos benefícios, como:

Trator de médio porte com tecnologia embarcada

Tecnologias mais acessíveis ao produtor

Existem opções acessíveis que são capazes de oferecer mapas, gráficos e números de produção de fácil visualização e operação. Uma possibilidade é apostar em ferramentas que são aptas para mapear e prever a produtividade. Podemos encontrar plataformas no mercado que permitem o acesso à informações essenciais e relevantes a qualquer produtor, como programas capazes de informar, estimar e projetar a produtividade agrícola em tempo recorde. Isso é possível por meio de pesquisas de alto rigor metodológico, acurácia, objetividade e muita inovação, estudos que resultam num complexo algoritmo capaz de realizar previsões com taxa de acerto superior a 90%.

Estação meteorológica compacta na lavoura

Pagando uma taxa de assinatura relativamente baixa, gerando um custo de centavos por hectare, é possível acessar tecnologias inovadoras que garantem ferramentas fundamentais para o crescimento e lucro na lavoura, independentemente do tamanho da área. Para as pequenas e médias propriedades, a necessidade por tecnologia, por muitas vezes, está ligada às necessidades básicas, como as de saneamento básico e redução do desperdício de água durante a irrigação.

O grande desafio das cooperativas não é apenas o de buscar tecnologias no mercado, mas sobretudo desenvolver estratégias para torná-las acessíveis aos agricultores. Todas as alternativas precisam se enquadrar no conceito ESG, sigla em inglês para “Environmental, Social and Governance“, que em português pode ser traduzido como ambiental, social e governança.

Algumas das tecnologias disponíveis para o produtor são: GPS agrícola, robótica na agricultura, internet das coisas, drones e irrigação automática, energias alternativas, sistemas construtivos sustentáveis (residências ecológicas, saneamento, galpões ecológicos, salas de ordenha, cocheiras, biodigestores, etc.), máquinas, equipamentos e implementos agrícolas, sensores, celulares, tablets, notebooks, softwares, aplicativos, etc.

Mas como aplicar tudo isso de forma mais barata e acessível ao produtor?

Com vontade, perseverança e cooperativismo!!!

Podemos encontrar aplicativos gratuitos de linguagem simples e que estão à disposição para facilitar a vida do agricultor. Também nos deparamos com muitas marcas de maquinários e implementos agrícolas no mercado que possuem tecnologia integrada ao seu sistema, capazes de monitorar o controle sobre todas as etapas do plantio, reduzindo os custos de produção.

Gerir uma fazenda não é tarefa fácil, o produtor sabe o desafio que é fazer o gerenciamento de todos os processos da propriedade, principalmente sem a ajuda de especialistas ou sem uma ferramenta de suporte.

Trator de médio porte com cabine climatizada, tração 4×4, tecnologia embarcada em operação de gradagem

Cada dia mais, torna-se comum o uso de aparelhos móveis no campo que auxiliam a gestão, pois proporcionam a interação com diversas pessoas e podem facilitar a organização das práticas rotineiras da propriedade. Para melhorar o monitoramento das atividades, o mercado agropecuário vem oferecendo diferentes tecnologias para o campo, como softwares e aplicativos que otimizam o tempo e contribuem para o aumento da produtividade, além de ser acessíveis devido ao baixo custo ou custo zero.

Como a procura por tecnologia está em alta, os preços dos produtos e serviços inovadores tiveram redução e as condições de pagamento se tornaram mais flexíveis. O governo federal também criou políticas de incentivo ao acesso de tecnologias para a produção agrícola.

As tecnologias mais utilizadas

Vamos começar pelas tecnologias mais acessíveis às pequenas e médias propriedades. Para essas a necessidade por tecnologia, por muitas vezes, está ligada às necessidades básicas, como as de saneamento básico e redução do desperdício de água durante a irrigação. As tecnologias sociais de saneamento básico rural podem contribuir com a qualidade de vida e produtividade do pequeno e médio produtor. Em seguida passaremos para as demais tecnologias disponíveis no mercado na atualidade.

1-Saneamento básico

Menos de 20% das propriedades rurais do Brasil possuem sistemas adequados para tratamento de esgoto doméstico. Essa ausência no tratamento pode proporcionar alta contaminação do solo e das águas, tendo como consequência uma série de doenças de veiculação hídrica, além dos impactos ambientais negativos.

Fossa séptica biodigestora
Jardim filtrante

As tecnologias sociais de saneamento básico rural, pela sua concepção e aplicabilidade, são as mais acessíveis aos pequenos e médios produtores rurais, pois possuem baixo custo, exigem pouca manutenção e baixo manejo por parte do usuário, tornando-as naturalmente mais acessíveis. As principais tecnologias sociais de saneamento básico rural desenvolvidas são:

2-Irrigação

Entre as preocupações de uma cooperativa, principalmente no pilar ambiental, está o uso racional da água por seus cooperados. O Brasil é um dos principais países no mundo na produção de grãos e de alimentos, pois apresenta as três condições necessárias para a produção (terra, sol e água) de forma quase que generalizada, porém, sabe-se que este último é um recurso cada vez mais escasso. Dessa forma, é importante tomar cuidado e utilizá-la de forma consciente.

No caso da irrigação por exemplo, é importante a adoção de um sistema planejado e bem tecnificado, além de econômico, que forneça à planta somente a quantidade necessária de água que ela precisa, evitando principalmente o estresse hídrico e ao mesmo tempo o desperdício do recurso hídrico.

Produtor programando seu equipamento de irrigação

A maior economia de água, no ato da irrigação de uma lavoura, consiste em acertar o momento correto que a planta precisa e na quantidade exata, no local correto, sempre aproveitando o recurso que já está disponível no solo. Os sensores de irrigação representam tecnologias agrícolas de baixo custo bastante interessantes para pequenos e médios produtores rurais. Esses sensores foram desenvolvidos como indicadores do momento de irrigar a produção agrícola, evitando o desperdício de água e, consequentemente a sobrecarga do solo. Nesse contexto, Irrigador Solar se destaca como uma tecnologia bastante acessível à pequenos e médios agricultores. Este é um dispositivo que não utiliza energia elétrica ou combustível para bombear água para pequenos espaços produtivos, pois é um sistema ativado pela energia solar, podendo ser adaptado para hortas e, inclusive, espaços urbanos.

Uma outra ferramenta eficiente nesse sentido é o gerenciamento remoto e manejo da irrigação. A ideia é aplicar realmente o necessário, permitindo que as plantas expressem o máximo do seu potencial produtivo. Tudo isso com foco em reduzir os custos com energia e o uso da água, uma solução altamente eficiente e sustentável. Além disso, é importante salientar que a agricultura irrigada pode proporcionar uma produtividade de duas até três vezes maior do que áreas de sequeiro (não irrigadas).

A técnica oferece outras vantagens, como: melhoria na qualidade dos produtos, redução de custos unitários, atenuação dos impactos da variabilidade climática, otimização de insumos e equipamentos e o aumento na oferta e na regularidade de alimentos.

3-Aplicativos

São muitas as vantagens que os apps podem oferecer, já que várias atividades operacionais e gerenciais podem ser acompanhadas em tempo real pelo produtor no seu celular:

Agricultor avaliando a qualidade do milho

Algumas das tecnologias em forma de aplicativos gratuitos disponíveis para o produtor rural

Produtor identificando doença na lavoura

De forma geral, as tecnologias digitais que os produtores mais utilizam são ligadas à Internet para atividades agropecuárias, além de apps e softwares para divulgação de informações e para a gestão da propriedade. Já as principais funções dessas tecnologias digitais utilizadas pelos agricultores têm relação com:

4-Máquinas, equipamentos e implementos agrícolas

As máquinas, equipamentos e implementos agrícolas ajudam muito. Estamos na era das máquinas inteligentes e elas existem de diferentes portes para atender diferentes necessidades. O ganho de produtividade na agricultura depende totalmente do uso das máquinas agrícolas. Presentes desde a preparação do solo até a colheita, elas são fundamentais para o agricultor ganhar escala na produção e prover alimentos às grandes cidades. Os maquinários não são nenhuma novidade, mas a evolução desses equipamentos está mais acelerada do que nunca. Com as tecnologias digitais, tratores, colheitadeiras, plantadeiras, etc., são capazes de coletar dados e mensurar o próprio funcionamento. Através da digitalização, que as máquinas agrícolas começaram a se tornar, de fato, precisas e automatizadas.

Plantadeiras e semeadeira de pequeno porte
Plantadeira hidráulica para plantio direto para pequenas propriedades

A conectividade, o sistema de posicionamento global (GPS), entre outras inovações da época, proporcionaram uma série de benefícios que aumentaram significativamente a produtividade no setor. As máquinas são precisas e permitem o ajuste de detalhes no solo, adubação, plantio e colheita, o que resulta em maior eficiência. A evolução em tratores, colhetadeiras e plantadeiras não para e o investimento vale cada centavo. Uma geração máquinas autoguiadas está em grande crescimento maximizando a produção, garantindo uniformidade, reduzindo custos e erros.

5-Sensores

Na agricultura, os sensores podem auxiliar em informações sobre a vegetação, solo, clima e qualidade sobre o cultivo, por exemplo. Eles também estão presentes em tratores para alinhar melhor o plantio de sementes, no controle de estoque dos silos e no armazenamento de sementes. Os sensores permitem obter informações de qualidade sobre o cultivo, clima local e o solo. Além disso, é possível obter informações que vão além da percepção humana. Existem vários tipos de sensores aplicáveis na agropecuária: ópticos; térmicos; elétricos; de placa de impacto. Eles potencializam e agilizam a coleta de dados; realizam comandos de forma automática ou remota; e executam tarefas e ações a distância em tempo real.

Os sensores são grandes aliados no desenvolvimento da agricultura de precisão. Isto é, são elementos importantes para seu desenvolvimento e sucesso. No entanto, muitas pessoas ainda não conhecem os tipos de sensores disponíveis atualmente, suas funções, vantagens e aplicações. Sistemas de sensoriamento, quando aliados à técnicas de agricultura de precisão, oferecem melhoria significativa no processo produtivo. Isso sem contar melhoria na sustentabilidade ambiental e em seu potencial retorno econômico.

Sensores distribuídos estrategicamente na lavoura

Como exemplo podemos destacar a aplicação localizada de insumos, em tempo real, em cada lavoura e de acordo com as suas necessidades específicas. Softwares e aplicativos aliados a sensores na agricultura monitoram culturas, custos, receitas, condições meteorológicas e outros fatores de operação de fazenda. Da mesma forma que o maquinário agrícola complementa o serviço braçal do agricultor, os sensores são seus olhos e ouvidos na lavoura, mesmo que de forma remota.

Além de permitir identificar e obter dados de forma ágil e facilitada, também permitem executar tarefas difíceis ou em condições de trabalho inacessíveis aos seres humanos. Com sensores, é possível destacar a análise e desenvolvimento de índices de vegetação. Assim, é possível obter índice de crescimento, estado nutricional e também produtividade. É possível ainda analisar questões como estresses bióticos e abióticos; estimar o crescimento e as condições da planta; além de prever e classificar a produtividade das culturas.

6-Drones

O investimento em drones é muito válido. Eles auxiliam bastante na fiscalização e monitoramento da propriedade, suas lavouras, criações e demais atividades, permitindo o controle mais rápido e a localização de pragas e doenças por exemplo. As imagens também são utilizadas para o cálculo da administração de insumos. O custo varia de acordo com modelo e utilização. A tecnologia vem ganhando força no campo e as ferramentas tecnológicas surgem para facilitar e impulsionar os resultados para agricultores e pecuaristas.

Produtor pilotando um drone na sua lavoura

O drone é um equipamento não tripulado equipado com câmeras que pode ser guiado através de um controle remoto. As imagens e vídeos permitem o acesso em tempo real a informações valiosas para produtores rurais. O equipamento aéreo auxilia no monitoramento de lugares de difíceis acessos das fazendas e oferece praticidade. Além disso, algumas das vantagens para as propriedades rurais são:

O drone pode ser considerado uma ferramenta de gestão que fornece informações precisas e que podem ser relacionadas a outros indicativos. A análise destes dados favorece a tomada de decisão mais assertiva. Os produtores podem aumentar a capacidade produtiva, economizar insumos e garantir o sucesso do investimento agrícola. Antes era necessário um tempo maior para fazer as análises de dados da plantação ou produção agrícola e os recursos não eram suficientes, o que não garantia a exatidão dos dados.

É importante que o responsável por controlar o equipamento seja treinado para evitar possíveis acidentes, saber a distância entre o equipamento e as pessoas, altura máxima, classificação de drones e entre outras habilidades que estão previstos na regulamentação brasileira. O valor do investimento varia de acordo com o equipamento escolhido, se será utilizado em áreas pequenas ou grandes, quantidade de recursos, etc. Atualmente, a variação é de R$ 4.000,00 a R$ 3 milhões, com possibilidade também de contratar empresas que terceirizam esse tipo de serviço. Com tantas aplicações que beneficiam o produtor rural, algumas pesquisas na área da agricultura já conseguem afirmar que o drone pode dar um retorno de 15% a 20% no aumento da produtividade. Nos últimos 5 anos, o aumento no uso de drones na agricultura foi de 172%. A projeção da expansão até 2025 é exponencial.

Produtor com notebook na lavoura

7-Celulares, tablets e notebooks

A comunicação, o registro e o compartilhamento de informações através de dispositivos móveis é um caminho sem volta. Com diversas formas e custos, essa tecnologia está acessível a qualquer tipo de propriedade, agilizando as decisões. Equipados com aplicativos de fácil compreensão e muitos deles gratuitos, auxiliam os produtores na rotina diária das atividades agropecuárias. Por estes aparelhos, por exemplo, é possível realizar compras de produtos agropecuários para a propriedade através da internet, de forma fácil e rápida.

8-Energias alternativas

Também conhecidas como renováveis, as fontes alternativas de energia são responsáveis por realizar uma geração elétrica de baixo impacto ambiental e que também é sustentável. A energia solar, eólica e hídrica são exemplos de energias alternativas. Assim, diferente das energias convencionais, as fontes de energia alternativas não usam combustíveis fósseis. No Brasil, as energias alternativas têm sido usadas há muito tempo, correspondendo a quase 84% de toda a matriz energética, porém, no mundo, a situação é outra: apenas 14% da matriz energética mundial é composta por fontes de energia alternativas.

9-Sistemas construtivos sustentáveis

A construção sustentável é definida como uma tecnologia que busca a restauração e manutenção da harmonia entre os ambientes naturais e construídos, reduzindo os impactos negativos e criando impactos positivos ao meio ambiente durante todas suas etapas de desenvolvimento. Nesse conceito podemos construir residências rurais, galpões e demais instalações rurais. Os benefícios das construções sustentáveis são inúmeros, entre eles podemos destacar: aumento da satisfação, produtividade e bem-estar dos usuários; otimização de custos; diminuição dos custos operacionais; modernização e menor obsolescência da edificação; valorização do imóvel; redução do consumo de água e energia; mitigação dos efeitos das mudanças climáticas; posicionamento estratégico de mercado.

Residência rural sustentável

Como principais aspectos de uma construção sustentável podemos destacar:

Dificuldades para o acesso à agricultura digital – Resistências dos produtores rurais a novas tecnologias

Insegurança no campo, alto custo pra produzir, controle de pragas, déficit de armazéns, falta de mão-de-obra qualificada, dificuldades para escoar a safra, baixo preço dos produtos, barreiras no mercado externo. Esse é um rol de problemas que já faz parte do cotidiano do homem do campo. O desafio, agora, é ampliar o uso das tecnologias, melhorar qualidade e velocidade do sinal de internet e fazer melhor uso dos serviços digitais.

Softwares de gestão, sistemas de rastreamento via satélite, drones, máquinas agrícolas de precisão, sensores terrestres, sistemas de irrigação controlados de forma remota, ferramentas que melhoram a eficiência e a produtividade da lavoura e da produção animal são algumas das soluções tecnológicas voltadas ao campo, que permitem ao produtor rural tomar decisões embasadas por informações precisas e em tempo real. No entanto a adoção destas inovações esbarra em dois grandes gargalos: falta de conectividade na zona rural e a resistência do produtor à tecnologia.

Em um país de dimensões continentais e com grande desigualdade de infraestrutura, conseguir levar internet até as propriedades rurais se torna um enorme desafio, uma vez que a falta de conexão com a internet no campo pode gerar impactos expressivos na eficiência, produtividade e oportunidades para os agricultores e pecuaristas brasileiros.

Sem conectividade, o produtor tem dificuldade para acessar tecnologias avançadas, na comunicação eficaz e rápida dentro e fora da porteira, o que pode levar a problemas de coordenação e atrasos na tomada de decisões importantes, na obtenção de informações sobre preços de mercado, condições climáticas, técnicas de manejo etc., podendo induzi-lo a tomar decisões erradas; atrasos na manutenção de equipamentos agrícolas e outras infraestruturas importantes; além da perda de eficiência e de oportunidades de mercado.

E a resistência do produtor à adoção de tecnologia? Ele reconhece a importância de adotar tecnologias que vão facilitar seu dia a dia na fazenda, além de trazer maior rentabilidade ao seu negócio, mas ainda é reticente ao seu uso. Fica na defensiva dizendo que tecnologia é cara, que não serve pra ele. O produtor precisa entender que implementar tecnologias exige o uso de internet e que esse é um investimento que vai melhorar e acelerar os resultados da fazenda. E mais que isso, é preciso levar a conectividade para toda a propriedade, para que a comunicação entre diferentes ferramentas aconteça sem interferências e, principalmente, que o funcionário no campo consiga se comunicar de forma ágil com a sede da fazenda.

Quando o produtor entende a importância de estar conectado e começa a entender melhor as ferramentas que estão a sua disposição dá um salto na eficiência da gestão da fazenda, ganhando em produtividade e rentabilidade. Essa dificuldade tem relação direta com o investimento que deve ser feito na tecnologia. A grande dificuldade dos produtores com boa parte das novas tecnologias agrícolas não está na acessibilidade em si, mas na percepção de valor.

Produtor sendo apresentado à tecnologia

Um serviço que pode gerar economias de mais de R$ 200 mil por safra e que cobra um valor próximo de 10 a 20% dessa economia é caro? É claro que é um valor alto para pequenos e médios produtores. Mas, neste caso, trata-se de um serviço especializado que geraria no mínimo R$ 160 mil de redução de custos. São R$ 160 mil que podem ser aplicados em uma série de outras áreas para otimização da fazenda e para aumento da produtividade da lavoura. Esse é um exemplo com números fictícios, mas completamente possível.

Há no Brasil ainda alguns paradigmas associados aos avanços tecnológicos, porém, através de esclarecimentos aos pequenos e médios produtores, dia a dia, será possível desmistificar essa cultura enraizada, gerando cada vez mais valor aos agricultores. A informação é o melhor remédio para qualquer comportamento que se caracterize como tecnofobia (medo da tecnologia, da inovação, da novidade).

A ciência explica essa resistência humana. O medo de encarar situações não vivenciadas antes é mais comum do que parece. O novo para os seres humanos, aciona instintos de sobrevivência, de proteção frente ao desconhecido, o que é inicialmente uma resposta automática (fisiológica e psíquica), de defesa.

São relatados quatro tipos principais de razões para a resistência à inovação. O primeiro é a resposta intuitiva à novidade. O segundo fator são os interesses pessoais, como o medo de perder o emprego para uma máquina ou de um tipo de produto parar de ser vendido por conta do surgimento de outro. Aqui, a resistência não se deve ao novo, mas à percepção de prejuízo em potencial. O terceiro é, provavelmente, o que mais se manifesta nos dias atuais: os desafios intelectuais, barreiras para entender como funciona a tecnologia. Por fim, há o fator comportamental: um modelo de negócio que muda a forma como lidamos com determinadas situações cotidianas pode ser entendido como uma ameaça.

Dia de campo sobre tecnologia promovido por cooperativa

Quando se leva educação e apresenta-se a capacidade tecnológica que tem o país, é sempre uma surpresa muito grande de quem está do outro lado. A tecnologia sempre demora mais para chegar nos menores, por isso, a importância de ter pessoas engajadas para atender a essa grande quantidade de pessoas que precisam de suporte tecnológico. Por meio de simples explanações e ferramentas básicas consegue-se resultados surpreendentes. São inúmeras as opções tecnológicas eficientes e viáveis para a geração de resultados, renda e bem estar no campo.

Os principais desafios para maior difusão das tecnologias agrícolas em pequenas e médias propriedades é encontrar a melhor solução técnica, no que diz respeito ao desempenho, combinando com a adequabilidade ao ambiente no qual o agricultor está inserido.

Como conectar pequenos e médios produtores à agricultura digital?

Essa é a pergunta de 1 milhão de reais. E não possui apenas uma resposta. Uma das respostas certeiras nesse sentido é através da participação ainda mais ativa das associações e cooperativas agropecuárias de todo o país. Elas representam um ponto de contato importante, tanto para a divulgação dessas novas tecnologias agropecuárias, quanto para a conexão dos prestadores de serviços especializados com os produtores rurais. Atualmente, as cooperativas, associações e sindicatos são o ponto de acesso à tecnologia digital agrícola para 31% dos produtores rurais brasileiros. Essa conexão deve ser incentivada.

Outro ponto essencial para permitir que a agricultura digital se torne uma realidade para pequenos e médios produtores brasileiro é a conectividade. Esse ponto ainda é uma barreira à expansão dessas tecnologias apresentado anteriormente nessa matéria. Isso acontece por dois motivos principais: o Brasil é um país continental, territorialmente falando, e ainda sofre com a falta de infraestrutura de telefonia e internet nas zonas rurais. Estamos evoluindo nesse quesito, é fato, mas comparando com outros países com extensões territoriais próximas como a China e os EUA, estamos bem atrasados.

Cafeicultor usando a tecnologia no cafezal

Isso inviabiliza bastante a implementação de sensores conectados, maquinários e muitas outras tecnologias que dependem do acesso à internet para funcionarem com alta precisão e qualidade. O ponto positivo é que a conectividade no campo tem sido vista como uma prioridade por basicamente todo o agronegócio e mesmo pelos governos e operadoras. A agricultura digital está ganhando bastante território e promete transformações importantes a cada dia. Os produtores rurais estão começando a entender que o futuro da produção agropecuária depende dessas novas tecnologias.

Desafios para difusão das tecnologias agrícolas para produtores

Tanto a capacitação para o correto uso quanto a manutenção dos sistemas são ações fundamentais para aproveitar o máximo das tecnologias. Os principais desafios para maior difusão das tecnologias agropecuárias em pequenas e médias propriedades é encontrar a melhor solução técnica, no que diz respeito ao desempenho, combinando com a adequabilidade ao ambiente no qual o agricultor está inserido. Ao desenvolver e projetar uma tecnologia agropecuária é necessário avaliar como o sistema funcionará e a harmonia dele com o ambiente, de forma que ela não seja abandonada, por alta complexidade ou demanda exagerada de operação/manutenção.

Dia de campo para apresentação e treinamento da tecnologia de automação da irrigação

Além disso, é fundamental que exista acompanhamento no uso dessas tecnologias, garantindo a obtenção do máximo que elas podem proporcionar. Aí a participação efetiva da extensão rural e da cooperativa é fundamental. A cooperativa pode estabelecer arranjos com o apoio da rede de parceiros institucionais como EMATER e Sebrae, além de outros órgãos ligados à área agropecuária e ambiental.

Esse tipo de sinergia vai ao encontro desse esforço para promover a mudança tão necessária no campo. A meta principal é estimular os empreendedores rurais a entrarem com profundidade no mercado digital, para que consigam superar os desafios e se preparar da melhor maneira possível para uma nova economia preocupada com sustentabilidade.

Extensionista apresentando a tecnologia ao produtor

O Brasil precisa promover uma nova revolução no campo, que passa, principalmente, por propiciar aos milhares de pequenos e médios produtores rurais melhores condições de trabalho e resultados. Se faz necessário aumentar o nível de produtividade dessas propriedades, elevando também os níveis de rentabilidade desses negócios e bem estar às famílias rurais, fundamentais para o país. O desenvolvimento desses agropecuaristas, com qualificação adequada e acesso às novas tecnologias, vai contribuir para proporcionar ao trabalhador do meio rural ainda mais conhecimento e oferecer a estes profissionais uma vida ainda mais próspera.

Concluindo

As transformações neste meio vêm acontecendo constantemente. O produtor rural precisa estar atento às novidades e avaliar as condições de investimento para que consiga alcançar os melhores resultados com essas facilidades. O Ministério da Agricultura possui um Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro). O objetivo é oferecer linhas de crédito para aqueles produtores que precisam de conectividade no campo através da aquisição de equipamentos de agricultura de precisão. As taxas de juros são baixas para estimular a informatização e acesso à internet nas propriedades rurais.

As tecnologias estão aí para somar, adaptáveis a todo o tamanho de propriedade, cabe ao produtor escolher qual se adapta melhor a sua necessidade e capacidade financeira. Toda a tecnologia que chega até nós, já foi testada e comprovada, então o maior esforço está em contribuir para tornar os produtores rurais brasileiros cada vez mais tecnificados e satisfeitos com nossos resultados.

Com o cooperativismo é importante buscar constantemente ferramentas como essas aqui apresentadas, que além de maior produtividade, vão gerar aos cooperados uma produção cada vez mais eficiente e sustentável e bem estar no campo.

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